Produtores de grama em Itapetininga reforçam vendas com chegada da Copa do Mundo

Plantação de grama em Itapetininga (SP) ocupa área equivalente a 169 campos de futebol e abastece estádios
TV TEM/Reprodução
A Copa do Mundo está chegando e, com ela, cresce também a expectativa dentro e fora dos campos. Em Itapetininga (SP), produtores de grama aproveitam o clima de competição para reforçar a comercialização de gramados utilizados em estádios, centros de treinamento, clubes e escolas de futebol em diversas regiões do país.
Em uma das fazendas da região, o cenário chama a atenção: são 50 alqueires de plantação, o equivalente a 169 campos de futebol. A área verde, com grama a perder de vista, é especializada na produção de variedades usadas para diferentes finalidades, inclusive para equipar campos esportivos.
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Quem coordena parte desse trabalho é o empresário Emerson Terra Rocha Júnior. A família dele atua no ramo há mais de 35 anos. Segundo ele, a produção envolve uma série de cuidados, desde o preparo do solo até a colheita da grama que será entregue aos clientes.
A empresa também mantém outras fazendas na região de Itapetininga, além de lavouras em Minas Gerais. Conforme o empresário, cerca de 10% da produção é voltada ao futebol, principalmente para clubes do Sudeste.
Entre as variedades mais comercializadas está a grama esmeralda, conhecida pela resistência e pela adaptação aos estádios brasileiros. Emerson conta que, apesar de trabalhar com gramados usados no futebol, ainda não viu o time do coração jogar em um campo produzido pela própria empresa.
Grama esmeralda e bermuda estão entre as variedades cultivadas em Itapetininga (SP)
TV TEM/Reprodução
No Brasil, outra variedade bastante utilizada nos campos é a bermuda, também conhecida pela resistência ao pisoteio dos atletas. De acordo com o técnico agrícola João Marcos Rochel, a escolha da grama influencia diretamente na qualidade do campo e no desempenho durante as partidas.
A qualidade do gramado pode mudar o ritmo de um jogo. Quando a grama é bem cuidada, forte e uniforme, a bola corre melhor e os jogadores conseguem se movimentar com mais segurança. Além disso, o gramado também ajuda a amenizar impactos em quedas e pode reduzir o risco de lesões.
Pensando em garantir essa qualidade aos clientes, o empresário Guilherme de Souza se dedica há 10 anos ao aprimoramento da grama vendida para o mercado do futebol. Ele administra mais de 100 alqueires de produção em uma fazenda em Itapetininga.
Segundo Guilherme, metade do que é colhido na propriedade é comercializada para times, clubes e escolas. O empresário afirma que o momento tem sido positivo para o setor. Nas últimas semanas, as vendas cresceram mais de 50%, impulsionadas pela proximidade da Copa.
Com a expectativa pelo maior torneio de futebol do mundo, os produtores da região reforçam que o trabalho no campo também faz parte do espetáculo que acontece dentro das quatro linhas.
Produção de grama esportiva em Itapetininga (SP) atende clubes, escolas de futebol e centros de treinamento
TV TEM/Reprodução
Veja a reportagem exibida no programa em 07/06/2026:
Produtores de grama em Itapetininga reforçam vendas com chegada da Copa do Mundo
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OPEP+ aprova novo aumento na produção de petróleo em meio à crise no Oriente Médio

Líbano acusa Irã de usar país como moeda de troca em negociação com os EUA
A OPEP+ concordou neste domingo (7) com um quarto aumento consecutivo em suas metas de produção de petróleo nos últimos quatro meses, informou a organização em comunicado.
No entanto, a guerra entre Estados Unidos e Irã continua impedindo vários integrantes do grupo de ampliar sua produção.
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O conflito interrompeu o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, provocando a maior crise de abastecimento da história.
Como consequência, importantes membros da OPEP+, entre eles a Arábia Saudita, não conseguem atender integralmente seus clientes desde o fim de fevereiro.
A situação se agravou após a saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), encerrando uma participação de quase 60 anos.
Sete dos principais integrantes da OPEP+ — aliança que reúne a OPEP e países produtores aliados, como a Rússia — elevaram suas cotas de produção entre abril e junho em quase 600 mil barris por dia.
Na prática, porém, a produção do grupo despencou devido à redução das exportações dos países do Golfo.
Segundo dados da OPEP, a produção média caiu para 33,19 milhões de barris por dia em abril, ante 42,77 milhões registrados em fevereiro.
🔎 Neste domingo, os sete países decidiram elevar as metas de produção em 188 mil barris por dia a partir de julho, de acordo com o comunicado.
O volume é o mesmo aprovado para junho, após ter sido reduzido em relação aos aumentos de 206 mil barris diários adotados em abril e maio para refletir a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo.
Dos 21 membros da OPEP+ reunidos neste domingo, sete participaram da decisão: Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão, Rússia e Omã.
Nos últimos anos, apenas esses países — além dos Emirados Árabes Unidos, quando ainda integravam a organização — têm participado das deliberações sobre a política de produção da aliança.
Outras três reuniões da OPEP e da OPEP+, incluindo um encontro com todos os ministros da aliança, também estavam previstas para este domingo.
Segundo fontes da OPEP+, não há expectativa de mudanças na política de produção durante a reunião ministerial.
A queima de combustíveis na produção de petróleo é uma fonte conhecida de emissões de metano.
Leslie Von Pless/NASA

Economia azul transforma conservação em oportunidades para pequenos negócios no ES

Temporada das baleias no Espírito Santo encanta turistas e gera emprego para marinheiro, artesã e guia
g1
“Eu vivo do mar”. A frase resume a história do marinheiro e empreendedor Ruan Nolasco Cardoso, proprietário de uma empresa de turismo náutico na Grande Vitória. O avô foi pescador, trabalhou no Porto de Vitória e no antigo sistema aquaviário da capital. O pai passou 35 anos embarcado em navios e plataformas de petróleo. Agora, é dele a missão de transformar o oceano em oportunidade de trabalho para uma nova geração.
Foi olhando para a própria história da família que Ruan decidiu criar, em 2017, o Capitão Grilo, um negócio voltado aos passeios marítimos pelo litoral capixaba.
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“Meu avô fazia esse trabalho décadas atrás. Eu pensei: será que ainda existe espaço para isso hoje? Foi um resgate da história da minha família. Começamos pequenos e fomos crescendo junto com o turismo náutico no Espírito Santo”.
Hoje, além de comandar embarcações, ele oferece roteiros como a Rota dos Botos, passeios pelos manguezais e circuitos turísticos pela Baía de Vitória e pelo litoral sul do estado.
Mas o empreendedorismo veio acompanhado da necessidade de estudar. “Passei a fazer cursos de guia de turismo, monitor de áreas naturais, condutor local e continuo buscando capacitações. O turismo exige conhecimento. A gente tenta despertar nas pessoas um sentimento de pertencimento sobre o nosso mar, nossos manguezais e nossa biodiversidade”.
‘Eu vivo do mar’, o marinheiro e empreendedor Ruan Nolasco Cardoso, proprietário de uma empresa de turismo náutico no Espírito Santo.
Arquivo pessoal
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A trajetória de Ruan traduz, na prática, um conceito que ganha força: a economia azul. Modelo de desenvolvimento que alia conservação ambiental, inovação e geração de renda por meio do uso sustentável dos recursos marinhos.
E poucos exemplos representam melhor essa transformação do que a temporadas das baleias-jubarte.
Todos os anos, entre junho e outubro, milhares delas deixam a Antártida para se reproduzir no litoral brasileiro.
No Espírito Santo, além de encantar turistas, elas movimentam uma cadeia produtiva que envolve artesãos, marinheiros, guias de turismo, hotéis, restaurantes, agências de receptivo e pesquisadores.
Artesã Erani de Oliveira Castro se inspira na fauna marinha capixaba no Espírito Santo
Carlos Alberto Silva/Rede Gazeta
Do artesanato aos hotéis: quando a baleia gera renda
Quando as baleias-jubarte chegam ao litoral capixaba, quem também comemora são pequenos empreendedores espalhados por toda a costa.
Enquanto turistas embarcam em busca do encontro com as gigantes do mar, hotéis recebem hóspedes, restaurantes ampliam o movimento, artesãos vendem lembranças inspiradas nas baleias e guias turísticos trabalham em ritmo intenso.
O espetáculo da natureza ajuda a movimentar uma cadeia econômica que cresce ano após ano e mostra, na prática, como a conservação ambiental pode gerar renda.
Em 2025, o Festival da Baleia em Vitória, evento cultural dedicado à espécie, gerou cerca de R$ 250 mil em receita para artesãos e comerciantes locais.
Artesã Erani de Oliveira Castro se inspirada na fauna marinha capixaba no Espírito Santo
Arquivo pessoal
Em Vila Velha, a designer e artesã Erani de Oliveira Castro, criadora do Estúdio Ira, sente os efeitos da temporada todos os anos. Inspirada na fauna marinha capixaba, ela produz cangas, lenços e outros produtos que retratam espécies encontradas no litoral do estado.
Durante o período de observação das baleias, as vendas aumentam cerca de 90%. “A maior parte das vendas é de produtos inspirados nas baleias. As pessoas querem levar uma lembrança dessa experiência e conhecer mais sobre esses animais”, contou a artesã.
Para Erani, o interesse dos visitantes vai além dos passeios embarcados. “As pessoas querem adquirir produtos da temporada, querem conhecer mais. Até já pensei em trabalhar em algum ponto perto dos embarques para a observação das baleias, mas mesmo de longe já tenho muito trabalho e encomendas”, contou Erani que já está trabalhando com coleção nova para 2026.
O movimento mostra como a presença das jubartes ultrapassa o turismo de observação e alcança outros setores da economia criativa, gerando renda para pequenos empreendedores que encontram no mar uma fonte de inspiração e sustento.
Quando preservar gera negócios
“As baleias talvez sejam o exemplo mais simbólico de transformação que a economia azul pode causar em nossa sociedade”. A afirmação é do ambientalista Thiago Ferrari, coordenador do Projeto Amigos da Jubarte.
Segundo ele, poucas atividades representam tão bem a mudança de paradigma que ocorreu nas últimas décadas.
Thiago Ferrari é ambientalista e faz parte do Projeto Amigos da Jubarte no Espírito Santo
Arquivo pessoal
“Antes eram caçadas para exploração do óleo e da carne. Hoje, geram emprego e renda através do turismo de observação, de forma sustentável e sem retirar nenhum animal da natureza”.
Para Ferrari, esse desenvolvimento econômico só foi possível graças ao conhecimento científico produzido no Espírito Santo.
Desde 2020, o Hub Científico Jubarte.Lab, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), utiliza drones, hidrofones e metodologias inovadoras para monitorar baleias e golfinhos na costa capixaba.
A iniciativa colocou o estado entre as principais referências brasileiras em pesquisa de cetáceos e ajudou a consolidar o Espírito Santo como destino internacional para observação de baleias.
“Esse estudo é feito de forma colaborativa. Além do desenvolvimento de metodologias altamente tecnológicas, essa parceria garante uma produção científica capixaba de vanguarda, fortalece pesquisadores vinculados às instituições locais e coloca o Espírito Santo em posição de destaque internacional na conservação de baleias e golfinhos”.
Ferrari lembra que pesquisas abriram caminho para o turismo. “Primeiro foi preciso entender por onde essas baleias passam, onde elas se concentram e quando chegam ao litoral capixaba. Hoje, conseguimos oferecer passeios com praticamente 100% de chance de avistamento entre julho e outubro”.
Sesc de Praia Formosa em Aracruz, no Espírito Santo
Rodrigo Gaviorno
🐋 Os números da economia azul com as baleias
De acordo com dados do Projeto Amigos da Jubarte, em 2025, as ações ligadas ao turismo de observação de baleias resultaram em 17 embarques turísticos, 265 visitantes embarcados, 132 avistamentos de baleias e 26 de golfinhos.
As capacitações promovidas para o setor alcançaram 514 pessoas, das quais 327 receberam certificação. Durante o Festival da Baleia, artesãos e comerciantes movimentaram cerca de R$ 250 mil em receitas.
👥 265 turistas embarcados
🐋 132 avistamentos de baleias
🐬 26 avistamentos de golfinhos
🌊 354 cetáceos registrados
🎓 514 pessoas inscritas em capacitações para o turismo
✅ 327 profissionais certificados
💰 R$ 250 mil em receita para artesãos
📲 150 mil pessoas alcançadas pelas ações de divulgação
Pesquisadores do Espírito Santo fazem intercâmbio e explicam o ciclo das baleias no mar.
Reprodução
Conhecimento virou ferramenta de desenvolvimento
Muito antes da atividade ganhar força comercial, os Projeto Amigos da Jubarte e o Instituto Baleia Jubarte investem na preparação da cadeia produtiva.
Eles promovem capacitações técnicas para agências de turismo, operadoras, guias, mestres e proprietários de embarcações, representantes do turismo receptivo e profissionais da rede hoteleira.
As capacitações são realizadas em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Durante os treinamentos, os participantes recebem orientações sobre biodiversidade marinha, biologia e ecologia dos cetáceos, legislação ambiental, técnicas corretas de aproximação das baleias e conceitos de turismo receptivo e regenerativo.
O aprendizado é complementado com uma saída embarcada de observação de baleias e golfinhos, permitindo que os participantes vivenciem na prática os conteúdos apresentados em sala.
Agentes passam por capacitação com o apoio do Sebrae no Espírito Santo e Rio de Janeiro
Divulgação/Amigos da Jubarte
Quem escolhe as baleias movimenta toda a economia
Para o coordenador do Núcleo de Turismo do Sebrae/ES, Leandro Tononi, a observação de baleias se consolidou como um produto turístico capaz de movimentar diferentes segmentos econômicos.
“Quando um visitante decide vir ao Espírito Santo para observar baleias, ele movimenta hospedagem, alimentação, transporte, comércio, passeios e serviços turísticos. Toda a cadeia é beneficiada”.
Segundo Tononi, a atividade passou por um processo de profissionalização nos últimos anos. “Hoje temos embarcações específicas, equipes capacitadas e empresas estruturadas para oferecer uma experiência segura e de qualidade”.
O impacto é percebido também pelos meios de hospedagem. O proprietário do Artsy Vitória Hostel, o turismólogo Felipe Silva Santos acompanha o projeto desde os primeiros anos e acredita que as baleias ajudaram a colocar Vitória no mapa do ecoturismo brasileiro.
“Esse projeto foi muito importante para dar visibilidade ao turismo ecológico e de aventura. As baleias viraram um símbolo do Espírito Santo e ajudam a mostrar para o Brasil e para o mundo a riqueza do nosso litoral”.
‘CPF capixaba’: quase 100 baleias-jubarte nasceram no litoral do ES em 2025
Segundo ele, pesquisadores e turistas hospedados no hostel acabam conhecendo o projeto e incluindo a observação das jubartes no roteiro da viagem.
“Elas já representam muito mais do que um passeio. Estão se tornando parte da identidade cultural do estado assim como a moqueca e o congo”, disse.
Felipe contou que o hostel fica sempre movimentado e tem orgulho do que faz por tudo e por 10 famílias dependerem da empresa dele.
Para Mônica Velasques, diretora de Hospitalidade, Turismo e Lazer do Sesc Espírito Santo, a força econômica das baleias está justamente na capacidade de atrair visitantes fora da alta temporada.
“A temporada de observação de baleias ocorre entre junho e novembro e ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo. Isso gera fluxo adicional de visitantes e movimenta hotéis, pousadas, restaurantes, agências, transportadoras e diversos serviços ligados à cadeia produtiva do turismo”.
Segundo ela, a atividade cria um motivo concreto para a viagem e fortalece o posicionamento do estado como destino de natureza e experiências.
“O grande valor da temporada das baleias não está apenas na ocupação dos hotéis durante os passeios, mas na capacidade de transformar um recurso natural em um produto turístico sustentável, capaz de gerar receita, emprego e visibilidade para o destino durante vários meses do ano”, explicou Mônica.
Muito além do passeio
A guia de turismo Tatiana Sarmento Noronha, bacharel em Direito e pós-graduanda em Direito Ambiental, acompanha os turistas desde a recepção até o desembarque durante as expedições.
Guia de turismo Tati Sarmento com grupo de turistas no Espírito Santo
Arquivo pessoal
Ela participa da operação desde o início da atividadeda Agência Aves. “Faço toda a parte operacional, desde a recepção até o desembarque dos turistas. Eu costumo dizer que ganho para fazer o que gosto”.
Segundo ela, poucas experiências provocam tanta emoção. “Quando a primeira baleia aparece, muitos ficam em silêncio. Depois vêm os aplausos, o choro e a alegria. É uma conexão muito forte com a natureza”.
A guia conta que a reação dos visitantes costuma se repetir a cada saída. “Eles ficam impactados com o tamanho das baleias. Quando elas saltam, batem as nadadeiras ou aparecem com os filhotes, a emoção é muito intensa. Muitas pessoas choram. É uma sensação difícil de mensurar”.
Tatiana destaca ainda que cada passeio na agência onde trabalha também funciona como uma experiência de educação ambiental.
Além das explicações sobre biologia e conservação, todas as expedições contam com pesquisadores a bordo, responsáveis por orientar os passageiros e acompanhar o cumprimento das normas estabelecidas pelos órgãos ambientais e pela Capitania dos Portos, garantindo a segurança da atividade e o respeito aos animais.
Regras
Para realizar os passeios, as agências de turismo devem estar cadastradas no Cadastur. Os barcos de precisam respeitar algumas regras durante a observação das baleias, como manter distância de 100 metros da baleia ou do golfinho, e 200 metros se o animal estiver com filhote.
A observação deve ser feita, no máximo, por 30 minutos para cada animal. Além disso, o barco não pode perseguir a baleia e caso o animal se aproxime muito da embarcação, deve ficar com o motor ligado e desengrenado.
Turistas se encantam ao obeservar baleias no Espírito Santo
Beatriz Marins
Baleias como indutoras do turismo
O oceanógrafo Paulo Pinheiro Rodrigues, do Instituto Baleia Jubarte, afirma que a observação de baleias é uma das iniciativas mais bem-sucedidas de transformação da conservação ambiental em desenvolvimento econômico.
“O Projeto Baleia Jubarte promove pesquisa, conservação, educação ambiental e fomenta o ecoturismo como alternativa sustentável. Geramos trabalho e renda em torno da imagem das baleias e do ambiente marinho”.
Segundo ele, a atividade ajuda a reduzir a sazonalidade do turismo no estado. “As baleias são indutoras do destino. Muitas pessoas escolhem viajar para a Grande Vitória especificamente para participar dos passeios”.
Paulo destaca que a atividade vem atraindo investimentos públicos e privados, desde embarcações adaptadas para o transporte de passageiros até novos espaços de educação ambiental.
A expectativa do Instituto Baleia Jubarte é que cerca de 2 mil turistas embarquem rumo às baleias na temporada de 2026.
Paulo Pinheiro Rodrigues é oceanógrafo e integra o Instituto Baleia Jubarte no Espírito Santo
Arquivo pessoal
Estratégia para o futuro
Para o secretário estadual de Turismo, Luciano Machado, a observação de baleias já se consolidou como um dos produtos turísticos mais promissores do Espírito Santo.
“Temos um patrimônio natural extraordinário. A observação de baleias fortalece nossa imagem como destino de natureza e amplia a movimentação econômica em diversas regiões do estado”.
Em Aracruz, onde os passeios também começam a ganhar espaço, o secretário municipal de Meio Ambiente, Aladim Cerqueira, vê nas jubartes um dos principais ativos naturais do município.
“O crescimento da observação de baleias tem sido incentivado dentro de uma estratégia de economia azul e desenvolvimento sustentável. Hoje elas representam um patrimônio natural que precisa ser valorizado”.
Segundo ele, o município vem investindo em iniciativas ligadas à conservação e à valorização dos recursos naturais, incluindo parcerias para ampliar a divulgação das baleias como atrativo turístico.
Artesã Erani de Oliveira Castro se inspirada na fauna marinha capixaba no Espírito Santo
Arquivo pessoal
O oceano como oportunidade
Para Ruan Nolasco, que cresceu ouvindo histórias do avô pescador e do pai embarcado em navios, as baleias representam mais do que um atrativo turístico. “Elas mostram que é possível viver do mar sem destruir o mar”.
No Espírito Santo, a economia azul vem justamente mostrando esse caminho. Onde antes havia exploração dos recursos naturais, surgem oportunidades ligadas à conservação.
E, a cada inverno, quando as jubartes retornam ao litoral capixaba, ajudam a movimentar uma cadeia que transforma natureza preservada em trabalho, renda e desenvolvimento a partir do oceano.
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ONS aciona plano pela primeira vez para reduzir sobra de energia e evitar instabilidade no sistema

Nesta etapa foram instaladas 4.800 placas solares em Noronha
Ana Clara Marinho/TV Globo
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que realizou, entre 10h e 14h deste domingo, uma ação para diminuir o desequilíbrio entre oferta e demanda e evitar o risco de instabilidade por conta da sobra de energia na rede.
O chamado plano gestão de excedente atuou para reduzir 1.000MW.
A medida, classificada como um “sucesso”, foi tomada em um momento de alta atividade da micro e da mini geração distribuída (como painéis solares), e de baixa demanda por energia pela indústria e pelo comércio em função do feriado prolongado.
Em uma operação combinada, as distribuidoras reduziram a geração sob sua área de concessão e o ONS implementou medidas complementares para diminuir a quantidade de energia no sistema.
“ONS manteve os agentes atualizados e coordenou as ações no SIN, realizando a gestão dos recursos disponíveis de acordo com a demanda da sociedade, em comunicação direta com os agentes do setor”, informou o operador em nota.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) afirmou que as distribuidoras executaram os cortes nas usinas conectadas às redes de distribuição, seguindo os parâmetros estabelecidos pelo ONS.
A Abradee disse que ainda fará uma avalição técnica da ação e informará os principais impactos e resultados do acionamento do plano emergencial.
Plano de Excedente de energia
O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição foi estabelecido no ano passado após a identificação de risco de colapso no sistema elétrico provocado pelo excesso de geração de energia renovável, sobretudo em períodos de baixa demanda, como feriados e fins de semana.
A medida estabelece protocolos para controlar parte dessa oferta e garantir a segurança da operação do sistema.
O plano tem como foco as usinas classificadas como Tipo III, categoria que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa. Embora não integrem a rede contolada pelo ONS, essas unidades também influenciam o equilíbrio do sistema elétrico.
Alerta de desequilíbrio
Em 2025, dois episódios acenderam o alerta no setor ao evidenciar o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda. Em comum, ambos ocorreram em domingos, quando o consumo de energia costuma ser menor devido à redução das atividades industriais e comerciais.
Um dos casos aconteceu em 10 de agosto. Naquele dia, a geração solar respondeu por 37,6% da demanda nacional. Diante do cenário, o ONS precisou reduzir significativamente a geração de usinas hidrelétricas e termelétricas, além de determinar cortes na produção de grandes parques eólicos e solares.
Regras Aneel para os cortes
Pelas regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 12 distribuidoras estão atualmente habilitadas a executar os cortes previstos no plano. Juntas, elas concentram cerca de 80% da capacidade instalada das usinas Tipo III no país. A expectativa é que outras distribuidoras sejam incorporadas em uma segunda etapa da implementação.
A regulamentação também determina que o ONS encaminhe à Aneel, em até 30 dias após cada acionamento do plano, um relatório técnico detalhando as condições que motivaram a medida e os resultados alcançados.
Excedente de energia renovável gera problema para sistema elétrico brasileiro; entenda

Próximo feriadão é só daqui a 3 meses; veja os feriados que ainda restam em 2026

Quais são os próximos feriados de 2026? Spoiler: restam seis
Após o Corpus Christi, celebrado na última quinta-feira (4) e que garantiu, para alguns trabalhadores, um descanso prolongado de até quatro dias, muita gente já começou a olhar para o próximo feriadão.
Ao todo, ainda restam seis feriados nacionais em 2026 — e cinco deles podem ser emendados, prolongando os dias de descanso.
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O próximo feriado nacional, porém, só acontecerá daqui a três meses: o 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, que neste ano cai em uma segunda-feira e pode render folga prolongada para quem não trabalha aos fins de semana.
Vale lembrar que, mesmo nos feriados nacionais, nem todos os trabalhadores são dispensados. A legislação permite o funcionamento de atividades consideradas essenciais.
⚠️ Nesses casos, quem trabalhar na data tem direitos garantidos, como remuneração em dobro ou folga compensatória.
Praia Fortaleza Ceará folga feriado sol
Divulgação
Quais são os próximos feriados de 2026?
Ao todo, 2026 terá 10 feriados nacionais, sendo que 9 cairão em dias úteis. Este é um dos calendários mais favoráveis dos últimos anos para quem deseja planejar folgas prolongadas ao longo do ano.
Depois do 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil, o próximo feriado nacional será 12 de outubro, quando é celebrado o Dia de Nossa Senhora Aparecida.
A data também cairá em uma segunda-feira e poderá render um descanso prolongado para quem não trabalha aos fins de semana.
Veja abaixo os próximos feriados nacionais e os dias da semana em que caem:
7 de setembro, Independência do Brasil (segunda-feira)
12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida (segunda-feira)
2 de novembro, Finados (segunda-feira)
15 de novembro, Proclamação da República (domingo)
20 de novembro, Dia da Consciência Negra (sexta-feira)
25 de dezembro, Natal (sexta-feira)
Confira também os próximos pontos facultativos, que podem render folgas em alguns casos:
28 de outubro, Dia do Servidor Público (quarta-feira)
24 de dezembro, véspera de Natal (após 13h) (quinta-feira)
31 de dezembro, véspera de Ano Novo (após 13h) (quinta-feira)
O g1 preparou um calendário com todos os pontos facultativos e feriados nacionais de 2026. Confira:
Calendário 2026
g1
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Guia g1 #1: qual é o melhor momento para trocar de carro?

Guia g1
g1
O melhor momento para comprar um carro pode variar de acordo com o tipo de veículo, as condições do mercado e até mesmo o perfil do comprador.
No primeiro episódio da nova temporada do podcast Guia g1, o especialista em carros usados Rogério Galvão, explica que não existe uma “data mágica” para fazer o melhor negócio, mas sim janelas de oportunidade.
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Segundo ele, início e fim de ano, fim de mês e períodos de troca de modelo costumam ser os momentos mais vantajosos para quem está em busca de um carro novo, seminovo ou usado.
O especialista também alerta para os cuidados com promoções sazonais, como as da Black Friday, e dá a dica: é essencial usar a razão e não a emoção na hora da compra: pensar no orçamento, nas necessidades da família e nos custos de manutenção antes de se deixar levar pelo design ou pela empolgação do momento.
Este episódio foi publicado originalmente em 03/11/2025.
OUÇA AQUI:
O que são podcasts?
Podcasts são episódios de programas de áudio distribuídos pela internet e que podem ser apreciados em diversas plataformas — inclusive no g1, no ge.com e no gshow, de modo gratuito.
Os conteúdos podem ser ouvidos sob demanda, ou seja, quando e como você quiser!
Geralmente, os podcasts costumam abordar um tema específico e de aprofundamento na tentativa de construir um público fiel.
Veja os vídeos que estão em alta no g1

Petróleo: saiba como a crise no Estreito de Ormuz beneficia os negócios do Brasil

Plataforma destinada ao Sistema de Produção do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos
Tânia Rêgo/ Agência Brasil
Desde o início da guerra no Irã e das repetidas ameaças ao Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial, o mercado petrolífero entrou em uma nova era de incerteza.
Os preços dispararam, os Estados buscam garantir seus suprimentos e diversos produtores de petróleo tentam lucrar com essa instabilidade. Entre eles está o Brasil.
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O gigante sul-americano está emergindo como uma alternativa ao petróleo do Golfo. Seu petróleo offshore, extraído na costa atlântica, evita as rotas de navegação ameaçadas do Oriente Médio.
Essa posição geográfica, em tempos de crise, torna-se uma vantagem estratégica. “É perfeitamente lógico que os grandes consumidores busquem fornecedores mais estáveis, que não sejam afetados pelo caos que reina no Oriente Médio. E esse é, obviamente, o caso do Brasil”, confirma Adel El Gammal, especialista em geopolítica energética e secretário-geral da Aliança Europeia de Pesquisa Energética (EERA).
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Essa estabilidade já se reflete nos números. O Brasil, nono maior produtor de petróleo do mundo, responde por aproximadamente 4% da produção global.
“Para se ter uma ideia da escala, o Brasil produz cerca de 4 milhões de barris por dia, o que equivale à produção dos Emirados Árabes Unidos”, continua o especialista.
Uma corrida pelo petróleo brasileiro
Em meio à guerra no Irã, o Brasil viu um aumento nas compras de petróleo. Dois países, em particular, se destacaram: China e Índia. A China, que tradicionalmente importava a maior parte de seu petróleo bruto do Golfo Pérsico, redirecionou massivamente suas compras para o Brasil.
🔎 Segundo dados do governo brasileiro, as exportações de petróleo para a China dobraram no primeiro trimestre, atingindo o recorde de US$ 7,2 bilhões. Mais de 60% das exportações da Petrobras agora são destinadas à China.
“A China representava cerca de 40% das exportações brasileiras de petróleo bruto antes da crise no Estreito. Agora, está se aproximando de 70%”, revela Adel El Gammal.
As duas principais petrolíferas chinesas, a China National Petroleum Corporation (CNPC) e a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), já tinham presença no Brasil por meio de parcerias, mas “o conflito no Oriente Médio apenas acelerou e fortaleceu seu relacionamento”.
Petróleo de alta qualidade versus infraestrutura precária
A força do petróleo brasileiro também reside em sua natureza. As imensas reservas offshore descobertas nos últimos vinte anos na costa do Rio de Janeiro estão entre as mais promissoras do mundo.
Extraído das águas ultraprofundas do Atlântico, esse petróleo bruto, conhecido como “pré-sal”, possui características notáveis.
“O petróleo brasileiro tem a vantagem de ser leve e com baixo teor de enxofre. É um petróleo que se aproxima da qualidade do petróleo Brent, sendo considerado de alta qualidade. Diferentemente, por exemplo, do petróleo venezuelano, que é muito pesado e difícil de refinar”, enfatiza Adel El Gammal.
Segundo Samuele Furfari, doutor em Ciências Aplicadas e professor de Geopolítica da Energia na Universidade Livre de Bruxelas, “o governo tem incentivado a exploração da margem equatorial, que é a zona geológica que se estende da costa amazônica brasileira até a Guiana. É um novo Eldorado. Toda essa área é rica em petróleo”, um ativo valioso nos mercados globais que buscam petróleo bruto de fácil refino.
No entanto, o Brasil enfrenta restrições estruturais que dificultam qualquer desenvolvimento rápido. “O aumento da capacidade produtiva deve ser acompanhado do aumento da capacidade de refino. E, no Brasil, essa é uma de suas limitações; está longe de ser suficiente”, observa Adel El Gammal.
A isso se soma o que os economistas chamam de baixa elasticidade, ou seja, o fato de que “é difícil aumentar significativamente a produção no curto prazo sem investimentos adicionais e desenvolvimento de infraestrutura”, continua o pesquisador.
A mesma observação foi feita por Samuele Furfari, que apontou que “no setor petrolífero, trabalhamos em uma escala de longo prazo. O que decidimos hoje terá efeitos daqui a dez anos. Qualquer aumento significativo na capacidade requer investimentos de vários bilhões de dólares e projetos que se desenrolam ao longo de anos”.
Um paradoxo ecológico?
Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Graças às exportações, o presidente Lula pretende continuar capitalizando nesse setor. Nos últimos meses, seu governo enviou diversos sinais favoráveis à indústria petrolífera.
A Petrobras continuou a exploração de seus gigantescos campos offshore, e Brasília anunciou recentemente a retomada da perfuração no campo de Urucu, na Amazônia, onde os poços de hidrocarbonetos estavam paralisados havia mais de dez anos.
Essa posição pode parecer paradoxal para um presidente que, ao mesmo tempo, tenta se apresentar como um dos líderes na luta contra as mudanças climáticas.
No entanto, segundo Adel El Gammal, essa contradição ilustra principalmente as realidades econômicas que o Brasil continua a enfrentar.
“Lula é a favor da transição energética, mas ele é o chefe de um Estado produtor de petróleo e precisa levar essa realidade em consideração. A Petrobras é um ator fundamental na economia brasileira e impulsiona toda a economia nacional”, explica.
Outra realidade é a da política brasileira. Esse gigante sul-americano opera dentro de um sistema político descentralizado. Lula, mesmo como presidente, não tem total liberdade de ação em todas as questões.
“Lula também é obrigado a negociar, a encontrar um equilíbrio com as potências regionais, com a oposição e com os interesses financeiros profundamente enraizados no país. É a combinação de todos esses fatores que reduz sua margem de manobra”, observa o analista da área de energia.
Para Samuele Furfari, não há nada de absurdo em Brasília continuar a desenvolver seus recursos petrolíferos.
“Todo Estado busca a prosperidade de sua população. E, quando um país possui recursos, ele quer explorá-los.” O especialista belga vê essa estratégia, inclusive, como uma evolução natural para um país que ele descreve como “uma terra do futuro, rica em recursos agrícolas, hídricos e energéticos”.
O fim de um “mercado hegemônico”
Além do Brasil, a crise do Estreito de Ormuz revelou uma transformação mais profunda no cenário energético global. Um mundo que Samuele Furfari descreve assim: “Não é mais um mercado hegemônico, onde uma minoria de atores dita as regras; é um mercado disperso, onde cada produtor pode encontrar seu lugar.”
A saída dos Emirados Árabes Unidos da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) surge, para ele, como o símbolo dessa ruptura, porque “eles entenderam que o mundo mudou; a OPEP é coisa do passado.”
Boas notícias para Brasília, mas essa dinâmica tem seus limites. Por ora, resta uma incógnita para o Brasil: a duração da crise atual. Embora as tensões no Estreito de Ormuz ofereçam ao Brasil uma oportunidade imediata, não há garantia de que ela seja sustentável a longo prazo.
O Brasil poderia aproveitar uma janela de oportunidade, mas a concorrência está se intensificando em todos os lugares. Guiana, Angola, Moçambique, Azerbaijão e Canadá também buscam fortalecer sua posição no mercado global.
Com a entrada de novos produtores, o prêmio de escassez de que o Brasil desfruta atualmente está se erodindo gradualmente. No entanto, o mercado de petróleo permanece profundamente cíclico e extremamente sensível aos desdobramentos geopolíticos.

Chevrolet Sonic, Volkswagen Tera ou Fiat Pulse? O g1 mostra o perfil de cliente para cada SUV

Comparativo Chevrolet Sonic x Fiat Pulse x VW Tera
O g1 mostrou em primeira mão o primeiro teste do Chevrolet Sonic. Agora, chegou a hora de colocar o SUV frente a frente com os principais concorrentes: Fiat Pulse e Volkswagen Tera. Os três custam cerca de R$ 135 mil e são equipados com motor 1.0 turbo e câmbio automático.
Antes do lançamento, a expectativa era de que o Sonic competisse com o Volkswagen Nivus. Porém, o preço e as dimensões do modelo o colocaram em disputa direta com o Volkswagen Tera, líder de vendas do segmento, e com o Fiat Pulse.
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Mas qual dos três oferece o melhor pacote de equipamentos? Qual é o mais econômico? Qual tem a manutenção mais cara? E para qual perfil de consumidor cada modelo faz mais sentido?
O g1 buscou essas respostas.
Chevrolet Sonic 2027 na versão Premier
Divulgação / GM
Polêmica do preço
Ao anunciar o Sonic, a Chevrolet fez estardalhaço em torno do preço. A versão de entrada Premier foi lançada por R$ 129.990, mas com um asterisco ao lado. Desde o primeiro dia nas lojas e no site, o SUV tinha preço de tabela de R$ 134.990.
Quem ia até o showroom era informado pelos vendedores de que o preço promocional era “por tempo limitado”. A reportagem do g1 ouviu de uma das vendedoras que o valor mais baixo seria “limitado a 3.000 unidades”. Porém, até a conclusão desta reportagem, a promoção continuava.
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Um banner no site também traz, de forma clara desde o lançamento, o preço de R$ 129.990 em condições especiais de compra. A entrada deve ser de 70%, com mais 12 parcelas, ou de 50%, com mais 36 parcelas. Ambas as condições estão sujeitas à análise de crédito da GM Financial.
Portanto, para este comparativo, o g1 considerou os preços de tabela informados pelas montadoras, sem promoções. Assim, Pulse e Tera ficam bem próximos do lançamento da Chevrolet.
O Volkswagen é o mais barato, mas faltam equipamentos que os rivais oferecem de série. É preciso desembolsar mais de R$ 1.400 para incluir ar-condicionado automático e carregador por indução no Tera.

Revisões mais salgadas
O consumo de combustível na cidade é melhor no Fiat Pulse, que também é o mais potente e tem a melhor aceleração de 0 a 100 km/h. É, portanto, o SUV compacto ideal para o cliente que gosta de mais fôlego e não quer gastar mais na bomba de combustível.
Por falar em gastos, o g1 também levantou os custos das revisões até 50 mil km. Esse dado é importante, pois mostra quanto o consumidor precisa desembolsar nas revisões programadas e, por consequência, o custo para manter as garantias estendidas.

Vale notar que o Chevrolet oferece cinco anos de cobertura, enquanto Fiat e Volkswagen têm três anos de garantia.
O campeão de vendas Tera tem os preços de revisão mais salgados. Ao chegar à marca de cinco anos ou 50 mil km rodados (o que acontecer primeiro), o proprietário do Volkswagen desembolsa R$ 1.482 a mais que o dono do Sonic.
A Fiat não permite consultar o programa de revisão completo do Pulse Hybrid em seu site. Apenas consta a informação de que as três primeiras revisões do modelo, somadas, saem por R$ 2.537. O g1 entrou em contato com a montadora para ter acesso às informações.
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Equipamentos
Como já foi citado, o Tera não tem ar-condicionado automático nem carregador de celular por indução de série. É preciso desembolsar R$ 1.490 pelo “Pacote Conforto” para ter os dois itens no Volkswagen.
Sonic e Pulse têm esses equipamentos de série e contam com bancos em couro sintético, farol alto automático, sensor crepuscular e alerta de saída de faixa.
O Fiat poderia evoluir no cluster de instrumentos. Os concorrentes têm telas de 8 polegadas, enquanto o Pulse utiliza instrumentos tradicionais com uma tela de apenas 3,5 polegadas no centro.
Já o Tera é o único com controle adaptativo da velocidade de cruzeiro com distância e alerta de fadiga. O Fiat Pulse tem menos airbags, não conta com ajuste de profundidade para o volante e não oferece assistente de permanência em faixa. O Sonic é o único com alerta de ponto cego.
Pela combinação entre preço e lista de equipamentos, o Chevrolet aparece como destaque.

SUV de etiqueta
O comportamento do consumidor brasileiro deu origem ao segmento dos SUVs compactos. As montadoras perceberam que o cliente queria pagar pouco por um carro mais altinho e com aspecto de utilitário esportivo. Não queria motor beberrão nem tração 4×4.
É como se as fábricas pegassem um hatch da linha de produção e trocassem alguns elementos para lhe dar a etiqueta de SUV.
Dessa estratégia nasceram Renault Kardian, Citroën C3 Aircross, Peugeot 2008, Nissan Kicks, Hyundai Creta, VW T-Cross, Fiat Pulse, Chevrolet Tracker e tantos outros. Todos derivados de plataformas modulares de compactos.
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Por incrível que pareça, essa estratégia tem um lado positivo. Esses modelos altinhos conseguem herdar, na maioria das vezes, o comportamento mais urbano de seus “irmãos” compactos.
No caso do Tera, a sensação ao dirigir é muito parecida com a do Polo e a do Nivus. Apesar da baixa potência, o Volkswagen agrada ao volante na hora de encarar uma estrada sinuosa.
O Fiat Pulse é o mais potente e tem o melhor desempenho, mesmo sendo o mais pesado do trio. Isso se reflete em uma experiência mais próxima da proposta de um SUV, muito pela altura extra e pelo acerto da suspensão.
O Sonic é o mais parecido com um hatch. A Chevrolet acertou a mão no modelo, que saiu bem calibrado e com os sistemas de assistência no tom certo. A posição de dirigir não é alta de maneira artificial. Se existir, no futuro, um Sonic RS com motor 1.2, o modelo certamente será mais divertido na estrada.
Em relação ao espaço interno, o Fiat leva vantagem pela altura e não faz feio mesmo com o entre-eixos mais curto. O Sonic e, principalmente, o Tera não acomodam tão bem os ocupantes mais altos.
Vida a bordo
Quando falamos de vida a bordo, nenhum desses carros comete falhas graves no quesito ergonomia. Existem, porém, pontos em que alguns modelos se destacam.
A multimídia MyLink e o fato de contar com ponto de Wi-Fi e sistema OnStar de série colocam o Chevrolet acima dos rivais em conectividade. Além disso, a lógica do sistema, a velocidade de resposta e até o visual escuro com ícones minimalistas facilitam o uso dentro do Sonic.
O cluster de instrumentos, grande e com formato quase quadrado, causa estranheza no começo, mas em poucos minutos já é possível se acostumar. O mais comum é encontrar um painel com formato mais horizontal, como no Tera.
O sistema multimídia, a lógica de funcionamento e a organização dos menus também agradam no VW. A marca já entendeu que, independentemente do preço do carro, todos os modelos devem oferecer conectividade e sistemas que funcionem de forma praticamente instantânea para o cliente.
A falha é que o carregador por indução não é de série. Como Android Auto e Apple CarPlay sem fio consomem bastante bateria, a necessidade de conectar o celular por cabo para recarregá-lo elimina boa parte da vantagem da conexão sem fio.
Para ter esse recurso, é preciso pagar R$ 1.490 a mais por um pacote que também inclui ar-condicionado automático. Ainda assim, a vida a bordo e a posição de dirigir são boas.
A Fiat escolheu uma estratégia diferente para o Pulse. A multimídia utilizada pela Stellantis e os demais sistemas também são bons, mas ficam um pouco atrás dos rivais neste comparativo.
O quadro de instrumentos, com formato clássico, oferece boa visualização. Ainda assim, é razoável que um cliente disposto a pagar esse valor, ao observar os concorrentes, espere que a Fiat também ofereça um cluster 100% TFT.
Uma nova proposta
Pela lista de equipamentos, preço e design, o Sonic surge como uma novidade interessante no segmento. O modelo tem atributos para fazer sucesso se a Chevrolet mantiver o preço agressivo e introduzir novas versões de entrada. O cliente que busca novidade tem perfil para o Sonic.
O Pulse tem vantagem pelo consumo mais baixo, pelo desempenho e pelas proporções que o deixam “altinho”. O cliente que busca esses atributos em primeiro lugar tem perfil para o Fiat.
Já o Tera tem ao volante o DNA de condução da Volkswagen e alguns itens exclusivos, como controle adaptativo da velocidade de cruzeiro com distância e alerta de fadiga. Mas poderia ter manutenção mais barata. Os números de vendas mostram o sucesso do carro e indicam que seu público é formado por consumidores que valorizam a marca.