Anthropic tem prejuízo de R$ 404,6 bilhões no 1º semestre de 2026

Anthropic
Reuters
A Anthropic registrou prejuízo de US$ 80,7 bilhões (R$ 404,6 bilhões) no primeiro semestre de 2026, valor equivalente a mais de seis vezes o registrado no mesmo período do ano passado, de US$ 13 bilhões (R$ 65,2 bilhões).
A piora do resultado se deve, em grande parte, a um efeito contábil ligado a títulos que podem ser convertidos em ações da startup de inteligência artificial (IA).
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Esse efeito gerou uma despesa de US$ 72 bilhões (R$ 361 bilhões), segundo uma versão preliminar do prospecto da empresa, documento preparado para a abertura de capital, analisado pela Reuters. A despesa não corresponde a dinheiro gasto nas operações da empresa, segundo o documento.
🔎 Na prática, esses títulos dão aos investidores o direito de transformá-los em ações da Anthropic. Com o aumento do valor estimado desses papéis, a empresa teve de registrar uma despesa maior em seu balanço, embora isso não represente uma saída equivalente de dinheiro do caixa.
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A empresa, sediada em San Francisco, deve abrir o capital em novembro. Após a divulgação dos números mais recentes, alguns investidores passaram a avaliar a Anthropic em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 trilhões), abaixo das estimativas anteriores, segundo informações da Reuters.
Os números evidenciam os altos custos da corrida pela inteligência artificial, em um momento em que investidores questionam se os bilhões gastos em chips e centros de dados trarão retorno suficiente.
A Anthropic se comprometeu a gastar pelo menos US$ 518 bilhões (R$ 2,6 trilhões) ao longo de dez anos em serviços de nuvem, computação e infraestrutura.
Só no primeiro semestre, a empresa gastou quase US$ 9 bilhões (R$ 45,1 bilhões) em recursos de computação e infraestrutura, ante US$ 2,3 bilhões (R$ 11,5 bilhões) no mesmo período do ano anterior, segundo o documento.
A Anthropic não respondeu ao pedido de comentário da Reuters.
*Com informações da agência de notícias Reuters.

Dólar abre em alta, com balanços corporativos e pesquisas eleitorais no foco

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (21) em alta, com um avanço de 0,17% perto das 9h, cotado a R$ 5,0271. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
Com as eleições brasileiras como pano de fundo, investidores aguardam pela divulgação de novas pesquisas eleitorais e avaliam novos balanços corporativos. A notícia de que o Banco Central estuda medidas para conter o endividamento das famílias e os preços do petróleo no mercado internacional também seguem no radar.
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▶️ A temporada de balanços no Brasil começou nesta semana e deve mexer com os mercados financeiros. Analistas indicam que, principalmente nos resultados do setor financeiro, os índices de inadimplência estarão no centro das atenções, principalmente após o rali presidencial.
▶️ Com isso, investidores também seguem atentos ao cenário de crédito, após notícias de que o Banco Central estaria estudando um conjunto de medidas para conter o endividamento das famílias no Brasil. Entre as medidas, estariam a maior transparência dos bancos, a conscientização do consumidor e o limite do crédito autorizado por pessoa de acordo com a renda.
▶️ Além disso, o foco também está com a nova pesquisa Quaest, que devem ser divulgadas ainda nesta manhã com dados de intenção de voto no segundo turno. Os últimos levantamentos mostram que Flávio Bolsonaro (PL) segue com vantagem numérica em relação ao presidente Lula (PT).
▶️ No exterior, destaque para novos dados sobre estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos. O indicador deve trazer novos sinais sobre as condições de oferta e demanda, em meio à volatilidade dos preços da commodity no mercado internacional e diante das tensões ainda elevadas no Oriente Médio.
Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, subia 0,57%, cotado a US$ 109,41. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 0,84% no mesmo horário, a US$ 98,64 o barril. Na véspera, o petróleo teve a maior cotação em cinco meses. Saiba mais.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -1,06%;
Acumulado do mês: -3,01%;
Acumulado do ano: -8,56%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +1,39%
Acumulado do mês: +11,78%;
Acumulado do ano: +29,28%.
Petróleo volta a ficar no radar
As tensões entre os Estados Unidos e o Irã seguem influenciando as cotações do petróleo no mercado internacional. Na véspera, o Teerã informou ao comandante do Exército do Paquistão que não haverá negociações com Washington até que suas exigências sejam atendidas.
As falas reforçam o endurecimento da postura do país em relação às tratativas com os EUA, apesar dos esforços de mediação do Paquistão, seu principal interlocutor.
Segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, Washington não poderá conquistar a confiança de Teerã até que cumpra as sete condições apresentadas pelo país no mês passado para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra.
As condições do Irã incluem, entre outras exigências, o fim do bloqueio dos EUA aos seus portos, o fim das sanções dos EUA às suas exportações de petróleo, bem como o fim das hostilidades em todas as frentes regionais.
As tensões continuam a trazer volatilidade para os preços do petróleo. Na véspera, o barril do Brent chegou a superar os US$ 111, no maior nível em cinco meses.
Desde o início do conflito, no entanto, os países tem buscado rotas alternativas no Golfo Pérsico, em uma tentativa de mitigar o impacto do conflito. Segundo o presidente do grupo HSBC, Georges Elhedery, esse investimento pode até tornar o Estreito de Ormuz “desnecessário” nos próximos cinco anos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite de domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026.
“Acreditamos que essa região será capaz de se recuperar e, em seguida, continuar crescendo. Isso exigirá muitos investimentos”, disse o executivo durante evento do HSBC, em Dubai.
“É claro que desejamos e esperamos ver uma resolução para o conflito… Mas o Estreito de Ormuz, provavelmente daqui a cinco anos, pode se tornar obsoleto”, acrescentou.
Bolsas globais
Na Ásia, as bolsas fecharam mistas nesta quarta-feira, em meio a esperanças cada vez menores de que o governo chinês faça um grande estímulo para impulsionar gastos. Balanços corporativos também ficaram no radar.
O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 0,6%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 1,0%. No Japão, o Nikkei avançou 0,85%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 3,29%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 0,90%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar.
Luisa Gonzalez/ Reuters

Associação de restaurantes vai à Justiça contra modelo de delivery da Keeta; entenda

Motociclista de entrega com mochila da Keeta.
Adobe Stock
A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) entrou com uma ação civil pública contra a Keeta, plataforma de delivery da chinesa Meituan, na Justiça de São Paulo. A entidade contesta o modelo de “compra intermediada” adotado pela empresa no Brasil. (entenda mais abaixo)
A associação pede a suspensão imediata da prática nos restaurantes que não autorizaram sua inclusão no aplicativo, além da proibição desse modelo de operação no país.
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Segundo a ANR, na “compra intermediada”, restaurantes são incluídos no aplicativo da Keeta sem autorização prévia. Quando um cliente faz um pedido, um entregador ou comprador vai ao estabelecimento, compra os produtos no balcão e os leva ao consumidor.
“Quando a Keeta coloca uma operação dessa, o vendedor nem sabe o que está acontecendo na operação dele. Os gestores de restaurantes não sabem que uma venda presencial de balcão, na verdade, seria uma venda para a Keeta”, disse Erik Momo, presidente do conselho da ANR, em entrevista à Reuters.
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Segundo a ANR, a compra intermediada pode limitar a liberdade comercial dos restaurantes, gerar concorrência desleal e prejudicar a relação dos estabelecimentos com os clientes.
“Recorrência é algo fundamental para um restaurante sobreviver. O proprietário tem que ter gestão sobre aquilo que está no cardápio, do item que está vendendo, do preço que está praticando, da qualidade da entrega etc. Se eu, como proprietário, passo tudo para esse intermediário e perco esse controle, estou correndo o risco de meu negócio deixar de existir sem eu saber”, disse Momo.
Além de pedir a suspensão da prática, a ANR defende maior diálogo da Keeta com o setor. A entidade cita como exemplo suas parcerias com o iFood, controlado pelo grupo Prosus, e a 99, da chinesa DiDi Global.
“Nosso pedido é que eles suspendam essa prática. Ela é prejudicial para o consumidor, porque ele não entende o que está acontecendo, e para o restaurante, porque ele acaba vendendo algo que não estava previsto”, disse Momo.
Procurada pela Reuters, a Keeta, que iniciou suas operações no Brasil em 2025, afirmou não ter recebido nenhuma notificação judicial sobre a ação.
Sobre a compra intermediada, a empresa afirmou que a ferramenta foi criada em caráter experimental para ampliar as opções de restaurantes disponíveis aos consumidores no aplicativo.
Segundo a Keeta, a iniciativa foi desenvolvida em um mercado no qual contratos de exclusividade dificultam a entrada de estabelecimentos em outras plataformas de delivery.
“A compra intermediada [é] uma iniciativa desenvolvida especificamente para o Brasil e que opera em conformidade com todas as leis e regulamentações locais aplicáveis”, disse a Keeta em nota.
A Keeta iniciou suas operações no Brasil em 2025. A 99, da também chinesa DiDi Global, retomou sua atuação no setor de delivery no mesmo ano. Desde então, as duas empresas vêm ampliando suas operações no país, enquanto o iFood segue na liderança do mercado.
Em setembro, o Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou o aprofundamento das investigações sobre a concorrência no mercado de delivery no Brasil.