Quanto custa assistir à Copa do Mundo? Torcedores contam quanto estão gastando

Torcedores brasileiros reunidos na Times Square, em Nova York, antes da estreia da seleção contra Marrocos (1×1), em 13 de junho
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Para muitos torcedores, comparecer a uma Copa do Mundo é uma oportunidade única na vida, que não tem preço. Mas, se você calcular os custos da empreitada, é de fazer chorar.
💸 Ingressos para os jogos, voos, hotéis, o trajeto até os estádios, os custos de uma bebida durante o jogo… os custos vão se somando sem parar.
Poucos dias após o início do torneio, torcedores que se encontram no México, Canadá e nos Estados Unidos contaram à BBC o quanto já gastaram durante a Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino 2026.
Agora no g1
Norueguês nos EUA gasta R$ 20 mil por apenas um jogo
Morten Oftedal leva a sério a expressão “uma vez na vida”.
Norueguês que mora em Atlanta, no Estado americano na Georgia, ele sabe que esta seria provavelmente a única chance de levar seu pai, de 82 anos, para ver a seleção do seu país jogar na Copa do Mundo. Afinal, a Noruega se classificou para o torneio pela primeira vez desde 1998, na França.
“Sou um grande fã de futebol desde a infância, principalmente graças ao meu pai”, conta Oftedal à BBC. “Não posso dizer ‘não, vamos na próxima vez ou em outro lugar’. Por isso, estamos muito animados.”
O que não o animou muito foram os custos envolvidos.
Oftedal comprou três ingressos para ver a Noruega vencer o Iraque por 4×1 em Massachusetts por US$ 380 (cerca de R$ 1,9 mil) cada um.
As três passagens de ida e volta de avião entre Atlanta e Boston custaram, ao todo, 180 mil pontos do seu programa de fidelidade. Um único quarto de hotel por duas noites ultrapassou US$ 1,1 mil (R$ 5,6 mil). E o transporte até o estádio, ida e volta, custou US$ 80 (cerca de R$ 407) por pessoa.
Ao todo, Oftedal gastou cerca de US$ 4 mil (R$ 20,3 mil), entre dinheiro e pontos, para que ele, seu pai e sua esposa assistissem a uma partida. Ele descreve o valor como “insano”.
“Realmente não é para indivíduos, parece que é para a América corporativa”, declarou Oftedal, sobre o torneio de 2026.
Morten Oftedal gastou o equivalente a cerca de R$ 20 mil para levar seu pai de 82 anos e sua esposa para assistir ao jogo Noruega 4×1 Iraque, em Boston, nos Estados Unidos
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Diversas pessoas declararam à BBC que o custo de assistir ao torneio atingiu alguns milhares de dólares. Mas eles dizem que seu amor pelo futebol e as recordações que eles esperavam criar na ocasião os ajudaram a abrir a carteira.
“Paguei cerca de US$ 1,2 mil [R$ 6,1 mil] por ingresso, na categoria 2”, afirma o britânico Iain Bagwell, de 58 anos. Ele mora em Atlanta e viajou com seu filho de carro para ver Inglaterra x Croácia em Dallas, no Texas.
“Na época da compra, achei que fosse um assalto em plena luz do dia. Mas, vendo o que está acontecendo e a forma como a Fifa está tratando do assunto, provavelmente não foi um negócio tão ruim assim.”
Bagwell e seu filho acamparam ao longo da sua viagem para Dallas, por diversão e economia ao mesmo tempo. E, depois do jogo, eles irão de carro para Kansas City para verem Tunísia x Holanda, por US$ 235 (cerca de R$ 1,2 mil) por ingresso.
Muitos torcedores americanos estão acostumados com o alto custo dos eventos esportivos. O ingresso mais barato para ver o time de basquete New York Knicks nas recentes finais da NBA, no Madison Square Garden, custava cerca de US$ 3,5 mil (R$ 17,8 mil).
Mas os custos para assistir à Copa do Mundo de 2026 assustaram os torcedores de outros países.
Iain Bagwell (dir.) e seu filho
Iain Bagwell
Experiência ‘incrível’ — mas cada ingresso custa R$ 4,5 mil
Alisa e Admir Maric admitem que sua viagem para Toronto, no Canadá, foi cara. Mas valeu a pena.
Eles foram assistir à estreia da seleção do seu país, a Bósnia-Herzegóvina, contra o Canadá, um empate por 1×1 no segundo dia da Copa do Mundo.
“É uma sensação incrível, nunca pensei que, um dia, iria a um jogo da Copa do Mundo”, declarou Admir. “Sempre quis ter esta experiência.”
Eles escolheram os ingressos no “último minuto”, segundo Maric, pagando 1.250 dólares canadenses (US$ 890, ou cerca de R$ 4,5 mil) cada um, por assentos na terceira fila. O hotel custou cerca de US$ 600 (R$ 3 mil) por noite e os voos, US$ 1.150 (cerca de R$ 5,8 mil) por pessoa.
Ao todo, o custo da viagem foi de cerca de US$ 3,8 mil (R$ 19,3 mil).
Aaron Vieyra e sua parceira, no lado de fora do Estádio Azteca
Aaron Vieyra
As irmãs Aida e Emina Tucic, também torcedoras da Bósnia-Herzegóvina, não precisaram viajar tanto. Elas vieram da cidade de Hamilton, perto de Toronto.
Elas sabiam que queriam assistir à partida “no segundo” em que a Bósnia se classificou, conta Aida.
“Ficamos um pouco apreensivas porque os preços dos ingressos começaram a ficar, digamos, malucos”, ela conta.
As irmãs acompanharam os preços por algum tempo e compraram seus ingressos três dias antes do jogo. Elas gastaram 1,2 mil dólares canadenses (cerca de US$ 850, ou R$ 4,3 mil) cada entrada.
Emina tem algumas dicas para outros visitantes, como verificar as redes sociais locais em busca de sugestões de lugares mais baratos para comer na região.
Questionada se elas achavam o preço dos ingressos justo para a experiência, Aida respondeu “provavelmente, não”. Para ela, o futebol “deveria ser acessível para os torcedores”.
Mas ela destaca que “para mim, não tem preço”.
“É uma vez na vida”, declarou Emina. “Os dois países que você ama, um onde você cresceu e outro onde você nasceu. Ver os dois jogando no palco mundial é incrível”.
Um ingresso custa cerca de três meses de aluguel no México
Assistir a um jogo de rua improvisado nas laterais da Zona Rosa da Cidade do México, entre os transeuntes e os policiais, é talvez o mais próximo que alguns mexicanos irão chegar do esporte nesta Copa do Mundo.
Os preços dos ingressos para o jogo de abertura (México 2×0 África do Sul) estavam muito além das possibilidades da maioria dos habitantes de um país onde cerca de 30% da população vive na pobreza.
No lado de fora do Estádio Azteca, na última sexta-feira (11), os torcedores citavam diversos valores pagos pelos cobiçados ingressos.
Poucos pagaram menos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,6 mil) e alguns chegaram a gastar US$ 4 mil (R$ 20,3 mil) ou mais. Já alguns sortudos receberam ingressos grátis de presente ou em troca de trabalho.
“Paguei 30 mil pesos [US$ 1.750, cerca de R$ 8,9 mil] cada ingresso”, conta Aaron Vieyra, da torcida organizada da seleção mexicana Fúria Azteca.
Vieyra comprou os ingressos para ele e sua namorada por meio de um contato com boas relações. Ele destaca que um único ingresso valia cerca de três meses de aluguel para muitos moradores da Cidade do México.
Vieyra acompanhou a equipe mexicana nas Copas de 2014, no Brasil, e de 2018, na Rússia. Ele afirma que gastou mais em um jogo no México do que na soma das partidas assistidas por ele nos outros torneios.
“O jogo em si foi histórico e ficamos muito felizes por estar no Azteca para aquele momento”, ele conta. “Ainda sinto arrepios.”
Mas o dinheiro valeu a pena? “Valeu, mas por pouco”, responde ele, sem hesitar.
“Para nós, funcionou porque não precisei pagar por voos ou hotéis. Se precisássemos cobrir também estes custos, eu não conseguiria pagar todo esse dinheiro por um ingresso.”
A passagem de trem da Penn Station, em Nova York, até o Estádio NYNJ, palco da estreia do Brasil contra o Marrocos, custa US$ 98 (cerca de R$ 498). Normalmente, o preço é de US$ 12,90 (R$ 66).
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R$ 81 por uma cerveja no estádio de Nova Jersey
O preço dos alimentos e bebidas dentro dos estádios varia dependendo do local, mas eles parecem estar dentro da faixa que os torcedores e fãs de música costumam pagar nos estádios americanos.
Uma pesquisa do website The Athletic concluiu que os torcedores estão pagando US$ 16 (cerca de R$ 81) por uma cerveja americana (470 ml) no Estádio de Nova York-Nova Jersey (NYNJ), onde será realizada a final da Copa, e US$ 5 (R$ 25,40) por uma água (590 ml).
Mas, no Estádio Mercedes-Benz em Atlanta, por exemplo, você pagará apenas US$ 5 (cerca de R$ 25,40) por uma cerveja pequena (355 ml) e US$ 9 (R$ 45,80) pela grande (570 g). E a água (590 ml) custa US$ 3 (cerca de R$ 15,30).
Outros custos também foram inflacionados.
A passagem de trem da Penn Station, em Nova York, até o Estádio NYNJ para um jogo da Copa do Mundo custa US$ 98 (cerca de R$ 498). Normalmente, ela custa US$ 12,90 (R$ 66).
O aumento ocorreu para que os moradores locais não precisassem pagar pelo transporte dos torcedores, segundo a governadora de Nova Jersey, Mikie Sherrill. Ela também destacou que a Fifa não está colaborando com os custos de transporte, que atingem US$ 48 milhões (cerca de R$ 244 milhões).
Paralelamente, autoridades locais tentaram negociar com a Fifa para reduzir os custos para os torcedores comuns.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, negociou com a Fifa e garantiu 1 mil ingressos para moradores locais por US$ 50 (cerca de R$ 254), que podem ser comprados por meio de sorteio.
Já a província canadense de Ontario aprovou a Lei Torcedores em Primeiro Lugar, para reduzir os preços de revenda. E Dallas oferece transporte gratuito de e para o estádio local.
As manchetes sobre os preços dos ingressos vêm dominando o torneio, mas os torcedores que conversaram com a BBC permanecem entusiasmados com a Copa e afirmam que os gastos valeram a pena.
Oftedal, o torcedor norueguês, declarou que criar recordações com seu pai seria o mais importante e que a preocupação com o dinheiro “desaparece depois de algum tempo”.

A Copa do Mundo dos ultrarricos: pacote de R$ 20 milhões para a final, jatinho entre os estádios e encontro com jogadores

Granit Xhaka chega ao Aeroporto de Newcastle em um jato particular para assinar com o Sunderland AFC em 28 de julho de 2025, em Newcastle upon Tyne, Inglaterra.
Ian Horrocks/Sunderland AFC via Getty Images
Alguns dias atrás, a Knightsbridge Circle, que oferece serviços exclusivos de concierge para o público de altíssima renda, anunciou um pacote para a final da Copa do Mundo, em 19 de julho em Nova Jersey, nos Estados Unidos.
A oportunidade, descrita como “a primeira do tipo na história do torneio”, foi oferecida exclusivamente aos seus clientes convidados, que passam por uma avaliação antes de serem aceitos.
Ela incluía seis ingressos na primeira fileira, bem na linha de meio de campo, e acesso ao gramado durante a premiação, no momento em que a seleção campeã erguer a taça.
O preço total para seis pessoas: US$ 4 milhões (cerca de R$ 20 milhões).
“(O pacote) foi vendido para um de nossos membros menos de 24 horas depois de anunciado”, diz à BBC News Brasil o presidente da Knightsbridge Circle, Stuart McNeill.
A Knightsbridge Circle é uma entre várias empresas que estão oferecendo pacotes de luxo para os ultrarricos que desejam participar da Copa.
A atual edição é considerada inédita por, dentre outros motivos, ser disputada em três países — Estados Unidos, México e Canadá — e ter um número recorde de 48 seleções participantes. Serão ao todo 104 partidas em 16 cidades.
Para muitos torcedores ao redor do mundo que desejam acompanhar o Mundial de perto, o planejamento começou há meses e foi marcado por dificuldades, desde os altos preços dos ingressos e do transporte para alguns dos estádios até obstáculos para conseguir o visto americano.
Mas, para uma ínfima parcela dos visitantes, a experiência será bem diferente: eles devem chegar às cidades-sede de jatinho particular, deslocar-se aos estádios de helicóptero ou limusine e ter lugar garantido na área VIP, mesmo que tenham decidido fazer tudo isso de última hora.
“Trabalho com esse mercado (de luxo) há 22 anos, e a maior surpresa, para mim, é que nesta Copa, o dinheiro pode comprar praticamente qualquer coisa, o que é uma novidade (em comparação com as anteriores)”, diz McNeill.
Um Rolls Royce Phantom branco, limusine de quatro portas, vira na Collins Avenue, em South Beach, Miami, EUA.
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Ele e outros especialistas do segmento de alto luxo não revelam os nomes dos clientes interessados na Copa do Mundo. São celebridades, bilionários, fundadores de empresas, executivos do setor de tecnologia e atletas, entre outros, vindos de várias partes do mundo, inclusive do Brasil.
“Temos alguns clientes brasileiros”, diz McNeill, lembrando que a empresa tem uma equipe em Miami que fala português.
Quanto custa uma experiência de luxo?
Nem todos os pacotes de luxo para a Copa têm um preço milionário. Os valores dependem de vários fatores, como tipo de acesso, transporte, acomodação e número de noites.
Mas muitos dos roteiros sob medida oferecidos pela Knightsbridge Circle, por exemplo, “passam facilmente dos seis dígitos”.
Incluem desde os já citados jatinhos e helicópteros até atendimento VIP nos aeroportos, equipes de segurança e hospedagem em redes de hotéis de luxo, como Four Seasons, Aman e Rosewood.
Nicole Wallach, vice-presidente da divisão de lazer da Magma Global, empresa especializada em serviços de concierge de viagens de luxo, calcula que as opções mais em conta fiquem entre US$ 25 mil e US$ 75 mil (R$ 125 mil e R$ 375 mil) para um casal, incluindo hospedagem cinco estrelas, ingressos para uma partida, voo em classe executiva e transfer privativo.
Alguns clientes pagam bem mais do que isso, em itinerários de luxo que incluem vários dias e diversas cidades-sede. Há também quem decida emendar a Copa com viagens para outros locais.
“Tenho clientes que vão assistir a jogos em Los Angeles e depois pegar um voo para passar algumas noites no Havaí”, diz Wallach à BBC News Brasil.
Vista para o campo de jogo a partir de uma das suítes do Dallas Stadium em Arlington.
Tom Fox/The Dallas Morning News
Para o fim de semana da final, com hospedagem de luxo em Nova York, ela estima que os gastos podem ficar facilmente na casa dos seis dígitos.
Gina Gabbard, diretora de Estratégia da First in Service Travel, agência de Nova York que faz parte da rede global de turismo de luxo Virtuoso, diz à BBC News Brasil que as opções para os torcedores ultrarricos vão desde ingressos VIP e refeições preparadas por chefs durante o jogo até pacotes mais completos.
“Podem incluir hospedagem em hotéis de luxo, transporte privativo na cidade-sede, reservas em restaurantes sofisticados, passeios e outras atividades e, para alguns clientes, encontros exclusivos com os jogadores”, afirma Gabbard.
“Os ingressos VIP, dependendo da partida, podem custar a partir de US$ 5 mil [R$ 25 mil] por pessoa”, diz Gabbard.
“Pacotes começam em torno de US$ 50 mil dólares [R$ 250 mil] e podem chegar a várias centenas de milhares de dólares quando envolvem múltiplos jogos e cidades.”
Privacidade e acesso são o que importa
Segundo Wallach, para os clientes desse segmento, conveniência, privacidade e acesso são mais importantes do que o preço.
“São viajantes que costumam voar em jatos particulares e se hospedar nas suítes mais luxuosas”, diz.
“Eles viajam acompanhados de sua própria equipe e realmente esperam uma experiência altamente personalizada quando se trata de um evento dessa magnitude.”
Ela ressalta, porém, que nem todos os interessados em pacotes de luxo para a Copa viajam em jatinhos, e alguns vão de primeira classe ou executiva em voos comerciais.
Além disso, em determinadas partidas, é possível que haja mais procura do que disponibilidade de helicópteros para chegar aos estádios.
“Há um limite para o número de aeronaves e locais de desembarque disponíveis”, diz Wallach. Nesse caso, a solução é um carro de luxo com motorista particular.
De acordo com Wallach, esses torcedores querem mais do que apenas um ingresso VIP. “Nem todos querem sentar na primeira fila. Para muitos, a prioridade é a privacidade e o acesso a serviços exclusivos. Eles estão em busca de uma experiência VIP completa”, ressalta.
“Enquanto o torcedor comum perde tempo em filas, pagando por comida e bebida ao longo do dia, esses clientes costumam contar com entrada exclusiva e acesso a lounges privativos com alta gastronomia”.
Cofundador da Microsoft, o bilionário Bill Gates assistiu à estreia dos EUA na Copa do Mundo
Reuters
Wallach afirma que é equivocado pensar que esses viajantes estão simplesmente buscando a experiência mais cara. “O que eles querem é uma experiência sem atrito.”
Isso envolve, entre outros aspectos, não ter de enfrentar multidões nem se preocupar com nenhum detalhe da programação.
“Eles querem exclusividade, não querem ficar esperando pelos outros. É um verdadeiro tratamento de tapete vermelho, e eles estão dispostos a pagar por isso”, diz McNeill.
As equipes de apoio que costumam viajar com esses clientes podem incluir diversos profissionais, desde seguranças até chefs particulares.
“Em muitos casos, o consultor de viagens colabora diretamente com o assistente pessoal e outros membros da equipe do cliente para coordenar os arranjos”, destaca Gabbard.
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Decisões de última hora
Outro aspecto que diferencia esses viajantes dos torcedores comuns é a (pouca) antecedência no planejamento.
“Muitos vão assistir aos jogos acompanhados de suas famílias, outros vão aproveitar para recepcionar clientes”, diz Wallach.
“Eles valorizam seu tempo muito mais do que o dinheiro, e várias vezes tomam decisões de última hora.”
Segundo McNeill, o interesse de seus clientes na Copa foi tímido no início. “Para viajantes de fora dos Estados Unidos, havia uma real relutância em razão do cenário político”, afirma.
No entanto, a procura ganhou força nas últimas semanas, e a expectativa é de que aumente ainda mais à medida que as oitavas de final se aproximem e fique mais claro quais países vão avançar.
“Na verdade, está apenas começando para nós, porque os membros que atendemos costumam fechar os planos de última hora”, diz McNeill.
“Gostam de ver como está o desempenho de sua seleção [antes de decidir]. Por exemplo, se o Brasil chegar à semifinal ou à final, vão entrar em um avião e ir para onde quer que o jogo seja realizado.”
Entre os membros da Knightsbridge Circle, são comuns viagens bate-volta com duração de um ou dois dias, chegando na manhã do jogo ou na noite anterior e partindo no dia seguinte. Na semana seguinte, podem retornar para a próxima partida de sua seleção.
“Como muitos voam em jatinhos particulares, é conveniente e fácil para eles assistir a todos os jogos”, observa McNeill.
Wallach diz ter visto aumento na procura desde que o torneio começou. “Sinceramente, acho que é maior do que esperávamos.”
Segundo McNeill, além das partidas, há procura também por outras experiências exclusivas, como uma série de almoços organizados por sua empresa com ex-jogadores da Copa, que oferecem a oportunidade de conversar de perto com nomes consagrados do futebol mundial.
Em outras ocasiões, clientes que querem ver os craques de perto se comprometem com doações para instituições de caridade apoiadas pelo atleta. “Muitos dos jogadores são altamente engajados em causas beneficentes”, ressalta McNeill.
“Em seu dia de folga, podem concordar em receber alguns clientes no centro de treinamento. Nossos clientes fazem uma doação [a uma instituição], e talvez possam tirar fotos [com o atleta], bater uma bola ou algo do tipo.”
Para os interessados em acesso “superexclusivo” na final da Copa que perderam o pacote de US$ 4 milhões, McNeill lembra que há uma nova oportunidade, com dois assentos exclusivos na beira do gramado. Cada um vai custar “apenas” US$ 1,5 milhão de dólares (R$ 7,5 milhões).