Golpe usa concurso da Transpetro para cobrar inscrição e roubar dados de candidatos

Transpetro abre processo seletivo com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil
Candidatos e participantes do concurso público da Transpetro devem estar atentos para a existência de sites falsos. Eles estão usando indevidamente o nome, a marca e elementos visuais da instituição com o objetivo de obter dados pessoais e realizar cobrança de inscrição.
As páginas fraudulentas podem apresentar aparência semelhante à dos canais oficiais, incluindo logotipo, cores, imagens e estrutura visual, dificultando sua identificação. Segundo a Fundação Cesgranrio, a principal forma de verificar a autenticidade de uma página é conferir atentamente o endereço eletrônico acessado.
Como verificar se o site é seguro
Antes de informar dados pessoais, realizar qualquer pagamento ou efetuar uma inscrição, a Fundação recomenda que o candidato:
Confira cuidadosamente o endereço eletrônico exibido no navegador;
Verifique se a página utiliza HTTPS (um recurso que criptografa a conexão, deixando-a segura);
Observe o ícone de cadeado de segurança exibido pelo navegador;
Clique no cadeado e confira as informações do certificado de segurança, verificando se ele corresponde ao domínio oficial;
Evite acessar páginas de inscrição por meio de links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou anúncios patrocinados.
Em caso de dúvida sobre a autenticidade de uma página, a orientação é não fornecer dados pessoais, não informar senhas e não realizar pagamentos até que a legitimidade do site seja confirmada pelos canais oficiais da instituição.
Como fucniona o processo seletivo da Transpetro?
A Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, publicou nesta quarta-feira (12), no Diário Oficial da União (DOU), os editais de seu novo concurso público.
Ao todo, são oferecidas 281 vagas imediatas, além de 3.890 para cadastro de reserva, totalizando 4.171 oportunidades, distribuídas entre 61 cargos e ênfases dos quadros de terra e mar.
Transpetro publica editais de concurso com 4.171 vagas e salários de até R$ 15 mil; veja como participar
As oportunidades contemplam profissionais de níveis médio, técnico e superior, com remunerações mínimas garantidas que variam de R$ 5.464 a R$ 15.034,81, além de benefícios como previdência complementar, benefício educacional e plano de saúde.
Ao todo, foram publicados quatro editais. Para o quadro de terra, há um processo seletivo para cargos de nível médio/técnico e outro para nível superior. Já para o quadro de mar, um edital é destinado a oficiais e outro a suboficiais e guarnição.
Os candidatos às oportunidades do quadro de mar passarão por provas objetivas, exame de aptidão física e, quando aplicável, procedimentos de confirmação das condições declaradas para concorrer às vagas reservadas.
Para os cargos do quadro de terra, não haverá exame de aptidão física. A seleção será feita por meio de provas objetivas e, para os candidatos que concorrerem às vagas reservadas, por uma etapa de confirmação das condições declaradas.

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região.
O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade.
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Segundo a estatal, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises realizadas durante a perfuração, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo. Esses métodos permitem detectar sinais de petróleo e gás nas formações geológicas.
“As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”, diz a empresa, em nota.
Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas
Reprodução
O que falta descobrir?
A identificação de hidrocarbonetos é apenas a primeira etapa da exploração de uma área.
Agora, a Petrobras continuará a perfuração e os estudos para responder a duas perguntas principais: quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou em nota que a “descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país”.
Além disso, o IBP avalia que a descoberta reforça a “segurança energética nacional no médio e longo prazo”.
Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas
Petrobras/divulgação
O que disse a Petrobras
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira.
“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse.
A Petrobras é a única empresa responsável pelo bloco FZA-M-59, onde o poço foi perfurado. A área foi adquirida pela estatal em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 2013.
Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP)
Washington Alves/Reuters
Petrobras prevê 15 novos poços na Margem Equatorial até 2030
A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030.
Segundo a Petrobras, o plano prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos. A região é considerada pela companhia uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás e se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.

VÍDEO mostra sonda da Petrobras em área com sinais de petróleo e gás na Foz do Amazonas

Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas
Um vídeo divulgado nesta sexta-feira (14) mostra uma sonda da Petrobras na bacia do Foz Amazonas, no litoral do Amapá, após a empresa informar ter encontrado hidrocarbonetos no local. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região.
O poço, chamado Morpho, fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e foi perfurado em águas profundas, em um ponto onde o mar tem 2.886 metros de profundidade.
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Segundo a estatal, a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de análises realizadas durante a perfuração, incluindo perfis elétricos e amostras de rochas retiradas do subsolo. Esses métodos permitem detectar sinais de petróleo e gás nas formações geológicas.
“As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória, de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas”, diz a empresa, em nota.
Sonda da Petrobras na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá
Reprodução
O que falta descobrir?
A identificação de hidrocarbonetos é apenas a primeira etapa da exploração de uma área.
Agora, a Petrobras continuará a perfuração e os estudos para responder a duas perguntas principais: quanto petróleo ou gás existe no local e se a quantidade é suficiente para justificar a produção.
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou em nota que a “descoberta é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do país”.
Além disso, o IBP avalia que a descoberta reforça a “segurança energética nacional no médio e longo prazo”.
Margem Equatorial onde está localizada a Bacia Foz do Amazonas
Petrobras/divulgação
O que disse a Petrobras
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a descoberta reforça o potencial da Margem Equatorial brasileira.
“Nosso otimismo em relação à margem equatorial brasileira se confirma hoje. Essa primeira descoberta na costa do Amapá é resultado da dedicação e da competência da Petrobras, que está comprometida com a recomposição das reservas de petróleo e com a segurança energética do país”, disse.
A Petrobras é a única empresa responsável pelo bloco FZA-M-59, onde o poço foi perfurado. A área foi adquirida pela estatal em um leilão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizado em 2013.
Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP)
Washington Alves/Reuters
Petrobras prevê 15 novos poços na Margem Equatorial até 2030
A descoberta de hidrocarbonetos no poço Morpho é apenas uma etapa de uma campanha maior de exploração da Petrobras na Margem Equatorial. A companhia prevê perfurar 15 novos poços na região até 2030, como parte de seu Plano de Negócios 2026-2030.
Segundo a Petrobras, o plano prevê US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões) em investimentos nesse local nos próximos cinco anos. A região é considerada pela companhia uma nova fronteira de exploração de petróleo e gás e se estende pelo litoral entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.

Bloqueio de ligações indesejadas: Anatel autoriza anti-spam e estuda levar sistema a todos os clientes

Bloqueio de ligações indesejadas gera disputa entre operadoras na Anatel
O sistema da Vivo contra ligações indesejadas que foi alvo de reclamações da TIM foi autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que avalia adotar bloqueios parecidos nas demais redes de telefonia. (veja mais ao final)
O chamado “Vivo Anti-spam” é tema de processos administrativos da Anatel desde o início de junho. A alegação de ao menos sete empresas, incluindo a TIM, é de que o serviço impede ligações legítimas e cria barreiras artificiais para concorrentes da Vivo.
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Mas, na última quinta-feira (13), a Anatel concluiu que não há elementos suficientes para considerar o Vivo Anti-spam uma violação de regras do setor e determinou que a empresa pode continuar usando sua ferramenta.
A agência esclareceu que a medida não dá às operadoras liberdade irrestrita para bloquear chamadas. E disse que sistemas contra ligações indesejadas deve considerar fatores como proporcionalidade, transparência e igualdade no tratamento entre empresas.
Ligações automáticas indesejadas, chamadas de “robocalls”
Fantástico
Por que recebemos tantas ligações indesejadas? E como evitar esse tipo de chamada?
Um dos pontos questionados pela TIM foi a decisão da concorrente de ativar o anti-spam por padrão para todos os clientes – a ferramenta tinha sido lançada em novembro de 2024, mas só passou a ser ativada automaticamente em maio de 2026.
A Vivo disse que a taxa de cancelamento do serviço por usuários é de apenas 0,007%, o que reforçaria sua aceitação pelo público.
A Anatel concluiu que a ativação automática reduz a exposição de consumidores “hipervulneráveis” e com baixo letramento digital a golpes. Na avaliação da agência, eles teriam mais dificuldades para usar a ferramenta se tivessem que habilitá-la por conta própria.
Mas o órgão determinou que a página sobre o anti-spam no site da Vivo deve ter “informações claras, ostensivas e de fácil compreensão sobre seu funcionamento, incluindo os critérios e parâmetros utilizados para definir o tráfego sujeito à filtragem”.
Entenda a disputa entre operadoras
Além da TIM, outras empresas que questionaram o sistema relataram à Anatel casos de bloqueio de ligações consideradas legítimas, como aquelas feitas por serviços públicos de saúde, segurança e educação.
As operadoras também questionaram a falta de clareza sobre como o sistema define quais ligações seriam bloqueadas. Em alguns casos, os números foram liberados após contato com a Vivo.
A principal questão na disputa entre as empresas é o critério usado para bloquear as ligações, explicou Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, ao g1 no início de agosto.
“O anti-spam do telefone funciona como o do e-mail: de vez em quando, caem coisas que não deveriam ter caído. Não existe um anti-spam perfeito que vai bloquear só o que deve”, afirmou.
“A Vivo não pode bloquear as chamadas legítimas. A Anatel vai ter que estabelecer algum mecanismo para evitar que isso aconteça”, continuou.
Anatel avalia ampliar bloqueios contra spam
Ainda em sua decisão, a Anatel recomendou que outros departamentos da agência avaliem a possível adoção de critérios de bloqueio de ligações indesejadas do Vivo Anti-spam pelas demais redes de telefonia.
Na avaliação da agência, o alto número de chamadas sem identificação e sem interação efetiva, como as ligações mudas, “configura prática abusiva, que deteriora a comunicação e promove crise de confiabilidade entre os usuários”.
O objetivo com a recomendação é estimular a criação de padrões para barrar robôs no recebimento de chamadas, protegendo usuários que não saberiam configurar bloqueios manualmente.
Isso significa que o modelo da Vivo deixaria de ser uma iniciativa isolada para se tornar um padrão para todas as operadoras.
O órgão afirmou ainda que a padronização no setor ajudaria a garantir igualdade de condições entre as empresas, evitando que regras de filtragem fiquem restritas a apenas uma operadora.
Empresas afirmaram que sistema anti-spam da Vivo impediu ligações legítimas
Priscilla Du Preez/Unsplash

Queda da fila do INSS acelera nos últimos meses; benefícios negados sobem e chegam a quase 1 milhão em junho

Mutirão do INSS em Rio Branco
Lucas Thadeu/Rede Amazônica
A chamada fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vem recuando sistematicamente neste ano após determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de zerá-la ainda em 2026, mas os indeferimentos de pedidos também avançam com rapidez.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que a fila caiu para 1,8 milhão de benefícios represados em junho e para 1,55 milhão no fim de julho – o menor patamar em 21 meses. No ano, a redução da fila foi de 74%.
➡️O número de benefícios negados também mostra forte elevação. Em junho, os indeferimentos se aproximaram da marca de 1 milhão.
➡️No acumulado do ano, o volume de benefícios rejeitados cresceu 70% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre os requerimentos mais rejeitados estão os relativos a benefícios de incapacidade, que incluem o antigo auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), auxílio-acidente e aposentadoria por incapacidade permanente.
“É importante ressaltar que os indeferimentos fazem parte do processo de análise de requerimentos de benefícios. O indeferimento é a medida correta quando não são cumpridos os requisitos necessários ou o segurado não atendeu às exigências – como prazos ou apresentação de documentos”, informou o Ministério da Previdência.
Matemática que ‘não fecha’
Para Jane Berwanger, diretora do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), o declínio da fila acompanhada de alta dos indeferimentos é uma “matemática que não fecha”. Na avaliação da especialista, a estratégia pode apenas transferir a demanda para outra etapa do processo.
“É adiar o problema porque esses processos, em grande parte, vão voltar”, afirma Jane, adicionando que os pedidos negados podem resultar em novos requerimentos, recursos administrativos ou ações judiciais, contribuindo para o aumento da judicialização de questões previdenciárias.
“Tanto se fala do alto índice de judicialização no Brasil, principalmente em matéria previdenciária, e aqui nós temos um exemplo disso. Muitas pessoas que, se o processo fosse melhor analisado, poderiam ter o seu caso resolvido, vão ter que ir para a Justiça para ter o direito”, diz.
A diretora também apontou dificuldades enfrentadas pelos segurados para comprovar o direito ao benefício, especialmente nos casos que dependem da demonstração de incapacidade para o trabalho.
Entre os fatores que podem contribuir para os indeferimentos, ela cita a falta de documentação médica e problemas na análise realizada durante a perícia. Segundo a especialista, a dificuldade de reunir documentos que comprovem a incapacidade, somada a uma avaliação considerada insuficiente, pode prejudicar o segurado no processo de concessão do benefício.
Fachada do edifício-sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Brasília (DF)
Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Bônus para servidores e limitação de requerimentos
De acordo com o especialista em Previdência Social, Leonardo Rolim, que foi secretário de Previdência Social e presidente do INSS entre 2019 e 2022, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, porém, os dados oficiais disponíveis não indicam, em um primeiro momento, que haja algo errado no forte aumento de indeferimentos neste ano.
Segundo ele, a principal medida adotada pelo governo para reduzir da fila do INSS neste ano tem sido o bônus para peritos e servidores do INSS, o que, em sua visão, é um expediente já utilizado anteriormente e que costuma apresentar resultados efetivos. Rolim observou que, por conta disso, a fila de perícias despencou nos últimos meses.
Perícia médica é etapa obrigatória para concessão e continuidade de alguns benefícios do INSS.
Fabiane de Paula/SVM
“O mais importante é olhar o percentual de rejeições. Se aumenta o número de análises, é normal aumentar rejeições. Em junho, foi 54,2%. Em 2019 e em 2022 [quando também foi pago bônus aos servidores], o índice de rejeição foi de 44,7% e de 49,5%. É mais alto [neste ano], mas não é absurdamente mais alto”, avaliou Leonardo Rolim.
Outra mudança foi a que impede que o segurado apresente um novo requerimento enquanto houver um processo em curso referente ao mesmo tipo de benefício. Na prática, um novo pedido só pode ser apresentado após 30 dias da primeira decisão. Isso ocorre porque o processo é considerado pendente durante o prazo para apresentação de recurso administrativo.
Para Bernardo Schettini, consultor legislativo do Senado Federal, a alteração normativa é válida diante do que ele classifica como um “flagrante excesso de demanda pelos serviços do INSS”.
Para ele, a apresentação de múltiplos requerimentos para o mesmo benefício gera uma externalidade negativa para os demais segurados, pois reduz a capacidade do órgão analisar novos pedidos.
O especialista, porém, pondera que a medida também impõe custos aos segurados. Muitas vezes, afirma, novos requerimentos são apresentados para corrigir falhas documentais, complementar informações ou solucionar problemas na instrução do pedido anterior.
“É evidente que esse tipo de medida impõe custos aos segurados. Muitas vezes, novos requerimentos são apresentados para suprir falhas documentais, complementar informações ou corrigir erros na instrução do pedido anterior”, explicou Schettini.
Ele acrescentou que, ao restringir a apresentação de novos requerimentos, a norma pode aumentar o tempo efetivo de acesso ao benefício, sobretudo para pessoas que enfrentam dificuldades para obter informações, reunir documentos ou utilizar os canais digitais do INSS.
“Ao restringir a apresentação de requerimentos, a norma pode elevar o tempo efetivo de acesso ao benefício, especialmente para pessoas com dificuldade de acesso a informações, de obtenção de documentos ou de utilização dos canais digitais”, complementou o consultor.
Atestmed
Rolim aponta que outro possível fator que pode ter contribuído para aumentar as rejeições foi a substituição do Atestmed, um procedimento do INSS que concedia auxílio-doença com base em análise de documentos enviados pelo segurado, pela perícia médica presencial.
Alguns benefícios do INSS exigem perícia médica para obtenção e permanência do repasse financeiro.
Natinho Rodrigues/SVM
“O Atestmed garantia praticamente o benefício mesmo a quem não tivesse direito. O pessoal descobre que está fácil e entra com o pedido. Chegou a aumentar no número de requerimentos de 80% sem ter nenhuma epidemia no país. Claramente era fraude. Quando começa a haver perícia, essa fraude cai. É possível e justificável que esse aumento de indeferimentos seja por uma substituição do Atestmed por perícias, mas tem que se verificar isso”, explicou Rolim.
Jane Berwanger vai na mesma direção. “No ano passado, o Atestmed não podia indeferir. Então, a pessoa apresentava o Atestmed e, se o benefício não fosse concedido, ia para a perícia. Agora, não mais”, contextualiza ela.
Um dos reflexos disso seria a ampliação da possibilidade de o pedido ser negado já na análise documental.
“E aí aconteceu esse problema de os médicos não olharem a documentação. Bastaria eles olharem a documentação e nem isso muitos deles estão fazendo. Então, a diferença é essa: agora o Atestmed indefere pedidos”, explicou a diretora.
Governo se posiciona
Procurado pelo g1, o Ministério da Previdência Social informou que a aceleração no fluxo de trabalho e o crescimento no número de requerimentos elevaram o número de decisões tomadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
“Quanto mais requerimentos chegam e quanto mais rápido o INSS analisa os processos acumulados, maiores ficam todos os números absolutos, de decisões, concessões e indeferimentos”, acrescentou o governo federal. Diz, ainda, que proporcionalmente a taxa de concessões no primeiro semestre de 2026 (49,5%) reflete a média histórica recente do INSS.
Fila do INSS: Lula anuncia meta de zerar espera até setembro
O Ministério da Previdência ponderou que o segurado tem direito a recorrer administrativamente, sem custo, junto ao Conselho de Recursos da Previdência Social, em até 30 dias após a análise, se não concordar com a decisão. E afirmou que a possibilidade de recurso é uma “garantia de proteção dos direitos dos segurados e faz parte do funcionamento regular da Previdência Social”.
“Todo cidadão tem direito de buscar a revisão de uma decisão com a qual não concorde, inclusive por meio da Justiça, se considerar necessário. O recurso é um instrumento previsto no próprio sistema previdenciário para garantir que as decisões possam ser reavaliadas quando o cidadão apresentar novos elementos ou discordar da análise realizada”, concluiu.