Lagarta aparece coberta de 'casulos' brancos em SP; entenda o que aconteceu

Conheça a vespa que usa lagartas como ‘berçário’ e mata as hospedeiras
Isaias Soares, de Campinas (SP), encontrou uma lagarta com uma aparência incomum e procurou o Globo Rural para entender o que estava acontecendo.
Na verdade, o inseto estava coberto por pupas da vespa parasitoide Cotesia congregata, uma inimiga natural das lagartas.
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🔎 A pupa é uma espécie de casulo que corresponde à fase de transformação entre a larva e a vespa adulta.
O ciclo começa quando a vespa deposita seus ovos no corpo da lagarta. Após a eclosão, as larvas se desenvolvem em seu interior, retirando dela os nutrientes necessários para crescer.
Quando atingem um estágio mais avançado, as larvas deixam o corpo da hospedeira e formam pequenos casulos brancos visíveis em sua superfície. Alguns dias depois, dessas pupas emergem novas vespas adultas.
Ao final do processo, a lagarta morre.
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‘Uma mão na frente e outra atrás’: mais de 3 mil demitidos das Casas Bahia ainda esperam verbas rescisórias

Justiça manda Casas Bahia reverter demissões e limita novos cortes
No último dia 16 de agosto, o Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões. Para cerca de 3 mil trabalhadores, a crise havia começado três dias antes, quando a empresa iniciou uma onda de demissões e o fechamento de 298 lojas em todo o país.
Ao protocolar o pedido de recuperação judicial, o grupo incluiu os demitidos na lista de credores. Assim, os funcionários atingidos tiveram as verbas rescisórias “congeladas” enquanto aguardam o plano de recuperação da varejista.
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Segundo relatos de funcionários, há ainda dificuldades para acessar benefícios como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro-desemprego. (saiba mais abaixo)
Os problemas ocorrem em meio a uma disputa judicial sobre a validade das demissões. O corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro José Roberto Freire Pimenta, negou um pedido da empresa para derrubar a decisão que suspendeu as demissões coletivas contestadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).
Com a decisão, permanece válida a determinação para que a empresa restabeleça provisoriamente os vínculos de emprego e os benefícios dos trabalhadores atingidos. A liminar também proíbe novas demissões sem acordo prévio com o sindicato.
O Grupo Casas Bahia ainda aguarda a análise, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), de um recurso apresentado contra a decisão, sem data para análise.
Sem receber a rescisão
Pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a empresa tem até 10 dias corridos após o término do contrato para pagar as verbas rescisórias.
Mas, no caso desses demitidos pelas Casas Bahia, o pedido de recuperação judicial coloca as verbas rescisórias na Classe I de credores, categoria destinada aos créditos trabalhistas e que tem prioridade de pagamento em relação a outras dívidas da empresa.
O dinheiro fica travado porque os créditos gerados antes do pedido de recuperação judicial podem ser incluídos no plano de pagamento. O recebimento, portanto, depende do cronograma que vier a ser aprovado pela Justiça.
“O trabalhador entra na fila de credores e passa a aguardar a definição do plano de pagamento. Muitos sequer sabem quanto têm a receber ou quando isso acontecerá”, afirma João André Vidal de Souza, que representa a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).
Segundo ele, a situação é mais preocupante para trabalhadores em condição de vulnerabilidade, como gestantes, pessoas em tratamento médico e empregados com estabilidade prevista em lei.
Para ele, a crise financeira da empresa não pode resultar na perda de garantias dos trabalhadores. A CNTC reivindica que as verbas rescisórias não sejam submetidas ao regime dos créditos concursais da recuperação judicial e pede prioridade no pagamento.
Em nota enviada ao g1, o Grupo Casas Bahia afirmou que os direitos dos trabalhadores desligados continuam assegurados, mesmo com a recuperação judicial, e que os valores de rescisões passaram a seguir as regras e os procedimentos previstos no processo de recuperação.
A empresa disse também que já disponibilizou aos trabalhadores as orientações necessárias para acesso ao seguro-desemprego e ao saque do FGTS.
Sem rescisão, trabalhadores relatam dificuldades financeiras
A ex-vendedora Talita Magalhães, de 42 anos, que trabalhou por mais de oito anos nas Casas Bahia, afirma que os primeiros sinais de dificuldades surgiram cerca de dois meses antes das demissões, quando produtos começaram a desaparecer das prateleiras e dos estoques das lojas.
“Eu estava na empresa há oito anos e nunca tinha visto faltar produto. Começou a faltar celular, notebook, geladeira, máquina de lavar. A gente perdia venda porque o cliente queria levar o produto na hora e não tinha estoque”, relata.
Segundo Talita, apesar da redução na oferta de mercadorias e do impacto nas vendas, as metas dos vendedores foram mantidas. Como parte da remuneração vinha de comissões e premiações, a queda nas vendas também reduziu os ganhos dos funcionários.
“Na véspera, chamaram todos os funcionários para uma reunião. Muita gente acreditou que seria uma transferência para outras lojas. Mas, quando começaram a chamar um por um, percebemos que era para assinar a demissão”, conta.
“Passaram os 10 dias e ninguém recebeu nada. Não recebemos explicação e ficamos completamente no escuro”, afirma.
Segundo Talita, muitos trabalhadores enfrentam dificuldades financeiras enquanto aguardam uma definição sobre os pagamentos.
“Tem gente que paga aluguel, tem mãe solo, pessoas com filhos pequenos. Nós saímos sem receber rescisão, multa do FGTS ou qualquer outro valor. Saímos com uma mão na frente e outra atrás”, relata.
A ex-vendedora afirma que recebeu a chave para acessar o FGTS, mas não recebeu as verbas rescisórias nem a multa de 40%. Como já havia usado o saldo do fundo para comprar um imóvel e aderido ao saque-aniversário, diz que não tinha valores disponíveis para sacar.
Segundo ela, o plano de saúde foi cancelado e houve diferenças no pagamento do vale-alimentação: alguns ex-funcionários receberam o benefício, enquanto outros não.
Outro problema envolve o chamado carnê de funcionário. Segundo Talita, mesmo após o desligamento, os ex-empregados continuam sendo cobrados pelas parcelas de compras feitas enquanto trabalhavam na empresa.
Talita Magalhães, de 42 anos, trabalhou como vendedora nas Casas Bahia por mais de oito anos.
Reprodução/Redes Sociais
A ex-coordenadora de tecnologia Vanessa Marques, de 46 anos, que trabalhou por dois anos na empresa, afirma que os atrasos no pagamento de fornecedores de sua área e a redução da equipe de prestadores de serviços mostraram que algo não ia bem.
“Para mim, era uma desorganização do financeiro. Eu achava que o financeiro estava enrolado e não estava pagando. Mas deveria ter sido um sinal do que estava acontecendo”, relata.
Vanessa afirma que a diretoria dizia aos funcionários que a empresa estava bem. Em abril, inclusive, eles receberam Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e incentivos de produtividade.
“Eu fiquei sabendo do meu desligamento e do desligamento de pessoas da minha equipe por outras pessoas”, conta. Segundo Vanessa, a comunicação oficial só chegou no fim da tarde, depois de ela ter sido informada por colegas sobre os desligamentos.
“O problema não é só a falta de pagamento. Não havia um padrão de comunicação. Algumas pessoas recebiam informações, outras não. Tinha trabalhador sem acesso aos códigos necessários para solicitar o seguro-desemprego e gente que ainda não conseguiu fazer o exame demissional”, relata.
“Eles sabiam que iam fazer isso. Precisavam ter se preparado minimamente para dar algum tipo de suporte para essas pessoas”, afirma.
A ex-coordenadora afirma que os próprios trabalhadores têm se mobilizado para ajudar colegas que ficaram sem renda após os desligamentos. “Você trabalha e o seu salário é o sustento da sua família. Sem ele, você faz o quê?”, questiona.
A ex-coordenadora de tecnologia Vanessa Marques, de 46 anos, trabalhou por dois anos nas Casas Bahia, onde atuava no modelo remoto.
Arquivo Pessoal/Redes Sociais
Negociação busca acelerar pagamentos aos trabalhadores
Trabalhadores e empresa tentam chegar a um acordo para o pagamento das verbas rescisórias. A liminar que suspendeu as demissões, sob o entendimento de que não houve negociação prévia com os sindicatos, abriu espaço para uma tentativa de conciliação.
O caso foi encaminhado ao Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) da Justiça do Trabalho em Brasília. O juiz Rogério Neiva Pinheiro conduz as negociações entre a empresa e as entidades que representam os trabalhadores.
Uma das principais preocupações é encontrar uma alternativa para acelerar o pagamento das verbas rescisórias.
“O caminho natural é que esses créditos sejam tratados dentro da recuperação judicial, o que depende de uma série de procedimentos, como a definição do quadro de credores e a aprovação de um plano de recuperação. Isso pode levar meses”, afirmou o juiz.
As negociações buscam minimizar os efeitos desse processo para os trabalhadores. “Estamos trabalhando na tentativa de construir uma solução que permita agilizar esse pagamento e minimizar os prejuízos aos trabalhadores”, disse.
O magistrado afirmou ainda que as discussões têm como referência soluções adotadas em outras recuperações judiciais de grande porte, como a da Americanas. Nesses casos, foram criados mecanismos para antecipar o pagamento de verbas trabalhistas antes da conclusão de todas as etapas do processo.
Próximos passos
As próximas semanas serão decisivas para as negociações envolvendo os trabalhadores demitidos pelas Casas Bahia. Sindicatos, representantes da empresa e órgãos da Justiça do Trabalho mantêm reuniões e audiências em São Paulo e Brasília para tentar encontrar uma solução para o impasse.
Em São Paulo, empresa e sindicato se reuniram ainda em setembro para discutir o levantamento detalhado dos trabalhadores atingidos pelas demissões.
Uma nova audiência de conciliação está marcada para quarta-feira (16) no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), com acompanhamento do Ministério Público do Trabalho (MPT).
O Ministério Público do Trabalho informou em nota que o procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, criou um Grupo Especial de Atuação Finalística (GEAF) para acompanhar o caso e investigar o pagamento das verbas rescisórias dos trabalhadores.
Entre os principais pontos em discussão estão o pagamento das verbas rescisórias, a situação de trabalhadores com estabilidade prevista em lei, como gestantes e integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), e a manutenção de benefícios para funcionários em tratamento médico.
As entidades sindicais também cobram da companhia informações detalhadas sobre os trabalhadores afetados, incluindo empregados com estabilidade legal, dirigentes sindicais e pessoas com problemas de saúde que possam ter sido atingidas pelas demissões.
Em Brasília, as tratativas continuam no Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Disputas (Cejusc) do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), sob mediação do juiz Rogério Neiva Pinheiro.
Uma das principais propostas em discussão é a criação de um mecanismo que permita antecipar o pagamento das verbas rescisórias e regularizar questões como FGTS e planos de saúde, sem que os trabalhadores precisem aguardar todas as etapas da recuperação judicial.
No campo judicial, segue no TRT-10 o julgamento do agravo interno apresentado pelas Casas Bahia contra a liminar que determinou o restabelecimento provisório dos vínculos de emprego. A CNTC também deverá apresentar a ação principal à 11ª Vara do Trabalho de Brasília.
Outra possibilidade em discussão é a realização de novas demissões após negociação prévia com os sindicatos, conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de interlocução sindical em casos de dispensas coletivas.
Caso haja nova negociação e um novo processo de reestruturação do quadro de funcionários, os efeitos da liminar que determinou o restabelecimento provisório dos contratos poderão ser alterados.
Segundo o presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, as entidades sindicais atuam em duas frentes: a ação movida pela CNTC em Brasília, que resultou na liminar que suspendeu os desligamentos coletivos, e as negociações conduzidas em São Paulo com representantes da empresa.
“Não nos interessa quebrar a empresa. O que nós queremos é que haja respeito por esses trabalhadores que contribuíram durante anos para a manutenção da companhia e que agora precisam receber os direitos que lhes são garantidos por lei”, afirma.
O sindicato aguarda que a empresa apresente dados sobre empregados com estabilidade prevista em lei, integrantes da Cipa, dirigentes sindicais e trabalhadores com problemas de saúde que possam ter sido atingidos pelas demissões.
“Estamos tentando construir uma solução que preserve os empregos remanescentes e garanta os direitos daqueles que foram desligados. Há trabalhadores que dedicaram 10, 15, 20 anos à empresa e que não podem ficar sem uma resposta”, diz.
A CNTC continua orientando trabalhadores das Casas Bahia a procurar o Sindicato dos Comerciários de sua cidade ou região para esclarecer dúvidas, relatar problemas e receber assistência jurídica, inclusive em casos de demissões ou suspensão de benefícios.
Loja das Casas Bahia em shopping de São José dos Campos é fechada.
Sarah Brito/g1

'Comércio global vive momento crítico', alerta OMC em meio a guerras comerciais e novas tarifas

Miriam Leitão: Brasil defende multilateralismo na OMC
A Organização Mundial do Comércio (OMC) afirmou nesta terça-feira (15) que o sistema de comércio global vive um “momento crítico” e defendeu uma reforma das regras que organizam as relações comerciais entre os países.
O alerta ocorre em meio ao aumento das disputas comerciais e à adoção de novas tarifas por grandes economias, especialmente os Estados Unidos.
Para a OMC, o risco é que o comércio mundial deixe de funcionar cada vez mais com base em regras comuns e passe a ser dividido em blocos de países.
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Segundo a organização, as regras atuais têm dificuldade para acompanhar mudanças na economia mundial, como o aumento da intervenção dos governos, o avanço do comércio digital, a transformação das cadeias globais de produção e o aumento das tensões políticas entre as grandes potências.
Fio: como as guerras comerciais foram se acumulando:
EUA x China
A grande virada veio em 2018, quando o governo de Donald Trump começou a impor tarifas sobre produtos chineses, alegando práticas comerciais injustas e transferência de tecnologia. A China respondeu com tarifas sobre produtos americanos, dando início a uma escalada que ficou conhecida como guerra comercial.
A disputa continuou nos anos seguintes
Mesmo depois de um acordo parcial entre EUA e China, a relação comercial continuou marcada por tarifas, restrições a tecnologias e disputa por setores estratégicos, como semicondutores, baterias e veículos elétricos.
EUA x Canadá
O Canadá também entrou no radar das medidas protecionistas americanas. Nos últimos anos, os dois países trocaram medidas sobre produtos como aço, alumínio e, mais recentemente, outros setores. A relação é especialmente sensível porque EUA e Canadá têm uma das maiores relações comerciais do mundo.
EUA x Brasil
Em 2025/2026, o Brasil também passou a enfrentar novas tarifas americanas. Em julho de 2026, o governo brasileiro levou a disputa à OMC, contestando as medidas dos EUA.
E a China entrou no centro de novas disputas
A expansão das exportações chinesas, especialmente em setores como carros elétricos, aço e produtos industriais, passou a provocar novas reações de EUA, União Europeia e outros parceiros. Governos acusam Pequim de subsidiar empresas e gerar excesso de oferta, enquanto a China critica o uso de tarifas para proteger mercados.
É esse cenário que preocupa a OMC
O alerta desta terça-feira é que as disputas comerciais podem ir além de tarifas isoladas. Para a organização, o risco é que o comércio mundial se divida em grandes blocos, enfraquecendo as regras comuns que organizam as relações entre os países.
Fragmentação teria impacto na economia mundial
A OMC calculou o que poderia acontecer caso o comércio internacional se dividisse em blocos geopolíticos concorrentes.
Nesse cenário, o PIB global seria 5,1% menor até 2050, enquanto as exportações cairiam 18,6%, em comparação com um mundo sem essa fragmentação.
Em uma situação ainda mais grave, em que a cooperação comercial entre os países entrasse em colapso e fosse substituída por uma série de acordos de livre comércio separados, o impacto seria maior: o PIB global poderia ficar 6,9% menor e as exportações cairiam quase 27%.
O efeito não seria igual para todos. Segundo o relatório, os países menos desenvolvidos seriam os que mais poderiam perder com uma fragmentação do comércio.
Por outro lado, uma cooperação multilateral mais forte poderia aumentar o PIB global em 2,9% e elevar as exportações em quase 18%, de acordo com as estimativas da organização.
O que está mudando no comércio mundial
Durante décadas, a OMC foi um dos principais fóruns para estabelecer regras para o comércio internacional e resolver disputas entre países. Esse sistema, porém, vem perdendo força: o principal mecanismo de recursos da organização, o Órgão de Apelação, está paralisado desde 2019, depois que os Estados Unidos bloquearam a nomeação de novos integrantes.
Na prática, os países continuam podendo levar disputas à OMC, mas ficou mais difícil chegar a uma decisão final e fazer com que o processo avance até o fim.
Mesmo nesse cenário, o Brasil recorreu à organização em julho para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa foi vista também como uma forma de registrar formalmente a contestação e defender a importância das regras multilaterais.
Países têm dificuldade para reformar a OMC
A organização reúne 166 membros e funciona, em grande parte, com base no consenso. Isso significa que mudanças importantes dependem da negociação entre países com níveis de desenvolvimento e interesses econômicos muito diferentes.
Em março, os membros não conseguiram chegar a um acordo sobre um pacote de reformas durante uma reunião ministerial em Yaoundé, nos Camarões.
As negociações foram retomadas em Genebra e envolvem temas como a forma de tomada de decisões da organização, a solução de disputas comerciais e os efeitos de subsídios e da intervenção dos governos nas economias.
Mais tarifas e acordos fora da OMC
Ao mesmo tempo em que a OMC tenta reformar suas regras, países têm buscado acordos regionais ou específicos para determinados setores, enquanto governos usam tarifas e negociações diretas para defender seus interesses.
Em março, por exemplo, um grupo de membros da organização concordou em avançar com as primeiras regras básicas para o comércio digital por meio de um acordo plurilateral, sem a participação de todos os integrantes.
A medida permite avançar entre um grupo de países mesmo sem um acordo que envolva os 166 membros.
A medida mostra uma das alternativas que vêm sendo usadas para tentar avançar em temas específicos mesmo quando não há consenso entre os 166 membros.
Para a OMC, o desafio é evitar que essas disputas levem a uma divisão permanente do comércio mundial. Segundo a organização, quanto mais o comércio se afastar de regras comuns, maiores podem ser os custos para a economia global, principalmente para os países mais pobres.
Donald Trump dos EUA, Lula do Brasil, Carney do Canadá e Xi Jinping da China
REUTERS
*Com informações da Reuters

Dólar abre em alta, com julgamento Moraes-Vorcaro e Superquarta no radar

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta terça-feira (15) em alta, às vésperas da Superquarta, momento em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de juros. A moeda subia 0,15% perto das 9h,cotada a R$ 5,1551.Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O principal destaque da sessão fica por conta do julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Investidores também monitoram os preços do petróleo e seguem à espera das decisões de juros.
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▶️ O foco do mercado segue com a crise no STF, após um relatório da Polícia Federal indicar uma troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Em sua primeira manifestação pública após o caso vir à tona, o ministro do STF afirmou que nunca favoreceu nem julgou processos envolvendo o Banco Master ou o ex-banqueiro. Entenda o que aconteceu e como vai ser o julgamento.
A expectativa é que o Tribunal proponha uma apuração sobre o envolvimento de Moraes, mas a decisão de apurar ou não a conduta do ministro deve ser adiada.
▶️ Ainda no cenário político, o quadro eleitoral também fica no radar. Na véspera, uma nova rodada de pesquisa Quaest mostrou a Lula (PT) com 36% das intenções de voto no 1º turno da eleição presidencial, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). Além disso, a pesquisa também mostrou uma redução na distância entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no eleitorado feminino.
▶️ Na agenda econômica, o foco fica com as novas decisões de juros do Brasil e dos EUA, previstas para amanhã. Por aqui, a previsão é que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais um corte da Selic. Já em relação ao Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a estimativa é que a instituição eleve as taxas básicas do país pela primeira vez em mais de três anos.
▶️ No exterior, as preocupações com o suprimento de energia continuam a pressionar os preços do petróleo. Ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita na segunda-feira deixaram o oleoduto local Leste-Oeste fora de operação, aumentando os temores de que os danos à infraestrutura energética e às rotas de transporte possam demorar mais tempo para serem reparados.
Com isso, os preços do petróleo enfrentavam mais um dia de alta. Perto das 8h50, o barril do Brent, referência internacional, subia 0,09%, cotado a US$ 105,77. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 0,80%, a US$ 102,20 o barril.
▶️ Os investidores também acompanharam as discussões sobre o futuro da IA, após executivos defenderem uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros. As ações das principais empresas de tecnologia fecharam sem direção única.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,43%;
Acumulado do mês: -0,63%;
Acumulado do ano: -6,22%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,91%;
Acumulado do mês: +4,56%;
Acumulado do ano: +15,13%.
Julgamento histórico no STF
O destaque da sessão fica com o julgamento previsto para esta terça-feira no STF, que deve analisar o relatório da Polícia Federal que revelou troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes.
Segundo o documento, foram 52 mensagens trocadas entre o ministro e o ex-banqueiro entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações.
Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
INFOGRÁFICO: veja mensagens que Vorcaro mandou a número atribuído a Moraes antes de ser preso, segundo PF
Há, no entanto, diversas questões em aberto sobre como o julgamento vai funcionar, incluindo o que será efetivamente analisado, quem participará e votará na sessão e até a possível nulidade do documento.
A sessão começará regularmente, com a leitura da ata da sessão anterior e saudações aos ministros. Depois disso, os eventos acontecerão da seguinte maneira:
Como relator da matéria, caberá a Fachin abrir os trabalhos apresentando um resumo dos fatos e delimitado o objeto do julgamento.
Depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá se manifestar, seguida de eventuais sustentações orais.
Após estar manifestações, o relator apresentará seu voto.
Em seguida, os ministros votarão na ordem prevista no regimento.
Por fim, o presidente proclamará o resultado.
O cenário que se desenha é de dificuldades para Alexandre de Moraes, mas a decisão sobre apurar ou não conduta do ministro poderá ser adiada.
Em seu primeiro posicionamento público desde o início da crise, Moraes afirmou que nunca favoreceu o Banco Master ou Vorcaro e disse que jamais julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira.
O ministro também classificou as acusações como uma tentativa de responsabilizá-lo por anotações produzidas por terceiros e afirmou que a ofensiva tem motivação “político-eleitoral”.
De olho nos juros
As decisões de juros do BC e do Fed — ambas previstas para quarta-feira desta semana — são o principal destaque da sessão.
No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado.
O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
No Boletim Focus desta semana, o mercado financeiro também reduziu sua estimativa de inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, reforçando a perspectiva de que o BC reduza os juros.
Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana.
No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela.
“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Bolsas globais
Na Ásia, as bolsas chinesas caíram nesta terça-feira, já que uma leve alta nas ações do setor de hardware de IA não conseguiu compensar as perdas em outros setores, com dados mistos de agosto indicando uma demanda interna persistentemente fraca.
O SSEC, índice de Xangai, caiu 0,5%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, teve perdas de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, caiu 0,01% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,85%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Funcionário de banco em Jacarta, na Indonésia, conta notas de dólar, em 10 de abril de 2025.
Tatan Syuflana/ AP