#NÃOÉBEMASSIM: Bolsa Família teve reajuste maior que do salário mínimo em 2026, mas não supera aumento dos últimos três anos

Bolsa Família não teve reajuste maior que salário mínimo nos últimos 3 anos
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Circulam nas redes sociais publicações alegando que o governo Lula (PT) deu mais de 15% de reajuste para o Bolsa Família, mas corrigiu em apenas 6% o salário mínimo. #NÃOÉBEMASSIM.
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🟡 Como são os posts?
Publicações que viralizaram no X e no Instagram desde o final de setembro exibem uma imagem do presidente Lula (PT) segurando um cartão do programa social Bolsa Família. Abaixo, há o seguinte texto: “Discurso que gera polêmica: ‘Como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha?’, diz trabalhador CLT”.
Veja um exemplo de legenda que acompanha a imagem: “Em um vídeo que acumula milhares de visualizações, um trabalhador regido pela CLT fez um desabafo direto sobre a condução econômica do governo: Como um partido que se diz dos trabalhadores dá mais de 15% de aumento para quem não trabalha e apenas 6% para quem trabalha? O questionamento expõe a insatisfação da classe trabalhadora com a perda do poder de compra e com o ritmo dos reajustes salariais frente aos repasses de programas assistenciais”.
Mas esses enunciados omitem que o reajuste anterior do Bolsa Família havia ocorrido em 2023. E que, nesse mesmo período, o salário mínimo acumulou um aumento de 22,8%. Em 2024, o valor passou de R$ 1.320 para R$ 1.412. Em 2025, chegou a R$ 1.518. E, em 2026, subiu para R$ 1.621. O percentual de 6%, citado nos posts desta checagem, é próximo apenas do registrado na correção mais recente: 6,8% (de R$ 1.518 para R$ 1.621) – leia detalhes abaixo.
📌 Por que #NÃOÉBEMASSIM?
Em 17 de setembro, a 17 dias do primeiro turno da corrida presidencial, o governo federal anunciou o reajuste dos benefícios do Bolsa Família em 15%. Com isso, o piso do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio subirá dos atuais R$ 675 para R$ 777, informou o Ministério do Planejamento. O primeiro repasse com os novos valores está previsto para 19 de outubro.
À época do anúncio do aumento para o Bolsa Família, o governo negou motivação eleitoral e afirmou que a medida recompõe parte da perda do poder de compra causada pela inflação desde o aumento anterior, três anos atrás. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026 foi de 15,04%.
Economistas e especialistas consultados pelo g1 questionaram o momento da alteração e o risco às contas públicas.
Procurado pelo Fato ou Fake, o Ministério do Planjeamento e Orçamento disse, por e-mail: “A recomposição de 15% do benefício Bolsa Família corresponde a correção dos valores pela variação inflacionária acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026, um período de 3 anos em que não houve reajuste. Isso não ocorreu com o salário mínimo, que manteve valorização real nos últimos 3 anos”.
O Fato ou Fake consultou o economista Carlos Eduardo Oliveira Jr, do Conselheiro Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), que explicou: “Para uma comparação adequada, o ideal é analisar a evolução acumulada do salário mínimo e do Bolsa Família entre 2023 e 2026, e não comparar o reajuste anual do mínimo com a recomposição acumulada de 15,04% aplicada ao programa social. Nesse critério, o salário mínimo teve um avanço de 22,8%, contra 15,04% do Bolsa Família”.
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'Estoques no limite': guerra no Oriente Médio afeta abastecimento de diesel para agricultores no RS

‘Estoques no limite’: guerra no Oriente Médio afeta abastecimento de diesel no agro
Agricultores do Rio Grande do Sul estão preocupados com a escassez de óleo diesel às vésperas do plantio da safra de verão
A Sulpetro, entidade que representa os postos de combustíveis na região, diz que a redução dos estoques é reflexo dos conflitos no Oriente Médio, que pressionaram o preço do produto no mercado internacional. O Brasil importa 30% do diesel que consume.
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“A importação está menor. Então, os estoques nacionais estão no limite do consumo. Não existe uma escassez, existe uma restrição. Não é falta de produto, é restrição e com preços elevados”, afirma Fabrício Severo Braz, presidente da Sulpetro.
Segundo ele, muitos estados passaram a buscar o produto no Sul por causa do preço mais acessível.
O agricultor Arcênio Dupont está há 3 semanas com dificuldade para abastecer suas máquinas, no município de Santa Cruz do Sul. Ele diz que só conseguiu comprar mil litros do óleo diesel. Normalmente, ele consome 2 mil litros.
Em Julio de Castilhos a história se repete. A cooperativa que atende 6 mil produtores não tem recebido combustível suficiente dos distribuidores para atender toda a demanda.
O agricultor Sidnei Prates, de Santa Maria, precisou recorrer a postos de combustíveis para conseguir diesel para a colheita do arroz.
Mas até os postos enfrentam restrições. O empresário Antônio Palharin disse que recebeu apenas metade do diesel encomendado.
A Agencia Nacional do Petróleo (ANP) afirmou que não existe risco de desabastecimento de diesel no Rio Grande do Sul nem no restante do país.
Após os relatos dos agricultores gaúchos, a ANP informou que reforçou o monitoramento dos estoques e da distribuição do combustível.
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Fim da 6×1: entenda quais profissões serão afetadas pela mudança e quem fica de fora

Senado aprova PEC do fim da escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14).
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A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra.
Com a aprovação nas duas Casas do Congresso, a emenda constitucional segue para promulgação, sem necessidade de sanção do presidente da República. As novas regras começam a valer após a publicação, mas a implementação será gradual.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indicam que 14,8 milhões de trabalhadores que são contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) atuam na escala 6×1 no Brasil.
A mudança prevê dois dias de repouso remunerado por semana e redução gradual da jornada máxima, sem diminuição salarial. Dois meses após a publicação da emenda, o limite semanal cairá de 44 para 42 horas. Após mais um ano, passará para 40 horas.
A proposta também permite regimes diferenciados de jornada e descanso, que poderão ser regulamentados por lei e por normas coletivas, respeitando os limites constitucionais. (veja como funcionam as escalas de trabalho)
É o caso de setores que precisam funcionar continuamente, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Segundo o advogado trabalhista Hugo Luiz Schiavo, a proposta não estabelece uma lista de profissões que ficariam fora das novas regras.
“Não há uma lista de profissões que ficariam fora das novas regras, nem seria recomendável que ela existisse”, afirma Schiavo.
Isso significa que trabalhadores dessas áreas poderão ter a jornada e os períodos de descanso organizados de maneira diferente, conforme as regras aplicáveis à atividade.
A possibilidade de manter escalas especiais, como a 12×36, dependerá da regulamentação e das condições previstas para cada regime. O advogado também destaca que o intervalo para refeição e descanso deve ser respeitado.
A proposta prevê ainda tratamento diferenciado para trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração igual ou superior a 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Para esse grupo, as novas regras de duração e controle da jornada não serão obrigatórias, salvo se o empregador decidir aplicá-las ou se houver previsão em acordo ou convenção coletiva. O direito ao repouso, porém, permanece. (entenda)
A legislação trabalhista já prevê situações em que não há controle tradicional de jornada, como no caso de empregados que ocupam cargos de confiança ou que trabalham fora da empresa em atividades nas quais não é possível controlar o horário.
Quem pode ter impactos menores com a mudança
Nem todos os trabalhadores terão redução da jornada de 44 para 40 horas. Algumas categorias já possuem limites menores previstos em lei, enquanto outras não são regidas pela CLT.
Bancários: algumas funções têm jornada de seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, totalizando 30 horas semanais. Por isso, a redução do limite geral de 44 para 40 horas não representa mudança para esses trabalhadores
Teleatendimento e telemarketing: esses profissionais já têm jornada de até seis horas diárias e 36 horas semanais. A nova regra pode afetar principalmente a forma de organização dos dias de descanso.
Trabalhadores de minas subterrâneas: também têm limites específicos de jornada, inferiores às 44 horas semanais previstas como limite geral.
Autônomos, MEIs e PJs: quem trabalha por conta própria ou presta serviços como pessoa jurídica sem vínculo de emprego não é regido pela CLT e, portanto, não está diretamente sujeito às novas regras.
Trabalhadores informais: profissionais sem carteira assinada, como ambulantes, entregadores e motoristas de aplicativo, também não estão submetidos às regras da CLT.
Quem pode manter escalas diferentes
O fim da escala 6×1 não significa necessariamente que todos os trabalhadores passarão a cumprir uma rotina tradicional de cinco dias de trabalho e dois de folga consecutivos.
Setores que precisam manter serviços contínuos poderão organizar as jornadas e os descansos de maneira diferenciada, conforme a regulamentação e as regras de negociação coletiva.
Saúde: hospitais e serviços de emergência podem manter plantões e escalas especiais, como a 12×36.
Segurança: atividades que precisam funcionar continuamente podem manter escalas diferenciadas.
Transporte: trabalhadores do setor podem ter a jornada organizada de acordo com a necessidade de funcionamento dos serviços.
Limpeza urbana: por funcionar em horários variados e de forma contínua em muitas cidades, o setor pode adotar uma organização específica da jornada.
Portaria e vigilância: trabalhadores dessas áreas também podem ter escalas especiais, conforme as regras aplicáveis.
Escalas especiais poderão ser mantidas
A advogada trabalhista Elisa Alonso, sócia do RCA Advogados, explica que o fato de uma atividade poder adotar uma escala diferenciada não significa que seus trabalhadores perderão o direito à nova proteção.
Segundo ela, setores que precisam manter serviços contínuos, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão organizar as jornadas e as folgas de forma diferente, inclusive por meio de acordos e convenções coletivas.
“Não significa que hospitais, serviços de segurança ou sistemas de transporte tenham necessariamente de adotar uma escala tradicional de segunda a sexta-feira”, afirma.
Na avaliação da advogada, trabalhadores que já atuam na escala 12×36, por exemplo, poderão continuar submetidos a esse modelo, desde que sejam respeitados os limites previstos na nova regra e as condições específicas de compensação.
Assim, um hospital não precisaria necessariamente substituir todos os plantões de 12 horas por jornadas de oito horas.
A especialista ainda ressalta que há diferença entre excluir uma profissão das novas regras e permitir que uma categoria tenha uma escala diferenciada.
No primeiro caso, o trabalhador perderia o direito à nova proteção. No segundo, o direito permanece, mas a forma de organizar a jornada e os descansos é adaptada às características da atividade.
“Talvez o principal efeito da proposta não seja simplesmente trocar a expressão ‘6×1’ por ‘5×2′”, afirma Alonso.
Para quem hoje trabalha seis dias e folga um, a principal mudança seria a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas e a ampliação do descanso de um para dois dias. A distribuição desses períodos, porém, poderá variar conforme a atividade e as regras estabelecidas para cada regime.
“Para algumas categorias, isso poderá significar cinco dias de trabalho e dois de folga; para outras, a manutenção de plantões ou escalas especiais, com uma distribuição diferente dos períodos de descanso”, explica a advogada.
Plenário do Senado Federal discute a PEC do fim da escala 6×1
Jonas Pereira/Agência Senado

Mães solo celebram fim da escala 6×1: 'Estava vendo a vida dos meus filhos passar'

Senado aprova PEC do fim da escala 6×1 em primeiro turno
Às 5h, Luciana de Almeida, de 36 anos, já está de pé para começar a organizar o dia. Arruma as duas filhas caçulas, serve o café da manhã e segue para deixá-las na escola, em Realengo, no Rio de Janeiro.
Filhas em sala de aula, a operadora de caixa embarca no transporte público por 1h30 para chegar ao supermercado onde trabalha na escala 6×1, em Campo Grande, a cerca de 20 quilômetros.
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Almoço às 15h, saída registrada no ponto às 17h50 e, duas horas depois, perto das 20h, Luciana está de volta em casa, liberando o filho mais velho de 15 anos do cuidado com as irmãs, de 4 anos e 1 ano e 8 meses.
No único dia de folga que tem na semana, sobra pouco para o descanso diante das tarefas domésticas. Muitas vezes, ainda faz faxinas para conseguir uma renda extra para sustentar a família como mãe solo, conta.
“Estou com o corpo e, principalmente, com a mente muito cansados”, diz Luciana, que trabalha na escala 6×1 no comércio desde os 18 anos. “No dia depois da folga, eu continuo trabalhando cansada.”
Não é de se estranhar que, nos últimos meses, a carioca acompanhou atenta às discussões da PEC que encerrou essa modalidade de trabalho.
Na quarta-feira (14/10), para celebração de Luciana, o Senado aprovou por 75 a 1 o fim da escala 6×1 e a redução da jornada máxima de trabalho no Brasil.
Segundo o Ministério do Trabalho, no final de 2025, a escala 6×1 era a realidade de 14,8 milhões de trabalhadores no Brasil, que representam pouco mais de um terço da mão de obra formal.
A implementação ocorrerá em duas fases. A primeira terá início 60 dias após a promulgação do texto, garantindo o fim da escala 6×1 e reduzindo a jornada de trabalho de 44 para 42 horas semanais. Depois de 14 meses, a carga horária será reduzida de 42 para 40 horas semanais.
Fim da escala 6×1: o que acontece agora? Quais são os próximos passos? Entenda
Após a aprovação no Senado, o texto ainda precisará ser promulgado em sessão solene pelas Mesas Diretoras da Câmara e do Senado para, enfim, ser publicado e passar a integrar a Constituição.
Assim, passados todos esses prazos, a carioca vai viver agora a primeira experiência em sua vida com duas folgas na semanas.
“Vai mudar muita coisa”, diz. “Vou conseguir descansar, resolver coisas da minha vida, até fazer um extra se conseguir.”
Outro ponto de virada na vida de Luciana será acompanhar mais a vida dos filhos que, segundo ela, está “passando” sem que ela esteja presente.
Foi nas férias desse ano, em uma rotina em casa, que ela teve essa reflexão: “Estou vendo a vida dos meus filhos passar, não consigo ir em festa de dia das mães, junina, nada”, diz.
“Preciso ter tempo com minhas filhas, ter algum lazer ou mesmo ficar em casa descansando”, relata.
A carioca diz não saber como será a readaptação na empresa onde trabalha e que vive uma expectativa pela eleição presidencial. Isso porque diz não saber o que aconteceria com uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente .
Flávio, que é senador, se posicionara, na terça-feira, pela primeira vez, a favor do fim da escala 6×1 — e votou pela aprovação.
Até então, ele dizia que a proposta era “oportunista”, por ir a votação às vésperas das eleições.
A proposta foi apresentada por parlamentares da esquerda e uma das maiores bandeiras da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da 6×1, então eu vou votar a favor do fim da 6×1”, disse Flávio.
O senador também segue defendendo uma “jornada flexível”, na qual, segundo ele, empregador e empregado chegariam a um consenso sobre as condições de trabalho.
Antes da votação, o líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante disse que Flávio vai insistir, depois das eleições, na votação da chamada “PEC das horas”.
A proposta, de autoria de Rogerio Marinho (PL-RN), prevê que o trabalhador escolha entre seguir o regime de trabalho tradicional previsto pela CLT, ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas.
‘Sinto alívio pelas mais novas’
Setor de serviços e comércio terão que passar por maiores adaptações diante do fim da escala 6×1
Dado Galdieri/Bloomberg via Getty Images/BBC
Em São Paulo, a gerente comercial Fabiane da Conceição, 50 anos, também comemorou a aprovação do fim da escala 6×1.
Foram 20 anos de sua vida se dedicando ao trabalho com apenas uma folga na semana. Há 30 dias, a paulistana assumiu um novo emprego na escala 5×2, mas diz que guarda na memória as dificuldades que enfrentou, especialmente na relação com os dois filhos que criou sozinha.
“Sinto hoje que perdi a maior parte das coisas que enxergo importante na criação dos filhos. Não os vi aprender a andar, não os levei ao primeiro dia da escola”, conta Fabiane, emocionada.
“Eu não posso me arrepender porque era o que dava nosso sustento, mas não deixo de sentir a dor. Me sinto aliviada quando penso em pessoas mais jovens e outras mulheres que vão viver uma situação que não às leve à exaustão física e mental e à exclusão materna.”
Fabiane passou por lojas no comércio e serviços na indústria alimentícia, automotiva e petrolífera. Mãe de dois filhos e vítima de violência doméstica por parte do ex-marido, ela não tinha uma rede de apoio para auxiliá-la.
“Lembro que, 30 anos atrás, eu ganhava R$ 400 reais e pagava R$ 180 para alguém pegar meus filhos na escola e ficar com eles até o momento que eu chegava em casa, às 20h”, lembra. Ela encarava 2 horas no transporte entre Sapopemba, onde morava, na Zona Leste da capital paulista, e a Barra Funda, onde trabalhava, na Zona Oeste.
“Sempre tive total noção da qualidade de vida que eu não tinha. Mas o fator financeiro me exigia, era isso ou não tinha dinheiro em casa. Deixou de ser escolha para mim muito cedo”, completa.
A paulistana diz que a relação com os filhos acabou ficando marcada por mágoas deixadas por sua ausência em casa. “Me dói muito saber que o tempo que eu tinha era pouco para eles. Que sentiam minha falta”, diz.
“Pela primeira vez, mães como eu poderiam ter dia de lazer, organizar a vida, ficar em casa e poder descansar.”
Luciana vive expectativa por ter duas folgas na semana para conviver mais com três filhos
Arquivo Pessoal via BBC

Fim da escala 6×1 também afeta quem trabalha de segunda a sexta; veja o que muda

Senado aprova PEC do fim da escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14).
A proposta recebeu 75 votos favoráveis e um contrário nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contra o texto.
A redução também poderá afetar quem já trabalha de segunda a sexta-feira. Atualmente, trabalhadores com jornada de 44 horas podem compensar as quatro horas de sábado ao longo da semana. Com o limite de 40 horas semanais, essa jornada diária poderá ser reduzida, sem diminuição salarial (veja mais abaixo).
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Para acelerar a tramitação, a votação ocorreu em dois turnos no mesmo dia. As novas regras, no entanto, não entram em vigor imediatamente.
Com a aprovação pelo Senado, a emenda constitucional seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional, sem precisar passar pela sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei.
A mudança começará a produzir efeitos dois meses após a publicação da emenda constitucional no Diário Oficial. (veja como vai funcionar)
O texto prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal, que atualmente estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. Pelo texto aprovado, a redução da carga horária ocorrerá em duas etapas.
Primeira etapa:
Iniciada 60 dias após a promulgação da emenda;
redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais;
garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.
Segunda etapa:
Iniciada 12 meses após a primeira fase;
redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais.
O texto também estabelece que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição salarial nem afetar os pisos das categorias profissionais.
Além disso, também será permitido a compensação prevista em norma coletiva, desde que seja garantida a média de dois dias de descanso por semana, com pelo menos um dia de repouso a cada sete dias.
Segundo Vivian De Camillis, especialista em direito do trabalho e sócia da área trabalhista do escritório Tilkian Marinelli Marrey, se as 42 horas semanais forem distribuídas igualmente por cinco dias de trabalho, a jornada será de 8 horas e 24 minutos por dia.
Quando o limite chegar a 40 horas, a jornada corresponderá a oito horas diárias, caso também seja dividida igualmente em cinco dias.
Redução da jornada também afeta quem já trabalha de segunda a sexta
A mudança também poderá impactar trabalhadores que já cumprem a escala 5×2, de segunda a sexta-feira, com folgas aos sábados e domingos.
Atualmente, quem tem jornada de 44 horas semanais pode trabalhar oito horas de segunda a sexta-feira e mais quatro horas no sábado. Para compensar o sábado, muitas empresas distribuem essas horas ao longo da semana, ampliando a jornada diária para 8 horas e 48 minutos.
Com a redução do limite para 40 horas semanais, esses profissionais também poderão ter a jornada diária reduzida, sem diminuição salarial.
“Assim, esses trabalhadores também poderão ter a jornada diária reduzida, sem precisar trabalhar horas a mais durante a semana para compensar o sábado”, explica Vivian De Camillis.
Na prática, quem trabalha atualmente 8 horas e 48 minutos por dia, de segunda a sexta-feira, poderá passar a cumprir oito horas diárias ao final da transição.
Já quem trabalha 40 horas semanais, com dois dias de descanso, não terá redução automática da carga horária nem direito a uma terceira folga em razão da mudança, segundo a advogada Bárbara Ferrari, especialista em direito do trabalho e sócia do Ferrari Rodrigues Advogados.
Mas como fica a jornada na prática?
A quantidade de horas trabalhadas por dia dependerá da distribuição da jornada ao longo da semana. Considerando uma divisão igual em cinco dias de trabalho, os limites serão:
A partir de dois meses da publicação: limite de 42 horas semanais, equivalente a 8 horas e 24 minutos por dia, se a jornada for distribuída igualmente em cinco dias.
Após um ano de transição: limite de 40 horas semanais, equivalente a 8 horas por dia, em cinco dias de trabalho.
A redução para 40 horas semanais, porém, não significa que todos os trabalhadores terão necessariamente a mesma jornada diária. A distribuição das horas poderá variar, respeitados os limites constitucionais e as regras aplicáveis.
Na prática, quem trabalha 8 horas e 48 minutos por dia, de segunda a sexta-feira, passará a cumprir 8 horas diárias. Já os trabalhadores que fazem 40 horas semanais, com dois dias de descanso, não terão redução automática da jornada nem direito a uma terceira folga.
Folgas não precisam ser aos sábados e domingos
O fim da escala 6×1 também tem gerado dúvidas sobre a obrigatoriedade de folgas aos sábados e domingos. A proposta não determina, necessariamente, que os dois dias de descanso coincidam com o fim de semana.
Segundo o advogado trabalhista Antonio Vasconcellos Junior, a proposta estabelece dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas, preferencialmente aos sábados e domingos, em linha com a previsão da legislação atual sobre o repouso semanal.
Na prática, isso significa que as folgas podem ocorrer em outros dias da semana. Um trabalhador pode, por exemplo, descansar na terça e na quinta-feira, desde que a escala respeite as regras previstas na norma.
“O essencial é que sejam assegurados dois períodos de descanso semanal, cada um com 24 horas consecutivas, independentemente dos dias em que ocorram”, afirma Vasconcellos Junior, sócio-fundador do AVJ Advogados.
O advogado trabalhista Maurício Corrêa da Veiga complementa que a legislação atual já assegura um descanso semanal de 24 horas, preferencialmente aos domingos, mas não obrigatoriamente nesse dia.
Na prática, a distribuição das folgas poderá variar conforme o setor e o tipo de atividade da empresa, especialmente em áreas que funcionam continuamente, como comércio, saúde e serviços.
Trabalhador negro computador oportunidade bolsa trabalho
Freepik

OpenAI acusa ex-funcionário de levar arquivos sobre aparelho não lançado para a Apple

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT
AP/Michael Dwyer, Arquivo
A OpenAI acusa um ex-funcionário de ter transferido para uma conta pessoal mais de 100 arquivos da empresa sobre um aparelho ainda não lançado. Ele deixou a criadora do ChatGPT para trabalhar na Apple.
Segundo a OpenAI, o ex-colaborador fez uma apresentação sobre o produto para a alta direção da dona do iPhone.
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A acusação consta de um documento apresentado pela OpenAI a um tribunal federal em San Jose, na Califórnia, nos Estados Unidos.
A empresa afirma que a apresentação ocorreu meses atrás e que a Apple agora desenvolve seus próprios produtos de inteligência artificial. Como exemplo, cita o lançamento do HomeView nesta semana.
Agora no g1
“A OpenAI está muito preocupada com o fato de seus segredos comerciais e informações confidenciais estarem circulando dentro da Apple, onde os engenheiros deles podem moldar os próximos produtos da empresa com base no trabalho confidencial e inovador da OpenAI”, afirmou a criadora do ChatGPT no documento.
A Apple disse que tem políticas e procedimentos para garantir que novos funcionários não utilizem informações confidenciais de empregadores anteriores. A empresa afirmou ainda que não encontrou evidências que sustentem as acusações da OpenAI.

Dólar abre em alta, com foco em inflação americana e pesquisas eleitorais

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta quinta-feira (15) em alta, com um avanço de 0,62% perto das 9h, cotado a R$ 5,0595. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O cenário político brasileiro segue sob os holofotes, conforme investidores repercutem novas pesquisas eleitorais e a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1. Indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos também ficam no radar.
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▶️ No Brasil, o tema do dia é a aprovação da PEC que prevê o fim da escala 6×1. A proposta foi aprovada pelo Senado na última quarta-feira por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. Com a aprovação, a emenda constitucional é promulgada pela Mesa do Congresso e a expectativa é que as mudanças aconteçam de forma gradativa.
▶️ No quadro eleitoral, Flávio Bolsonaro apareceu com 46% das intenções de voto no 2º turno, contra 44% de Lula. Os dados são da nova pesquisa Quaest, divulgada na véspera. Nesta quinta-feira, um novo levantamento deve ser divulgado pelo Datafolha. Acompanhe as pesquisas eleitorais no g1.
▶️ Na agenda econômica, o destaque fica com o índice de preços ao produtor (PPI) dos Estados Unidos. O indicador ganhou relevância para o mercado, após a inflação ao consumidor americano, divulgada na véspera, indicar que os preços no país seguem pressionados.
🔎 Os dados reforçam a expectativa de que o Fed possa elevar os juros no fim deste mês. Taxas mais altas nos EUA tendem a fortalecer o dólar e a afastar investidores de mercados emergentes, como o Brasil, além de aumentar a pressão para manter os juros elevados por aqui.
▶️ No Brasil, o foco fica com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) de agosto. A expectativa é que o indicador apresente um novo crescimento no mês, com recuperação concentrada nos segmentos de Vestuário e calçados e de Móveis e eletrodomésticos.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

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Acumulado da semana: +0,88%;
Acumulado do mês: -2,82%;
Acumulado do ano: -8,39%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,32%;
Acumulado da semana: -1,22%
Acumulado do mês: +10,82%;
Acumulado do ano: +28,16%.
Flávio Bolsonaro segue em vantagem no 2º turno, diz pesquisa
A primeira pesquisa Quaest do segundo turno, divulgada nesta quarta-feira (14), mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Os dois estão em empate técnico dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo. Veja os números:
Flávio Bolsonaro (PL): 46%
Lula (PT): 44%
Indecisos: 1%
Branco/nulo/não vai votar: 9%
A Quaest ainda divulgou uma pesquisa sobre a aprovação do governo Lula, mostrando que 48% desaprovam a gestão do petista, enquanto 45% aprovam.
Outro levantamento mostrou, ainda, que 43% dos brasileiros têm medo da volta da família Bolsonaro com a possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL), ao mesmo tempo em que outros 43% têm medo da reeleição de Lula (PT).
Em relação à última edição da pesquisa, de 3 de outubro, às vésperas do primeiro turno, houve um aumento de 3% nas respostas que citam o medo do retorno da família Bolsonaro. No levantamento anterior, o percentual foi de 40%, menor patamar desde 5 de agosto. Já os participantes que disseram ter mais medo da reeleição de Lula se mantiveram estáveis (43%) desde 21 de setembro.
A expectativa, agora, é pela nova pesquisa do Datafolha, que deve ser divulgada nesta quinta-feira.
Fim da escala 6×1
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, com dois dias de descanso remunerado por semana, foi aprovada pelo Senado nesta quarta-feira (14).
A proposta foi aprovada por 75 votos a favor e um contra nos dois turnos de votação. O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) foi o único a votar contrário à proposta.
Com a aprovação, a emenda constitucional é promulgada pela Mesa do Congresso, sem precisar passar pela sanção do presidente da República, como ocorre com projetos de lei. Ela começa a produzir efeitos após a publicação no Diário Oficial.
Como o g1 mostrou, a expectativa é que as mudanças comecem a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. A partir desse prazo, os trabalhadores passariam a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado, com possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que fosse assegurada a média de dois dias de descanso por semana.
A proposta também prevê a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. Durante o primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima passará a ser de 40 horas.
Quais são os próximos passos? Veja perguntas e respostas
Quais profissões devem ser afetadas e quem fica de fora
Bolsas globais
Na Ásia, as ações chinesas fecharam no menor patamar em 14 meses, acompanhando a fraqueza generalizada nos mercados globais e em meio à queda dos papéis do setor de tecnologia.
O SSEC, índice de Xangai, e o CSI300, índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, caíram 1,6%. Entre os demais índices da região, o Nikkei, do Japão, perdeu 4,90% e o Hang Seng, de Hong Kong, desvalorizou 1,03%. O Kospi, da Coreia do Sul, teve perdas de 7,57%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Cédulas de dólar
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