Dólar abre sessão desta quarta-feira, com foco em decisões de juros nos EUA e no Brasil

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (16). Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O destaque da sessão fica com a Superquarta, dia em que os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem as taxas de juros de seus respectivos países. O quadro político também fica no radar, após o julgamento histórico no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
▶️ No Brasil, as atenções ficam com o Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado projeta que o colegiado decidirá pelo quinto corte seguido da Selic, de 14% para 13,75% ao ano. Caso o patamar se confirme, a taxa básica atingirá o menor patamar desde março de 2025. O anúncio do Banco Central acontecerá após o fechamento dos mercados.
SUPERQUARTA: Entenda como as decisões de juros de hoje podem afetar seu bolso
▶️ Já para os EUA, a maior parte do mercado estima que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve elevar as taxas básicas do país pela primeira vez em mais de três anos.
Juros americanos mais altos costumam retirar recursos de países emergentes, como o Brasil, o que tende a pressionar a bolsa brasileira. A maior demanda por dólar também contribui para a valorização da moeda americana frente a outras divisas, como o real.
▶️ No cenário político, o foco fica com a repercussão da crise no STF. Na sessão histórica que aconteceu na véspera para julgar o caso Moraes-Vorcaro trouxe, o plenário discutiu, pela primeira vez, sobre a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. Marcado por embates, o julgamento terminou sem uma decisão. Veja em 10 pontos como foi a sessão.
▶️ No noticiário corporativo, os investidores continuam a acompanhar as discussões sobre o futuro da IA, após executivos defenderem uma desaceleração no avanço da tecnologia para tornar os desenvolvimentos mais seguros.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,57%;
Acumulado do mês: -0,49%;
Acumulado do ano: -6,09%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,38%;
Acumulado do mês: +5,12%;
Acumulado do ano: +15,75%.
Julgamento histórico no STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) teve na terça-feira (15) uma sessão histórica. Pela primeira vez, o plenário discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra um integrante da própria Corte. O julgamento, marcado por embates entre os ministros, terminou sem uma decisão.
Um pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes mesmo de o STF entrar no mérito sobre a abertura ou não de investigação contra Alexandre de Moraes por sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo um relatório da Polícia Federal, o ministro e o ex-banqueiro trocaram 52 mensagens entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações.
Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
INFOGRÁFICO: veja mensagens que Vorcaro mandou a número atribuído a Moraes antes de ser preso, segundo PF
Após pedido de vista (mais tempo para análise) do ministro Flávio Dino, o STF interrompeu a sessão sem definir como julgará os casos de Moraes e Mendonça. Até o momento, o placar é de 4 a 3 pela análise separada das condutas de Alexandre de Moraes, na relação com Daniel Vorcaro, e de André Mendonça, na condução da relatoria do caso Master.
De olho nos juros
As decisões de juros do BC e do Fed são o principal destaque da sessão. No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado.
O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
No Boletim Focus desta semana, o mercado financeiro também reduziu sua estimativa de inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, reforçando a perspectiva de que o BC reduza os juros.
Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana.
No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela.
“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Bolsas globais
Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam em alta, impulsionadas pelos setores de tecnologia. O avanço, no entanto, foi limitado, já que investidores também aguardavam a nova decisão de juros do Fed.
O SSEC, índice de Xangai, subiu 0,7%, assim como o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, que também teve ganhos de 0,7%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,19%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, subiu 0,69% e o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 1,37%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters

'Prévia do PIB' do Banco Central tem retração de 0,2% em julho

Agropecuária teve retração e puxou a atividade econômica para baixo em julho
Arquivo AT
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) nesta quarta-feira (16), mostrou recuo de 0,2% em julho, na comparação com o mês anterior.
O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes.
O resultado representa melhora em relação a junho, quando houve contração de 0,9% no indicador.
Esse foi o segundo mês de queda do indicador, segundo o Banco Central.
Veja abaixo o desempenho setor por setor em julho:
agropecuária: recuou de 1,2%;
indústria: queda de 0,4%;
serviços: estabilidade.
Agora no g1
Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Na parcial do ano, o indicador avançou 1,5% e, em 12 meses até julho, teve aumento também de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal.
➡️O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente (veja mais abaixo nessa reportagem).
🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem estar social.
PIB desacelera, mas cresce 0,5% no 2º trimestre, puxado pela agropecuária, diz IBGE
Ano eleitoral
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A equipe econômica zerou, por exemplo, a tributação do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de ter liberado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e linhas de crédito mais baratas para a população.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
▶️Na ata da última reunião do Copom, divulgada em agosto, o BC informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo.
Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.
O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado. A projeção dos analistas é de uma expansão de cerca de 1,89% em 2026, contra um crescimento de 2,3% no ano passado.
PIB X IBC-Br
Os resultados do IBC-Br são considerados a “prévia do PIB”. Porém, o cálculo do Banco Central é diferente do cálculo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O indicador do BC incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda (incorporado no cálculo do PIB do IBGE).
O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país. Com o maior crescimento da economia, por exemplo, teoricamente haveria mais pressão inflacionária, o que poderia contribuir para conter a queda dos juros.

Google anuncia projeto que usa 200 mil hectares de arroz no Brasil contra mudanças climáticas; entenda

Emater confirma redução de área plantada de arroz no RS
O Google fechou o maior acordo de remoção de carbono de sua história para apoiar um projeto em mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Rio Grande do Sul.
A iniciativa, conduzida pela empresa Terradot, na qual o Google é investidor, pretende reduzir o metano liberado pelo cultivo e, ao mesmo tempo, retirar dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
➡️ O projeto combina duas ações: reduzir o metano produzido nas plantações de arroz e usar rochas para retirar CO₂ da atmosfera. A segunda parte funciona ao acelerar uma reação que já acontece naturalmente: algumas rochas absorvem o CO₂ presente no ar.
Por que o arroz está no meio dessa história?
O arroz é cultivado, em muitos casos, em áreas alagadas. Esse ambiente favorece a ação de microrganismos que produzem metano, um gás de efeito estufa.
Segundo uma avaliação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), os arrozais respondem por cerca de 10% a 12% das emissões globais de metano.
O projeto pretende reduzir essa emissão e, depois, contabilizar essa redução na forma de créditos de carbono. A previsão é que a iniciativa gere créditos equivalentes a 1 milhão de toneladas métricas de metano que deixariam de ser emitidas até 2030. Mas o metano é apenas metade da história.
🔍 O que é um crédito de carbono? É uma forma de contabilizar uma redução ou retirada de gases de efeito estufa da atmosfera. Em geral, 1 crédito corresponde a 1 tonelada de CO₂ equivalente que deixou de ser emitida ou foi retirada do ar. Empresas podem comprar esses créditos para compensar parte de suas emissões. Para ter valor, a redução ou remoção precisa ser medida e verificada por regras específicas.
E onde entram as rochas?
A segunda parte do projeto usa uma técnica conhecida como meteorização aprimorada de rochas.
Alguns tipos de rocha conseguem reagir naturalmente com o CO₂ presente na atmosfera. O processo, porém, é lento. A técnica busca acelerar essa reação para retirar mais carbono do ar.
É como tentar aumentar a velocidade de um processo que já acontece na natureza.
A Terradot pretende usar a técnica no projeto do Rio Grande do Sul para gerar outros 1 milhão de toneladas de créditos de remoção de carbono até 2040. Os créditos de redução de metano e de retirada de CO₂ serão contabilizados e verificados separadamente.
Segundo a Reuters, o projeto será o maior já anunciado de meteorização aprimorada de rochas. A parte de remoção de carbono do acordo é dez vezes maior que projetos anteriores desse tipo.
O projeto pode crescer?
A ideia do Google e da Terradot é justamente testar o modelo em uma escala grande para, depois, levá-lo a outras regiões do planeta.
As empresas afirmam que a iniciativa poderia ser ampliada para os cerca de 1,5 milhão de hectares de áreas de cultivo de arroz do Brasil. O modelo também poderia ser levado a outros grandes produtores de arroz, como Índia e Vietnã.
A Terradot planeja iniciar projetos-piloto em outros países em 2026 e prevê uma expansão comercial a partir de 2028.
Por que o Google está investindo nisso?
O investimento também está relacionado ao aumento do consumo de energia das grandes empresas de tecnologia, especialmente com a expansão dos data centers usados por serviços de inteligência artificial.
O Google já é investidor da Terradot. A empresa comprou uma participação na companhia em 2024.
Para a empresa, reduzir o metano e retirar CO₂ da atmosfera são medidas complementares. O metano contribui fortemente para o aquecimento no curto prazo, enquanto o CO₂ pode permanecer na atmosfera por séculos.
A aposta, portanto, é agir nas duas frentes: diminuir a quantidade de gases que chegam à atmosfera e retirar parte do carbono que já está no ar.
Quanto custa tirar carbono do ar?
O preço é um dos principais desafios para que tecnologias desse tipo sejam usadas em larga escala.
Google e Terradot não divulgaram o valor do novo acordo. Em 2024, porém, um contrato público da Terradot para remover 90 mil toneladas de carbono indicava um preço de cerca de US$ 300 por tonelada.
Esse valor é bem superior aos US$ 100 por tonelada que muitos desenvolvedores consideram necessários para estimular uma demanda maior por tecnologias de remoção de carbono.
Segundo James Kanoff, CEO da Terradot, o novo projeto terá um custo menor que os acordos anteriores. A empresa ainda não chegou aos US$ 100 por tonelada, mas considera o projeto um avanço nessa direção.
A Terradot também afirma que a verificação dos resultados pode acrescentar mais de US$ 100 por tonelada aos custos. A expectativa é que esse valor diminua conforme a tecnologia avance e seja aplicada em projetos maiores.
*Com informações da Reuters