Dinheiro lidera preocupações em pesquisa e supera saúde, família e trabalho; veja o que explica

Dinheiro; real; reais; notas de R$ 5, R$ 10 e R$ 50; moeda de R$ 1
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Uma pesquisa da fintech Onze, realizada em parceria com a Icatu Seguros e cedida com exclusividade ao g1, mostra que 42% dos entrevistados apontam o dinheiro como sua principal fonte de preocupação.
No levantamento, o percentual supera temas como saúde (22%), família (15%), violência (10%), política (6%) e trabalho (5%).
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A pesquisa foi realizada entre 26 de maio e 1º de junho, ouviu 8.391 pessoas, entre trabalhadores com carteira assinada (CLT), microempreendedores individuais (MEI), desempregados, empresários, aposentados e servidores públicos.
Os dados revelam um cenário de falta de planejamento financeiro e sobrecarga emocional.
Entre os entrevistados, 56% afirmam não possuir reserva de emergência — questão que se destaca no levantamento pelo quarto ano consecutivo. Outros 15% não possuem reserva e ainda têm dívidas.
Além disso, 53% dizem que a renda não é suficiente para cobrir os gastos mensais ou que estão endividados e/ou com o nome negativado.
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O principal receio dos entrevistados é não ter dinheiro suficiente para lidar com emergências, como problemas de saúde, acidentes ou ajuda a familiares e amigos, citado por 58% dos entrevistados.
Na sequência aparecem a dificuldade para pagar as contas do mês (33%), garantir um futuro melhor para os filhos (25%) e quitar dívidas ou limpar o nome (22%).
Dinheiro é a maior fonte de preocupação por quase metade dos brasileiros
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Cartão de crédito é o principal vilão
Questionados sobre quais tipos de dívidas possuem, cerca de 60% citaram o cartão de crédito (parcelado ou fatura em aberto). Em seguida aparecem o empréstimo pessoal (30%) e o crédito consignado, incluindo o Crédito do Trabalhador (26%).
O principal motivo para recorrer ao crédito é cobrir os gastos do mês, como alimentação e contas básicas, apontado por 45% dos entrevistados.
Outros 23% disseram recorrer ao crédito por causa de emergências inesperadas, como problemas de saúde ou consertos, enquanto 13% afirmaram que usam empréstimos para renegociar dívidas ou limpar o nome.
O peso da responsabilidade financeira familiar também ajuda a explicar esse cenário. Entre os entrevistados, 78% possuem ao menos um dependente total ou parcial da própria renda.
A pesquisa também revela desafios relacionados à educação financeira. Mais da metade dos entrevistados (53%) afirma que conversava ou conversa raramente sobre dinheiro no ambiente familiar, seja entre pais e filhos ou responsáveis.
O levantamento revela ainda que 63% não possuem qualquer tipo de proteção financeira para situações como morte ou invalidez e que 89% nunca buscaram consultoria ou orientação especializada para organizar as finanças ou sair das dívidas.
Para Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, o cartão de crédito continua sendo o principal vilão porque transmite a sensação de que a renda é maior do que realmente é.
“A partir do momento que você comprou a mais, no mês seguinte não vai conseguir pagar a fatura. Começa a pagar o mínimo e entra numa bola de neve de juros”, afirma o especialista.
Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, afirma que o ambiente de consumo também alimenta o endividamento.
“As pessoas são estimuladas o tempo todo ao consumo pelas redes sociais. Segurar esse consumo para evitar a bola de neve dos juros é um desafio comportamental. O mundo hoje estimula muito o consumo digital. Quando sobra um espaço na renda, a pessoa acaba consumindo — por necessidade ou pelo ambiente em que vive”, completa.
Impacto na saúde mental
A instabilidade financeira também afeta diretamente o bem-estar dos trabalhadores. Segundo a pesquisa, 72% afirmam que a situação financeira prejudica a saúde mental, emocional e a qualidade de vida.
Em casos mais graves, 9% dizem que as preocupações com dinheiro chegam a afetar a saúde física. Entre os sintomas mais comuns estão ansiedade (65%), insônia (53%) e depressão (18%).
Preocupação financeira afeta a saúde mental dos trabalhadores
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Segundo Antonio Rocha, ansiedade e insônia costumam ser os primeiros sinais de quem enfrenta dificuldades financeiras. Em casos mais graves, o estresse também pode desencadear depressão, problemas de saúde mais sérios e até compulsão alimentar.
Para o especialista, a preocupação constante em conseguir fechar as contas do mês, a falta de uma reserva de emergência e a insegurança em relação ao futuro criam um estado permanente de tensão.
“Isso deixa as pessoas numa agonia constante de sentir que a vida não está andando. Não consegue juntar dinheiro, não fecha a conta e tem que entrar no crédito. Aí vira inadimplência, banco ligando, mensagem, golpe, fraude, bet. É um tema que gera uma sobrecarga nas pessoas”, afirma.
Esse cenário é conhecido como estresse financeiro e afeta a saúde física e mental, além da produtividade no trabalho e das relações pessoais.
Cerca de 69% dos entrevistados afirmaram que seriam mais felizes e produtivos caso alcançassem estabilidade financeira por meio de planejamento e melhor organização das dívidas.
Para Henrique Diniz, esse estresse também afeta diretamente o ambiente de trabalho e reduz a produtividade. “O trabalhador fica com medo de perder o emprego e isso só piora, gerando uma bola de neve perigosa”, explica.
O especialista defende que as empresas também discutam saúde financeira com seus funcionários. “Os RHs não têm que ter tabu de discutir saúde financeira. Levar informação e produtos de proteção financeira facilita o planejamento das pessoas e ajuda a reduzir essas preocupações”, completa.
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Asado ou barbecue? Copa reacende disputa entre argentinos e texanos sobre quem faz a melhor carne

Lucas Martinez, torcedor da Argentina, tempera a carne com sal enquanto prepara um churrasco durante uma concentração antes da partida do Grupo J da Copa do Mundo contra a Áustria, no domingo, 21 de junho de 2026, em Dallas.
Foto AP/Julio Cortez
Milhares de torcedores argentinos desembarcaram no Texas para a Copa do Mundo, e uma velha disputa voltou à tona. Não é sobre quem tem a melhor seleção nem se Lionel Messi é o melhor jogador do campeonato. A discussão é outra: quem produz a melhor carne e qual é a forma certa de prepará-la.
É isso mesmo: existe uma disputa em torno da carne bovina entre duas das maiores regiões produtoras de gado do mundo, onde o bife faz parte da cultura e da alimentação.
O Texas lidera a produção de carne bovina nos Estados Unidos. O país ocupa a segunda posição no ranking mundial, atrás apenas do Brasil, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA. A Argentina aparece em sexto lugar.
Mas, afinal, quem faz a melhor carne?
O argumento a favor da carne argentina
Torcedores da Argentina fazem churrasco durante uma concentração antes da partida do Grupo J da Copa do Mundo contra a Áustria, no domingo, 21 de junho de 2026, em Dallas
Foto AP/Julio Cortez
“A carne argentina é simplesmente imbatível. A textura, o tipo de corte… não há como competir”, afirma Carlos Eduardo Barahona, chef argentino de 64 anos que vive no Texas desde 1998.
Dos cortes mais baratos aos mais nobres, a Argentina é superior, garante Barahona, que já trabalhou em restaurantes na Argentina, no Uruguai e no Texas.
“Você pode fazer um asado argentino com o corte mais barato do país e ainda assim vai apreciar a carne. Aqui, você pode usar o melhor corte, como filé-mignon, e, dependendo da origem, ele pode ficar duro, incomível ou macio. A nossa carne, porém, tem um perfil de sabor completamente diferente”, disse.
A maior parte da carne bovina argentina vem de gado criado a pasto, em campos abertos. Isso faz com que os animais levem mais tempo para atingir o ponto ideal de abate. O resultado é uma carne mais magra, com sabor intenso e terroso.
Custo da carne bovina cai em Foz do Iguaçu e estimula preparativos para a Copa do Mundo
O argumento a favor da carne texana
No Texas e nos EUA, a maior parte do gado é alimentada com grãos. Isso faz com que a carne tenha mais marmoreio — as camadas de gordura entremeadas nas fibras musculares, que ajudam a manter a suculência e a maciez durante o preparo — e um sabor mais adocicado.
“Não existe carne melhor do que a americana, especialmente a do Texas”, afirmou o comissário de Agricultura do Texas, Sid Miller.
Mas, segundo Miller, a carne argentina também é muito boa. Graças ao Texas.
Segundo ele, o órgão abriu, há mais de uma década, um escritório de representação para conectar pecuaristas do Texas a criadores de gado da América do Sul, especialmente da Argentina.
“Não quero desmerecer nossos amigos da Argentina, mas nós ajudamos a melhorar a produção deles”, disse.
O veredito de quem come carne
O argentino Gonzalo Herrera aproveitou uma ida ao Walmart de Arlington, no Texas, para ver as carnes disponíveis depois de assistir aos dois gols de Lionel Messi na vitória sobre a Áustria. Para ele, a discussão sobre qual carne é melhor não faz muito sentido.
“Para ser sincero, não vejo uma diferença tão grande”, disse Herrera enquanto colocava quatro bifes T-bone no carrinho de compras.
“O segredo é saber exatamente quais cortes comprar e encontrar o equivalente ao que comemos na Argentina”, afirmou, balançando a cabeça ao ver o preço de US$ 45.
“Os preços aqui são mais altos”, disse Herrera.
A discussão também passa pelas receitas e pelas preferências em relação ao estilo e à espessura dos cortes. No fim das contas, é literalmente uma questão de gosto quando o assunto é tempero, selagem da carne, defumação, manteiga, pimenta, molhos e outros ingredientes.
Na churrascaria argentina Corrientes 348, em Dallas, os bifes são preparados apenas com sal e carvão de madeira de mesquite, segundo o gerente assistente Emmanuel Tobon.
“Há uma grande diferença. Os texanos usam muita pimenta, manteiga e um pouco de molho barbecue”, disse Tobon. “Os argentinos preferem realçar todo o sabor da carne usando apenas sal.”
A Argentina ainda tem pelo menos mais uma partida em Dallas, no sábado. Os torcedores da Albiceleste têm lotado o restaurante em busca de um gostinho de casa durante a Copa do Mundo.
“Eles têm aproveitado a cultura texana”, afirmou Tobon. “(Mas) tem sido um grande prazer receber todos eles e fazê-los se sentir em casa.”
Segundo ele, os argentinos têm muito orgulho da cultura do churrasco, das receitas passadas de geração em geração e do trabalho “sagrado” do churrasqueiro nos grandes almoços em família.
Para Fernando Garcia Morillo, argentino de Buenos Aires que hoje vive perto de Miami, a carne dos dois países é excelente. Ainda assim, ele sente falta das tradições do seu país sempre que pede um bife nos EUA.
“Eu peço só sal, sem pimenta, bem simples”, disse Morillo. “Às vezes eles usam muito molho.”
Ele rejeitou qualquer ideia de rivalidade entre os EUA e a Argentina por causa da carne.
“Talvez exista a rivalidade de sempre com o Brasil, nosso vizinho”, disse. “Eu adoro a carne dos EUA.”

PSD deve anunciar Kassab como vice de Caiado nesta quarta

Ana Flor analisa a possibilidade da chapa Caiado e Kassab para eleições 2026
Uma reunião entre o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o pré-candidato do partido à Presidência da República pelo partido, Ronaldo Caiado, nesta terça-feira (30) deve selar o nome de Kassab como vice na chapa do ex-governador de Goiás ao Planalto.
O anúncio deve acontecer logo no dia seguinte, na quarta-feira (1º), em Brasília.
O partido negociava com outros partidos para evitar uma chapa puro-sangue — com presidente e vice do mesmo partido —, mas integrantes fundadores do PSD pediam que Kassab fosse vice, já que Caiado entrou há menos de seis meses na legenda. Ele era do União Brasil.
LEIA TAMBÉM: A um mês das convenções, presidenciáveis negociam vice pensando em reduzir resistências do eleitorado e em tempo de TV
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, ao lado do ex-governador João Doria, co-chairman do grupo Lide
Victória Cócolo
Caiado luta para conseguir subir nas pesquisas, onde marca em torno de 3% das intenções de voto, e se viabilizar como uma terceira via.
Mesmo sem fazer ataques diretos a Flávio Bolsonaro (PL), ele tenta agregar apoios a partir da desistência de setores com a candidatura do senador.

União Europeia amplia proteção à indústria e confirma tarifa de 50% sobre parte das importações de aço

Bandeiras de países da União Europeia na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França
Antoine Schibler/Unsplash
A Comissão Europeia anunciou nesta terça-feira (30) as novas regras para a importação de aço na União Europeia. O objetivo é proteger a indústria siderúrgica do bloco da concorrência externa e elevar a utilização da capacidade das usinas para 80%.
Pelas novas regras, o volume de aço que poderá entrar na União Europeia sem pagar tarifas será reduzido em 47%, para 18,3 milhões de toneladas por ano.
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Caso esse limite seja ultrapassado, será aplicada uma tarifa de 50% sobre o excedente em 26 categorias de produtos siderúrgicos.
Metade das cotas foi reservada aos países que mantêm acordos de livre comércio com a União Europeia. A outra metade ficará disponível para todos os parceiros comerciais, inclusive esses mesmos países.
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A Comissão informou ainda que muitos deles terão cotas específicas, definidas com base no histórico de exportações para o mercado europeu.
Segundo o órgão, essa distribuição fará com que a maioria dos países com acordos de livre comércio tenha uma redução no acesso ao mercado europeu inferior ao corte médio de 47%.
A Comissão acrescentou que um “número significativo” de parceiros aceitou provisoriamente essa divisão das cotas.
🔍De acordo com a Comissão Europeia, as mudanças são necessárias para conter os efeitos do excesso de produção de aço em diversas partes do mundo, que aumenta a oferta global e pressiona os preços. O bloco também cita práticas de dumping, quando empresas vendem produtos no exterior a preços artificialmente baixos para ganhar mercado.
“O persistente excesso de capacidade no setor siderúrgico continua sendo um grave problema e segue distorcendo os mercados internacionais”, afirmou a Comissão.
Segundo o órgão, as medidas buscam restabelecer condições mais equilibradas de concorrência no mercado europeu.
As regras detalham uma decisão anunciada pela União Europeia em abril. Na ocasião, o bloco informou que reduziria o volume de aço isento de tarifas e elevaria para 50% a cobrança sobre os embarques que ultrapassassem a cota.
Segundo a Comissão Europeia, a iniciativa busca conter os impactos da sobreoferta global, fortalecer a indústria siderúrgica e elevar a utilização das usinas, que atualmente operam com cerca de 65% da capacidade.
Em 2025, as principais origens das importações de aço da União Europeia foram Turquia, Coreia do Sul, Indonésia, China, Índia, Ucrânia e Taiwan.
A Comissão Europeia também afirma que o setor siderúrgico do bloco perdeu cerca de 100 mil empregos desde 2008 e que, sem a manutenção das restrições às importações, a produção tende a continuar em queda.
Atualmente, o aço importado pela União Europeia está sujeito a um sistema de salvaguardas que aplica uma tarifa de 25% sobre os embarques que excedem as cotas.
Essas regras, criadas durante o primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, permanecem em vigor até esta terça-feira (30), quando passam a ser substituídas pelo novo sistema.
*Com informações da agência Reuters