Investidores perdem confiança no setor de IA e colocam IPO da Anthropic em risco

Logo da Anthropic em ilustração feita em junho de 2026.
Dado Ruvic/Reuters
Potenciais investidores na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Anthropic têm dúvidas se a startup de inteligência artificial conseguirá realizar na próxima semana a rodada de apresentações a investidores e abrir o capital ainda em novembro, segundo fontes a par das discussões.
Os investidores pressionam por um valor de mercado mais atraente para participar da oferta. Alguns consideram que a avaliação de US$ 1,5 trilhão (R$ 8,22 trilhões), discutida recentemente, está no limite superior das expectativas, disseram as fontes à Reuters.
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As discussões refletem, em parte, a maior onda de vendas de ações de tecnologia em um ano e as incertezas geopolíticas, que afetam as perspectivas para novas ofertas de ações.
A Anthropic não comentou as dúvidas dos investidores.
Agora no g1
Inicialmente, a expectativa era que a rodada de apresentações aos investidores começasse na semana de 9 de novembro, conforme noticiado anteriormente pela Reuters. A definição do preço das ações estava prevista para a semana seguinte.
A Anthropic pode precisar reduzir o valor pedido pelas ações para atrair investidores. Segundo as fontes, pesa nessa negociação a necessidade da empresa de levantar recursos, diante do histórico de prejuízos trimestrais e dos compromissos financeiros assumidos com parceiros para expandir suas operações de IA.
Os investidores também aguardam os dados de receita da Anthropic referentes a outubro, que não foram informados no formulário S-1 atualizado, documento apresentado no processo de abertura de capital. Os números devem ajudar a avaliar se a empresa conseguiu acelerar o crescimento após uma desaceleração nos últimos meses, disseram duas das fontes.
Em Wall Street e no Vale do Silício, aumentaram na quinta-feira as dúvidas sobre a continuidade da oferta, após dois dias de forte queda dos ativos ligados à IA. O movimento ocorreu depois das eleições de meio de mandato nos EUA, realizadas na terça-feira (3).
Um eventual adiamento da oferta poderia ampliar as preocupações com o setor de IA. O cenário coincide com a aprovação, em vários estados, de iniciativas eleitorais para limitar a expansão de centros de dados, o que reforçou a oposição política a essas instalações e a outros aspectos relacionados à inteligência artificial.
Um adiamento da Anthropic também poderia afetar o mercado de ações, fortemente influenciado pelas grandes empresas de tecnologia. A percepção de que a companhia enfrenta dificuldades para levantar recursos poderia pressionar o valor de mercado dessas empresas.
Em determinado momento deste ano, investidores esperavam que a abertura de capital ocorresse em outubro e avaliasse a Anthropic em até US$ 2 trilhões (R$ 10,96 trilhões).
Muitos investidores continuam apostando na expansão da IA, embora as vendas de ativos ligados ao setor tenham pressionado o mercado no último mês. Alguns analistas afirmam que a Anthropic, assim como a SpaceX, provavelmente será beneficiada pela demanda de pequenos investidores.
“Não é como se essas empresas não fossem fazer parte do futuro”, disse Rick Meckler, sócio da Cherry Lane Investments, uma gestora de investimentos familiar em New Vernon, Nova Jersey.
“Elas vão abrir o capital. Os investidores ainda terão muito interesse nelas. As avaliações vêm subindo há muito tempo no mercado privado, e provavelmente veremos alguma retração.”
Mesmo que a Anthropic e os investidores cheguem a um acordo sobre o valor de mercado da empresa, como Wall Street espera, outros fatores podem determinar se a abertura de capital ocorrerá até o fim do ano.
Se os ativos ligados à IA continuarem sob pressão, a empresa poderá adiar a oferta até que as condições do mercado melhorem e haja maior capacidade para absorver uma operação que, segundo algumas estimativas, pode chegar a US$ 100 bilhões (R$ 548 bilhões), disseram fontes a par das discussões com investidores.
O “The Wall Street Journal” noticiou na noite de quinta-feira que investidores estão céticos quanto à possibilidade de a Anthropic atingir um valor de mercado de US$ 1,5 trilhão (R$ 8,22 trilhões) na abertura de capital.
Queda do mercado testa confiança na IA
Os mercados tiveram um dia de instabilidade na quinta-feira, em meio aos resultados das eleições desta semana, a acontecimentos envolvendo empresas e ao aumento das preocupações dos investidores.
A Microsoft reforçou a supervisão de projetos de centros de dados de empresas que oferecem infraestrutura de computação em nuvem, como Nebius, IREN e Nscale, informou a Bloomberg News na quinta-feira, citando pessoas a par do assunto.
Nebius, IREN e CoreWeave estiveram entre as empresas que mais caíram no dia. Cada uma perdeu metade de seu valor de mercado no último mês.
Ao mesmo tempo, investidores venderam ativos ligados à IA.
Os contratos usados para proteção contra o risco de calote, conhecidos pela sigla CDS, atingiram níveis recordes para CoreWeave e SpaceX, indicando aumento da preocupação com a capacidade dessas empresas de cumprir suas obrigações financeiras nos próximos anos.
Mais de 50 ações de empresas de tecnologia que integram o S&P 1500 caíram 10% ou mais. Segundo a Vanda Research, as vendas feitas por pequenos investidores foram as mais intensas desde o início da pandemia da Covid-19.
“Estamos vendo agora uma espécie de greve dos compradores no setor de tecnologia”, disse Keith Lerner, diretor de investimentos da Truist Advisory Services, em Atlanta.
No último mês, o setor de tecnologia teve desempenho 10,7% inferior ao do S&P 500, a maior diferença negativa desde maio de 2002, segundo Lerner.
Ele descreveu as vendas até o momento como incômodas, mas não anormais, e acrescentou que “o elástico está ficando esticado”.

Cidade das galinhas: conheça o município que tem 370 aves por pessoa e produz 11,6 milhões de ovos por dia

Em Santa Maria de Jetibá no Espirito Santo a Avicultura movimenta a economia local.
Divulgação
Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, é o município que mais produz ovos no Brasil.
Com cerca de 41 mil moradores, a cidade tem aproximadamente 370 galinhas poedeiras — aves criadas para produzir ovos — para cada habitante, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Ao todo, são 15,1 milhões de galinhas, responsáveis pela produção de 352,5 milhões de dúzias de ovos por ano, o equivalente a cerca de 11,6 milhões de ovos por dia.
Santa Maria de Jetibá no Espirito Santo lidera a produção de ovos no Brasil
g1
Uma cidade movida pelo agro
O secretário municipal de Agropecuária, Vanderlei Marquez, afirmou ao g1 que a avicultura responde por cerca de 40% a 50% da renda da cidade. Segundo ele, aproximadamente 20 mil dos 40 mil moradores da cidade trabalham direta ou indiretamente no setor.
A produção de ovos movimenta atividades que vão além das granjas. O setor emprega trabalhadores em entrepostos, transportadoras, fábricas de ração e de embalagens, além dos profissionais responsáveis pelos cuidados com as aves.
Mas a atividade rural de Santa Maria de Jetibá não se resume aos ovos de galinha. O município também se destaca pelo cultivo de chuchu, de morango e pela produção de ovos de codorna.
Santa Maria de Jetibá no Espirito Santo é o principal polo da avicultura nacional
g1
Por que tantas galinhas produzem ovos, e não carne?
Segundo Marquez, os produtores optaram por se especializar na produção de ovos, em vez de criar frangos para abate, por considerarem a atividade mais rentável.
Com milhões de galinhas poedeiras, o município desenvolveu toda uma cadeia produtiva que vai da criação das aves à coleta, classificação e distribuição dos ovos.
Granja de galinhas poedeiras em Santa Maria de Jetibá
g1
Manter milhões de galinhas produzindo ovos exige estrutura e investimento. Em Santa Maria de Jetibá, a dificuldade de encontrar mão de obra também levou os produtores a apostar na automação das granjas.
Nelas, as esteiras transportam os ovos dos ninhos até os entrepostos, enquanto outros sistemas controlam a distribuição de ração e água para as aves.
“A construção de uma granja moderna, com capacidade para cerca de 100 mil aves, custa de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões”, explicou Marquez.
Além dos gastos com a estrutura, os produtores precisam lidar com os custos de operação e com as exigências sanitárias.
Santa Maria de Jetibá: como está o trabalho nas granjas e expectativas para o próximo ano
Crise reduziu o número de aves
Santa Maria de Jetibá já teve um número ainda maior de galinhas. O município chegou a ter quase 22 milhões de aves, mas o plantel caiu para algo entre 16 milhões e 17 milhões durante a crise enfrentada pelo setor em 2013.
Na época, os produtores enfrentavam custos elevados e dificuldades para adequar as granjas às exigências sanitárias. Segundo o secretário, as autuações e os custos para cumprir essas regras contribuíram para que parte dos pequenos avicultores abandonasse a atividade.
Santa Maria de Jetibá no Espirito Santo tem até monumento pra galinhas
Reprodução redes sociais/ Divulgação
O agro em Santa Maria de Jetibá
g1

Fórmula 1: veja 5 tecnologias que nasceram nas pistas e hoje estão até em carros populares

O piloto de Fórmula 1 brasileiro Gabriel Bortoleto, da equipe Audi, em ação durante treino para o Grande Prêmio da Austrália, no dia 6 de março de 2026
Mark Peterson/Reuters
A Fórmula 1 não é apenas entretenimento para fãs, mas também um laboratório de engenharia para tecnologias que depois chegam aos carros de rua.
O g1 lista cinco tecnologias que surgiram nas pistas e hoje já estão presentes nos carros de rua.
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Câmbio com trocas no volante
Se você já viu um volante com duas abas na parte traseira, é provável que elas sirvam para trocar as marchas, especialmente em carros automáticos.
Esse tipo de troca surgiu na Fórmula 1. Até 1989, os pilotos mudavam de marcha com um câmbio de quatro marchas e precisavam pisar na embreagem, como ainda acontece em carros manuais.
Troca de marcha no volante em um Toyota Yaris Cross
divulgação/Toyota
O primeiro carro com trocas no volante foi uma Ferrari usada na temporada de 1990, desenvolvida pelo engenheiro John Barnard. O modelo tinha trocas semiautomáticas e permitia ganhar tempo. Em 1997, uma Ferrari de rua já trazia o recurso.
Hoje, as trocas de marcha no volante estão presentes em carros muito mais baratos. Até o Volkswagen Polo Sense, uma das versões mais acessíveis do hatch, oferece o recurso.
Recuperação de energia em híbridos e elétricos
Os carros eletrificados ainda são relativamente novos no setor automotivo. Além de reduzir ou zerar emissões, todos os carros híbridos ou elétricos vendidos no Brasil têm um sistema que recupera energia para a bateria durante as frenagens.
Essa tecnologia surgiu na Fórmula 1 em 2009, com o nome de KERS (sigla em inglês para Sistema de Recuperação de Energia Cinética). Na época, o motor elétrico girava no sentido inverso para gerar energia, que depois podia ser usada como um “empurrão” extra.
Sistema de freio enviando energia para a bateria de um Volkswagen Tiguan híbrido
divulgação/Volkswagen
O princípio continua o mesmo, mas, em 2026, cerca de 50% da potência de um carro de Fórmula 1 vem do motor elétrico. Não se trata mais apenas de um “turbo extra”: o objetivo também é reduzir emissões e diminuir o consumo de combustível.
O KERS é a base do funcionamento dos carros híbridos e elétricos, que utilizam o motor para ajudar a desacelerar o veículo e recuperar parte da energia que seria perdida em forma de calor nos freios. Esse recurso está presente desde o carro elétrico mais barato do Brasil, o Renault Kwid, até modelos mais caros.
Descer a serra entre São Paulo (SP) e Santos (SP) pode fazer o carro ganhar mais de 40 km de autonomia apenas com essa energia recuperada — autonomia que depois é consumida no retorno.
Aerodinâmica ativa ou variável
Um recurso comum na Fórmula 1 é a asa móvel. A ideia é alterar a aerodinâmica do carro para que ele se comporte de forma diferente em cada situação, com mais arrasto nas curvas e menos resistência ao ar nas retas, permitindo que o veículo ande com mais eficiência.
Mercedes AMG GT 63 SE com spoiler móvel
divulgação/Mercedes-Benz
Esse tipo de recurso ainda não aparece em carros na faixa de preço de um Polo, mas modelos da Porsche já trazem aerofólios que se levantam automaticamente para aumentar a estabilidade em altas velocidades.
Como o objetivo é melhorar o desempenho, a aerodinâmica ativa aparece mais em carros esportivos do que em modelos populares.
Controle de tração
Presente até no carro mais barato do Brasil, o Renault Kwid, o controle de tração foi desenvolvido para a Fórmula 1 entre as décadas de 1980 e 1990. A tecnologia ganhou destaque na Williams de Nigel Mansell e permite reduzir a potência do motor quando sensores detectam que as rodas estão patinando.
Nas corridas, o recurso já não é mais usado, mas todo carro vendido no Brasil precisa ter controle de tração. A exigência passou a valer em 2024 e tem como foco aumentar a segurança.
Nos carros de rua, o sistema entra em ação para aumentar a estabilidade em curvas fechadas ou desvios bruscos. Ele atua quando detecta que o movimento da direção não corresponde ao trajeto do veículo.
Telemetria
Ainda no campo dos sensores, alguns já estão presentes nos carros de rua e permitem acompanhar diversos parâmetros do veículo.
Até modelos mais baratos contam com recursos como:
Sensores que medem a pressão dos pneus e indicam quando calibrá-los;
Sensores na injeção de combustível, que indicam possíveis problemas com etanol ou gasolina;
Sensores que avaliam a eficiência da condução e ajudam a economizar combustível;
Sensores que monitoram o nível de combustível no tanque.
GWM Tank 300 com sensores de pressão e temperatura dos pneus
Fábio Tito/g1
A coleta desses dados é essencial para a estratégia das equipes de Fórmula 1 e surgiu nas pistas. Hoje, quase todos esses recursos já estão presentes em carros como Hyundai Creta, Chevrolet Tracker e Volkswagen Tera.
Em alguns modelos mais completos, é possível acompanhar esses dados pelo celular, por meio de aplicativos. Na Fórmula 1, essas informações são monitoradas em tempo real em grandes telas para orientar decisões sem que o carro precise voltar aos boxes.

‘Imposto do pecado’: veículos a diesel são os mais prejudicados; veja o que pesa em cada tipo de carro

O que é o ‘imposto do pecado’ e como ele vai funcionar?
O governo federal publicou na última quarta-feira (4) uma medida provisória (MP) que define as regras de cobrança do Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”.
🔎 O tributo, criado pela reforma tributária sobre o consumo, começará a ser cobrado em 2 de fevereiro de 2027 e incidirá sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, com o objetivo de desestimular seu consumo.
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Entre os produtos sujeitos ao novo imposto estão os carros de passeio, com alíquota-base de 6,3%. Esse percentual pode subir ou cair de acordo com alguns critérios.
Um deles prevê uma alíquota adicional de 12% para os modelos movidos exclusivamente a diesel e destinados ao transporte de pessoas, como SUVs e vans que transportam até 9 pessoas (contando o motorista), por exemplo.
No caso de veículos de carga, como as picapes, esse acréscimo é menor (veja mais abaixo). Caminhões e vans para mais de 9 passageiros estão isentos da cobrança.
Depois dos ajustes, o resultado é multiplicado por 1,21, conforme preveem as regras estabelecidas.
Toque ou clique nos critérios abaixo para entender cada um deles:
Motorização e combustível
Eficiência energética
Potência
Desempenho estrutural e assistências ao motorista
Reciclabilidade veicular
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Motorização e combustível
O primeiro critério é a fonte de energia do motor:
Alíquota do imposto do pecado por motor
arte/g1
A tabela muda para veículos a diesel ou gasolina que são destinados ao transporte de carga, como picapes. Caminhões e vans para mais de 9 passageiros estão isentos da cobrança:
Alíquota do imposto do pecado por motor
arte/g1
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Eficiência energética
O segundo critério é a eficiência energética do veículo. O cálculo considera um limite de energia consumida por quilômetro, que varia de acordo com o peso e a categoria do veículo.
Um carro de passeio de 1.200 kg, por exemplo, precisa consumir no máximo cerca de 1,49 megajoule por quilômetro (MJ/km) em um teste que combina percursos na cidade e na estrada para receber o desconto de 2 pontos percentuais.
Se ultrapassar esse primeiro limite, o carro ainda pode receber um desconto de 1 ponto percentual caso o consumo seja de até cerca de 1,57 MJ/km. Acima desse valor, não há desconto por eficiência energética.
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Potência
O terceiro é a potência do motor, medida em quilowatts (kW).
Potência do motor no IS
arte/g1
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Desempenho estrutural e assistências ao motorista
O quarto critério avalia tanto a proteção oferecida pela estrutura do carro em uma colisão quanto os sistemas de assistência ao motorista,
A redução de 1 ponto percentual acontece se um carro tem, por exemplo, controle de estabilidade, aviso de cinto afivelado, farol de rodagem diurna ou piloto automático adaptativo.
Se a versão não atender ao critério, fica sem esse desconto.
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Reciclabilidade veicular
O último critério considera se a fabricante possui um plano para reciclar os veículos ao fim de sua vida útil.
Centro Circular AutoPeças é o desmanche de carros da Stellantis, localizado em Osasco (SP)
divulgação/Stellantis
A redução é de 2 pontos percentuais quando um veículo é retirado de circulação para cada cinco carros novos produzidos. Se a proporção for de um para cada dez, o desconto cai para 1 ponto percentual.
Em ambos os casos, os carros novos considerados na contagem devem ser da mesma marca, modelo e versão.
Os carros novos também precisam cumprir metas de reaproveitamento. A partir de 2027, pelo menos 80% do peso de cada veículo deverá ser passível de reutilização ou reciclagem. Esse percentual sobe para 85% quando são consideradas também outras formas de recuperação dos materiais.
Para novos projetos, os percentuais mínimos sobem para 85% e 95% já em 2027. Em 2030, esses índices passam a valer para todos os veículos leves novos, tanto de passageiros quanto de carga.
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Carros no pátio da montadora Volkswagen em São José dos Campos, no interior de São Paulo
Roosevelt Cassio/Reuters

Açúcar acumula alta de quase 30% em um ano, enquanto alimentos ficam mais baratos, aponta FAO

Canavial na região de Ribeirão Preto (SP).
Luciano Tolentino/EPTV
O preço internacional do açúcar subiu 28,8% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, enquanto os preços globais dos alimentos recuaram. Na comparação com setembro, o preço do açúcar avançou 6,6%.
Foi a quarta alta mensal consecutiva do açúcar, que atingiu o maior patamar desde dezembro de 2024, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
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A principal pressão veio das chuvas, que prejudicaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora do país. Também pesaram as preocupações com a produção na Índia, na União Europeia e na Tailândia na safra 2026/27.
Segundo a FAO, a alta foi impulsionada principalmente por “interrupções relacionadas às chuvas nas operações de colheita e moagem da cana-de-açúcar” no Centro-Sul brasileiro e pelas incertezas sobre a produção na Índia, na União Europeia e na Tailândia.
Agora no g1
A alta do açúcar contrasta com a queda dos preços globais dos alimentos. O índice da FAO, que acompanha os preços internacionais de produtos agrícolas comercializados no mundo, ficou em 133,9 pontos em outubro, queda de 1,2% em relação a setembro.
Apesar da queda no mês, o indicador ainda estava 5,9% acima do nível de outubro de 2025. Na comparação com o pico de março de 2022, após a disparada dos preços provocada pela guerra na Ucrânia, o índice estava 16,4% mais baixo.
A queda em outubro foi puxada principalmente pelos preços dos cereais, dos laticínios e das carnes. Esses recuos mais do que compensaram a alta do açúcar e o aumento dos preços dos óleos vegetais.
Cereais, carnes e laticínios ficam mais baratos
Entre os grupos acompanhados pela FAO, os cereais tiveram a maior queda de preços em outubro: 4,5%. O trigo interrompeu uma sequência de quatro meses de alta.
Segundo a organização, os preços caíram diante da demanda internacional mais fraca e da melhora nas perspectivas de produção, especialmente na Argentina.
➡️ A expectativa de redução das restrições ao transporte de produtos pelo Mar Negro também ajudou a reduzir os preços, embora dificuldades no transporte e no escoamento da produção na região ainda limitem as exportações.
O milho também ficou mais barato depois de atingir, em setembro, o maior preço em três anos. A queda refletiu a colheita nos Estados Unidos, a expectativa de oferta abundante nos principais países exportadores da América do Sul e a possibilidade de redução das tensões na região do Mar Negro.
O arroz seguiu na direção contrária, com alta de 1,6% nos preços em outubro. O aumento foi influenciado por atrasos nas colheitas em alguns países exportadores, condições climáticas desfavoráveis e custos de produção mais altos.
Os preços internacionais das carnes recuaram 1,2% no mês. Carne suína, ovina e bovina ficaram mais baratas, enquanto os preços do frango permaneceram praticamente estáveis.
Já o índice de preços dos laticínios caiu 1,1%, principalmente devido à redução nos valores internacionais da manteiga e do queijo. A oferta abundante e a menor procura pressionaram os preços desses produtos e compensaram a alta do leite em pó.
Os óleos vegetais tiveram alta de 0,3%. O aumento dos preços dos óleos de soja e girassol superou a queda do óleo de colza.
No caso da soja, os valores atingiram o maior nível desde o fim de 2022, impulsionados pela demanda do setor de biocombustíveis e pela redução da oferta típica deste período do ano na América do Sul.