O que se sabe sobre nova onda de ciberataques a supermercados europeus

Novo ataque hacker afeta refrigeração de supermercados em 6 países da Europa
Uma nova onda de ataques cibernéticos a supermercados europeus se espalhou pelo continente nesta segunda-feira (02/11), afetando sistemas de refrigeração na Suécia, Irlanda, Holanda, Estônia, Finlândia, Bélgica e Luxemburgo.
O incidente levou ao descarte de alimentos e reacendeu preocupações sobre a vulnerabilidade digital da cadeia de abastecimento alimentar da Europa, menos de um mês após um episódio semelhante atingir centenas de lojas na França.
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Os ataques provocaram alterações indevidas nas temperaturas de geladeiras e freezers em dezenas de estabelecimentos.
A rede Carrefour informou que cerca de 15 de suas 700 lojas na Bélgica foram afetadas. “É um ataque cibernético, não há outra explicação”, afirmou o porta-voz da empresa, Mich Vergauwen.
Na cidade belga de Mons, a varejista de móveis Ikea também teve a temperatura dos freezers de uma de suas lojas elevada remotamente.
Em Antuérpia, o fundador da rede de açougues De Laet & Van Haver, Luc De Laet, relatou que, durante a madrugada, suas geladeiras foram configuradas para até 18°C.
“É muito assustador. Eles estão invadindo o sistema que faz o registro da temperatura e conseguem programá-lo à distância”, disse à agência de notícias Reuters. “É revoltante ter de jogar fora tanta comida.”
Sistemas de refrigeração de dezenas de lojas da varejista Ahold Delhaize na Bélgica e em Luxemburgo também foram impactados por um “incidente de TI”.
“Devido a ataques cibernéticos, não haverá produtos nas prateleiras refrigeradas ou congeladas. Pedimos sinceras desculpas”, anunciou a empresa em uma de suas lojas.
Já o Grupo Colruyt, que opera supermercados Spar na Bélgica por meio de franquias, informou que cinco unidades tiveram sistemas de refrigeração comprometidos.
A rede Intermarché relatou problemas técnicos em cerca de 15 lojas.
Varejista ICA identificou geladeiras ajustadas a temperaturas elevedas
Johan Nilsson/TT/picture alliance via DW
Na Suécia, a rede de supermercados Coop informou que sete de suas unidades tiveram problemas após um incidente envolvendo manipulação não autorizada de sistemas de refrigeração.
A varejista ICA também foi atingida, com a temperatura do freezer de uma de suas unidades sendo elevada a 50ºC, segundo informou uma representante da empresa.
A atacadista irlandesa Musgrave informou que o incidente atingiu sistemas em 13 lojas da rede SuperValu, obrigando a retirada de produtos refrigerados e congelados das prateleiras.
Na Finlândia, a rede varejista Kesko registrou ocorrências parecidas. Na Estônia, o supermercado Selver foi afetado. Na Holanda, impactos foram identificados em lojas de cidades menores.
O que está por trás dos ataques
Aumento deliberado de temperatura de freezers obrigou varejistas a descartar produtos em diversos paísesFo
Johan Nilsson/TT News Agency/REUTERS
Os novos incidentes ocorrem após um ataque registrado na França no mês passado. Na ocasião, a polícia francesa informou que hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração em mais de 500 supermercados, provocando perdas de alimentos e, em alguns casos, incêndios.
Embora nenhum grupo tenha reivindicado a autoria dos ataques, os casos ampliaram a preocupação das autoridades europeias com ameaças híbridas à infraestrutura crítica desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
Em outubro, alertas sobre ameaças russas à Alemanha, por exemplo, se multiplicaram, levando o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, a dizer que o país é alvo diário de “uma guerra híbrida”.
Moscou nega repetidamente qualquer envolvimento em operações de sabotagem.
“Não se sabe quem está por trás deste ataque, e talvez isso nunca seja determinado”, afirmou Katrien Eggers, porta-voz do Centro de Cibersegurança da Bélgica.
Segundo ela, o aumento dos incidentes também está relacionado à evolução da inteligência artificial. “Todos os sistemas de TI são potencialmente vulneráveis, e a IA agora pode ser usada para explorar essas fraquezas com sucesso, especialmente por atores sofisticados”, disse.
A Comissão Europeia afirmou que os ataques demonstram como as ameaças digitais estão se tornando cada vez mais disruptivas.
“São uma tentativa deliberada de interromper nossa cadeia de abastecimento alimentar e minar a confiança dos consumidores nela, um alerta que devemos levar a sério”, disse o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen. “A recorrência desses ataques cibernéticos é profundamente preocupante.”
Dono da rede de açougues afetada na Bélgica, De Laet afirmou acreditar que o objetivo dos hackers é desestabilizar as economias europeias. “Acordem, por favor, porque há algo acontecendo”, disse, dirigindo-se às autoridades policiais.
Por que o varejo se tornou alvo
Lojas na Irlanda também foram afetadas, reduzindo oferta aos clientes
Reuters
De geladeiras e sistemas de aquecimento a câmeras de segurança e alarmes, uma parcela crescente da infraestrutura física do varejo passou a ser conectada à internet e controlada remotamente.
Essa transformação amplia a superfície de ataque disponível para criminosos cibernéticos.
Parte dos equipamentos afetados nesta segunda-feira utiliza a tecnologia de controle de temperatura da dinamarquesa Danfoss, a mesma utilizada por supermercados hackeados no início de outubro na França.
A empresa afirmou estar trabalhando com os clientes para implementar correções de segurança.
Tom Hegel, pesquisador da empresa de cibersegurança SentinelOne, afirmou que ataques desse tipo costumam estar ligados à extorsão, motivação política ou operações patrocinadas por governos.
Segundo ele, o fato de não terem surgido exigências financeiras sugere uma possível intenção de sabotagem.
“O varejo é um alvo fácil porque as redes supermercadistas operam enormes parques de controladores de refrigeração, sistemas de gerenciamento predial, painéis de controle de acesso e equipamentos de ponto de venda”, disse.
Ele observou ainda que é difícil identificar a autoria de invasões desse tipo. “Um invasor que acessa um painel de controle exposto praticamente não deixa rastros.
Um adolescente e um serviço de inteligência pareceriam muito semelhantes do ponto de vista de quem está defendendo o sistema.”
Quais dispositivos podem ser alvo
Em Estocolmo, produtos refrigerados foram descartados após ataques
Fredrik Sandberg/TT NEWS AGENCY/picture alliance via DW
Os alvos mais comuns dos hackers são aparelhos conectados à internet e controlados remotamente.
🔍 No ambiente doméstico, por exemplo, estão câmeras de segurança, campainhas com vídeo, sistemas de alarme, fechaduras inteligentes, termostatos, sistemas de aquecimento central e eletrodomésticos inteligentes, como geladeiras, fornos e máquinas de lavar.
Em termos práticos, qualquer equipamento ligado à internet, seja diretamente ou por meio de aplicativos, serviços em nuvem ou redes domésticas, pode se tornar um alvo.
Em 2015, pesquisadores demonstraram como uma geladeira inteligente da Samsung poderia ser comprometida, permitindo a interceptação de parte do tráfego de internet que passava pelo aparelho.
Na maioria dos casos, os invasores buscam roubar dados, interromper serviços ou utilizar dispositivos conectados como porta de entrada para redes maiores.
O que um hacker pode fazer após invadir um dispositivo
Depois de obter acesso, um invasor geralmente pode coletar informações ou assumir o controle do equipamento.
Uma câmera pode revelar imagens do interior de uma residência, um dispositivo com microfone pode captar conversas e um roteador comprometido pode expor tudo o que trafega pela rede.
Quando assumem o controle de um aparelho, hackers podem ligá-lo ou desligá-lo, alterar configurações e impedir que os usuários acessem suas próprias contas.
Um termostato comprometido pode afetar o aquecimento de um imóvel. Geladeiras e freezers invadidos podem ter seus controles de temperatura manipulados, resultando na perda de alimentos.
Em situações mais graves, dispositivos com pouca proteção podem ser usados para acessar outros sistemas da mesma rede ou para roubar informações pessoais vinculadas a contas online.
Hackers poderiam assumir o controle de infraestruturas críticas?
Veículos e aeronaves modernos contam, em geral, com múltiplas camadas de proteção. O mesmo ocorre com infraestruturas críticas, como redes elétricas e sistemas de abastecimento de água, que costumam operar sob padrões mais rígidos de segurança, monitoramento e regulamentação do que equipamentos de consumo.
Isso não significa que sejam imunes a ataques cibernéticos, mas, em geral, representam alvos muito mais difíceis do que um eletrodoméstico conectado a uma rede Wi‑Fi doméstica.
Em 2015, por exemplo, especialistas conseguiram assumir remotamente o controle de um Jeep em movimento por meio de seu sistema de entretenimento conectado à internet.
O episódio levou ao recall de cerca de 1,4 milhão de veículos e à implementação de correções de software.
Quase uma década depois, pesquisadores divulgaram uma falha que permitia rastrear, destrancar e ligar determinados veículos da Kia utilizando apenas o número da placa.
Segundo eles, a montadora foi informada sobre as vulnerabilidades e corrigiu os problemas em poucos meses.

Após reeleição de Lula, mercado financeiro vê inflação mais alta e piora previsão para taxa de juros e dólar

Após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro, os economistas do mercado financeiro realizaram fortes ajustes em suas expectativas para a inflação, taxa de juros e para o crescimento da economia neste ano e nos próximos.
➡️Em linhas gerais, os analistas elevaram consideravelmente suas projeções de inflação, reduziram as expectativas de crescimento da economia e passaram a prever uma taxa de juros mais elevada do que antes. As estimativas para o dólar também subiram bastante.
As informações fazem parte do “Boletim Focus”, divulgado nesta terça-feira (3) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação cresceu de 5,19% para 5,22%;
➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 4,34% para 4,76%;
➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,75% para 4%;
➡️ Para 2029, a estimativa avançou de 3,50% para 3,98%.
Agora no g1
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Produto Interno Bruto
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado financeiro reduziu sua estimativa de 1,80% para 1,76% na semana passada.
Com isso, os analistas estimam desaceleração da economia neste ano, visto que, em 2025, o PIB cresceu 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Para 2027, a projeção do mercado de crescimento do PIB caiu de 1,31% para 1,20%.
Para 2028, a estimativa do mercado para a expansão da economia recuou de 1,81% para 1,80%.
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
Após reeleição de Lula, mercado financeiro vê inflação mais alta e piora bastante previsão para taxa de juros e dólar.
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Corte dos juros
O mercado financeiro também manteve a projeção de cortes na taxa de juros neste ano, mas reduziu sua projeção de redução da Selic. As estimativas para os próximos anos também foram ajustadas para cima.
Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano — após cinco cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50% ao ano na última semana, embutindo somente uma nova redução neste ano, ao invés de duas.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado subiu de 11,75% para 12,5% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas avançou de 10% para 11% ao ano.
Para o fim de 2029, a expectativa dos analistas passou de 10% para 10,25% ao ano
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,05 para R$ 5,34 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos subiu de R$ 5,15 para R$ 5,40 por dólar.
Para o fim de 2028, a expectativa do mercado para o dólar passou de R$ 5,20 para R$ 5,40.
Já para o fechamento de 2029, avançou de R$ 5,28 para R$ 5,45 por dólar.

Dólar abre em alta e vai a R$ 5,51, com eleições nos EUA e juros no radar

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar abriu a sessão desta terça-feira (3) em alta, com um avanço de 1,21% perto das 9h, cotado a R$ 5,5126. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
Na última sexta-feira (30), a moeda americana subiu a R$ 5,44 e acumulou alta de mais de 9% na semana. Já o Ibovespa caiu pelo quinto dia seguido e acumulou desvalorização de 18,12% no período, na quinta maior perda semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Saiba mais.
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O principal destaque da sessão fica com as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms. Novos dados do mercado de trabalho americano e a espera pela nova taxa de juros brasileira, que deve ser decidida amanhã também podem mexer com os negócios.
▶️ As midterms são o principal destaque da sessão. A votação vai renovar quase todo o Congresso americano e é crucial para o presidente Donald Trump, já que pode determinar o espaço que o governo terá para aprovar medidas sobre gastos públicos, impostos e regulação.
Essas decisões também influenciam as expectativas dos investidores e podem afetar os juros e o dólar no mercado internacional. (entenda mais abaixo)
▶️ Com as eleições americanas na mira, novos dados do mercado de trabalho dos EUA também ficam no radar. O indicador deve trazer sinais sobre a economia no país e dar pistas sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na definição das taxas de juros.
▶️ Por aqui, investidores aguardam a próxima reunião do Banco Central, marcada para amanhã. Em meio à pressão fiscal e eleitoral, a expectativa do mercado é que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic inalterada em 13,75% ao ano.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +9,04%;
Acumulado do mês: +5,22%;
Acumulado do ano: -0,81%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: –18,12%
Acumulado do mês: –9,88%;
Acumulado do ano: +4,22%.
Eleições de meio de mandato nos EUA
Milhares de eleitores irão às urnas nesta terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, conhecidas como midterms. A votação vai renovar quase todo o Congresso americano e é crucial para o presidente Donald Trump.
Diferentemente do Brasil, o Congresso dos Estados Unidos é renovado parcialmente a cada dois anos. Quando ocorrem na metade do mandato presidencial, essas eleições são chamadas de midterms, ou eleições de meio de mandato.
Os deputados norte-americanos têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores, de seis.
Com isso, a cada dois anos, o país renova toda a Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado.
Sendo assim, em novembro, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.
Nas eleições de 2024, o Partido Republicano garantiu maioria nas duas Casas do Congresso, mas por uma margem pequena.
O resultado deu base para Trump avançar com a agenda no Congresso, já que também é do Partido Republicano. Por outro lado, a maioria apertada limitou essa força e expôs divisões dentro do próprio partido em temas mais sensíveis.
Diante desse cenário, Trump tem investido pesado e feito promessas para tentar manter o controle da Câmara e do Senado.
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Entenda por que as midterms podem mexer com dólar e juros no Brasil
O que são as midterms, quando será a votação e o que está em jogo em 2026
SIGA AO VIVO: urnas das midterms abrem em 12 estados da Costa Leste nos EUA
Bolsa tem queda histórica
O Ibovespa acumulou desvalorização de 18,12% na semana encerrada em 30 de outubro de 2026, após o segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo levantamento da Elos Ayta, com dados da B3, foi a quinta maior queda semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994.
O recuo igualou, com duas casas decimais, a perda registrada na semana dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando o índice também caiu 18,12%.
As maiores baixas do período ocorreram durante a crise financeira asiática, em 1997 (-22,17%); a crise financeira global, em 2008 (-20,01%); e o início da pandemia de Covid-19, em 2020 (-18,88%).
Diferentemente desses episódios, a queda de outubro de 2026 teve como principal catalisador um acontecimento político doméstico: a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a análise da Elos Ayta, o resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores sobre uma possível mudança na condução da política econômica e provocou uma reavaliação dos preços dos ativos brasileiros.
Bolsas globais
Na Ásia, as bolsas fecharam em queda nesta terça-feira, conforme investidores avaliavam as medidas para incentivar a entrada de dinheiro no mercado como insuficientes.
O SSEC, Índice de Xangai, perdeu 0,82%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,20%. Na Coreia do Sul, o Kospi desvalorizou 3,59% e o Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,57%. No Japão, o Nikkei permaneceu fechado.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters

Ministro diz que proposta para 'imposto do pecado' deve ser enviada nesta terça ao Congresso; objetivo é manter carga em 2027

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta terça-feira (3) que tem reunião agendada hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a medida provisória (MP) do Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”.
Segundo ele, a proposta, que pode ser enviada ainda nesta terça ao Congresso Nacional, prevê a manutenção da atual carga tributária sobre os produtos que causam danos à saúde no próximo ano, período de transição. Posteriormente, a partir de 2028, a ideia é que a taxação aumente.
“A MP já saiu aqui do Ministério da Fazenda, eu devo despachar como presidente hoje, tá? Então a expectativa é que seja hoje, sim [o envio ao Congresso Nacional] (…). Ela tem que ser aprovada até o fim do ano”, declarou o ministro a jornalistas. Segundo ele, a MP está atualmente na Casa Civil.
Durigan confirmou que fez um acordo com os setores impactados pelo imposto do pecado de manter a atual carga tributária incidente sobre os produtos.
Como o Imposto eletivo tem noventena, ou seja, demora 90 dias para entrar em vigor depois de ser aprovado pelo Legislativo, o ministro informou que também combinou com os setores que, nesse meio tempo, provavelmente até fevereiro de 2027, o Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) continuará sendo cobrado sobre esses produtos — como forma de evitar perda de arrecadação.
Agora no g1
🔎 Criado pela reforma tributária sobre o consumo, o imposto do pecado começará a ser cobrado em 2027 e tem o objetivo de encarecer produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente.
A lista inclui bebidas alcoólicas, refrigerantes e cigarros. O novo imposto também incidirá sobre alguns veículos, conforme o nível de poluição, sobre a extração de bens minerais e sobre loterias, apostas e jogos de fantasy sports. (leia mais abaixo).
No futuro, porém, o objetivo do governo é aumentar a tributação sobre produtos ou atividades que causam danos à saúde ou ao meio ambiente, para desestimular seu consumo.
Para 2027, a equipe econômica estima arrecadar R$ 41,9 bilhões com esse tributo, segundo a proposta de Orçamento enviada ao Congresso.
Com a cobrança do Imposto Seletivo e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), outro tributo criado pela reforma e que começará a ser cobrado em 2027, o governo busca manter a arrecadação estável em relação ao Produto Interno Bruto (PIB).
Dario Durigan, ministro da Fazenda
Washington Costa/MF
Veja alguns dos principais produtos afetados
➡️ Um levantamento da Fiocruz, citado pelo Ministério da Saúde, aponta que o consumo de álcool gerou custos de R$ 18,8 bilhões em 2019. Desse total, R$ 1,1 bilhão correspondeu a gastos federais diretos com internações e atendimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS). Outros R$ 17,7 bilhões foram associados à perda de produtividade causada por mortes prematuras, afastamentos do trabalho, aposentadorias precoces e licenças médicas relacionadas a doenças provocadas pelo consumo de álcool.
➡️ No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, as doenças relacionadas ao tabagismo geram custos indiretos de R$ 86,3 bilhões por ano. Considerando também os custos diretos, o impacto econômico anual chega a R$ 153,5 bilhões, o equivalente a 1,6% do PIB. “Em contrapartida, a arrecadação de tributos federais na venda de cigarros é de apenas R$ 8 bilhões por ano, o que evidencia desequilíbrio entre os gastos com a saúde e a arrecadação gerada pela comercialização do produto”, diz.
➡️ Em um estudo para embasar a cobrança do Imposto Seletivo, o governo estimou que o tratamento de doenças associadas ao consumo de bebidas ultraprocessadas, como refrigerantes, isotônicos e refrescos, custa quase R$ 3 bilhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS).
➡️ Produtores nacionais afirmam que as bebidas alcoólicas já são muito tributadas no Brasil, com impostos que representam de 40% a mais de 80% do preço dos produtos. Segundo o setor, um eventual aumento da tributação pode reduzir as margens de lucro, elevar os preços ao consumidor, provocar demissões e estimular o mercado ilegal.

Durigan quer revisar benefícios fiscais em 2027 para reduzir alíquota do imposto sobre consumo do governo federal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (3) que buscará discutir com o Congresso Nacional, no decorrer do ano de 2027, uma revisão dos benefícios fiscais previstos na reforma tributária sobre o consumo.
O objetivo, segundo ele, é reduzir alguns incentivos aprovados a produtos e setores da sociedade para baixar, no futuro, a alíquota da Contribuição Sobre Bens e Serviços (CBS) do governo federal, proposta na semana passada em 11,3% pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para o ano de 2027.
🔎Entenda: a reforma tributária prevê manter estável a carga tributária sobre o consumo. Assim, como o Congresso aprovou um amplo conjunto de benefícios para produtos e setores com desoneração ou alíquota reduzida, a alíquota necessária para os demais segmentos da economia ficou mais alta.
“É um primeiro número que mantém a carga tributária conforme aprovado pelo Congresso e vai nos dar as condições, de novo, de fazer um debate claro, já mais baixo do que o governo anterior propôs. Para que a gente siga revendo as exceções, os regimes favorecidos, de modo que a gente tenha uma alíquota menor com tempo”, disse o ministro a jornalistas.
Agora no g1
▶️Em 11,3%, a alíquota proposta pelo TCU surpreendeu o mercado e as empresas brasileiras. A expectativa era de que a alíquota ficasse próxima de 9,4%, considerando projeções do setor privado e do Comitê Gestor do IBS — o tributo dos estados e municípios sobre o consumo.
O valor proposto pelo TCU será encaminhado ao Congresso Nacional, que poderá concordar ou não. Caberá ao Senado fixar o valor final da alíquota, que será cobrada a partir de 2027, até 15 de dezembro.
Segundo explicou Durigan, o Senado Federal não poderá, neste momento, reduzir benefícios para tentar baixar a alíquota da CBS antes que ela entre em vigor, em 2027, pois os incentivos foram aprovados em proposta de emenda à Constituição (PEC). “Do ponto de vista técnico, não”, afirmou.
Dario Durigan
Washington Costa/MF
Entenda
🔎A CBS substituirá o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e, também, uma parte do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI).
🔎PIS e Cofins serão extintos em 2026, enquanto o IPI permanecerá somente para itens produzidos na Zona Franca de Manaus (ZFM) — mas com tributação efetiva somente no resto do país.
Mais de 30% com o imposto dos estados e municípios
Além da CBS do governo federal, a reforma tributária também contempla a cobrança do IBS estadual e municipal, que terá uma alíquota marginal, de 0,1% em 2027 e em 2028.
A partir de 2029, os estados e municípios começam a aumentar, gradualmente, a cobrança do IBS, até 2032. A cobrança integral começa em 2033.
Assim que a alíquota cheia estiver sendo cobrada, estimativas apontam que o imposto sobre o consumo do governo federal, estados e municípios, somará cerca de 28% em 2033 — o primeiro ano com tributação cheia — uma das maiores alíquotas do mundo.
➡️Junto com a alíquota do IBS dos estados e municípios, que só entra em vigor integralmente em 2033, cálculos indicam que o futuro imposto sobre o consumo brasileiro pode ficar acima de 30%, superando o patamar de países ricos.
➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são ainda maiores, com tributação média de cerca de 34% – mas que há dificuldade em calcular o peso dos impostos pois o sistema é muito complexo, há exceções. Além disso, alguns tributos incidem sobre si mesmos (por dentro, em cascata).
➡️Este modelo “por dentro” torna mais difícil identificar quanto de imposto está efetivamente embutido no preço de um produto ou serviço. Por isso, as notas fiscais trazem apenas uma estimativa “do valor aproximado de tributos”. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço).
“A verdade é que a gente nunca soube e agora a gente vai passar a ter um valor transparente [de quanto se paga em imposto sobre o consumo], destacado, de qual é a tributação sobre o consumo no país. Isso vai ajudar, inclusive, nas revisões que a própria emenda constitucional aprovada pelo Congresso nos determina que sejam feitas no futuro”, concluiu o ministro da Fazenda.