BRB afasta cinco funcionários citados em investigações internas sobre o caso Master

Foto de 18 de novembro de 2025 mostra a fachada do prédio do Banco de Brasília (BRB)
Mateus Bonom/Reuters
O Banco de Brasília (BRB) decidiu afastar, de forma cautelar (preventiva), cinco empregados citados em investigações internas relacionadas às transações com o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.
Em nota, o BRB afirmou que a decisão foi tomada pela corregedoria do banco, com aval do Conselho de Administração. Os nomes e os cargos desses empregados não foram divulgados.
“O Banco reforça que os afastamentos são cautelares e não representam antecipação de juízo em relação ao mérito das investigações”, informou o BRB em nota.
Em agosto, os acionistas do BRB também autorizaram o banco a acionar, na Justiça, ex-gestores que sejam considerados responsáveis pelos prejuízos. O banco tem 90 dias, contados a partir da aprovação, para definir essa lista.
Segundo a Polícia Federal, a gestão fraudulenta de ex-dirigentes do BRB nas operações com o Banco Master envolveu carteiras de R$ 17,5 bilhões. O Master foi liquidado pelo Banco Central e, agora, o governo do DF tenta reaver parte desses valores para cobrir o rombo deixado no BRB.
De acordo com o relatório da PF, o BRB dispunha de “sinais prudenciais, financeiros e reputacionais relevantes sobre o Banco Master, formalmente incorporados ao seu ambiente informacional, mas não demonstrou sua consideração no processo decisório”.
PF diz que gestores do BRB não foram vítimas do Master
Responsabilização
A Polícia Federal apontou a participação de seis ex-integrantes da diretoria colegiada nas aprovações das carteiras do Master.
Segundo os peritos, os dirigentes presentes nas reuniões ficaram vinculados documentalmente às decisões aprovadas por unanimidade.
O laudo afirma que eles participaram de deliberações sobre continuidade das operações, novas aquisições, flexibilização de alertas de risco e complementação posterior de documentos.
Esses gestores já foram afastados da atual diretoria do banco. São eles, junto ao cargo que ocupavam no banco:
Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa – Presidente
Cristiane Maria Lima Bukowitz – Diretora Executiva de Gestão de Pessoas
Dario Oswaldo Garcia Junior – Diretor Executivo de Finanças e Controladoria
Luana de Andrade Ribeiro – Diretora Executiva de Controle e Riscos
Diogo Ilário de Araújo Oliveira – Diretor Executivo de Atacado e Governo
José Maria Correa Dias Junior – Diretor Executivo de Tecnologia
O diretor jurídico Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo não foi vinculado às aprovações porque, segundo as atas analisadas, não tinha direito a voto ou estava ausente nas deliberações.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Brasil e Estados Unidos marcam reunião presencial para negociar tarifaço

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, vão se reunir presencialmente entre os dias 30 de setembro e 1° de outubro, às margens de uma reunião preparatória do G20, nos EUA.
A informação foi confirmada pelo ministro Márcio Elias Rosa. Também vai participar do encontro o ministro Mauro Vieira.
Essa será a primeira reunião presencial entre os dois países desde a retomada das negociações sobre o tarifaço.
“Há uma reunião do G20 programada para o dia 30 de setembro e 1º e outubro lá nos Estados Unidos e expectativa tanto nossa quanto do USTR é que nós façamos uma reunião presencial lá. O ministro Mauro Vieira e eu iremos para Milwaukee e lá nós teremos um encontro muito provavelmente com o embaixador Greer, do USTR. Nós combinamos de fazer esses encontro lá e as equipes técnicas vêm conversando normalmente”, disse Márcio Elias.
Questionado se já haveria algum acordo na negociação, o ministro afirmou que não. E declarou que, desde a última conversa virtual, as equipes estão “trocando documentos e encaminhando essa próxima reunião que deve acontecer nos Estados Unidos.”
O ministro explicou que a reunião preparatória do G20 nesse período será de ministros de Indústria e de Comércio e que a agenda dos dois países será intensa.
“Teremos reuniões bilaterais com quase todos os participantes do G20, mas a reunião que nós queremos realizar, de negociação, é essa”, declarou.
Entenda o tarifaço
Agora no g1
A determinação de uma sobretaxa geral sobre produtos brasileiros decorreu da conclusão de um processo formal do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo americano acusou o Brasil de práticas comerciais e regulatórias desleais, apontando entre os entraves:
Barreiras à entrada do etanol norte-americano no mercado brasileiro;
Preocupações e questionamentos quanto ao controle e concorrência do sistema PIX;
Decisões judiciais contra plataformas de redes sociais e debates sobre tributação digital;
Demandas ligadas a combate a desmatamento ilegal, corrupção e propriedade intelectual.
As alíquotas e diferenciação de produtos
As exportações brasileiras passaram a se enquadrar em diferentes faixas tarifárias.
Tarifa de 25%: incide sobre bens industriais, agrícolas processados e manufaturados. Atinge principalmente:
etanol
máquinas agrícolas e industriais
calçados e vestuário;
equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e maquinário elétrico.
Tarifas de 50%: setores específicos da indústria siderúrgica e de metais básicos já estavam enquadrados em alíquotas elevadas sob justificativa de proteção e segurança da cadeia produtiva norte-americana. Em derivados específicos desses materiais, foram registradas revisões e cortes parciais para faixas entre 15% e 25% em determinados períodos regulatórios.
Em determinados produtos que já contavam com sobretaxas parciais ou onde foi proposta sobretaxa complementar (como a de 12,5%), a incidência das medidas pode elevar a alíquota final incidente para patamares de até 37,5%.
Tarifa zero: Para evitar choques na inflação interna ou desabastecimento de cadeias industriais americanas que dependem de insumos sem substituto nacional imediato, os EUA deixaram de fora da taxa de 25% uma lista extensa de itens, com destaque para:
agropecuária básica: carne bovina e café;
cítricos e alimentos: laranjas e suco de laranja;
combustíveis e energia: petróleo bruto e gás natural;
setor aeroespacial: aeronaves civis, motores e componentes da Embraer;
indústria de base e químicos: celulose, ferro-gusa, semicondutores, medicamentos e ingredientes farmacêuticos.
Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, vai se reunir com o norte-americano Jamieson Greer
Júlio César Silva/MDIC

Após crise do metanol, garrafas ganham selo que permite detectar bebidas falsificadas pelo celular

Um ano após crise do metanol, investigações avançam, mas ainda há mortes no país por intoxicação
Os casos de intoxicação por metanol registrados ao longo de 2025, que deixaram ao menos 25 mortos no país e levaram autoridades de saúde a emitir alertas, colocaram a autenticidade das bebidas no centro das discussões.
O tema, antes mais associado aos prejuízos econômicos da indústria e ao comércio ilegal, passou a envolver diretamente questões de saúde pública e fez a indústria de bebidas alcoólicas se mexer.
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Nesta terça-feira (15), a Diageo, fabricante de bebidas e dona de marcas como Johnnie Walker e Smirnoff, anunciou uma solução feita em parceria com a Securetrace, empresa especializada em tecnologias de segurança usadas em documentos oficiais e sistemas de prevenção a fraudes, para verificar digitalmente a origem das bebidas da companhia.
A proposta é simples: o consumidor aponta a câmera do celular para um selo na embalagem, e o sistema informa se a garrafa foi identificada como autêntica.
O Selo Drink Seguro permite aos consumidores conferir a autenticidade de bebidas alcoólicas.
Rafaela Zem/g1
➡️ A implementação, por enquanto, está restrita ao mercado brasileiro e abrange categorias que historicamente registram casos de falsificação, como uísques, vodcas, gins, tequilas e licores.
“O selo é muito claramente para o consumidor, no sentido de resgatar a confiança, de ele conseguir ter autonomia e visibilidade daquilo que está consumindo. (…) Também é uma maneira de dar credibilidade para o estabelecimento”, afirma Paula Lindenberg, presidente da Diageo no Brasil.
Cerca de 4 milhões de garrafas já recebem o selo por mês. A tecnologia está presente em 100% do portfólio importado e na Smirnoff engarrafada no Brasil, o que corresponde a 95% do negócio de destilados da companhia no país.
Segundo a Securetrace, o selo usa a mesma tecnologia presente em recursos de proteção do passaporte brasileiro, das cédulas de euro e dos elementos holográficos da nota de R$ 100.
📎 Cada selo recebe uma espécie de impressão digital exclusiva, invisível ao consumidor, formada por padrões microscópicos que criam uma identificação única para cada unidade. Segundo a empresa, existem mais de 27 trilhões de combinações possíveis.
Quando a câmera do celular é apontada para o selo, uma inteligência artificial analisa o padrão e o compara com o banco de dados do sistema. Se houver correspondência, a autenticidade é confirmada e a plataforma exibe a mensagem “Verificado”.
A tecnologia possui certificação internacional ISO 12931, norma voltada a sistemas de autenticação e combate à falsificação, explica Mario Nicoli Netto, CEO da Securetrace. Segundo a empresa, sua capacidade de impedir cópias chega a 99,99%.
“A tecnologia transforma a câmera do celular em uma ferramenta de acesso direto à origem do produto. Cada selo possui uma impressão digital única, protegida por uma tecnologia anticópia certificada internacionalmente, capaz de identificar tentativas de reprodução em segundos”, afirma Mario Nicoli Netto, CEO da Securetrace.
Jovem está com suspeita de intoxicação por metanol, em Goiás
Wesley Costa/O Popular
Crise do Metanol
Os episódios envolvendo metanol expuseram um dos riscos mais graves relacionados à falsificação e à adulteração de bebidas alcoólicas.
🔎 Diferentemente do etanol utilizado na produção regular de bebidas, o metanol é uma substância altamente tóxica. Sua ingestão pode causar cegueira, danos neurológicos graves, insuficiência respiratória e morte.
A crise ganhou dimensão nacional no segundo semestre de 2025. O aumento dos casos levou o governo federal a emitir alertas à população e a criar uma sala de situação para acompanhar as ocorrências.
Embora o período mais crítico tenha ficado para trás no fim daquele ano, novos episódios continuaram sendo registrados em 2026.
Uma reportagem exibida pelo Fantástico neste domingo (13) mostrou que, um ano após o início da crise, as investigações avançaram e já identificaram parte da cadeia de falsificação responsável por distribuir bebidas adulteradas.
Apesar disso, vítimas continuam convivendo com sequelas permanentes, e novos casos ainda vêm sendo registrados no país.
Mercado ilegal movimenta R$ 28 bilhões
Embora a falsificação tenha ganhado visibilidade por causa dos riscos à saúde, ela representa apenas uma parte de um mercado ilegal muito mais amplo.
Um estudo da Euromonitor International estima que as atividades ilegais ligadas ao setor de bebidas movimentem aproximadamente R$ 28 bilhões por ano no Brasil. Nesse universo estão o contrabando, a sonegação fiscal, a produção sem registro e a falsificação.
A pesquisa aponta ainda que a falsificação representa 4,7% do mercado total de bebidas destiladas no Brasil. Apesar da parcela menor, é a prática que mais preocupa pelo risco à saúde.
Além disso, o problema gera prejuízos para fabricantes, distribuidores, varejistas e para a arrecadação pública, ao desviar recursos de impostos e alimentar estruturas clandestinas de produção e distribuição.
Por isso, o combate ao mercado ilegal tem mobilizado não apenas empresas privadas, mas também órgãos reguladores e autoridades públicas.
Chevrolet Onix ECO usa exclusivamente etanol no tanque
Divulgação / GM
Combate passa por diferentes frentes
O lançamento da tecnologia da Diageo ocorre em paralelo a outras iniciativas voltadas ao enfrentamento do problema. Uma das medidas em discussão é conduzida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Em setembro, a agência aprovou um estudo que propõe alterações na composição do etanol hidratado combustível para dificultar o desvio do produto para a fabricação clandestina de bebidas.
Entre as alternativas analisadas está a adição obrigatória de benzoato de denatônio, substância de sabor extremamente amargo, amplamente utilizada em produtos de higiene e limpeza para impedir a ingestão acidental.
A ANP também trabalha em uma medida considerada mais imediata: a inclusão obrigatória de corante verde no etanol combustível produzido pelas usinas.
A expectativa é que a mudança facilite a identificação do uso irregular do produto e reduza sua utilização em esquemas clandestinos de adulteração de bebidas.
As propostas ainda precisam passar por etapas regulatórias e avaliações técnicas, incluindo análises sobre eventuais impactos em veículos e motores.
O avanço dessas discussões mostra que o combate à fraude não depende de uma única solução.
Enquanto órgãos públicos tentam dificultar o acesso às matérias-primas utilizadas por fabricantes clandestinos, empresas investem em sistemas de autenticação, rastreamento e compartilhamento de informações com autoridades.
Ainda assim, especialistas destacam que nenhuma tecnologia é capaz de eliminar completamente a falsificação. Fiscalização, investigação policial, cooperação entre empresas e punição de grupos criminosos continuam centrais para reduzir a circulação de bebidas adulteradas.
“A preocupação de combater a falsificação é uma preocupação para sempre e é a partir daí que vem a iniciativa desse selo, com uma intenção clara de que episódios como esse nunca mais voltem a acontecer”, afirma Paula Lindenberg, da Diageo.

Mega-Sena pode pagar R$ 95 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.058 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 95 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (15), em São Paulo.
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No concurso da último domingo (8), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

'Dominar toda a internet', 'matar seres humanos': o que já disseram executivos e especialistas sobre os riscos da IA

Diversas cidades tiveram marchas contra a inteligência artificial ao longo do último ano
Getty Images via BBC
Nos últimos meses, executivos de grandes empresas de tecnologia, ativistas e organizações não governamentais passaram a defender uma pausa no avanço da inteligência artificial para tornar seu desenvolvimento mais seguro.
Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio; entenda o que está por trás disso
‘Freio’ na IA? Debate leva gigantes da tecnologia ao radar dos investidores; ações operam mistas
Muitas dessas falas expressam preocupação com a possibilidade de a inteligência artificial ganhar poder excessivo sobre a internet e até “matar seres humanos”. Além disso, elas defendem a criação de órgãos internacionais para estabelecer regras e padrões de segurança para o desenvolvimento da tecnologia.
Relembre abaixo algumas dos comentários públicos sobre os riscos da IA:
Dario Amodei, CEO da Anthropic
CEO da Anthropic pede que setor desacelere ritmo de desenvolvimento da IA
Em artigo publicado em 12 de setembro, o CEO da Anthropic, criadora da IA Claude, pediu que as empresas de inteligência artificial moderem o ritmo de avanço das capacidades de seus modelos diante do aumento das preocupações com o uso indevido da IA.
“Dada a aceleração do desenvolvimento de capacidades de IA, me preocupa que, em 6 a 12 meses, tal enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlada, pode ultrapassar nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas, e por isso seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar”, escreveu Amodei.
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O discurso também foi defendido por executivos de empresas que concorrem com a Anthropic, como Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT; Elon Musk, dono do X e da empresa de IA xAI; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind.
Sam Altman, CEO da OpenAI
Ao concordar com a declaração de Amodei, o CEO da organização que comanda o ChatGPT disse que é preciso “marcar um ritmo da fronteira” de IA.
” Esse tem sido um tema principal das discussões que tivemos na OpenAI. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo. Teremos mais para compartilhar em breve”, escreveu Sam Altman.
A empresa anunciou, no início de agosto, que estava desacelerando o desenvolvimento de seus modelos de inteligência artificial enquanto reformula seus sistemas de pesquisa e treinamento após agente em teste invadir sistemas de outra empresa.
REPERCUSSÃO: Trump minimiza riscos, China vê ameaças e UE pede segurança
“É o primeiro incidente de (ciber)segurança que me provocou uma reação visceral”, reconheceu Altman em uma entrevista para o podcast “Invest Like The Best”.
“Mas, a longo prazo, surge a pergunta sobre o que fazer caso nos deparemos com um novo ritmo de avanço” da IA, explicou, em um contexto em que “poderíamos ter que desacelerar o ritmo de desenvolvimento da IA para dar tempo suficiente à sociedade para lidar com essas novas capacidades”.
Jacob Coxon, ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic
Também em setembro de 2026, Jacob Coxon, pesquisador britânico de inteligência artificial de 27 anos, deixou a indústria acusando a OpenAI e a Anthropic de “brincar com as nossas vidas”. Coxon havia trocado a OpenAI pela Anthropic por considerar a empresa mais prudente.
“Nenhuma das empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo diretamente em direção a uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha e estão apostando com nossas vidas”, escreveu Coxon na rede social X.
“As pessoas que estão construindo a IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos até o fim da década. Isto não é uma jogada de marketing”, acrescentou Coxon.
Evan Hubinger, diretor de segurança na Anthropic, deu razão a Coxon no X.
“Nós realmente acreditamos que a IA pode matar seres humanos”. Em caráter pessoal, ele calculou o risco em “mais de 10%” dentro da próxima década.
ONU
O Alto Comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos alertou, no início de setembro, para a necessidade de criar rapidamente mecanismos de governança para a inteligência artificial. Segundo ele, a IA avançada pode “representar um risco existencial para a humanidade”.
“Uma IA que escapa de seu ambiente de teste ou que chantageia os desenvolvedores para evitar ser desativada é uma IA muito poderosa”, declarou o Alto Comissário, Volker Türk, na abertura do 63º período de sessões do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.
Türk lamentou que “um punhado de homens tenha um poder quase ilimitado sobre a IA, que nos dizem repetidamente ter uma capacidade de computação inimaginável”.
‘Parece lixo de IA’: por que plataformas agora estão ‘dedurando’ conteúdos feitos com IA
Bill Gates, Cofundador da Microsoft
Em agosto de 2026, Gates, que vinha adotando uma visão mais otimista sobre a IA, afirmou estar preocupado com o uso da tecnologia em ataques, substituição de trabalhadores e manipulação de usuários.
Ele citou testes de segurança nos quais modelos da OpenAI, Anthropic e Meta conseguiram realizar ataques contra sites reais.
“Esses incidentes de segurança são chocantes e deveriam impressionar as pessoas”, disse.
O bilionário também defendeu a criação de uma organização internacional para administrar questões relacionadas à inteligência artificial.
Trump critica quem pede cautela
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026.
Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou, neste domingo (13), os críticos da inteligência artificial a “forças muito negativas” que estão levantando cenários que não vão acontecer. Ele também disse que quer garantir que os EUA continuem na liderança do setor.
“Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo […] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam”, afirmou Trump.
A China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento de IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.
“Forças hostis” abusam de tecnologias generativas de IA para “fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais”, escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.
Em seu texto, Amodei defende uma colaboração entre empresas de “países democráticos” e aconselha “não vender chips de IA potentes ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China”.
Ele diz que “as medidas aumentam a influência das democracias e tornam um acordo [com a China] mais provável no futuro”.
Nesta segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que o bloco é a favor do desenvolvimento da inovação em IA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.
Já o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vê como positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz. Segundo ele, as decisões sobre o tema precisam se basear em evidências.
O que realmente acontece com seus dados quando você clica em ‘deletar’?

Por que cofundador da Anthropic defende um 'botão de desligamento' obrigatório para IA

Para Jack Clark, os detalhes sobre um ‘botão de desligamento’ devem fazer parte da ‘discussão política’ em torno da IA
Kevin Dietsch/Getty Images via BBC
Um dos cofundadores de uma das maiores empresas de IA do mundo afirmou que um “botão de desligamento” da inteligência artificial, que possa ser verificado de forma independente, talvez seja obrigatório para as empresas.
Jack Clark, um dos sete fundadores da Anthropic, disse que uma forma de desligar completamente os mecanismos de IA caso eles se tornem muito perigosos é algo que a sociedade “talvez queira regulamentar”.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Clark afirmou que “a maioria dos laboratórios tem maneiras diferentes de desligar os equipamentos”, incluindo a Anthropic, mas disse que os legisladores podem precisar impor a existência de uma dessas maneiras.
O rápido desenvolvimento da IA e os receios sobre os riscos que a tecnologia representa para a humanidade foram colocados em evidência por uma série de alertas de executivos e funcionários de empresas de IA.
Agora no g1
Algumas pessoas afirmaram publicamente que existe a possibilidade de que essa tecnologia, se não for controlada, possa matar toda a humanidade.
O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, pediu no fim de semana que o ritmo de desenvolvimento da IA seja desacelerado e monitorado mais de perto, como a empresa já fez antes, embora alguns tenham questionado as motivações por trás disso.
Amodei acrescentou que qualquer ação para conter o desenvolvimento da IA deve ser feita “sem sacrificar a vantagem comercial”.
Clark disse à BBC que os detalhes sobre os requisitos e a verificação do “botão de desligamento” devem fazer parte da “discussão política mais ampla” que está ocorrendo em torno da IA.
“Deveríamos exigir que as empresas tivessem um botão de desligamento automático? Esse botão de desligamento automático pode ser verificado por terceiros?”, perguntou ele.
“Acho que esse é o tipo de coisa que a sociedade vai querer saber e que, eventualmente, regulamentar.”
A Anthropic, fundada em 2021 por um grupo de ex-funcionários de sua concorrente OpenAI, está atualmente no centro de um debate sobre a segurança da IA.
Na semana passada, uma publicação de um pesquisador de inteligência artificial que deixou a Anthropic por receio de que a IA pudesse exterminar a humanidade viralizou.
O pesquisador de inteligência artificial Jacob Coxon
X/Reprodução
Em resposta, o cientista antropológico Evan Hubinger disse que, pessoalmente, acreditava que a possibilidade de extinção da humanidade devido à IA era de “10% na próxima década”.
O cientista da computação e ganhador do Prêmio Nobel Geoffrey Hinton, conhecido como o “Pai da IA”, disse à BBC na sexta-feira que uma probabilidade de 10% de a IA matar todos os humanos “não é irrazoável”.
Questionado sobre qual porcentagem ele atribuiria ao número total de humanos mortos por IA, Clark disse: “Não acho que essas estatísticas sejam muito úteis”, mas acrescentou que permitir que a IA continue como uma “indústria totalmente desregulamentada” era uma má ideia.
“Estamos jogando dados com riscos imensos”, disse Clark. “E a questão é que precisamos mudar o rumo desta indústria.”
Anthropic é a criadora do assistente de IA Claude
Matteo Della Torre/NurPhoto via Getty Images/BBC
Legisladores dos EUA apresentaram um projeto de lei apelidado de “Kill Switch Act” (Lei do Botão de Desligamento, em tradução livre) que exigiria que as empresas tivessem uma maneira de desativar ferramentas de IA problemáticas.
Isso também daria a certas agências governamentais o poder de exigir que uma ferramenta fosse desativada ou limitada.
No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou a ideia de qualquer tentativa de desacelerar a IA, afirmando nas redes sociais: “A IA dominar o mundo, destruir a humanidade e todas as outras coisas ruins é uma FARSA”.
“Há uma conspiração DOENTIA em curso contra a IA e os Data Centers, e o único que está feliz com isso é a China. QUEM VENCER NA IA, VENCE!”, escreveu ele em outra publicação.
No Reino Unido, o governo rejeitou recentemente a ideia de criar um interruptor de segurança, com um porta-voz afirmando que isso “não impediria que fossem desenvolvidos ou usados indevidamente em outros lugares”.
Entretanto, alguns na indústria da IA sugeriram que os receios de que ela destrua a humanidade são exagerados ou podem ter sido concebidos para gerar alarde.
Clement Delangue, líder da plataforma de desenvolvedores Hugging Face, que foi alvo de um ataque hacker da OpenAI, afirmou na semana passada que tais alegações carecem de “perspectiva”.
George Arison, líder do Grindr, afirmou que os receios em torno das ferramentas de IA estavam sendo usados pelas empresas para apoiar seus planos de negócios.
“A única maneira de justificar essas avaliações é afirmar: ‘Vou dominar todos os setores e todos os empregos, e minha IA fará todo esse trabalho'”, disse Arison.
A Anthropic criou o popular Claude e, este ano, lançou diversos modelos de IA cada vez mais capazes, a tecnologia que está na base dos chatbots de IA.
Juntamente com a OpenAI, a Anthropic relatou diversos incidentes em que agentes de IA, que são bots que operam de forma relativamente autônoma, agiram de maneiras inesperadas.
A Anthropic está se preparando para uma oferta pública inicial (IPO) potencialmente recorde na bolsa de valores, permitindo que as pessoas comprem ações da empresa.
A OpenAI, que recentemente foi avaliada em US$ 852 bilhões (R$ 4,3 trilhões), era esperada para fazer o mesmo, mas Altman, da OpenAI, disse na semana passada que isso não acontecerá este ano devido ao debate atual sobre a segurança da IA.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).