Anatel reforça que disparo de alerta com mensagem 'misantropia' não foi emitido por autoridades

Moradores de vários estados do Brasil recebem falso alerta da Defesa Civil
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou nota, na manhã deste sábado (20), para reforçar que as mensagens de alerta extremo recebidas por usuários de telefonia móvel durante a madrugada não foram emitidas pelas autoridades responsáveis pelo sistema de avisos à população.
A nota da Anatel foi divulgada após a plataforma de envios Defesa Civil Alerta sofrer uma invasão e disparar notificações para celulares de pelo menos sete unidades da federação na madrugada deste sábado.
A mensagem de alerta falso disparada continha a palavra “misantropia”, que significa aversão ou rejeição à humanidade. Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, em razão da invasão, a plataforma de envios foi retirada do ar por volta da 1h30.
O próprio Ministério da Integração já havia informado que a mensagem foi disparada por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. A pasta disse que vai acionar a Polícia Federal para a investigação do episódio.
A Anatel coordena a integração entre o sistema de alertas e operadoras de celular.
Em nota, a Anatel explicou o funcionamento do sistema: os alertas encaminhados pelas operadoras de telefonia móvel, utilizando a tecnologia Cell Broadcast, são originados exclusivamente na plataforma da Defesa Civil. Segundo a Anatel, às operadoras cabe apenas a transmissão dos comunicados para as áreas geográficas previamente definidas pelas autoridades de segurança e proteção civil.
“A Agência reforça a relevância do sistema de alertas por Cell Broadcast, apto a cumprir seu propósito de apoiar as ações de prevenção e resposta a desastres, contribuindo para a proteção da população e a preservação de vidas”, afirmou a Anatel no comunicado.
A Defesa Civil já informou que está apurando o ocorrido e adotando as providências cabíveis para identificar as circunstâncias e a origem do disparo dos alertas durante a madrugada.
Alerta da Defesa Civil com a palavra “misantropia” tocou nos celulares dos moradores de Campo Grande.
Reprodução

Mega-Sena, concurso 3021: confira os números sorteados

G1 | Loterias – Mega-Sena 3021
O sorteio do concurso 3021 da Mega-Sena foi realizado na noite deste sábado (20), em São Paulo. Uma aposta acertou as seis dezenas e levou para casa R$ 39 milhões.
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Veja os números sorteados: 46 – 19 – 16 – 58 – 22 – 24
6 acertos – 1 aposta ganhadoras, R$ 39.427.096,38
5 acertos – 65 apostas ganhadoras, R$ 30.910,50.
4 acertos – 3.942 apostas ganhadoras, R$ 840,14.
Como funciona a Mega-Sena?
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Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1

Alerta extremo falso da Defesa Civil: veja o que se sabe e o que ainda falta esclarecer

Alerta extremo da Defesa Civil: o que se sabe sobre as mensagens falsas enviadas a celular
Um alerta sonoro classificado como extremo da Defesa Civil foi enviado a celulares de moradores de diversas cidades do Brasil entre a noite de sexta-feira (19) e a madrugada deste sábado (20).
As mensagens traziam a palavra “misantropia”, ou variações dela, e não estavam relacionadas a nenhuma situação real de risco. Em alguns locais, o aviso mencionava um suposto “ataque alienígena”.
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O episódio gerou surpresa e confusão nas redes sociais, já que o termo não tem relação com fenômenos climáticos ou situações de emergência.
Como os alertas falsos foram enviados?
Alerta da Defesa Civil enviado a moradores de Mato Grosso do Sul.
Reprodução
O Defesa Civil Alerta é uma plataforma usada para enviar avisos de emergência à população. O sistema utiliza uma tecnologia chamada Cell Broadcast, que permite encaminhar mensagens para celulares conectados à rede móvel em uma determinada área.
Os avisos aparecem em formato de pop-up, sobrepondo-se ao conteúdo exibido na tela do aparelho. Em situações de risco, também podem emitir sinais sonoros para chamar a atenção da população.
A suspeita da Defesa Civil Nacional é que a plataforma tenha sofrido uma invasão. Segundo o órgão, as mensagens foram disparadas remotamente por alguém sem autorização e podem ter sido resultado de um ataque hacker.
Além do alerta sonoro, moradores do Rio de Janeiro relataram ter recebido mensagens de texto com conteúdo incomum. Em um dos registros enviados ao g1, a mensagem atribuída à Defesa Civil dizia: “misantropo ADRESS RJ burros dms pprt”.
O texto, com erros de escrita e sem contexto, reforçou a suspeita de falha ou uso indevido do sistema. Já em Belo Horizonte, a mensagem dizia: “Proteja-se: ATAQUE ALIENÍGENA, HUMANOS CHEGAMOSmisantropo”.
O caso foi relatado por moradores de Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Campo Grande.
Mapa das regiões que receberam alertas da Defesa Civil Nacional
Gabriel Wesley Marques Santos/Arte g1
O que dizem as Defesas Civis?
Em nota, as Defesas Civis do Paraná, de São Paulo e do Rio de Janeiro afirmaram que não emitiram as mensagens e disseram que não havia qualquer situação de risco. Ao g1, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil de Mato Grosso do Sul (Cepedec-MS) informou que o caso está sendo investigado.
A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou, ainda na madrugada de sábado, que desabilitou temporariamente a ferramenta até que as autoridades federais esclareçam a situação do programa nacional Cell Broadcast.
A Defesa Civil Nacional informou que a plataforma Defesa Civil Alerta foi retirada do ar às 1h30 da madrugada de sábado após sofrer uma invasão.
“A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas”, afirmou. (leia a nota na íntegra ao final da reportagem).
Quem vai investigar?
Ainda no sábado (20), a Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar o disparo dos falsos alertas extremos. Segundo a corporação, o procedimento já está em curso.
🔎 Uma investigação preliminar é o conjunto de atos e diligências iniciais realizados antes ou de forma preparatória à instauração formal de um inquérito policial.
O Ministério da Integração informou que acionou a Polícia Federal para investigar o episódio. Segundo o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, “tudo indica” se tratar de um ataque hacker.
De acordo com ele, 10 alertas falsos foram disparados. Desses, nove foram enviados pelo sistema Cell Broadcast e um por SMS. Ainda não é possível estimar quantos celulares receberam as notificações.
Como funciona o Defesa Civil Alerta?
O Defesa Civil Alerta é um sistema público criado para enviar avisos emergenciais a celulares localizados em áreas de risco. Ele é usado em situações como chuvas intensas, enchentes, enxurradas, alagamentos, deslizamentos de terra, vendavais e outros eventos capazes de colocar a população em perigo.
A tecnologia por trás da ferramenta se chama Cell Broadcast. Diferentemente de mensagens SMS ou notificações de aplicativos, ela não envia o alerta para números cadastrados individualmente. O aviso é transmitido pelas antenas de telefonia para todos os aparelhos compatíveis conectados à rede móvel em uma determinada área.
Isso permite que a Defesa Civil envie mensagens para regiões específicas, delimitadas por critérios técnicos e geográficos.
Por esse motivo, o sistema não exige cadastro prévio, aplicativo instalado, pacote de dados ativo ou conexão à internet. O objetivo é alcançar rapidamente o maior número possível de pessoas em uma área sob risco.
‘Alerta extremo’ é o aviso mais grave
As notificações enviadas neste fim de semana fizeram parte da categoria “Alerta Extremo”, o nível mais grave do sistema, utilizado quando a Defesa Civil identifica ameaças com risco iminente à vida, exigindo que a população busque proteção imediatamente.
Essa não é a primeira vez que a categoria é acionada. A Anatel mantém um portal que permite acompanhar os alertas mais recentes enviados pelo sistema.
Entre os últimos classificados como “extremo” está um aviso emitido em 31 de maio de 2026 para moradores de Manaus (AM): “Deslizamento para Manaus. Afasta-se de encostas. Procure abrigo seguro”.
Dados da Anatel mostram que essa mesma classificação foi usada ao longo de 2025 em várias regiões do Brasil para alertas de alagamentos, tempestades com raios, deslizamentos de terra, queda de granizo, inundações e vendavais.
Além do alerta extremo, o sistema conta com o “Alerta Severo”, uma classificação de menor urgência. Nesses casos, a população tem mais tempo para adotar medidas de proteção, segundo a Defesa Civil.
O que é ‘misantropia’?
Segundo o dicionário Michaelis, misantropia é a qualidade de quem sente aversão, desconfiança ou rejeição à humanidade. A palavra também pode ser usada para descrever uma tendência ao isolamento social ou um estado de profunda tristeza e melancolia.
Na prática, uma pessoa considerada misantropa é aquela que evita o convívio social ou demonstra descrença em relação às outras pessoas. Isso não significa necessariamente que ela odeie todos ao seu redor, mas pode indicar dificuldade de conexão social ou uma visão pessimista sobre a natureza humana.
O que diz a Defesa Civil Nacional
“A plataforma de envio do Defesa Civil Alerta foi tirada do ar às 1h30 da madrugada deste sábado (20/6), após ter sofrido uma invasão e disparado um alerta para diversas regiões do país, ordenado remotamente por alguém alheio ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.
A mensagem disparada foi do tipo Alerta Extremo e continha a palavra “misantropia” — que significa ódio à humanidade. Provavelmente se trata de um ataque hacker.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional acionará a Polícia Federal e tomará as providências para religar o sistema o mais rapidamente possível, quando todas as condições de segurança forem restabelecidas.”
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Quer vender mais durante a Copa do Mundo? Veja o que funciona para bares, lojas e restaurantes

Quer faturar mais na Copa? Veja estratégias para atrair clientes durante o torneio
A Copa do Mundo não movimenta apenas torcedores. A competição também abre oportunidades para empresas e pequenos negócios aumentarem as vendas ao explorar as mudanças no comportamento dos consumidores durante os jogos.
Alguns setores chegam a registrar crescimento expressivo no faturamento. É o caso de bares e restaurantes, que podem ter alta de até 76% nas vendas durante o torneio, segundo levantamento da Data-Makers.
O motivo é simples: para muitos brasileiros, assistir aos jogos é uma atividade coletiva. O futebol se transforma em encontro, e o encontro gera consumo.
Como faturar mais durante a Copa
Para bares, restaurantes e estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar, a principal estratégia é transformar a transmissão dos jogos em uma experiência para o cliente.
Entre as ações mais utilizadas estão:
instalar telões e investir em som de qualidade
criar combos promocionais para os dias de jogo
desenvolver cardápios temáticos inspirados nas seleções
organizar entregas e pedidos antes do início das partidas
A ideia é atrair o consumidor antes do apito inicial e estimular o consumo ao longo de todo o jogo.
Quem prefere acompanhar as partidas no sofá também ajuda a impulsionar alguns setores.
Supermercados e lojas de conveniência costumam registrar aumento na procura por alimentos, petiscos e bebidas. Os chamados “kits torcida” ganham espaço e contribuem para elevar o ticket médio.
A Copa também impulsiona a venda de televisores, smartphones, móveis e produtos ligados ao evento, como camisetas, bandeiras e itens de decoração.
O melhor momento para vender
O horário da venda pode fazer toda a diferença durante a Copa.
Dados da Data-Makers indicam que o ticket médio pode crescer até 69,2% nas duas horas que antecedem as partidas. Depois do início dos jogos, porém, o consumo tende a cair, com redução que pode chegar a 61,3%.
Por isso, empresas que conseguem antecipar compras e reservas costumam ter melhores resultados.
Mas nem todos os segmentos são beneficiados.
Lojas de rua, parte do varejo físico e estabelecimentos localizados em shoppings podem enfrentar redução no fluxo de clientes durante os jogos, já que a atenção do consumidor fica concentrada nas partidas.
Para reduzir os impactos, especialistas recomendam:
oferecer descontos em horários alternativos
estimular compras antecipadas
vender vouchers ou créditos para consumo futuro
criar promoções válidas antes e depois dos jogos
Redes sociais viram oportunidade
Além da televisão, o celular deve ser um dos principais canais de atenção durante a Copa.
Segundo a Data-Makers, cerca de 86% dos brasileiros utilizam redes sociais enquanto assistem às partidas. Isso transforma plataformas como Instagram, TikTok e X em ferramentas importantes para divulgar ofertas e se conectar com o público em tempo real.
Publicações com comentários sobre os jogos, promoções relâmpago e conteúdos preparados com antecedência podem ajudar marcas a ganhar visibilidade e engajamento ao longo do torneio.
Mas atenção ao uso de símbolos da Copa. Empresas interessadas em aproveitar o clima do evento devem ter cautela com o uso de marcas oficiais.
Símbolos, logotipos e elementos protegidos pela Fifa não podem ser utilizados sem autorização. A recomendação é apostar em referências indiretas ao universo do futebol, como cores, torcida e expressões populares ligadas ao esporte.Forneça seus comentários sobre o BizChat
Copa do Mundo: gastrobar de futebol com drinks de Messi e CR7 fatura R$ 1,5 milhão em SP
Reprodução/PEGN

Quer começar a investir? Especialistas recomendam mudar a ordem das contas

Como investir se não sobra dinheiro?
Esperar sobrar dinheiro para começar a investir pode ser um erro comum. A recomendação é inverter a lógica: em vez de guardar o que resta no fim do mês, separar uma parcela da renda logo após receber o salário.
Uma das estratégias sugeridas é a chamada teoria dos três potes, que divide o orçamento entre gastos do dia a dia, reserva de segurança para emergências e investimentos voltados para objetivos futuros, como a compra da casa própria, viagens ou aposentadoria.
A regra de bolso mais conhecida prevê a destinação de 60% da renda para despesas correntes, 30% para segurança financeira e 10% para o futuro. Especialistas destacam, porém, que o mais importante é criar o hábito de investir regularmente, mesmo que o percentual inicial seja menor.
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Vítimas do trabalho forçado nazista ainda cobram reparação: 'Não compensou nem de longe os danos'

J10 Entrevista: antissemitismo e memória do holocausto
A fundação alemã Memória, Responsabilidade e Futuro (EVZ) completa, neste mês, 25 anos desde o início do pagamento de compensações aos últimos sobreviventes obrigados a trabalhar sob o regime nazista.
Mas há quem defenda que esses pagamentos deveriam ter começado muito antes, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e que também deveriam ter sido significativamente maiores.
Segundo a EVZ, € 4,4 bilhões (cerca de R$ 23,6 bilhões) foram pagos a 1,66 milhão de ex-trabalhadores forçados e seus sucessores legais, em cerca de cem países, entre 2001 e 2007, quando as últimas indenizações foram concluídas.
Estima-se que cerca de 26 milhões de pessoas tenham sido obrigadas a trabalhar para o regime nazista entre 1933 e 1945, aproximadamente metade delas em territórios ocupados fora das fronteiras da Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial.
Estudos históricos indicam que, se todo o trabalho explorado durante a era nazista tivesse sido plenamente indenizado, o fundo original teria que somar entre 90 bilhões e 112 bilhões de euros (cerca de R$ 483 bilhões e R$ 601 bilhões).
“Se você me perguntar: foi um fundo grande? Não, claro que não, considerando a injustiça”, afirmou a diretora da EVZ, Andrea Despot.
“Havia cerca de 26 milhões de pessoas trabalhando em fábricas, na agricultura, em igrejas, em residências particulares e em empresas. Quase não houve setor da sociedade que não tenha se beneficiado disso. Pode-se dizer que o fundo não compensou nem de longe os danos e a exploração sofridos.”
A EVZ foi criada em julho de 2000, tanto para indenizar trabalhadores forçados quanto para promover e financiar projetos voltados à defesa dos direitos humanos, dos valores democráticos e dos interesses dos sobreviventes do regime nazista.
A organização foi constituída com um fundo de 10,1 bilhões de marcos alemães, o equivalente a cerca de € 5,16 bilhões (R$ 27,7 bilhões), sendo metade proveniente do governo federal e a outra metade de uma iniciativa que reuniu cerca de 6.500 empresas alemãs — chamada Iniciativa da Fundação da Indústria Alemã. Muitas dessas empresas, embora não todas, haviam utilizado trabalho forçado.
Grupo de civis russos que foi obrigado a fazer trabalhos forçados durante o regime nazista
Foto: Everett Collection/IMAGO
Compensações ‘simbólicas’
Embora a Alemanha Ocidental tenha adotado medidas de reparação, como a Lei Federal de Indenização de 1953, destinada a pessoas perseguidas por razões políticas, raciais ou religiosas, essas iniciativas excluíram os trabalhadores forçados.
Entre as décadas de 1950 e 1980, sob pressão da opinião pública, algumas grandes empresas da Alemanha Ocidental pagaram voluntariamente milhões de marcos alemães em compensações, mas esses pagamentos não alcançaram pessoas da Europa Oriental.
O debate nos anos 1990 foi difícil, com muitas empresas alemãs inicialmente se recusando a contribuir para o fundo e a assumir responsabilidade pelo uso de trabalho forçado.
“No fim, foi basicamente uma solução simbólica”, afirma o historiador Constantin Goschler, da Universidade do Ruhr, em Bochum, que publicou, em 2012, uma coletânea ampla de estudos sobre o tema.
“As pessoas que representavam os demandantes defendiam um valor de pelo menos dois dígitos [em bilhões], enquanto aqueles que pagariam queriam um montante que não ultrapassasse dois dígitos”, lembra.
“Assim, chegou-se a 10 bilhões de marcos alemães. Isso não refletia a dimensão dos danos, foi resultado de uma negociação psicológica”.
Ações coletivas, especialmente de grupos judaicos
A pressão jurídica também teve papel importante, à medida que diferentes grupos de vítimas — especialmente nos Estados Unidos — passaram a recorrer com mais frequência a ações coletivas.
“Não foi uma decisão puramente moral ou ética. Isso teve peso, mas não foi o único fator”, diz Despot.
“Depois de décadas de reivindicações dos sobreviventes, houve pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos e de organizações judaicas, que estavam preparando ações coletivas.”
Essas ameaças acabaram levando a Alemanha a negociar com os Estados Unidos, com o objetivo de garantir segurança jurídica no futuro.
Por que a compensação demorou tanto?
Segundo Goschler, há um motivo central para o fato de o Estado alemão ter levado mais de meio século para oferecer compensações aos ex-trabalhadores forçados: a Guerra Fria.
“Havia um princípio: não se enviava dinheiro para o outro lado da Cortina de Ferro.” Isso significava que a Alemanha Ocidental se recusava a transferir recursos aos países do Leste, especialmente à Polônia.
Outro fator, de acordo com o historiador, é que os ex-trabalhadores forçados na Europa Oriental frequentemente eram tratados com suspeita e, por isso, recebiam pouco apoio em seus próprios países.
“Os trabalhadores forçados — muitos deles mulheres — na antiga União Soviética eram vistos como colaboradores, por terem trabalhado para a economia de guerra nazista. Ao retornarem, eram recebidos com desconfiança, enviados a campos de triagem e levavam uma vida muito difícil”, explica.
Quando a Alemanha finalmente iniciou os pagamentos, muitos sobreviventes estavam menos interessados no dinheiro do que no reconhecimento histórico. “Mais importante do que o valor recebido era o certificado que confirmava que eram vítimas, e não traidores.”
Defesa dos direitos humanos e da democracia
Ainda há muitos ex-trabalhadores forçados vivos. A organização Jewish Claims Conference estima que existam cerca de 200 mil sobreviventes judeus ao redor do mundo, além de várias centenas de milhares de europeus orientais, sinti e roma e ex-prisioneiros políticos que foram obrigados a trabalhar pelos nazistas. Números exatos para esses grupos nunca foram estabelecidos.
Embora as indenizações tenham sido pagas há anos, o trabalho da EVZ continua. Hoje, a fundação atua como entidade beneficente, financiando projetos voltados à promoção dos direitos humanos, dos valores democráticos e da educação histórica e política.
Segundo Despot, o principal objetivo da EVZ atualmente é preservar a memória histórica da Alemanha sobre o período nazista, em especial o sistema de trabalho forçado que beneficiou milhares de empresas alemãs.
Em 2025, a EVZ foi classificada como “organização indesejável” pelo Kremlin, após manifestar apoio à Ucrânia.
“Ucrânia, Belarus e Rússia foram profundamente marcadas pela ocupação alemã, que foi genocida e exploratória”, afirma Despot.
“Esses países sempre foram parceiros em nosso trabalho. A guerra da Rússia contra a Ucrânia também representa um ataque à identidade e à história ucranianas.”
Atualmente, a EVZ apoia organizações russas e belarussas que foram forçadas ao exílio por seus governos.