FMI eleva projeção para economia global, mas vê ganho concentrado com a IA

Reunião anual do Fundo Monetário Internacional na Tailândia.
Sakchai Lalit / AP
O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou ligeiramente nesta terça-feira sua projeção para a economia global em 2026, mas continua prevendo um crescimento modesto de 3,1%.
Em julho, o FMI estimava expansão global de 3,0%. Em 2025, a economia mundial cresceu 3,5%.
No relatório Perspectivas Econômicas Mundiais, o organismo prevê que o crescimento dos Estados Unidos permaneça estável em 2,3% em 2026 e 2027.
O FMI afirmou ainda esperar que os preços do petróleo avancem quase 41% neste ano, para uma média de US$ 96 por barril, o que deve impulsionar a inflação global para 4,7% em 2026, ante 4,1% no ano passado.
Agora no g1
A atualização foi divulgada enquanto líderes econômicos e financeiros de todo o mundo se reúnem em Bangkok para os encontros anuais de outono do FMI e do Banco Mundial. Segundo o relatório, o avanço da inteligência artificial (IA) está compensando parte dos efeitos negativos provocados pela forte alta dos preços do petróleo e do gás.
Impactos desiguais da IA
O FMI destacou, porém, que os benefícios do boom da inteligência artificial não são distribuídos de forma homogênea. Estados Unidos e China respondem por mais de três quartos da demanda líquida mundial por importações de semicondutores e outros equipamentos ligados à IA.
“As perspectivas são altamente desiguais”, afirmou Silvana Tenreyro, diretora do departamento de pesquisa do FMI, durante entrevista coletiva em Bangkok.
O relatório aponta que o crescimento está cada vez mais concentrado. Atualmente, 32 países respondem por 95% da expansão econômica global, contra 54 países em abril.
“A economia global não está simplesmente desacelerando ou acelerando; o crescimento está sendo redistribuído entre os países de acordo com sua exposição ao choque de oferta provocado pela guerra e à força da demanda relacionada à inteligência artificial”, afirma o documento.
Ferramentas de IA
Solen Feyissa/Pexels
Os efeitos da IA sobre o emprego são um dos principais temas debatidos nos encontros em Bangkok. Na segunda-feira, a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, classificou o fenômeno como “um tsunami em câmera lenta, mas ainda assim um tsunami”.
“Estimamos que o impacto sobre os empregos no mundo alcance cerca de 40%, seja por meio de aprimoramento, rebaixamento ou eliminação de postos de trabalho. E já estamos observando parte desse impacto”, afirmou.
Dívida continua sendo preocupação
Na semana passada, Georgieva pediu que países ricos e pobres reforcem seus esforços para melhorar suas finanças públicas. Segundo ela, o aumento dos níveis de endividamento representa um risco crescente para a estabilidade financeira global.
Tenreyro afirmou que essa preocupação é ainda mais relevante em um cenário de custos elevados de financiamento.
O relatório prevê que as economias avançadas cresçam 2,1% neste ano, acima dos 2,0% registrados em 2025, antes de desacelerarem para 1,9% no próximo ano.
As projeções consideram que os embarques de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz serão normalizados até março e que o avanço da demanda por inteligência artificial perderá parte de seu ritmo.
Nos Estados Unidos, o crescimento deve permanecer estável em 2,3%.
Dívida pública sobe.
Reprodução/Jornal Nacional
Países relativamente protegidos dos choques energéticos provocados pela guerra com o Irã e que vêm se beneficiando da rápida adoção da IA conseguem manter o crescimento econômico. Já as economias em desenvolvimento e os mercados emergentes mais vulneráveis aos altos preços do petróleo e do gás devem desacelerar para 3,7% neste ano, ante 4,5% em 2025. Para 2027, a projeção é de recuperação, com expansão de 4,4%.
A situação é considerada mais delicada no Oriente Médio e na Ásia Central. Nessas regiões, as economias devem encolher neste ano antes de voltar a crescer e alcançar uma taxa de 6,3% em 2027.
Perspectivas variam por região
Os 21 países que compartilham o euro devem registrar crescimento de 1,1% neste ano e de 1,2% em 2027.
A China, segunda maior economia do mundo, deve expandir 4,5% neste ano, abaixo dos 5% registrados em 2025, em linha com a meta oficial do governo.
Selo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é visto do lado de fora de sua sede em Washington, DC
Mandel Ngan/AFP
A Índia deve permanecer como a grande economia de crescimento mais acelerado do mundo, com expansão de 7%, abaixo dos 7,7% observados no ano passado.
O FMI reúne 191 países-membros e tem como missão promover o crescimento econômico, a estabilidade financeira e a redução da pobreza. Em Bangkok, ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais discutem o cenário econômico global e estratégias para fortalecer a estabilidade financeira e sustentar o crescimento econômico.

Salários acima de R$ 32 mil: saiba tudo sobre o concurso da Câmara dos Deputados

Câmara dos Deputados
Divulgação / Câmara dos Deputados
O novo concurso da Câmara dos Deputados reúne alguns dos principais atrativos buscados por candidatos ao serviço público: remuneração acima da média, estabilidade e oportunidades em áreas que vão da comunicação social à engenharia.
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➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO
Ao todo, o edital oferece 66 vagas imediatas e outras 118 para cadastro de reserva na carreira de analista legislativo, com salários de R$ 32.070,88.
🔎 Há oportunidades para jornalistas, relações-públicas, arquivistas, bibliotecários, museólogos e engenheiros, além de vagas para uma especialidade pouco conhecida do grande público, mas que concentra a maior oferta do edital: Registro e Redação.
As inscrições poderão ser feitas entre 15 de outubro e 17 de novembro, pelo site do Cebraspe, banca responsável pela seleção. A taxa de inscrição é de R$ 130.
Mas as dúvidas sobre o concurso vão muito além do período de cadastro. Por isso, o g1 preparou um guia com os principais pontos do edital. Abaixo, entenda:
Cargo e formação
Salários e benefícios
Requisitos
Atribuições
Como serão as provas?
Quando os aprovados poderão ser convocados?
Como funcionará a reserva de vagas?
Cargos e formação
Embora todas as vagas pertençam à carreira de analista legislativo, o concurso não é destinado a um único perfil profissional.
Um dos destaques do edital é que a especialidade com maior número de vagas não exige formação superior específica.
A área de Registro e Redação oferece 25 vagas imediatas e outras 25 para cadastro de reserva. Para concorrer, basta possuir diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), independentemente da área de formação.
Já as demais oportunidades são destinadas a candidatos com graduações específicas.
Veja a distribuição prevista no edital:
O novo concurso da Câmara dos Deputados
g1
Salários e benefícios
Independentemente da especialidade escolhida, todos os aprovados ingressarão na carreira com remuneração inicial de R$ 32.070,88.
Os servidores serão lotados em Brasília, onde está localizada a sede da Câmara dos Deputados.
Além do salário, os ocupantes do cargo terão acesso aos benefícios oferecidos pela Casa e às garantias previstas para os servidores efetivos da administração pública federal.
Requisitos
Além da formação exigida para cada especialidade, os candidatos deverão atender aos requisitos legais para ingresso no serviço público federal.
Entre as exigências estão:
ter nacionalidade brasileira ou portuguesa, nos casos previstos em lei;
estar em dia com as obrigações eleitorais;
estar quite com as obrigações militares, quando aplicável;
possuir aptidão física e mental para o exercício do cargo;
apresentar a documentação exigida para a posse;
possuir a graduação exigida para a especialidade escolhida.
Algumas áreas também exigem registro profissional no respectivo conselho de classe.
Atribuições
Embora todos os aprovados ingressem na carreira de analista legislativo, as atividades desempenhadas variam de acordo com a especialidade escolhida.
Os profissionais da área de Divulgação Institucional atuam na criação de campanhas, ações educativas e projetos de comunicação voltados à população.
Os jornalistas são responsáveis pela cobertura das atividades parlamentares, produção de reportagens, notícias, entrevistas e conteúdos para os diversos veículos de comunicação da Câmara.
Já os relações-públicas trabalham na organização de eventos, cerimônias, ações de relacionamento institucional e iniciativas voltadas ao fortalecimento da imagem da Casa.
Na área de gestão da informação, os arquivistas organizam e preservam documentos produzidos ao longo de décadas de atividade legislativa.
Os bibliotecários administram acervos e auxiliam em pesquisas técnicas utilizadas por parlamentares e servidores. Os museólogos, por sua vez, cuidam da preservação da memória institucional e dos bens históricos relacionados ao Poder Legislativo.
As especialidades de engenharia têm atribuições ligadas à manutenção e modernização da infraestrutura da Câmara. Os profissionais participam da elaboração de projetos, fiscalização de obras, emissão de pareceres técnicos e acompanhamento de contratos.
Já os servidores de Registro e Redação exercem uma das funções mais diretamente ligadas ao processo legislativo. Eles são responsáveis pelo registro oficial de debates, pronunciamentos e sessões parlamentares, além da elaboração, revisão e organização de documentos produzidos pela Casa.
Como serão as provas?
As provas estão marcadas para 17 de janeiro de 2027.
A aplicação ocorrerá nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. Dessa forma, os candidatos poderão realizar os exames em seus próprios estados, sem a necessidade de viajar para Brasília.
➡️ As avaliações serão aplicadas em dois turnos. Os horários definitivos serão divulgados posteriormente pelo Cebraspe.
A seleção será composta por prova objetiva e prova discursiva, ambas aplicadas no mesmo dia.
A prova objetiva terá 180 itens no formato “certo” ou “errado”, distribuídos entre conhecimentos gerais e conhecimentos específicos.
Já a prova discursiva será voltada para conteúdos relacionados à especialidade escolhida pelo candidato.
Quando os aprovados poderão ser convocados?
A Câmara dos Deputados poderá iniciar as nomeações após a homologação do resultado final do concurso. Segundo o cronograma oficial, a divulgação do resultado final está prevista para 30 de abril de 2027.
A partir dessa data, as nomeações poderão ocorrer de acordo com as necessidades da administração e a disponibilidade de vagas.
Além dos candidatos classificados dentro das vagas imediatas, aprovados no cadastro de reserva também poderão ser convocados durante o período de validade do concurso, que será de dois anos – contados a partir da homologação do resultado final.
Esse prazo poderá ser prorrogado uma única vez, por igual período. Isso significa que a Câmara dos Deputados poderá convocar aprovados por até quatro anos, conforme suas necessidades administrativas.
Cadastro reserva
O concurso prevê 118 oportunidades para cadastro de reserva, mecanismo utilizado para formar uma lista de candidatos aptos a serem convocados futuramente. Ou seja, quem for aprovado para o cadastro de reserva não tem direito à nomeação imediata.
Esses candidatos ficam em uma espécie de lista de espera e podem ser chamados caso surjam novas vagas, ocorram aposentadorias, exonerações ou haja necessidade de reforçar o quadro de servidores durante o período de validade do concurso.
A convocação segue a ordem de classificação e pode ocorrer a qualquer momento enquanto o concurso estiver válido.
Cronograma
5 de outubro de 2026: divulgação das regras para sorteio das vagas reservadas;
8 de outubro de 2026: sorteio das vagas reservadas;
14 de outubro de 2026: divulgação do resultado final do sorteio;
15 a 23 de outubro de 2026: prazo para solicitar isenção da taxa;
15 de outubro a 17 de novembro de 2026: período de inscrições;
19 de novembro de 2026: prazo final para pagamento da taxa;
22 de dezembro de 2026: consulta aos locais de prova;
17 de janeiro de 2027: aplicação das provas objetiva e discursiva;
19 a 22 de janeiro de 2027: divulgação dos gabaritos preliminares;
18 de fevereiro de 2027: resultado das provas objetivas;
9 de abril de 2027: resultado provisório das provas discursivas;
30 de abril de 2027: resultado final do concurso.

Fim da escala 6×1: o que acontece se o Senado aprovar a PEC nesta quarta

Plenário do Senado Federal discute a PEC do fim da escala 6×1
Jonas Pereira/Agência Senado
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 enfrenta nesta quarta-feira (14) seu primeiro grande teste no plenário do Senado.
Os senadores devem votar, em primeiro turno, a PEC 221/2019, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado por semana sem redução salarial.
O texto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas ainda precisa superar etapas importantes antes de eventualmente se transformar em uma Emenda à Constituição.
Para avançar, a proposta precisará receber ao menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores. O resultado definirá os próximos passos da tramitação e indicará o tamanho do apoio político à medida dentro da Casa.
Agora no g1
A expectativa em torno da votação aumentou após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), incluir a matéria na pauta do plenário.
O tema vem mobilizando parlamentares favoráveis à aceleração da análise da proposta e também grupos que defendem um debate mais prolongado sobre seus impactos.
A seguir, entenda o que será votado, o que acontece em caso de aprovação e quais etapas ainda precisam ser cumpridas até a conclusão do processo legislativo.
O que será votado nesta quarta-feira?
O que acontece se a PEC for aprovada?
O texto ainda pode sofrer alterações?
A votação final pode ocorrer ainda em outubro?
O que prevê a PEC do fim da escala 6×1?
As mudanças passariam a valer imediatamente?
O que será votado nesta quarta-feira?
A análise prevista para esta quarta não corresponde à votação definitiva da proposta.
Antes da deliberação, os senadores ainda precisam concluir as duas últimas sessões de discussão exigidas pelo regimento interno do Senado. Em seguida, o texto será submetido ao plenário em primeiro turno.
A PEC já passou pelas principais fases iniciais da tramitação. Foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e recebeu parecer favorável da CCJ do Senado em setembro. Agora, será apreciada por todos os integrantes da Casa.
Como altera a Constituição Federal, a proposta precisa ser aprovada por pelo menos três quintos dos senadores, o equivalente a 49 votos favoráveis.
A votação desta quarta também servirá para medir, pela primeira vez, o apoio efetivo da Casa ao texto.
A discussão ocorre após semanas de negociações envolvendo governo, oposição e representantes de diferentes setores econômicos.
Parlamentares favoráveis à proposta afirmam possuir apoio suficiente para a aprovação em primeiro turno. Já grupos contrários defendem mais tempo para discussão e alertam para possíveis impactos sobre custos trabalhistas e organização das empresas.
Além da disputa em torno do mérito da proposta, há divergências sobre o ritmo de tramitação. Enquanto alguns senadores tentam acelerar o processo, outros defendem um debate mais amplo antes da conclusão das votações.
Outro fator importante é o quórum. Mesmo com a matéria pautada, a aprovação depende do voto favorável de pelo menos 49 parlamentares, um número expressivo para mudanças constitucionais.
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O que acontece se a PEC for aprovada?
Se a proposta obtiver os votos necessários, ela continuará tramitando no Senado.
A aprovação em primeiro turno não altera imediatamente a Constituição nem muda as regras da jornada de trabalho. Ela apenas permite que o texto avance para a reta final do processo legislativo.
Após essa etapa, ainda serão necessários:
três novas sessões de discussão em plenário;
votação em segundo turno;
nova aprovação com pelo menos 49 votos favoráveis.
Somente após a aprovação em segundo turno o Senado concluirá sua análise da proposta.
Caso os senadores mantenham exatamente o mesmo texto aprovado pela Câmara dos Deputados, a PEC poderá seguir diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional e passar a integrar a Constituição Federal.
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O texto ainda pode sofrer alterações?
Sim.
Apesar de o relator da matéria, senador Omar Aziz (PSD-AM), ter rejeitado as 36 emendas apresentadas até o momento, novas sugestões de alteração ainda podem ser apresentadas durante a tramitação em plenário.
Caso alguma mudança seja aprovada, a PEC deixará de ter a mesma redação que passou pela Câmara.
Nessa hipótese, o texto precisará retornar aos deputados federais para uma nova análise antes da promulgação, o que poderá prolongar o processo legislativo.
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A votação final pode ocorrer ainda em outubro?
Existe essa possibilidade.
Pelas regras normais do Senado, a proposta precisa cumprir novas sessões de discussão antes da votação em segundo turno. O regimento também prevê intervalo entre as duas deliberações.
Entretanto, parlamentares governistas articulam a aprovação de um calendário especial para acelerar a tramitação.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), recolhe assinaturas para apresentar um requerimento que permitiria reduzir parte desses prazos.
Segundo Davi Alcolumbre, nenhum pedido desse tipo havia sido apresentado formalmente até o momento. Caso isso aconteça, caberá ao plenário decidir se concorda ou não com a aceleração da análise.
Se houver acordo entre os senadores, a votação definitiva poderá ocorrer ainda na segunda quinzena de outubro.
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O que prevê a PEC do fim da escala 6×1?
A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal para reduzir a jornada máxima semanal de trabalho no Brasil.
Hoje, o limite constitucional é de 44 horas semanais. O texto aprovado pela Câmara reduz esse teto para 40 horas, sem permitir redução salarial.
A proposta também garante dois dias de descanso remunerado por semana e determina preferência para que um deles seja concedido aos domingos.
Na prática, a mudança elimina a possibilidade de adoção da escala 6×1 como modelo regular de jornada.
O texto mantém o limite máximo de oito horas de trabalho por dia e preserva os pisos salariais das categorias.
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As mudanças passariam a valer imediatamente?
Não. A PEC prevê uma implementação gradual para permitir a adaptação de empresas e trabalhadores.
Primeira etapa
Iniciada 60 dias após a promulgação da emenda:
redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais;
garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
Segunda etapa
Iniciada 12 meses após a primeira fase:
redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais.
Na prática, a implementação completa ocorreria cerca de 14 meses após a promulgação da emenda constitucional.
A medida alcançaria a maior parte dos trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O texto, porém, prevê exceções e regras específicas.
Atividades contínuas e consideradas essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão manter escalas diferenciadas por meio de acordos e convenções coletivas.
A proposta também estabelece tratamento diferenciado para trabalhadores com diploma de ensino superior que recebam remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS, atualmente em torno de R$ 21 mil mensais.
Além disso, determina que uma futura lei complementar estabeleça regras específicas para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte.
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O que o FMI prevê para a economia brasileira em 2027 — e os desafios para retomar o crescimento

FMI reduz projeção de crescimento para o Brasil
O Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento da economia brasileira vai perder fôlego no próximo ano — registrando um aumento menor do que o previsto para 2026.
A avaliação faz parte do relatório Perspectiva Econômica Mundial, em que a entidade sediada em Washington faz previsões sobre toda a economia global.
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A previsão do FMI para a economia brasileira é de um crescimento de 2,2% para 2026 e 1,9% em 2027 — uma revisão para baixo de 0,2% e 0,3% respectivamente, em relação às projeções divulgadas pelo Fundo em julho.
Segundo o FMI, essa desaceleração do crescimento econômico brasileiro reflete “condições monetárias ainda restritivas — voltadas para o retorno da inflação à meta —, a retirada de estímulos da política fiscal e a incerteza global”.
Desde o começo do ano, o Banco Central vem cortando a taxa básica de juros da economia — que já caiu de 15% para 13,75%.
Na mais recente ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central destacou que os juros altos no Brasil têm provocado uma desaceleração da economia — mas que a taxa continuará caindo aos poucos para impedir a volta da inflação.
Os últimos dados do PIB brasileiro confirmam essa desaceleração. A economia nacional havia crescido 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.
Mas os dados mais recentes do IBGE mostram que o PIB perdeu força no segundo trimestre de 2026, com uma alta de 0,5% em relação ao trimestre anterior, abaixo do avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre.
As previsões do FMI para 2026 e 2027 são mais otimistas do que a do mercado brasileiro. O mais recente Boletim Focus, do Banco Central, — de 2 de outubro — mostra que os agentes do mercado brasileiro acreditam que o crescimento econômico brasileiro será de 1,85% este ano e 1,4% em 2027.
Pela quarta semana consecutiva, as previsões de crescimento da economia brasileira caíram nas medianas do Focus.
O crescimento projetado para a economia brasileira pelo FMI está levemente abaixo do previsto para a América Latina, que é de 2,3% em 2026 e 2,5% em 2027.
No Brasil, a expectativa do FMI é de queda da inflação, mas aumento do desemprego.
O FMI prevê que a inflação brasileira vai cair de 5% no ano passado para 4,4% este ano e 4,1% em 2027. Já a taxa de desemprego subiria de 6% em 2025 para 6,2% este ano e 6,8% em 2027.
De novo, as previsões do FMI parecem mais positivas do que as do mercado brasileiro. Segundo o Focus, o Brasil fecharia 2026 e 2027 com inflação de 5,01% e 4,3% respectivamente.
Economia global ‘resiliente mas sob pressão’
Já o resto do mundo cresceria em um ritmo mais acelerado do que o brasileiro, segundo a projeção do Fundo: de 3,4% este ano e 3,6% em 2027.
Segundo o FMI, a economia global está “resiliente sob pressão” — que é o nome do relatório.
O mundo enfrenta hoje diversos desafios econômicos: uma inflação alta — que deve atingir 4,7% na média global este ano para depois cair para 4,1% em 2027 —, uma escalada de conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, uma reavaliação sobre as expectativas ligadas à inteligência artificial, tensões comerciais entre os países e problemas fiscais em diversos governos.
“Por outro lado, um impulso mais forte nos investimentos em IA e ganhos de produtividade decorrentes da IA, ou um alívio sustentado das tensões geopolíticas e comerciais, poderiam fortalecer o crescimento”, afirma o FMI.
Segundo o FMI, a atividade econômica global tem se mantido resiliente apesar da guerra no Oriente Médio, sustentada pela adaptação do setor privado e por investimentos robustos em inteligência artificial.
“No entanto, a inflação está em alta, a disparidade entre as economias que se beneficiam do ciclo de expansão tecnológica ou de termos de troca favoráveis ​​e aquelas que enfrentam custos de importação mais elevados e demanda mais fraca está aumentando”, diz o FMI.
O Fundo também afirma que o preço dos alimentos e energia vêm subindo nos últimos cinco anos, corroendo o poder de compra das famílias e aumentando a desigualdade e a pobreza.
O FMI defende que as políticas públicas que mais funcionaram para lidar com esses desequilíbrios foram de apoio à renda para famílias vulneráveis economicamente.
2027 mais lento no Brasil
A previsão do FMI de um crescimento mais lento do Brasil em 2027 está em linha com o que muitos analistas brasileiros já apontavam.
Economistas ouvidos pela BBC News Brasil no mês passado já antecipavam um crescimento mais lento para a segunda metade deste ano e para 2027, com a perda de força dos estímulos fiscais feitos por governo federal e governos estaduais no primeiro semestre, em meio à corrida eleitoral.
Ao mesmo tempo, os investimentos devem seguir reduzidos, diante do cenário de juros altos, que também têm se refletido nos diversos pedidos de recuperação judicial no setor de varejo.
Esse cenário de restrições à atividade econômica deve continuar no próximo ano, contribuindo para o menor crescimento do PIB, preveem os analistas.
Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, projetava um crescimento de 1,5% do PIB em 2027, mas acredita que esse número possa, na verdade, ser mais próximo de 1%.
O economista cita como fatores para esse pessimismo a redução da taxa básica de juros mais lenta do que era esperado no início do ano, o aumento do endividamento e a redução do impulso fiscal pelo governo, passado o ciclo eleitoral.
Pesam também condições financeiras mais desfavoráveis, com juros mais altos no mundo e petróleo em alta, pressionando a inflação local.
“Ano que vem provavelmente também tem PIB negativo do agro, por causa do efeito do El Niño”, diz Serrano.
Alex Agostini, economista-chefe da agência de avaliação de risco Austin Rating, disse à BBC News Brasil em setembro que o cenário fiscal conturbado deve ser a maior pedra no sapato do novo governo.
Ele acredita que, seja Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL) vitorioso, algum ajuste fiscal será inevitável, o que teria efeito contracionista sobre a atividade econômica.
O que o FMI prevê para a economia brasileira em 2027 — e os desafios para retomar crescimento
Getty Images via BBC

Character.AI pede recuperação judicial nos EUA e negocia venda à Disney por R$ 100 milhões

Character.AI, plataforma de inteligência artificial para criar personagens que se passam por pessoas reais
Divulgação/Character.AI
A Character.AI, plataforma que permite criar personagens virtuais com inteligência artificial para conversar sobre diferentes assuntos, informou nesta segunda-feira (12) que pediu recuperação judicial nos Estados Unidos e concordou em vender parte de seus ativos à Walt Disney por US$ 20 milhões (cerca de R$ 99,7 milhões).
Fundada por ex-engenheiros do Google, a empresa ficou conhecida por oferecer chatbots que simulam conversas humanas e podem interagir com usuários em situações que envolvem entretenimento, amizade e apoio emocional.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Segundo informações da Reuters, a empresa iniciou o processo de venda de ativos, que inclui o licenciamento de parte de sua propriedade intelectual.
Também pediu à Justiça que aprove as regras do leilão, que preveem a Disney como primeira ofertante.
Nesse modelo, a proposta da Disney serve como referência para as demais ofertas, mas outros interessados podem apresentar valores mais altos. A expectativa é concluir a negociação até o fim de novembro ou o início de dezembro de 2026.
“Após uma análise abrangente das alternativas disponíveis, o conselho de administração concluiu que esse processo de venda supervisionado pela Justiça oferece à empresa a melhor oportunidade de maximizar o valor para todas as partes interessadas”, afirmou Colin Adams, presidente-executivo da Character.AI.
A Character Technologies, empresa sediada nos Estados Unidos que controla a plataforma, declarou ter ativos e dívidas estimados entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões, segundo um documento apresentado à Justiça.
A companhia afirmou que pretende manter a plataforma em funcionamento, com o mínimo possível de interrupções durante o processo de venda. Caso não encontre um comprador disposto a continuar operando o serviço, a plataforma será desativada.
Polêmicas envolvendo a plataforma
A Character.AI já enfrentou questionamentos sobre os riscos de seus chatbots para crianças e adolescentes.
Em 2024, a empresa anunciou novas medidas de segurança após ser acusada, em processos judiciais nos EUA, de contribuir para casos de suicídio e automutilação entre jovens.
Em janeiro deste ano, a Character.AI e o Google chegaram a um acordo para encerrar um processo movido pela mãe de um adolescente de 14 anos que morreu por suicídio após interagir com um chatbot da plataforma. Os termos do acordo não foram divulgados.
Mais recentemente, no mês passado, o Ministério da Justiça brasileiro recomendou que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) avaliasse os riscos de plataformas que simulam relações de amizade e romance com usuários. A Character.AI estava entre os 13 serviços analisados pelo órgão.

Mercado financeiro sobe para 5,22% estimativa de inflação em 2026 e passa a prever juros menores

O mercado financeiro elevou sua estimativa de inflação neste ano e também passou a projetar uma queda maior na taxa básica de juros, a Selic.
A projeção do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 recuou de 13,50% para 13,25% ao ano na última semana — embutindo não somente uma, mas duas reduções até o fim de 2026.
As informações fazem parte do “Boletim Focus”, divulgado nesta terça-feira (13) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Inflação
A alta na estimativa de inflação acontece apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que eleva o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação subiu de 5,01% para 5,22%;
➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4,30%;
➡️ Para 2028, a previsão caiu de 3,80% para 3,79%;
➡️ Para 2029, a estimativa recuou de 3,51% par 3,50%.
Agora no g1
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Produto Interno Bruto
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado financeiro manteve sua estimativa em 1,85% na semana passada.
Com isso, os analistas estimam desaceleração da economia neste ano, visto que, em 2025, o PIB cresceu 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Para 2027, a projeção do mercado de crescimento do PIB continuou em 1,40%.
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
Corte dos juros
O mercado financeiro também passou a projetar um corte maior na taxa de juros neste ano.
Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano — após cinco cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 recuou de 13,50% para 13,25% ao ano na última semana, embutindo não somente uma, mas duas reduções até o fim de 2026.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10,50% ao ano.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,20 para R$ 5,15 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos recuou de R$ 5,28 para R$ 5,26 por dólar.