Quais são e quanto custam as chuteiras dos jogadores da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026?

Danilo, da seleção brasileira, chuta bola em disputa com Azzedine Ounahi, do Marrocos, no jogo de 13 de junho pela Copa do Mundo
Caean Couto/Reuters
As chuteiras (cor de rosa) podem ser o item mais caro da lista de quem quer montar um uniforme completo de jogador brasileiro na Copa do Mundo de 2026.
Os modelos mais baratos encontrados nas lojas da internet no final de maio saíam a partir de R$ 800 e chegavam até R$ 2.500.
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Quanto custam as chuteiras dos grandes craques da Copa?
Jogadores da seleção brasileira em campo após o fim de Brasil x Marrocos no último sábado (13)
Jeenah Moon/Reuters
Quatro marcas dominam os pés dos jogadores da Seleção Brasileira de Futebol: Nike (11 jogadores), Adidas (8), Puma (4) e New Balance (1).
Cada marca tem sua linha de chuteiras rosa, com seu nome específico de cor:
Lucid Pink (Adidas)
Rosa Neon (New Balance)
Rosa (Nike)
Poison Pink (Puma)
No levantamento feito pelo Guia de Compras com os fabricantes, apenas dois atletas estão sem patrocínio de chuteiras. Por fotos em redes sociais, deu para perceber que Ibañez usa produtos da Adidas, e Igor Thiago, da Nike.
Veja a seguir as chuteiras usadas pelos convocados e alguns dos modelos disponíveis nas lojas on-line.
Adidas
Vale ressaltar que as chuteiras da Adidas para a Copa do Mundo fazem parte de uma nova linha chamada “Road to Glory”, anunciada no início do torneio, e que ainda está chegando às lojas.
Chuteira Adidas da linha “Road to Glory” especial para a Copa do Mundo 2026
Divulgação
Os modelos são os mesmos que os já disponíveis nas lojas da internet, só que em edição especial.
Atletas patrocinados pela Adidas
Adidas F50 Elite
Adidas F50 LL
Adidas Predator Elite
New Balance
Chuteira New Balance para a Copa do Mundo 2026
Divulgação
Atleta patrocinado pela New Balance
New Balance Tekela “Pure Ambition”
Nike
Chuteira Nike para a Copa do Mundo 2026
Divulgação
Atletas patrocinados pela Nike
Nike Mercurial Vapor 17 Elite
Nike Phantom 6 Elite Low
Nike Tiempo Maestro Elite
Puma
Chuteira Puma para a Copa do Mundo 2026
Divulgação
Atletas patrocinados pela Puma
Puma Future 9 Ultimate
Puma Ultra 6 Ultimate
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Na Copa do Mundo, não grite “gol” com atraso

Copa do Mundo 2026: empresa é obrigada a liberar funcionários para ver jogos? Entenda

Vai ter folga nos jogos do Brasil? O que diz a lei trabalhista
O primeiro jogo do Brasil em dia útil acontece nesta sexta-feira (19), e empresas de todo o país já se prepararam para mudanças na rotina de trabalho durante os jogos.
As partidas da seleção reacendem dúvidas frequentes entre trabalhadores e empregadores: empresas são obrigadas a liberar funcionários? É permitido assistir aos jogos durante o expediente? As horas podem ser compensadas?
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Além do jogo de hoje, o Brasil fará mais um jogo da fase de grupos em dia útil, mas ambos são à noite, no horário de Brasília. Caso a seleção avance no torneio, novas partidas podem voltar a coincidir com o horário de trabalho.
Embora seja comum que empresas flexibilizem horários ou reduzam o expediente durante a Copa, a legislação trabalhista não prevê folga obrigatória em dias de jogo. (veja abaixo como funciona)
Uma pesquisa da Catho, realizada com 420 empresas, mostra que apenas 5% pretendem manter o expediente normal durante os jogos da seleção brasileira. A maioria afirma que deve adotar algum tipo de flexibilização para os colaboradores.
Segundo o levantamento, 76% das empresas dizem que a Copa impacta, ao menos em parte, a rotina corporativa.
Além disso, 60% afirmam que os jogos coincidem com o horário de trabalho — cenário que tende a afetar principalmente setores com operação noturna, como supermercados, shoppings, padarias, varejo, alimentação e prestação de serviços.
Entre as medidas mais adotadas, 26% das empresas afirmam que irão transmitir os jogos no próprio ambiente de trabalho, enquanto 24% pretendem liberar os funcionários antes das partidas.
Para Patricia Suzuki, diretora de RH da Redarbor Brasil, grupo responsável pela Catho, a tendência é que as empresas busquem equilibrar produtividade e experiência do colaborador durante eventos de grande interesse coletivo.
“Existe uma percepção maior das empresas de que flexibilizar a rotina em momentos específicos pode contribuir para engajamento, clima organizacional e até produtividade, principalmente em equipes que atuam em jornadas mais extensas ou no período noturno”, afirma.
A startup GetNinjas já está enfeitada para a Copa do Mundo; funcionários verão jogos em telão
Marcelo Brandt/G1
Folga durante a Copa é obrigatória?
Apesar da tradição em anos de Mundial, dias de jogo da seleção brasileira não são feriados. A legislação trabalhista não prevê nenhuma regra específica para a Copa do Mundo e, por isso, a jornada normal de trabalho continua valendo.
Na prática, isso significa que a empresa não é obrigada a liberar funcionários, reduzir expediente ou flexibilizar horários por causa dos jogos. Quando a liberação ocorre, a decisão parte exclusivamente do empregador.
Algumas empresas optam por liberar os funcionários sem desconto salarial, enquanto outras permitem que os trabalhadores assistam às partidas no próprio ambiente de trabalho. Há ainda empresas que mantêm o expediente normalmente.
Quando a dispensa ocorre sem desconto no salário, a folga é considerada remunerada. Em outros casos, as horas podem ser compensadas posteriormente.
O advogado trabalhista Marcel Zangiácomo, sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados, explica que a compensação pode ser exigida quando a empresa decide liberar parcial ou totalmente os funcionários durante o expediente.
Segundo ele, a compensação precisa ser previamente combinada e respeitar os limites previstos na legislação trabalhista.
“A compensação não pode ultrapassar duas horas extras por dia e o acordo precisa ser claro para evitar que o trabalhador seja surpreendido depois”, afirma.
De acordo com o advogado, a compensação pode ocorrer em até um ano, desde que seja firmado o tipo adequado de acordo — individual verbal, individual escrito ou coletivo, dependendo do caso.
Já a falta injustificada em dias de jogo continua sendo tratada como uma ausência comum. O trabalhador pode sofrer desconto salarial e até perder o descanso semanal remunerado.
Advertências e suspensões também podem ocorrer em casos de reincidência. Ainda assim, especialistas ressaltam que faltar apenas para assistir a uma partida, sem aviso ou negociação prévia, não configura motivo automático para justa causa.
Para profissionais que atuam em regime de escala ou em setores essenciais — como saúde, transporte, segurança e atendimento ao público — as regras tendem a ser mais rígidas.
Segundo Zangiácomo, atividades consideradas essenciais não podem ser interrompidas por causa dos jogos. “A empresa não pode comprometer atividades essenciais por causa da Copa. Por isso, é importante planejamento e diálogo para minimizar impactos”, diz.
Nesses casos, acordos individuais costumam ser mais frequentes, com avaliação das condições operacionais de cada equipe.
O advogado também alerta que assistir aos jogos sem autorização, mesmo dentro do ambiente de trabalho, pode ser interpretado como indisciplina.
“Se a empresa determinou que não haverá pausa, o empregado precisa cumprir a orientação. Caso contrário, pode sofrer advertência e até suspensão”, afirma.
Especialistas destacam que, diante da ausência de uma regra única, o diálogo entre empresa e trabalhador é a melhor alternativa para evitar conflitos e garantir segurança para ambos os lados.
Funcionários trabalham na startup GetNinjas, que enfeitou o ambiente de trabalho para os jogos da Copa do Mundo
Marcelo Brandt/G1

Churrasco, cerveja e torcida mais caros: veja a alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022

Alta da carne pesa no churrasco da Copa
O churrasco pode ficar mais salgado para a torcida brasileira este ano — e não apenas por causa da carne. Itens comuns em reuniões para torcer pelo Brasil em jogos da seleção acumulam um aumento superior ao da inflação, de cerca de 12%, registrada desde a última Copa do Mundo, em 2022.
Para encher a grelha, só a linguiça não ficou mais cara. O frango teve alta de 18%, o pão de alho, de 15%, e a carne bovina, de 9%.
Salsicha enlatada e petiscos tiveram as maiores variações desde a última Copa
via BBC
As bebidas também acompanham essa tendência: o preço da cerveja subiu 19% desde 2022, enquanto refrigerantes e sucos registraram aumentos ainda maiores, de 30% e 32%, respectivamente.
Itens mais populares seguiram a mesma variação. A salsicha enlatada teve alta de 26%; os petiscos, como chips, ficaram 21% mais caros; a pipoca de micro-ondas subiu 20%; os lanches prontos, 19%; e o amendoim, 17%.
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As estimativas foram feitas, a pedido da BBC News Brasil, pela Scanntech, empresa referência no setor varejista para compilar e analisar cupons fiscais emitidos por mercados de pequeno, médio e grande porte em todo o país.
Os valores podem variar por diversos fatores, desde a localização e a rede de supermercado escolhida pelo consumidor até a marca dos produtos e, no caso da carne bovina, o corte adquirido. Por isso, a empresa prefere não divulgar os preços médios de cada item.
Os aumentos percentuais são valores aproximados, calculados a partir de uma base de cupons fiscais que, segundo a Scanntech, contempla as emissões de três em cada quatro estabelecimentos do setor.
Sucos e refrigerante tiveram as maiores variações desde a última Copa
via BBC
Consumo não deve cair, mas cesta de compras deve mudar
Porta-voz e diretora de marketing da Scanntech, Priscila Ariani diz não acreditar que o consumo voltado para a Copa vá cair por causa da alta dos preços.
Pelo contrário: desta vez, a maioria dos jogos acontece à noite para os brasileiros, o que pode intensificar os encontros e facilitar a participação de quem normalmente não consegue deixar o trabalho para acompanhar uma partida realizada no meio da tarde, por exemplo.
Mas a cesta média de compras para uma reunião diante da televisão deve mudar, acrescenta ela. Segundo as estimativas da Scanntech, que fornece aos supermercados dados de inteligência para impulsionar o faturamento, a expectativa do setor é que as churrasqueiras tenham mais frango do que carne bovina.
Isso se deve a vários fatores. O primeiro, afirma a executiva, é que, embora o frango tenha registrado uma alta média de preços superior à da carne bovina, ele ainda custa muito menos e, diante do endividamento e da perda do poder de compra das famílias, tende a ter maior procura.
Mas há também razões que vão além do preço. Entre elas está o fato de o frango ser menos gorduroso.
A característica, diz Ariani, agrada tanto quem busca fontes de proteína consideradas mais saudáveis quanto pessoas em tratamento com canetas emagrecedoras, conhecidas por provocar enjoos quando o paciente consome cortes gordurosos — em geral bovinos, mesmo os nobres, devido à gordura intramuscular.
“O consumo mudou muito ao longo desses quatro anos, a gente teve crescimentos exponenciais da vertente de saúde. A proteína é a vedete da vez, né? Só se fala em proteína”, ela diz.
Essa preocupação com hábitos saudáveis pode parecer paradoxal quando se fala de uma cesta de compras voltada à socialização, reconhece a executiva.
Ainda assim, ela afirma que é possível manter produtos associados à celebração sem abandonar os cuidados com a alimentação.
Nesse contexto, a Scanntech observa, por exemplo, um aumento no consumo de cervejas light, que costumam ter preço mais elevado, mas ao mesmo tempo são ingeridas em menor quantidade.
O que explica a alta dos preços
Para André Braz, coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em política monetária e inflação, é difícil explicar de forma generalizada o aumento dos valores desses produtos.
Diversos fatores influenciam a formação dos preços, explica ele. O primeiro é a própria demanda. Quando a procura aumenta, como costuma ocorrer às vésperas e durante grandes torneios esportivos, os valores tendem a subir.
O diagnóstico é reforçado por um estudo da Scanntech, que registrou vendas, em média, 24% maiores nos dias que antecederam jogos da Copa de 2022 e de competições disputadas no ano passado, como o Mundial de Clubes, a Copa Intercontinental e a Libertadores.
Mas há fatores que vão além da demanda, especialmente no mercado de carne bovina, que enfrenta uma restrição de oferta ao mesmo tempo em que as exportações seguem aquecidas, diz o economista.
O Brasil bateu recorde de exportações de carne bovina in natura no ano passado, mesmo com as sobretaxas impostas pelo presidente americano Donald Trump.
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Foram 3,50 milhões de toneladas embarcadas, alta de 20,9% em relação a 2024, e US$ 18,03 bilhões movimentados, o equivalente a cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que compilou os dados com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Mas o especialista afirma que existe, sim, um elemento comum a todos esses produtos e que contribui para encarecer quase tudo nas prateleiras dos supermercados: a logística.
“O setor de bebidas, por exemplo, enfrenta custos importantes relacionados a embalagens, logística e distribuição. Insumos como alumínio, vidro, plástico e transporte têm peso significativo na formação dos preços e podem pressionar reajustes acima da inflação média”, ele diz.
A alta dos preços no mercado desde a última Copa do Mundo, em 2022
via BBC

Petróleo recupera perdas iniciais após encontro entre EUA e Irã ser cancelado

Imagem de drone mostra o petroleiro Agios Fanourios I, com bandeira de Malta, que navegou pelo Estreito de Ormuz e chegou às águas territoriais do Iraque, próximo a Basra, Iraque, em 17 de abril de 2026.
REUTERS/Mohammed Aty/Foto de Arquivo
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta sexta-feira (19) depois que as negociações previstas entre Estados Unidos e Irã, que ocorreriam na Suíça, foram canceladas. A interrupção das conversas aumentou a cautela dos investidores em relação à implementação do acordo de paz firmado nesta semana entre os dois países.
Os valores oscilaram após os Estados Unidos e o Irã assinarem um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros. O petróleo Brent, referência internacional, passou a maior parte do dia em baixa, antes de fechar em alta de 0,4%, a US$ 79,85 o barril. O petróleo bruto de referência dos EUA caiu 0,2%, para US$ 75,85 o barril.
No início da manhã de sexta-feira, o petróleo Brent estava em queda de 0,2%, cotado a US$ 79,68 por barril. O petróleo bruto de referência dos EUA subiu 0,1%, para US$ 75,91 por barril.
Os preços do petróleo bruto ainda estão acima de aproximadamente US$ 70 por barril, valor registrado antes da guerra, mas estão bem abaixo dos mais de US$ 100 de algumas semanas atrás.
A mudança de rumo ocorreu após o vice-presidente dos EUA, JD Vance, cancelar a viagem que faria à Suíça para se reunir com representantes iranianos. O Ministério das Relações Exteriores suíço confirmou que as conversas previstas para esta sexta não acontecerão.
Apesar da alta do dia, o petróleo ainda caminha para encerrar a semana em baixa. Os preços vinham sendo pressionados pela perspectiva de normalização do fluxo de petróleo no Oriente Médio após o acordo que encerrou quase quatro meses de conflito entre EUA e Irã.
Depois de assinatura de acordo preliminar entre EUA e Irã, Israel posta mapa com ocupação militar no Líbano
No Oriente Médio, petroleiros começaram a atravessar novamente o Estreito de Ormuz depois que os Estados Unidos suspenderam o bloqueio ao Irã na quinta-feira (18). A retomada da circulação pela rota, responsável por uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo, é vista como um fator que pode ampliar a oferta da commodity nos mercados internacionais.
Analistas da RBC Capital Markets afirmaram, porém, que ainda existem dúvidas sobre a durabilidade do acordo. Em relatório, a instituição avaliou que a reabertura de Ormuz pode ocorrer de forma gradual, semelhante ao observado no Mar Vermelho após o acordo firmado com os houthis em 2025, quando o tráfego marítimo continuou abaixo dos níveis registrados antes da crise.
Bolsas recuam na Ásia
Os mercados acionários asiáticos fecharam em queda nesta sexta-feira, em movimento de realização de lucros após fortes altas recentes.
No Japão, o índice Nikkei caiu 0,6%, depois de ter atingido um novo recorde intradiário pela quinta sessão consecutiva. Na Coreia do Sul, a bolsa recuou 1,8%, embora ainda acumule valorização de 9,5% na semana.
As bolsas da China continental e de Hong Kong permaneceram fechadas devido ao feriado do Festival do Barco do Dragão. Em Taiwan, os mercados também não operaram.
Operadores de câmbio observam monitores na sala de negociações de moedas estrangeiras na sede do Hana Bank em Seul, Coreia do Sul.
Ahn Young-joon / AP
Dólar ganha força
O dólar avançou frente às principais moedas globais após o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sinalizar uma postura mais rígida em relação aos juros.
O índice que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de divisas subia e caminhava para encerrar a semana com alta de 1,3%. O movimento ocorreu após integrantes do Fed indicarem a possibilidade de novas elevações dos juros ao longo do ano.
Entenda como a perda de valor do dólar pelo mundo tem impacto no Brasil
Jornal Nacional/ Reprodução
A valorização do dólar pressionou os metais preciosos. O ouro caiu 1,9%, enquanto a prata recuou 3,6%.
Nos mercados de renda fixa, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano oscilaram após investidores avaliarem os efeitos da política monetária dos EUA e o impacto da queda recente dos preços do petróleo sobre a inflação.
*Com informações da Reuters.

Como era o 'Nokia tijolão', celular mais popular do país na última vez que o Brasil ganhou a Copa

Nokia 3310
Kevin Steinhardt/Flickr
Se hoje milhões de pessoas usam o celular para acompanhar a campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, na última vez em que o país levantou a taça, a realidade era bem diferente.
Em 2002, os celulares estavam ficando mais compactos e ganhavam mais recursos de jogos e música, mas ainda estavam muito distantes de modelos atuais como iPhone 17 e Galaxy S26.
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Na época, um dos celulares em alta no mundo era o Nokia 3310. Ele foi lançado no exterior em 2000, seguiu em alta no Brasil por anos e chegou a 126 milhões de unidades vendidas, tornando-se um dos mais populares da história.
Com o tempo, o celular ganhou o apelido de “Nokia tijolão” por conta de sua capacidade de continuar funcionando mesmo após inúmeras quedas.
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O aparelho também ficou famoso pelo “Snake”, o jogo da cobrinha, que fazia pessoas ficarem horas vidradas na tela monocromática de 1,5 polegada. O controle era feito pelas teclas numéricas, que serviam para digitar números em ligações e escrever mensagens.
E enquanto o antigo modelo tinha armazenamento de 1 kb, a capacidade dos celulares mais novos é centenas de milhões de vezes maior, considerando o espaço de 256 GB.
Windows XP, ICQ e mais: como era a tecnologia quando o Brasil ganhou a Copa pela última vez
O Nokia 3310 era vendido por R$ 429 em novembro de 2002, de acordo com anúncios da época. Mas clientes poderiam conseguir um desconto e comprá-lo por R$ 189 se optassem por determinados planos de operadoras.
Hoje, o celular custaria R$ 1.690, no preço cheio, e R$ 744, na promoção. Os cálculos levam em conta o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até maio de 2026 e seguem a calculadora do Banco Central.
Celular Nokia 3310 é relançado na Finlândia por 49 euros(
Emilio Morenatti / AP Photo
O sucesso do Nokia 3310 foi tão grande que, em 2017, a HMD Global, que assumiu o controle da marca, relançou o aparelho.
A nova geração foi lançada por 49 euros (cerca de R$ 290, na cotação atual). O aparelho ficou mais leve e mais fino que o original, mas manteve uma bateria que durava muito e o jogo da cobrinha.
Com o avanço da tecnologia, o Nokia 3310 repaginado ganhou uma câmera de 2 megapixels, porta para fones de ouvido e suporte para cartão de memória de até 32 GB. Ele só consegue se conectar à rede 2G e tem recursos limitados para navegação na internet.
Confira a ficha técnica do Nokia 3310 original, segundo o GSMArena:
Tela monocromática de 1,5 polegada com espaço para até cinco linhas de texto;
Bateria removível de 900 mAh;
4 jogos (Snake, Pairs, Space Impact e Bantumi)
Suporte a SMS;
Recursos como digitação preditiva, mensagens inteligentes, discagem por voz, calculadora, conversor de moedas;
Registros de chamadas (até 8 efetuadas, 8 recebidas e 8 não atendidas);
Protetores de tela e mensagens de boas-vindas;
Tamanho de fonte dinâmico.
Ronaldo durante a Copa do Mundo de 2002
Reprodução/TV Globo
SpaceX leva à bolsa de valores uma aposta que vai além dos foguetes

Tarifaço de Trump: maior associação de pescados dos EUA defenderá produto brasileiro em audiência

Tilápia Morada Nova de Minas
Diego Vargas/Seapa MG
Assim como o café solúvel, os pescados brasileiros serão defendidos contra as novas tarifas propostas por Donald Trump, durante uma audiência pública nos EUA, no próximo dia 6. Caso as novas taxas sejam aplicadas, o setor pode ser tarifado em 37,5% nos Estados Unidos.
A defesa do produto nacional será feita pela maior associação de pescados dos EUA, a National Fisheries Institute (NFI), conta Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca).
Segundo ele, a apresentação deve repetir, em grande parte, os pontos levados ao governo americano no ano passado, quando o setor enfrentou tarifas de 50%.
“O nosso argumento central é que o Brasil não compete com os americanos, pois exporta produtos que os EUA não produzem internamente. O principal exemplo é a tilápia. Nesse setor, nós somos um fornecedor de segurança para os EUA, pois eles dependem muito da China”, destaca.
➡️ Contexto: em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre desmatamento ilegal, pirataria e PIX. No dia seguinte, anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falha no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil.
Lobo acrescenta que a defesa também destacará os protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais adotados pelo Brasil. “Vamos enfatizar que o país cumpre rigorosamente as normas internacionais e que não há trabalho infantil ou escravo na nossa produção”, afirma.
“Além disso, diferentemente da pesca industrial em larga escala, nossa produção é predominantemente artesanal, realizada por pequenas embarcações familiares, o que resulta em baixo impacto ambiental”, diz.
O g1 procurou a National Fisheries Institute para saber mais detalhes sobre a defesa, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.
Em depoimento ao Escritório de Comércio dos EUA (USTR) no dia 5 de maio, o diretor jurídico da entidade, Bob DeHaan, pediu ao governo Trump que não taxasse a importação de pescados. Na ocasião, ele disse que a medida, caso adotada, vai pressionar a inflação aos consumidores americanos.
“Os estoques pesqueiros dos EUA já são explorados em seu limite sustentável e, por questões climáticas e geográficas, muitas vezes não há substitutos produzidos no próprio país. Por isso, os fornecedores americanos precisam recorrer ao mercado internacional”, disse DeHaan, segundo nota publicada pela NFI.
O presidente da Abipesca reforça que o Brasil não é o principal fornecedor de pescados para os Estados Unidos. A liderança desse mercado é ocupada pela China.
Atualmente, os produtos brasileiros respondem por cerca de 5% de todas as importações americanas de pescado. Nos últimos anos, porém, importadores dos EUA vinham ampliando as compras do Brasil na tentativa de reduzir a dependência dos fornecedores chineses, diz Lobo.
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Pescado como moeda de troca
Questionado sobre por que os pescados ficaram de fora da lista de isenções do tarifaço, Lobo acredita que o produto é apenas mais um entre os itens brasileiros usados pelos EUA como moeda de troca em outras negociações.
“Toda a negociação precisa ter uma moeda de troca. Como o pescado tem o menor valor financeiro em volumes comercializados com os EUA quando comparado a outras proteínas, ele acabou sendo usado”, comenta Lobo.
Ao contrário dos pescados, a carne bovina brasileira tem sido alvo frequente de críticas por parte de Trump, que chegou a acusar o setor de usar trabalho forçado na produção. Ainda assim, o produto foi incluído na lista de isenções das duas novas tarifas.
Trump acusa Brasil de trabalho forçado na pecuária, mas isenta carne bovina de nova tarifa
Setor busca outros mercados
A indústria brasileira de pescados depende muito do mercado americano. Segundo a Abipesca, 90% de toda a tilápia exportada pelo Brasil vão para os EUA. Considerando todas as espécies, o mercado americano absorve cerca de metade das exportações brasileiras.
“Estamos apreensivos, mas o setor amadureceu muito depois de tudo o que passou. Estamos lutando bastante para não diminuir produção, nem perder postos de trabalho”, diz Lobo. Após o susto em 2025, o setor intensificou a busca por novos clientes.
Houve abertura de mercados em países asiáticos, como Singapura e Taiwan, além da Austrália, na Oceania. No Oriente Médio, o Brasil passou a exportar para os Emirados Árabes Unidos e o Catar. Paralelamente, ampliou de forma significativa suas vendas para a China, que passou a absorver uma parcela importante da produção brasileira.
Apesar dos avanços, os novos mercados ainda não compensaram a queda nas exportações para os Estados Unidos.
“Não compensou porque é o início de um trabalho. É muito difícil você substituir em um ano ou dois o maior mercado consumidor de pescados do mundo”, ressalta.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 370 milhões para os Estados Unidos em pescados, cerca de US$ 100 milhões a menos do que em 2024. Para este ano, a expectativa era alcançar US$ 500 milhões em vendas, mas a ameaça de novas tarifas deve frustrar essa expectativa.
Setores antecipam exportações de olho em novo tarifaço dos EUA que começa em julho

Vai decorar o carro para a Copa do Mundo? Veja o que pode render multa

Empresário faz plotagem gigante de Neymar em carro para a Copa
Reprodução/acervo pessoal
A Seleção Brasileira de futebol enfrenta o Haiti nesta sexta-feira (19) pela Copa do Mundo, e a empolgação da torcida se reflete nas ruas. Bandeiras, adesivos e enfeites em verde, amarelo e azul se espalham pelos automóveis em circulação.
No entanto, motoristas precisam ter atenção às regras estabelecidas pela legislação para evitar multas e problemas na fiscalização. Uma portaria recente da Prefeitura de São Paulo liberou o uso de decorações alusivas ao torneio para táxis, vans e veículos de transporte por aplicativo, mas condutores particulares devem seguir limites técnicos rígidos de segurança.
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Segundo o advogado e ex-secretário de transportes de Porto Alegre (RS), Marcelo Soletti, esse tipo de liberação municipal é uma prática comum em grandes capitais durante períodos festivos ou grandes eventos esportivos.
Como os serviços de táxi e transporte por aplicativo são regulados pelos municípios, as prefeituras possuem autonomia para flexibilizar temporariamente as exigências estéticas e permitir o clima de celebração na frota pública local.
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Para o motorista comum, o principal critério a ser observado é a manutenção da visibilidade e da segurança viária. A advogada Daniela Poli Vlavianos, sócia do Poli Advogados e Associados, explica que o Código de Trânsito Brasileiro permite a customização estética desde que ela não interfira nos componentes essenciais de dirigibilidade.
Qualquer adereço posicionado de forma a obstruir a visão dos retrovisores pode resultar em punição administrativa para o condutor do veículo.
“Também são problemáticas as adaptações que interfiram no funcionamento de equipamentos obrigatórios, como cintos de segurança, encostos de cabeça e sistemas de retenção”, diz a advogada.
O uso de adesivos nos vidros é um dos pontos que mais demandam atenção técnica. O advogado Marcos Poliszezuk, sócio fundador do Poliszezuk Advogados, ressalta que os enfeites não podem “desviar a visão do motorista durante o ato de dirigir” nem dificultar a identificação do veículo.
Pietra Valentina envelopou o carro com as cores da bandeira do Brasil para a Copa do Mundo
Arquivo Pessoal
O descumprimento dos requisitos de segurança estipulados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) gera o enquadramento no artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), configurando uma infração grave.
A avaliação técnica dessa transparência nos vidros é regida por normas específicas federais. Marcelo Soletti detalha que uma resolução do Contran estipula limites para a chamada transmitância luminosa, estabelecendo que a visibilidade nos vidros essenciais do automóvel não pode ficar abaixo de 70%.
Caso a fiscalização identifique que um adesivo comemorativo reduziu a transparência além do limite permitido ou bloqueou o campo de visão frontal e lateral do motorista, a penalidade prevista é uma multa no valor de R$ 195,23, a perda de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a retenção do veículo até a retirada do material irregular.
Mudança de cor do carro
A mesma penalidade de caráter grave é aplicada para quem exagera no tamanho das colagens sobre a lataria do carro.
De acordo com outra resolução do Contran, modificações que alterem mais de 50% da cor predominante original da carroceria sem a devida atualização do registro de trânsito deixam o veículo em situação irregular.
“Quando a adesivação modifica a cor predominante do veículo em mais de 50%, ocorre uma alteração de característica sujeita à atualização do registro junto ao órgão de trânsito”, explica Daniela Poli Vlavianos.
Ela destaca que a regra abrange tanto adesivos permanentes quanto envelopamentos temporários.
Carros circulam pela capital paulista com bandeiras do Brasil
André Fogaça/g1
A fixação de bandeiras externas e mastros também é monitorada pelos agentes públicos. Poliszezuk pondera que pequenas bandeiras fixadas de maneira adequada costumam ser toleradas, mas estruturas maiores ou suportes improvisados, que balancem ou tenham risco de desprendimento, representam risco à segurança viária e aos pedestres.
“Uma bandeira presa em mastro, por exemplo, pode ser considerada irregular se houver risco de desprendimento ou se comprometer a estabilidade e a segurança do veículo”, diz o advogado.
Além disso, as decorações externas não podem ocultar as placas de identificação ou os dispositivos de iluminação obrigatórios do automóvel, sob risco de autuação e retenção do veículo até que a situação seja totalmente regularizada pelo proprietário.
Gritar e buzinar
O comportamento dos passageiros e o barulho excessivo durante as comemorações nas vias públicas são outros focos de atenção jurídica. Daniela Poli Vlavianos alerta sobre os riscos associados à conduta de torcedores mais entusiasmados em colocar partes do corpo para fora do automóvel em movimento.
Segundo a especialista, colocar a cabeça, os braços ou o tronco para fora do veículo em movimento aumenta significativamente o risco de acidentes e lesões graves, o que gera responsabilização direta para o condutor por transporte de passageiros em condições inseguras e pode acarretar desdobramentos de responsabilidade civil e criminal em caso de acidentes.
Marcelo Soletti reforça que o CTB proíbe o transporte de pessoas em partes externas do veículo e a projeção de partes do corpo para fora do automóvel em movimento.
Em relação ao uso de buzinas e equipamentos de som em volume muito alto, Soletti menciona que, embora os agentes de trânsito costumem avaliar o contexto festivo e a plausibilidade do momento, o abuso próximo a escolas, hospitais ou após as 22h resulta em tolerância zero por violar o sossego público.
O som excessivo atrai a aplicação de penalidades ambientais e municipais baseadas nas leis paulistanas do silêncio.

Petróleo, inflação e bolsas: os estragos econômicos deixados pela guerra entre EUA e Irã

Trump e presidente do Irã assinam acordo de paz, que já está em vigor
O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã encerra um conflito de quase quatro meses no Oriente Médio. Independentemente das motivações questionáveis do presidente americano, Donald Trump, fato é que a guerra prejudicou a economia global.
A interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz provocou uma série de problemas. O preço da commodity disparou, os combustíveis e seus derivados pressionaram a inflação em vários países, e as perspectivas futuras para a economia se deterioraram.
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Resultado é que os preços subiram para o consumidor, enquanto o mercado financeiro acumulou perdas com a revisão das estratégias de investimento. Nesse cenário, as bolsas de valores caíram e o dólar se fortaleceu.
Agora, com o fim do conflito, economistas tentam estimar quando a economia dará sinais de normalização. O g1 listou os principais efeitos da guerra sobre a economia e as possíveis saídas para a recuperação.
Veja nesta reportagem os principais impactos em:
Alta nos preços do petróleo e de combustíveis
Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump
Os efeitos no Brasil
Impactos no mercado financeiro
Piora nas projeções de crescimento da economia global
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala durante cerimônia no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., em 10 de junho de 2026.
Ken Cedeno/AFP
Alta nos preços do petróleo e de combustíveis
O conflito foi marcado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e 25% do gás natural comercializados no mundo. Após o início dos ataques, o preço do barril quase dobrou, passando de cerca de US$ 70 para quase US$ 120.
Analistas chegaram a classificar o episódio como o maior choque petrolífero já registrado, superando as crises de 1973, 1979 e 2022. Para ampliar a oferta da commodity e conter o disparo dos preços, a Agência Internacional de Energia (IEA) realizou a maior liberação emergencial de estoques de sua história.
Ainda assim, a alta do petróleo não foi amortecida o suficiente e pressionou a inflação em diversos países. O impacto atingiu primeiro os combustíveis e seus derivados e, em seguida, se espalhou pelos transportes, pela indústria e até pela produção agrícola:
Fertilizantes ficaram mais caros, com a ureia acumulando alta de cerca de 60%.
O aumento do combustível de aviação contribuiu para o cancelamento de milhares de voos.
Fretes marítimos e rodoviários subiram, encarecendo alimentos e bens de consumo.
🛢️ Com o anúncio do acordo de paz nesta semana, o mercado começou a se estabilizar. Nesta quinta-feira (18), o petróleo Brent recuou para US$ 78,33 por barril, aliviando parte das pressões sobre a inflação. No início da manhã de sexta-feira, o petróleo Brent estava cotado a US$ 79,68 por barril, após cancelamento do encontro na Suíça. Ainda assim, está quase US$ 10 mais caro que antes do início do conflito.
Alta na inflação dos EUA e queda na popularidade de Trump
O presidente americano iniciou o segundo mandato prometendo reduzir o custo de vida. Mas, também nos EUA, a alta do petróleo elevou o preço dos combustíveis — um dos itens mais sensíveis para o eleitorado de Trump.
O preço médio do galão de gasolina nos EUA saltou de cerca de US$ 2,98 para mais de US$ 4.
Em maio, a inflação ao consumidor chegou a 4,2% no acumulado em 12 meses, o maior patamar em três anos. O índice se afastou ainda mais da meta de 2% do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Como o Fed utiliza os juros para controlar a inflação, a instituição manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano na reunião de quarta-feira (17), adiando ainda mais a esperada redução nos EUA.
Esse baque econômico provocou uma queda ainda mais acentuada na aprovação de Trump.
Em 2025, a aprovação de Donald Trump havia recuado de 42% em abril para 40% em julho, em meio aos efeitos do tarifaço imposto aos parceiros comerciais dos EUA.
Com a guerra e uma nova aceleração da inflação, sua popularidade atingiu o pior nível do segundo mandato em abril deste ano, chegando a 34% de aprovação.
Pesquisas da Reuters/Ipsos mostraram que 63% dos americanos desaprovavam o governo, enquanto apenas 36% o aprovavam. Na área econômica, a aprovação era ainda menor, de 27%, o pior resultado da série histórica do instituto.
🛢️ O recuo dos preços da gasolina nas últimas semanas trouxe uma melhora modesta. A aprovação da atuação de Trump no combate ao custo de vida subiu de 22% para 24%, mas o presidente segue bem abaixo dos níveis registrados no início do mandato.
Veja mais na reportagem abaixo:
O que está por trás da crise de popularidade de Trump e quais os reflexos no mundo
Os efeitos no Brasil
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que os preços do diesel e da gasolina no Brasil chegaram a acumular altas de 23,6% e 8%, respectivamente, nos últimos meses — e não demorou até que o consumidor sentisse o efeito disso no bolso.
O governo chegou a anunciar um pacote de medidas para conter os preços dos combustíveis nas bombas, mas não conseguiu evitar os impactos sobre o custo do frete, por exemplo — o que gerou um efeito em cadeia e pressionou os preços de diversos itens da cesta de consumo.
➡️ O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, acumula alta de 3,20% no ano até maio. Em 12 meses, o índice avançou 4,72%, acima do teto da meta para 2026, de 4,5%.
Com a pressão sobre os preços e a incerteza provocada pela guerra nos últimos meses, as projeções do mercado financeiro para os juros também pioraram.
O Boletim Focus da última segunda-feira (15) mostra que os economistas do mercado esperam uma taxa Selic de 13,75% ao ano em 2026, um aumento de 0,25 ponto percentual (p.p.) em relação à semana anterior.
🔎 Isso significa que o mercado espera juros elevados por mais tempo, o que deve continuar encarecendo o crédito e pode limitar o consumo das famílias brasileiras.
Entre os principais setores da economia, os efeitos foram variados. De um lado, exportadores de petróleo se beneficiaram com a alta das cotações. Por outro, segmentos dependentes da commodity sentiram o impacto nos preços de derivados.
O resultado é uma pressão generalizada sobre a economia brasileira, com efeitos que vão do bolso do consumidor ao desempenho dos setores produtivos.
Veja os impactos da guerra pelo mundo
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Impactos no mercado financeiro
As incertezas sobre a duração do conflito e seus impactos na economia global também se refletiram nos mercados de câmbio e de ações ao redor do mundo.
Como costuma ocorrer, o início da guerra trouxe uma valorização do dólar. Isso acontece porque a moeda americana é vista como um dos ativos mais seguros do mundo e costuma ser a preferência dos investidores em momentos de incerteza, como forma de proteger suas aplicações.
No Brasil, o dólar atingiu o maior nível do ano em 13 de março, mês seguinte ao início do conflito, ao ser cotado a R$ 5,3142, impulsionado pela alta do petróleo. Nos meses seguintes, o cenário começou a mudar, à medida que as incertezas iniciais se dissiparam e o mercado passou a ter mais clareza sobre quais países e setores seriam mais impactados pela guerra.
Com isso, investidores reduziram suas posições em dólar e passaram a buscar ativos mais arriscados — movimento que favoreceu o real. No acumulado do ano até quarta-feira (17), a moeda americana registrava desvalorização de 6,94%.
O movimento foi semelhante nos mercados de ações: em um primeiro momento, investidores retiraram recursos de ativos mais arriscados e, depois, passaram a apostar em papéis que poderiam se beneficiar do novo cenário.
🔎 Vale destacar que outros fatores também influenciaram as cotações nos últimos meses, como o tarifaço imposto pelo governo Trump, a política fiscal brasileira, o noticiário corporativo e os dados econômicos do Brasil e dos Estados Unidos.
No acumulado do ano até a última quarta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, registrava alta de 4,38%.
Piora nas projeções de crescimento da economia global
Antes do conflito entre EUA e Irã, a previsão era de que o crescimento global desacelerasse apenas de forma moderada, com a inflação perdendo força e permitindo um ambiente econômico mais estável.
Com a escalada da guerra, porém, o cenário piorou. O aumento dos preços do petróleo e de outras matérias-primas elevou os custos de produção, transporte e energia em diversos países, alimentando a inflação e reduzindo ainda mais as perspectivas de crescimento.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento da economia mundial em 2026 de cerca de 3,3% para 3,1%, citando os impactos da guerra sobre os preços das commodities, as condições financeiras e a confiança dos investidores;
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passou a estimar uma desaceleração do crescimento global, de 3,4% em 2025 para 2,8% em 2026. A organização alertou que, caso a crise energética se prolongasse, a expansão global poderia cair para apenas 2,1%, nível associado a períodos de forte desaceleração econômica;
Países como Alemanha e França tiveram suas projeções reduzidas devido ao encarecimento da energia, que diminuiu o poder de compra das famílias e aumentou os custos das empresas.
Mesmo com a melhora recente, FMI e OCDE avaliam que a recuperação dependerá da manutenção da estabilidade no Oriente Médio e da normalização do abastecimento global de energia.