De saladas à feijoada vegana: restaurante na periferia de SP fatura R$ 40 mil com comida saudável

De saladas a pratos fitness: comida saudável avança nas periferias de SP
O que começou com uma pequena barraquinha na Zona Sul de São Paulo se transformou em um restaurante conhecido por unir comida saudável, preço acessível e impacto social na periferia.
No Campo Limpo, bairro mais populoso da capital paulista, mãe e filho comandam um negócio que já recebeu chefs renomados e virou referência de gastronomia comunitária.
A ideia nasceu dentro de casa. Thiago Vinícius decidiu transformar os temperos naturais preparados pela mãe, conhecida como Tia Nice, em um empreendimento voltado para democratizar a alimentação saudável.
“Eu decidi democratizar o tempero da minha mãe, que era só meu, em casa. Agora, é de todo mundo no Campo Limpo, do Brasil e do mundo”, afirma o empreendedor.
Restaurante na periferia de SP fatura R$ 40 mil com comida saudável
Reprodução/PEGN
Tia Nice cresceu cercada pela culinária e desenvolveu uma cozinha baseada em ingredientes frescos e naturais. Ela evita temperos industrializados e utiliza ervas e legumes cultivados na própria horta. “Eu sempre quis cozinhar sem temperos artificiais”, conta.
Antes de empreender, ela trabalhou em restaurantes vegetarianos de bairros nobres de São Paulo e chegou a ter um bar de petiscos no litoral. Mas foi perto de casa, com o apoio do filho, que conseguiu transformar a experiência em um negócio próprio.
O restaurante começou pequeno, com apenas duas mesas. Hoje, acomoda até 50 pessoas e atende clientes no salão, no delivery e em encomendas para eventos. O investimento inicial foi de R$ 80 mil, e o negócio alcançou faturamento mensal de R$ 40 mil, com ticket médio de R$ 19,90.
Entre os destaques do cardápio está a feijoada vegetariana, preparada com ingredientes orgânicos fornecidos por pequenos produtores da região. Aos sábados, o prato chega a vender cerca de 150 unidades.
Restaurante na periferia de SP fatura R$ 40 mil com comida saudável
Reprodução/PEGN
Além da proposta gastronômica, o restaurante também movimenta a economia local. Segundo Thiago, empreender na periferia ainda envolve desafios estruturais, como dificuldade de acesso a crédito e falta de infraestrutura básica.
“A gente está o tempo todo desconstruindo a ideia de que a favela é um lugar de violência”, diz.
O sucesso do negócio ultrapassou os limites do bairro e chamou a atenção de nomes conhecidos da gastronomia brasileira. Chefs como Rodrigo Oliveira, Bela Gil e Alex Atala já visitaram o restaurante para provar os pratos da casa.
Para o futuro, a dupla quer expandir o impacto do negócio dentro da comunidade. “Que a gente possa ser um vetor de inspiração para outras quebradas”, afirma Thiago.
Restaurante na periferia de SP fatura R$ 40 mil com comida saudável
Reprodução/PEGN
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Pele de gente morta e DNA de salmão: clínicas cobram até R$ 2,7 mil por sessão de rejuvenescimento exótico

Sara Yoon compartilhar sua rotina de cuidados com a pele para mais de 90 mil seguidores
Sara Yoon
Quando o dermatologista explicou que o novo tratamento da clínica era feito “de gente morta”, Sara Yoon achou que tinha ouvido algo saído de um filme de ficção científica.
A influenciadora de 40 anos, que nasceu em Nova Jersey e mora em Seul desde 2023, logo entendeu que se tratava de uma das apostas mais recentes da indústria da beleza da Coreia do Sul: um procedimento que usa tecido humano doado para tentar reverter sinais de envelhecimento da pele.
Nas clínicas sofisticadas do bairro de Gangnam, um dos centros da estética sul-coreana, tratamentos desse tipo passaram a atrair pacientes dispostos a pagar caro pela promessa de uma pele mais jovem.
Uma sessão do Re2O, um dos produtos que lideram essa nova onda, custa entre 600 mil e 800 mil won sul-coreanos, o equivalente a cerca de R$ 2 mil a R$ 2,7 mil. O valor é aproximadamente quatro vezes maior do que o cobrado por tratamentos tradicionais de rejuvenescimento da pele, segundo a Bloomberg.
Agora no g1
O crescimento da demanda também impulsionou empresas do setor. As ações da L&C Bio Co., empresa sul-coreana de biotecnologia que desenvolveu o Re2O, mais que dobraram no último ano.
O movimento mostra como a indústria da beleza da Coreia do Sul está ampliando os limites da chamada K-beauty, conhecida mundialmente por cosméticos, rotinas de cuidados com a pele e produtos voltados ao chamado “rosto de vidro”.
Agora, a nova fronteira está nos procedimentos médicos regenerativos.
Pele humana, DNA de salmão e colágeno de porco
O Re2O não é o único tratamento que chama atenção pelos ingredientes utilizados. Outro procedimento popular na Coreia do Sul é o Rejuran, um injetável feito com DNA de salmão. Há também o Laetigen, que utiliza colágeno de porco.
Esses tratamentos estimulam a produção natural de colágeno pela pele. A diferença do Re2O está na proposta de reconstrução.
O produto usa uma matriz extracelular (MEC), estrutura rica em proteínas como o colágeno e obtida a partir de pele humana processada. O material é injetado no rosto e no pescoço para criar uma espécie de suporte onde as células do próprio organismo possam se desenvolver.
O slogan da empresa resume a proposta: “pele sobre pele”.
Segundo a Bloomberg, a pele usada no produto vem de tecido humano doado nos EUA e certificado pela Association for Advancing Tissue and Biologics (AATB), entidade que estabelece padrões para o uso seguro de tecidos humanos doados.
“Trata-se simplesmente do tecido cutâneo sem nenhuma célula, para evitar rejeição imunológica e efeitos colaterais alérgicos”, afirmou Kim Han-saem, dermatologista-chefe da Clínica de Dermatologia do Departamento de Defesa de Seul, em entrevista à Bloomberg.
“Quando você injeta em uma pele envelhecida ou danificada, você não está estimulando, mas reconstruindo-a, e é por isso que se trata de uma abordagem completamente diferente”, disse o médico.
Demanda supera produção
A procura pelo tratamento cresceu mais rápido do que a capacidade de produção. Segundo Kim, entrevistado pela Bloomberg, alguns pacientes passaram a esperar até um mês por uma consulta.
A L&C Bio produz atualmente cerca de 80 mil frascos de Re2O por mês. O plano da empresa é elevar essa capacidade para 150 mil unidades mensais no segundo semestre e chegar a 300 mil nos próximos dois anos, segundo o presidente-executivo da companhia, Lee Whan Chul.
🔎 O crescimento já aparece nos resultados financeiros. O lucro operacional da empresa no primeiro trimestre aumentou 917% em relação ao mesmo período do ano anterior e chegou a 6 bilhões de won, segundo a Bloomberg.
“Estamos recebendo consultas do mundo todo, também graças ao boom da beleza coreana”, afirmou Lee à Bloomberg.
O produto, cujo nome significa “Retorno aos 20 anos”, já é exportado para países como Singapura e Japão. A empresa pretende ampliar as vendas para Austrália, Hong Kong, Malásia, Rússia e Tailândia, além de entrar no mercado americano no próximo ano, segundo o executivo.
O negócio do envelhecimento
A aposta das empresas ocorre em um mercado global que cresce com o envelhecimento da população e a busca por tratamentos capazes de retardar sinais visíveis da idade.
O mercado global de produtos e serviços antienvelhecimento deve quase dobrar até 2035, alcançando US$ 150 bilhões. A expansão é impulsionada principalmente pela Ásia, onde o aumento da renda, a influência das redes sociais e o envelhecimento da população ampliam a procura.
A mudança também aparece no setor médico sul-coreano. O número de cirurgiões plásticos em consultórios particulares quase dobrou na última década e ultrapassou 2.700 profissionais, segundo dados citados pela Bloomberg.
Com salários mais altos e demanda crescente, médicos de diferentes especialidades passaram a migrar para a medicina estética.
Dilemas éticos
Críticos questionam se o uso de tecidos doados para fins cosméticos pode competir com aplicações médicas tradicionais, como a reconstrução mamária e o tratamento de queimaduras.
A popularização desses procedimentos mostra um dilema da nova era da beleza: até onde os consumidores estão dispostos a ir — e quanto estão dispostos a pagar — para tentar recuperar uma aparência mais jovem.
Para pacientes como Sara Yoon, a decisão passa pela confiança nos médicos e pela disposição de experimentar novidades.
“Passei a adotar mais essa mentalidade cultural de confiar bastante no médico”, resumiu a influenciadora à Bloomberg.

O que vai na sua xícara: um mergulho na composição química dos grãos de café brasileiros

Produção de café avança no Acre e atrai novos investimentos e tecnologia
A 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) está movimentando a semana do campus da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do mundo científico brasileiro. Com o tema “Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão”, a reunião vai até o dia 1º de agosto promovendo conferências, mesas-redondas, atividades culturais, exposições e cursos destinados a estudantes e professores do ensino básico, técnico e superior, além de pesquisadores, profissionais e do público geral. Tudo, como sempre, com inscrições gratuitas. A equipe do TC Brasil está de olho no evento, e pediu a alguns palestrantes para adiantarem o tema de suas apresentações em artigos aqui no site. No texto abaixo, Claudia Moraes de Rezende, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Conselheira titular da Área de Exatas e Tecnológicas da SBPC, revela detalhes e potenciais usos das substâncias bioativas presentes no café nacional:
A bebida quente do café – nosso popular cafezinho – é considerada em muitos países como a segunda mais consumida depois da água.
O Brasil é o primeiro produtor mundial de grãos crus de café. Em torno de 70% de nossa produção é do café arábica, e o restante do canéfora. O café arábica é conhecido por proporcionar cafés especiais, em geral mais apreciados do que os gerados pelo canéfora.
Esta abundância de matéria prima torna a semente do café um material interessante para a pesquisa científica no Brasil. O interesse vai desde aspectos agrícolas de plantio e pós-colheita, até estudos mais detalhados sobre sua composição química e o possível aproveitamento desses compostos em áreas diversas.
Química dos cafés
A classe química mais abundante nos grãos de café é a de carboidratos, seguido de uma rica fração lipídica, a qual dá origem ao óleo de café. Este óleo possui até 70% de triglicerídeos, muitos com atividades antioxidantes bem conhecidas, tornando-o um produto de uso na cosmética. Além disso, impacta positivamente na espuma da bebida, aumentando sua cremosidade.
Ao lado dos triglicerídeos, há um grupo expressivo de metabólitos da classe dos diterpenos. Estas moléculas ocorrem esterificadas gerando 24 derivados, mas são representadas por dois compostos apenas, que são os diterpenos cafestol e caveol.
Consciência Café.
Divulgação/Consciência Café.
Sobre estas substâncias químicas, há estudos diversos sobre sua ação antitumoral, entre outras, mas destaca-se a ação hipercolesterolêmica do cafestol.
Turca, prensa francesa, espresso ou coado
A atividade comprovada e negativa do cafestol sobre o aumento do colesterol LDL tem respaldo científico e tem sido assunto na mídia, e é obviamente preocupante. Entretanto, cabe destaque o fato de que nem toda bebida de café quente possui concentração significativa de cafestol que consequentemente impactará negativamente saúde.
As bebidas que contém maior quantidade de cafestol na xícara são basicamente aquelas não coadas, como a turca, fervida e prensa francesa. O café expresso apresenta teores mais reduzidos. E o coado em pano ou papel tem concentração bastante reduzida, não impactando a saúde.

Um aspecto interessante sobre estes diterpenos é sua sensibilidade a temperaturas altas, com possibilidade de degradação da sua estrutura química, a exemplo da que é usada na torra do grão tipo forte e intensa, amplamente apreciada no Brasil. Nestas condições, ocorre majoritariamente uma desidratação e a formação de derivados de cafestol e caveol.
Outra curiosidade é o reduzido número de estudos científicos sobre estes derivados diterpênicos formados na torra do café. Algumas das possíveis razões podem ser o alto custo das diterpenos puros e a ausência comercial dos derivados da torra. Cabe ressaltar que a obtenção destes compostos não é tarefa trivial num laboratório de química.
Rota de produção para a pesquisa
Neste contexto, nosso grupo de pesquisas Laboratório de Análises de Aromas (LAROMA), localizado no Instituto de Química da UFRJ, desenvolveu uma rota de produção para a obtenção de cafestol puro. Isso tem permitido investigar metabólitos formados a partir desta substância em modelos de digestão in vitro e em modelos animais. A ideia é compreender como essa substância se transforma e qual a sua natureza química.
Ao saber essas informações, podemos buscar obtê-las no laboratório para posteriormente entender seu papel na saúde humana.
Além dessas diretrizes, nosso grupo também tem desenvolvido rotas de produção dos derivados de torra de cafestol. O objetivo é compreender seu papel na saúde. Especialmente se essas moléculas mantêm seu aspecto negativo no colesterol.
Recentemente, investigamos alguns derivados dos diterpenos formados sob alta temperatura em modelos teóricos, conhecidos como in silico, e observamos nestes estudos que, a princípio, é provável que tenham impacto semelhante na hipercolesterolemia.
Estudos in silico são realizados por simulação computacional de processos biológicos e químicos, mas tem como limitações a simplificação da realidade biológica.
Rotas de produção de torra
Assim, nosso grupo desenvolve rotas de produção desses derivados de torra, de modo a que sejam submetidos a testes biológicos reais para confirmação de seu papel no organismo vivo.
Ao mesmo tempo, temos investigado o aproveitamento de grãos de café defeituosos, de baixo aproveitamento para a bebida de café, com o intuito de produzir óleo e xaropes ricos em açúcares, de modo a colaborar com a economia circular da cadeia do café.
O café é uma das bebidas mais apreciadas do mundo e uma fonte potencial de conhecimento científico e de oportunidades para inovação, especialmente no Brasil, que domina sua exportação mundial.
Os estudos desenvolvidos pelo nosso grupo visam desenvolver estratégias que tragam informações úteis à saúde, qualidade dos grãos e sustentabilidade, reforçando os aspectos da economia circular da cadeia cafeeira.
Claudia Moraes de Rezende recebe financiamento da CNPq e Faperj.

Comunidade faz mutirão para salvar colheita de café de produtor após acidente no ES: 'Largo o meu para ajudar o outro'

Voluntários se reúnem para fazer colheita de quem está doente em Mimoso do Sul
Na comunidade de Palmeira, em Mimoso do Sul, no Espírito Santo, a colheita do café é também sinônimo de união. Há mais de 30 anos, vizinhos se reúnem em mutirão para colher a safra de produtores que passam por alguma dificuldade e não podem ir para a roça — em uma tradição que une solidariedade e muito trabalho.
Neste ano, um dos produtores que recebeu o apoio do grupo foi o agricultor Brenner Gasparelo. Depois de sofrer um acidente de moto e passar por uma cirurgia, ele não teria condições de colher o café sozinho. A mobilização dos vizinhos, no entanto, garantiu que a safra não fosse perdida.
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“Ia ter uma boa perda, porque quando o café demora a ser colhido, ele seca e cai muito. Ia ser prejuízo. Estou muito feliz de saber que todo mundo gosta da gente para poder ajudar assim, e todo mundo que se propôs a poder vir está ajudando. Só sentimento de gratidão, de felicidade”, disse o agricultor.
Um dos voluntários é o trabalhador rural João Florentino, que chegou cedo para participar do mutirão na comunidade. Segundo ele, o grupo se reúne no início da manhã e trabalha por horas para realizar a colheita.
“Normalmente, às 7h30 está todo mundo junto. Só para às 16h30, 17h, até tirar tudo. Tira o máximo que puder para ajudar, porque esse é o intuito da de cada um de nós aqui. É vir ajudar mesmo para que a pessoa possa ter êxito e sucesso naquilo que está fazendo no dia a dia”.
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João Florentino é trabalhador rural e participa de mutirões para auxiliar outros produtores em Mimoso do Sul, no Espírito Santo.
Reprodução/TV Gazeta
União faz parte da história da comunidade
Quem também participou da força-tarefa foi o agricultor familiar José Cláudio de Oliveira Carvalho. Segundo ele, a união dos moradores é antiga e já faz parte da história da comunidade.
“A comunidade sempre foi unida. Há muitos anos, desde 1990, que eu lembro. Nós temos a associação, que foi o motivo da união da comunidade, uma necessidade também. E a partir daí as pessoas começaram a se ajudar. Hoje, se tiver alguém doente, a comunidade se junta para ajudar as pessoas que estão precisando. A pessoa tá impossibilidade de colher café, então nós vimos na lavoura dele e colhemos o café dele”, contou.
Antônio Carlos Florentino é lavrador e primo de Brenner, que precisou da ajuda do grupo para colher a safra de café. Para ele, trabalhar em equipe faz o serviço render mais e fortalece a amizade entre os moradores.
“Aqui na comunidade é com frequência que, sempre que alguém precisa, a gente tá ajudando. Semana passada, ajudamos um amigo também da comunidade. Hoje, estamos aqui ajudando Breninho, meu primo. É diversão, nem cansa”.
Brenner Gasparelo é agricultor e recebeu apoio dos voluntários após sofrer um acidente de motocicleta
Reprodução/TV Gazeta
Mutirão já colheu quase quinhentas sacas de café em um dia
Em outro mutirão realizado pelo grupo, os voluntários colheram quase 500 sacas de café em apenas um dia. Para o grupo, o cansaço perde espaço para o orgulho de manter viva uma tradição que transforma solidariedade em colheita.
“É gratificante a gente poder ajudar o próximo. Esse é o intuito da nossa comunidade. Principalmente da minha pessoa, estar aqui e ajudar. Eu largo o meu, largo o que tenho que fazer para esse dia. É um dia especial”, disse João Florentino.
Mutirão já colheu 500 sacas de café em único dia em Mimoso do Sul, no Espírito Santo.
Acervo pessoal
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Vacas leiteiras tiram férias? Entenda por que elas passam dois meses sem produzir leite

Vacas leiteiras tiram ‘férias’ de 2 meses todo ano
Fábio Tito/g1
Já pensou tirar dois meses de férias do trabalho? Para as vacas leiteiras, isso é possível. Ao fim de cada período de 10 meses de ordenha, elas devem passar 60 dias longe da atividade.
Mas isso tem um motivo. Segundo Rui Verneque, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Gado de Leite, esse período é importante para descansar o úbere — que é a glândula mamária —, e permitir que o animal direcione sua energia para a própria saúde.
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O pesquisador recomenda que a pausa na ordenha seja feita mesmo que o animal ainda tenha leite. Isso permite que ele retome o trabalho com uma boa produtividade e também tenha maior expectativa de vida.
Essa fase é conhecida como “período seco” na produção de leite.
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Normalmente, esse descanso coincide com o final da gestação das vacas, que dura cerca de 9 meses e 10 dias. Nos casos das fêmeas prenhas, ele também permite que o organismo concentre energia no crescimento do bezerro que irá nascer.
Da mesma forma, o especialista afirma que o recomendado é garantir à vaca 60 dias de descanso uterino após o parto. Isso significa evitar que ela fique prenha nesse período. Biologicamente, elas já conseguem engravidar cerca de 20 dias após o nascimento da cria.
Neste caso, essa fase ajuda o animal a recuperar o tecido uterino. Com esta pausa, o produtor ainda conseguirá que a vaca tenha cria uma vez ao ano.
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Conversa no WhatsApp vazada sem autorização leva caso à mais alta corte da Alemanha

Saiba por que o WhatsApp deixa de funcionar em celulares antigos
AP Photo/Patrick Sison
O caso de uma mulher demitida após ter mensagens de uma conversa privada de WhatsApp encaminhadas a terceiros sem consentimento foi parar em um alto tribunal da Justiça alemã e pode acabar mobilizando até mesmo o Tribunal de Justiça da União Europeia.
Em questão está um debate sobre se o vazamento configura ou não violação do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), que protege os dados pessoais de cidadãos na União Europeia, nos mesmos moldes da Lei Geral de Proteção de Dados no Brasil.
Isso porque o RGPD não se aplica ao tratamento de dados pessoais no âmbito da vida privada, sem relação com uma atividade profissional ou comercial. Isso inclui troca de correspondência e a atividade nas redes sociais.
Mas é justamente isso que a reclamante está questionando em juízo. O argumento é que essa exceção não se aplicaria ao seu caso, e que ela tem direito a indenização de 7,5 mil euros (R$ 44 mil) pelos danos sofridos em consequência do vazamento, além de ressarcimento dos custos com advogados.
Agora no g1
As mensagens haviam sido trocadas há três anos. Nelas, a reclamante, que trabalhava em um consultório médico, se queixava do chefe a uma amiga. Depois que a amizade terminou, as mensagens acabaram chegando à mulher do chefe, que também trabalhava no consultório, cuidando da parte administrativa. Pouco tempo depois, a funcionária foi demitida.
A Justiça na primeira instância deu ganho de causa à mulher demitida, mas a decisão foi revertida na segunda instância. A mulher recorreu e, nesta quinta-feira (30/07), o caso começou a ser analisado no Tribunal Federal de Justiça da Alemanha (BGH), a mais alta instância da Justiça comum alemã.
O que decidiu a primeira instância?
O Tribunal Regional de Frankfurt, de primeira instância, condenou a amiga que encaminhou as mensagens ao pagamento de 7,5 mil euros de indenização.
No entendimento da corte, a exceção do RGPD não se aplicava ao caso, já que a ré compartilhou deliberadamente os dados da ex-amiga com uma pessoa próxima ao empregador dela.
A ré alegou que queria “proteger” o consultório. Assim, o encaminhamento também estaria ligado, ao menos em parte, aos interesses comerciais do empregador. Haveria, portanto, uma relação com uma atividade econômica, motivo pelo qual a exceção para dados compartilhados no âmbito da vida privada não poderia ser aplicada, concluiu o tribunal.
O que decidiu a segunda instância?
O Tribunal Regional Superior de Frankfurt chegou a uma conclusão diferente ao analisar um recurso da ré. A corte rejeitou a ação, afirmando que o RGPD não se aplica ao caso, já que o encaminhamento das mensagens não tinha relação com uma atividade profissional ou econômica da ré.
A relação profissional entre a reclamante e o empregador seria irrelevante para essa análise, mesmo que a ré tivesse agido impelida pelo desejo de provocar a demissão da ex-amiga.
Na avaliação do Tribunal Regional Superior, tampouco o direito à proteção da vida privada, garantido pela Constituição alemã, fundamentaria um pedido de indenização. A corte reconheceu que a ré interferiu de forma ilícita e dolosa na esfera privada e possivelmente até na intimidade da reclamante, mas alega que as violações constatadas não seriam graves o suficiente para justificar a compensação pretendida em juízo.
Além disso, a reclamante já havia conseguido uma declaração formal pela qual a ré se comprometia a não repetir a conduta, sob pena de multa. Para o tribunal, isso já representa compensação suficiente.
O que está em jogo?
O caso segue duas linhas jurídicas bastante distintas, resume Niko Härting, da Associação Alemã dos Advogados.
“Uma delas é o direito da proteção de dados e a outra é o direito da personalidade”, explicou o advogado especializado em Direito da tecnologia da informação à agência de notícias dpa.
No âmbito da proteção de dados, a questão central é como deve ser interpretada a exceção à vida privada do RGPD: “Deve-se considerar exclusivamente a motivação de quem encaminha os chats ou basta que o destinatário possa utilizá-los em um contexto profissional?”.
Segundo Härting, há pouca jurisprudência tanto do Tribunal Federal de Justiça da Alemanha quanto do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) sobre a interpretação dessa exceção. Por isso, ele considera possível que os juízes de Karlsruhe se consultem primeiro com o TJUE, que é a autoridade máxima para interpretação de leis europeias.
O caso pode criar um precedente jurídico inédito, já que o TJUE nunca analisou o RGPD no contexto de aplicativos de mensagens.
Em um processo de 2014, um homem na República Tcheca foi repreendido pelo TJUE por manter uma câmera de vigilância em sua propriedade que também captava o que se passava na calçada. O argumento da corte foi de que as imagens extrapolavam a esfera privada do réu e invadiam área pública.
Atualmente, o TJUE também analisa um outro caso envolvendo a aplicação do RGPD em contextos privados: o de uma mãe que processou a filha e o genro por a terem filmado com uma câmera escondida dentro de casa.
A expectativa é que os dois processos não sejam julgados antes de setembro.
WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa
França aprova proibição de redes sociais para menores de 15 anos; medida é inédita na UE

Esquecidas na gaveta: brasileiros têm quase R$ 32 milhões guardados em moedas de 1 centavo

No fundo de gavetas, embaixo de sofás e nos bolsos de roupas velhas estão quase R$ 32 milhões dos brasileiros — distribuídos em moedinhas de 1 centavo. Mais de 20 anos após a suspensão da produção, cerca de 3,19 bilhões de moedas de R$ 0,01 ainda estão “em circulação”, de acordo com dados do Banco Central (BC).
A quantidade é próxima ao número de moedas de 25 e 50 centavos em circulação, cerca de 3,88 bilhões de cada valor. Porém, a menor unidade do real praticamente não é mais usada pelos brasileiros, apesar de continuar com valor garantido pela autoridade monetária.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
As últimas moedas de 1 centavo foram emitidas em 2004. No ano seguinte, o BC decidiu suspender a produção por dois motivos: mais de 3 bilhões de unidades já estavam em circulação e o custo de fabricação era desproporcional.
Na época, gastavam-se R$ 86,53 para produzir 1 mil moedas — ou seja, mais de 8 centavos por unidade.
Pela mesma razão, a moeda americana de um centavo, a “penny”, deixou de ser cunhada pela Casa da Moeda dos Estados Unidos no fim do ano passado. Em uma década, o custo de produção de 1 mil unidades saltou de US$ 1,42 para US$ 3,69.
O ‘penny da sorte’
Ally Bank via AP
Peso do que vale ‘quase nada’
A moeda de 1 centavo aparece entre as denominações que menos fazem falta na hora do pagamento, de acordo com pesquisas do BC. Segundo a instituição, as moedinhas desapareceram por entesouramento — isto é, ficaram retidas pela população.
O histórico inflacionário da economia brasileira pode explicar o desinteresse pelas moedas de baixo valor, segundo a economista Carla Beni, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Há décadas, concessionárias faziam campanhas para incentivar a população a pagar os pedágios com moedas. “Mesmo assim, o brasileiro já pensava ‘ah, vou carregar o peso por uma coisa que não vale quase nada’”, explica a economista.
Hoje, a cobrança automática já é realidade nos pedágios, enquanto novas formas de pagamento ganharam espaço. O PIX já ultrapassou o dinheiro físico, os cartões de crédito e de débito na preferência dos brasileiros.
Apesar da inflação e da maior adoção de outras formas de pagamento, não há expectativa de que as moedas de 5 e 10 centavos deixem de ser emitidas, segundo o Departamento do Meio Circulante do BC.
R$ 0,01 centavo que vale R$ 100 reais
Nem toda moeda de 1 centavo vale apenas o número cunhado no metal. Exemplares raros e bem conservados podem chegar a R$ 100 em sites de colecionadores.
A avaliação depende principalmente de três fatores:
Quantidade produzida;
Estado de conservação;
Interesse do mercado.
“As moedas de 1 centavo possuem uma tiragem muito alta, fazendo com que elas, via de regra, não valham muito. Seu preço médio é de 1 real cada, para exemplares pouco circulados, a até 10 reais para exemplares que não circularam (chamados de ‘flor de cunho’)”, explica Bruno Pellizzari, diretor-presidente da Sociedade Numismática Brasileira (SNB).
O mercado tem mais interesse em características “especiais” que diferenciam esses exemplares das moedas comuns. Segundo Pellizzari, um exemplo é o erro conhecido como “boné”, ou cunhagem descentralizada.
“No momento em que o disco liso ia receber a batida da cunhagem, ele ‘corria’, uma parte do desenho não era cunhada e o disco ficava parcialmente liso — essas valem dezenas de reais”, explica.
“Boné” em moeda de 1 centavo de real.
Reprodução/ Tenor e Pellizzari Leilões