Presidente da Petrobras diz que Amapá vai produzir petróleo em águas ‘ultraprofundas’ em até sete anos

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard na refinaria da Petrobras Gabriel Passos (REGAP)
Washington Alves/Reuters
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou neste sábado (15) em entrevista à Globonews que o Amapá estará produzindo petróleo em águas ultraprofundas em até sete anos.
A Petrobras anunciou nesta sexta-feira (14) que encontrou hidrocarbonetos em um poço exploratório na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. A descoberta indica a presença de petróleo ou gás natural na região.
“Definido esse porte é que a gente parte para definir qual é o projeto de desenvolvimento que nós vamos empreender. Então, imagino que o Amapá possa ter petróleo sendo produzido em águas ultraprofundas de hoje a uns seis, sete anos”, afirmou,
A exploração na região faz parte da estratégia da Petrobras para repor suas reservas de combustível e garantir o abastecimento do país durante o processo de transição para energias mais limpas.
A Petrobras é a única dona da área e opera o local de forma exclusiva. O direito de exploração foi comprado em 2013, em um leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Magda afirmou que a descoberta é “absolutamente relevante”, porque o Brasil poderia a voltar a importar petróleo nos próximos anos se as reservas não fossem repostas.
“Essa descoberta no Amapá representa tudo isso. Representa a manutenção do Brasil como um polo geopoliticamente importante no mundo do petróleo na próxima década como um todo”, disse.
Poço Morfo
O poço Morfo está localizado a 175 km do litoral do estado do Amapá, e abaixo de uma lâmina d’água de quase 3 mil metros de profundidade, a 500 km da foz do Rio Amazonas.
Segundo especialistas, a presença de hidrocarbonetos significa, na prática, que a Petrobras descobriu petróleo na região.
A Petrobras afirmou que a atuação na região é feita de forma segura e com respeito ao meio ambiente e às pessoas. A nota da estatal disse também que a atuação faz parte da estratégia para recompor as reservas da companhia e garantir o atendimento da demanda nacional durante a transição energética justa.
Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo disse que a descoberta é muito importante porque confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás em outras regiões, o que reforça a segurança energética nacional no médio e longo prazo

Mega-Sena pode pagar R$ 38 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.045 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 38 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (16), em São Paulo.
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No concurso da última quinta-feira (12), ninguém acertou as seis dezenas.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

China domina mercado de robôs humanoides; entenda por que os EUA decidiram barrá-los

Feira da Indústria tem exposição de robôs humanóides
A fabricante chinesa de robôs humanoides e quadrúpedes Unitree Robotics abriu na segunda-feira (10) as inscrições para sua oferta pública inicial de ações na Bolsa de Valores de Xangai. É a primeira empresa do setor a dar esse passo na China, em uma operação que pode elevar seu valor de mercado a mais de 50 bilhões de yuans (R$ 37,7 bilhões).
A empresa ganhou destaque internacional pela capacidade de fabricar robôs sofisticados a preços competitivos, ajudando a impulsionar a liderança chinesa no mercado global. Agora, deve ganhar ainda mais projeção com a entrada de capital privado.
A movimentação ocorre em paralelo à decisão dos Estados Unidos, anunciada no fim de julho, de proibir a entrada no país de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior.
A medida, justificada por “riscos inaceitáveis” à segurança nacional, foi interpretada por analistas como um sinal de que os EUA temem que sua liderança tecnológica seja ameaçada por Pequim. O gigante asiático respondeu por 85% dos usos de robôs humanoides em 2025, segundo o banco britânico Barclays.
O argumento da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA é que os robôs “coletam dados que poderiam ser explorados por agentes mal-intencionados para vigiar americanos, ampliar as capacidades de serviços de inteligência estrangeiros ou assumir remotamente o controle dos robôs”.
Em junho, o Pentágono já havia incluído a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias acusadas de manter vínculos com as Forças Armadas chinesas. Robôs da empresa já foram utilizados em exercícios militares.
China vendeu quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de empresas americanas
Imaginechina/Sipa USA/picture alliance
Quão séria é a ameaça dos robôs chineses à segurança dos EUA?
Autoridades americanas alertam que robôs humanoides e quadrúpedes chineses podem coletar dados detalhados de localização e informações pessoais, ser controlados remotamente e representar riscos para infraestruturas críticas dos EUA. As preocupações se concentram principalmente no potencial uso duplo dos robôs, tanto para fins civis quanto militares.
Pesquisadores já demonstraram que robôs da Unitree apresentam falhas de segurança que permitem a invasores assumir o controle por meio de um comando de voz e, em seguida, utilizar um robô para controlar outros.
Washington também teme que uma grande quantidade de robôs chineses de baixo custo possa fornecer dados do mundo real a sistemas chineses de inteligência artificial, que vêm se aproximando rapidamente de seus concorrentes americanos.
A ameaça, porém, ainda é em grande parte teórica, já que a maioria dos robôs humanoides comerciais está em estágios iniciais de desenvolvimento.
A China rejeitou as acusações e afirmou que os EUA estão usando a segurança nacional como pretexto para o protecionismo e para restringir a tecnologia chinesa.
Dias depois do anúncio da Casa Branca, a China respondeu com a imposição de controles sobre as exportações de drones aos EUA e a proibição de negócios com seis entidades americanas.
Ação de Trump vai impulsionar a indústria americana de robôs?
O governo de Donald Trump nunca escondeu seu objetivo de apoiar a indústria doméstica de robótica dos EUA, que, por sua vez, sustenta a expansão da infraestrutura de IA do país, avaliada em quase US$ 1 trilhão.
Segundo observadores do setor, Trump quer proteger empresas como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics da concorrência de fabricantes chineses de grande escala, cujos robôs frequentemente custam metade do preço, ou menos, dos modelos americanos.
Robôs humanoides ganham espaço na indústria, como fábricas de automóvel e centros de armazenamento
VCG/IMAGO
Washington já impôs restrições semelhantes a drones e painéis solares chineses e atualmente aplica uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses.
A medida é vista como uma tentativa de Trump de ganhar tempo diante da rapidez com que a China expandiu sua produção de robôs.
Segundo a empresa de pesquisa tecnológica Omdia, a China tem seis empresas entre as dez maiores do setor de robótica. Essas companhias venderam quase 11,6 mil robôs humanoides em 2025, contra apenas algumas centenas de unidades vendidas por empresas americanas.
Em março, o Bank of America projetou cerca de 90 mil unidades embarcadas até o fim deste ano.
Os EUA são considerados mais fortes no desenvolvimento do “cérebro” dos robôs, por meio de IA avançada, enquanto a China lidera na produção em massa de robôs mais baratos, com movimentos aprimorados por atuadores de alto desempenho, uma espécie de músculo robótico.
Elon Musk tem grandes planos para o robô Optimus, da Tesla.
Reprodução/DW
Rush Doshi, do think tank americano Conselho de Relações Exteriores (CFR), descreveu o veto da Casa Branca como “uma das ações mais significativas já tomadas em apoio ao ecossistema de robótica dos EUA”.
Evan Beard, CEO da fabricante de braços robóticos Standard Bots, diz que o governo Trump está enviando uma mensagem “inequívoca” à China.
“A robótica é uma tecnologia que os Estados Unidos precisam liderar e dominar, e robôs subsidiados por governos estrangeiros não terão permissão para dominar injustamente a robótica americana…”, escreveu Beard na rede X.
Críticos, porém, avaliam que a proibição pode desacelerar a inovação em IA nos EUA, já que pesquisadores utilizam robôs chineses de baixo custo para realizar testes.
“Restrições podem reduzir a exposição a riscos de segurança, mas, por si só, não criam um ecossistema doméstico competitivo”, disse Georg Stieler, consultor da indústria de robótica, via X.
Há também quem avalie que a proibição pode levar Pequim a “restringir ainda mais as vendas de terras raras para empresas americanas e […] o acesso de companhias americanas, como Tesla e Nvidia, ao mercado chinês”, como argumentou Marc Einstein, diretor de pesquisas da Counterpoint Research, ao canal americano de TV CNBC.
Robôs humanoides em demonstração de artes marciais em programa de TV chinesa
Reprodução/CCTV
Mercado de robôs humanoides é promissor
O Barclays estima que o mercado, atualmente avaliado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões (R$ 10,2 bilhões a R$ 15,3 bilhões), poderá chegar a US$ 200 bilhões (R$ 1 trilhão) até 2035, no cenário mais otimista, caso haja avanços no cérebro, na força física e nas baterias dos robôs.
Elon Musk, o homem mais rico do mundo, é ainda mais otimista. Ele aposta que o Optimus, da Tesla, pode se tornar “o maior produto de todos os tempos”, com vendas que, no longo prazo, poderiam chegar a US$ 10 trilhões (R$ 51 trilhões).
Em larga escala, ele acredita que os robôs, atualmente vendidos por cerca de US$ 100 mil, poderão custar entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade, tornando-se acessíveis para fábricas, armazéns e, posteriormente, residências.
Combinando a projeção do Barclays com a meta de preços de Musk, o mercado poderia chegar à venda de aproximadamente 7 milhões a 10 milhões de robôs humanoides por ano até 2035.
No curto prazo, a expectativa é que os humanoides assumam tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em armazéns e fábricas. Mais adiante, poderão atuar também em áreas como saúde, assistência a idosos e trabalhos domésticos.

Curral eclético: vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES; veja VÍDEO

Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no ES
Em um curral eclético, ouvindo de forró a música clássica, cerca de 30 vacas de uma fazenda no Espírito Santo estão produzindo mais leite desde passaram a ouvir músicas durante o manejo e a ordenha. A cena parece ter saído de um filme, mas é uma realidade que transformou a produção de leite nas terras do agricultor Edson Michael Rohr.
Uma das estrelas desse curral é a vaca Luana, da raça girolanda, que produz cerca de 200 litros de leite por semana. Os animais são cuidados pelo produtor rural Edson Michael Rohr, na propriedade Sítio Rô, que fica em Rio Novo do Sul, na Região Sul do estado.
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O hábito de ligar o rádio para que os animais também pudessem ouvir uma trilha sonora diversificada não é de agora. Segundo o produtor, ligar o som durante o trabalho surgiu há cerca de 15 anos.
As vacas do produtor são realmente ecléticas, tanto que o estilo musical mais ouvido no local passeia pelo sertanejo, música clássica e até pop rock.
Para ele, o diferencial não é apenas a quantidade de leite produzida, mas ouvir música também ajuda no manejo dos animais no dia a dia.
“As vacas ficam mais calmas, a música ajuda bastante. Quando chega alguém diferente ou tem algum barulho, permanecem tranquilas. Parece que ficam concentradas no som”, disse.
A prática começou de forma despretenciosa. Mas também não foi difícil de ser implementada, afinal, como Edson mesmo diz: “Todo produtor tem um radinho na roça”.
Além da música, o contato e o carinho com os animais são outras estratégias que ajudam a amansar as vacas e proporcionam um diferencial durante as competições de produção leiteira, outro hobby que o produtor gosta de praticar.
Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite no Sul do Espírito Santo
Edson Michael Rohr
A ciência explica
E acredite se quiser: outras vacas ao redor do mundo também têm gosto musical refinado e motivaram pesquisas científicas que garantem que a música influencia nos resultados observados nas produções leiteiras.
Gercílio Alves de Almeida, zootecnista e professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), explicou que uma boa trilha sonora contribui na liberação de leite durante a ordenha por melhorar o bem-estar e a sensação de conforto dos animais.
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Essa prática integra o chamado enriquecimento ambiental, um conjunto de estratégias voltadas para melhorar o bem-estar dos animais de diversas espécies, com efeitos cientificamente comprovados.
“O efeito é positivo porque promove o relaxamento da vaca e estimula a liberação do hormônio ocitocina, que depende de estímulos positivos do ambiente e é responsável pela ‘descida’ do leite”, afirmou.
Outros estímulos positivos, como carinho, a presença do bezerro e até uma massagem também favorecem a produção desse hormônio. No entanto, assim como a música incentiva, outros tipos de barulhos podem causar uma influência negativa.
“Ruídos como motores, cães latindo, objetos caindo ou pessoas gritando assustam o animal e provocam a liberação de adrenalina, hormônio que tem efeito contrário ao da ocitocina. Ele inibe a descida do leite, porque a vaca está sob estresse ou medo”, alertou o professor.
Vacas escutam de forró a música clássica e produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo
Edson Michael Rohr
Portanto, quanto mais agradável o ambiente, melhor para os animais e a produção.
E tem mais um detalhe: a música só traz benefícios quando faz parte da rotina dos animais. Gercílio afirmou que as vacas são animais que gostam de rotina e mudanças no manejo e ambiente podem afetar a produção de leite.
Por isso, se a música é utilizada durante a ordenha, o ideal é que ela seja mantida de forma constante. O estilo musical também pode influenciar a resposta das vacas, já que elas tendem a reagir melhor a músicas mais suaves, como as clássicas.
No entanto, o zootecnista ressaltou que o mais importante é a familiaridade. “Se o produtor costuma deixar o rádio ligado com sertanejo, por exemplo, os animais acabam se acostumando com aquele som, que passa a fazer parte da rotina e transmite sensação de segurança”.
Na prática, muitos produtores já mantêm o rádio ligado durante o trabalho por hábito próprio e, sem perceber, acabam proporcionando um ambiente mais familiar e tranquilo, do qual as vacas também se beneficiam.
Vacas criadas ao som de música produzem mais leite em fazenda no Espírito Santo
Edson Michael Rohr
Edson é produtor rural e cria cerca de 30 vacas ao som de música no Sul do Espírito Santo
Edson Michael Rohr
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Sem janelas e mais econômico: como será voar no 'avião-arraia', aposta de aéreas americanas

Projeto de ‘avião-arraia’ promete tornar voos mais baratos; veja como ele será
Viajar no avião Z4, projeto da americana JetZero, será bem diferente de voar em um avião comum. Em vez das janelas ao lado dos passageiros, a aeronave terá telas que mostrarão imagens do lado de fora captadas por câmeras de alta definição.
O projeto tem um formato que lembra uma arraia, com a área central integrada às asas. A JetZero diz que o desenho melhora a aerodinâmica e poderá reduzir entre 30% e 50% o consumo de combustível em comparação com modelos como o Boeing 787.
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A iluminação natural da cabine virá de duas claraboias instaladas próximas às primeiras fileiras. O avião deverá transportar cerca de 250 passageiros, distribuídos em seis seções, e terá um compartimento de bagagem para cada assento.
Críticos ouvidos pelo Wall Street Journal apontam que passageiros próximos às asas poderão sentir mais desconforto nas curvas da aeronave e que a falta de janelas poderá aumentar a sensação de enjoo.
Avião Z4 terá telas no lugar das janelas ao lado dos assentos
Divulgação/JetZero
Outra mudança do projeto está nas portas: elas serão posicionadas em locais distintos dos usados em aviões convencionais, o que pode dificultar a adaptação do Z4 na maioria dos aeroportos, já que eles estão mais preparados para receber modelos tradicionais.
A JetZero planeja fazer o primeiro voo de um protótipo em escala real em 2027. A empresa pretende iniciar o uso comercial da aeronave no começo da década de 2030.
O Z4 foi projetado para voos de até 5.000 milhas náuticas (cerca de 9.200 km). A autonomia seria suficiente, por exemplo, para uma viagem entre São Paulo e Madri, na Espanha, uma distância de aproximadamente 8.400 km.
A empresa já tem o apoio de companhias aéreas americanas. A United Airlines planeja comprar 200 unidades do Z4, enquanto Delta e Alaska Airlines também apoiam o projeto.
Para acelerar o desenvolvimento, a JetZero pretende usar componentes presentes em outros aviões e que já foram aprovados pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), órgão que regula o setor no país.
A empresa também tem um acordo de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) com o governo americano para financiar a construção de uma fábrica na Carolina do Norte. A estrutura será usada para acelerar a produção da aeronave.
Se o projeto avançar como planejado, o avião-arraia poderá unir uma cabine diferente da convencional com uma promessa de redução significativa no consumo de combustível. Mas, antes de chegar aos passageiros, ele terá que passar por uma série de testes.
Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero
Reprodução/JetZero
Fabricante americana JetZero está projetando o avião Z4
Divulgação/JetZero
Z4, projeto de avião em desenvolvimento pela americana JetZero
Divulgação/JetZero

Trilionário por 2 meses: a ‘marcha à ré’ da SpaceX que fez Elon Musk perder bilhões de dólares

Uma transmissão ao vivo mostra o CEO da SpaceX, Elon Musk, no dia da oferta pública inicial (IPO) da SpaceX no Nasdaq MarketSite, na cidade de Nova York, EUA, 12 de junho de 2026.
REUTERS/Jeenah Moon
Dizem que foguete não dá ré, mas o da SpaceX dá — e a fortuna de Elon Musk também. O empresário, que já era o homem mais rico do mundo, tornou-se o primeiro trilionário da história graças, em grande parte, à valorização da empresa espacial.
Só que a marca durou pouco: em apenas dois meses, sua fortuna encolheu US$ 146,5 bilhões (R$ 764,65 bilhões), em meio à queda no valor da companhia.
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As ações da empresa recuaram 31% desde a máxima de US$ 201,8 (R$ 1.053,27), alcançada em junho, e Musk é dono de 42% da SpaceX.
Por isso, quando o valor da companhia cai, a participação do empresário também passa a valer menos — e sua fortuna encolhe.
Agora no g1
SpaceX cresce em ritmos diferentes
O primeiro balanço divulgado desde a abertura de capital mostra uma empresa em forte expansão, mas que é formada por negócios com características diferentes entre si.
A receita quase dobrou em um ano, mas a expansão também exigiu investimentos pesados: foram US$ 18,37 bilhões (R$ 95,9 bilhões) em apenas três meses, mais de seis vezes o valor registrado no mesmo período de 2025.
As três principais áreas da companhia crescem em ritmos distintos. A internet via satélite já é lucrativa, enquanto inteligência artificial e lançamentos espaciais ainda priorizam expansão e investimentos. (veja mais no infográfico abaixo)
É essa diferença que Andrew Menzies, diretor de operações da Openbook Analytics, considera central para entender as contas da SpaceX.
Em relatório, o especialista destaca que, em 2025, o segmento de conectividade gerou US$ 4,42 bilhões (R$ 23,07 bilhões) em lucro operacional. Já a área de IA acumulou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões (R$ 33,14 bilhões).
Para Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar, o resultado mostra uma empresa que está crescendo enquanto faz uma aposta pesada no futuro.
“A maior gama de resultados potenciais do valor futuro da SpaceX reside em seus empreendimentos de inteligência artificial”, afirma Owens.
Segundo ele, o mercado precisa decidir quanto está disposto a pagar hoje por negócios que ainda terão de provar seu potencial nos próximos anos.
Onde a SpaceX está colocando seus bilhões
Arte/g1
IA e Starship: as apostas bilionárias
A maior parte dos investimentos da SpaceX no segundo trimestre foi direcionada à inteligência artificial. Entre os movimentos estão:
🖥️ Ampliação da infraestrutura de computação em nuvem e de projetos como o Colossus II, os planos de usar chips da Nvidia em satélites voltados à inteligência artificial.
🤝 Acordo de US$ 60 bilhões (R$ 313,16 bilhões) para adquirir a Cursor, ampliando a oferta de ferramentas de IA para empresas.
É esse movimento que Menzies resume como uma fase de “reinvestimento agressivo”.
“A companhia está canalizando capital para o desenvolvimento do Starship, para a fabricação de satélites e infraestrutura de IA”, diz o diretor da Openbook Analytics.
O desafio, segundo Owens, é fazer com que toda essa infraestrutura comece a gerar receita e justifique o dinheiro investido.
“Mesmo com sua volatilidade acentuada desde o IPO, acreditamos que os investidores ainda estão considerando cenários mais otimistas para a reusabilidade do Starship e para a vantagem comercial de datacenters orbitais do que o que é mais provável neste momento.”
Mas a inteligência artificial não é a única aposta de longo prazo da SpaceX. O desenvolvimento do Starship, principal projeto da área espacial, também consome bilhões.
🚀 Em 2025, a empresa investiu mais de US$ 3 bilhões (R$ 15,66 bilhões) no projeto, além de outros US$ 930 milhões (R$ 4,85 bilhões) no primeiro trimestre deste ano.
Para o mercado, portanto, não basta que a SpaceX cresça. É preciso saber se os investimentos feitos agora serão capazes de criar negócios grandes o suficiente para justificar o dinheiro gasto.
A SpaceX desenvolveu um sistema que permite ao Starship voltar à base após o lançamento e ser recuperado na própria plataforma de onde partiu.
Reprodução
Starlink paga a conta — mas também enfrenta pressão
É nesse ponto que a importância do Starlink ganha mais destaque. O serviço de internet via satélite é hoje um dos principais negócios da SpaceX e ajuda a financiar a expansão das outras áreas.
A base de clientes dobrou em um ano, para 12 milhões, mas a receita média por usuário caiu de US$ 85 (R$ 443,65) para US$ 66 (R$ 344,48) entre o segundo trimestre de 2025 e o mesmo período deste ano.
Segundo Menzies, a própria SpaceX espera que esse valor continue recuando à medida que avance para mercados de menor renda e ofereça preços mais competitivos.
Por enquanto, o crescimento do número de clientes compensa a queda da receita média por usuário. Mas, se o Starlink precisar crescer cada vez mais para sustentar os investimentos nas demais áreas, a evolução de sua rentabilidade passa a ser uma questão importante para o mercado.
“Uma queda contínua na receita por assinante, se não for compensada pelo crescimento do volume, comprimiria as margens do segmento de conectividade — a única parte do negócio que atualmente gera lucro operacional significativo.”
Para os especialistas, a empresa ainda tem dinheiro para continuar investindo e expandindo seus negócios. O que mudou é a percepção do mercado sobre essas apostas: quanto elas vão valer — e quanto tempo vão levar para dar retorno?
A resposta pode determinar não apenas o valor da SpaceX, mas também o rumo da fortuna de Musk.

Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA?

Miriam Leitão: Brasil defende multilateralismo na OMC
O Brasil ganhou um reforço importante no seu enfrentamento ao tarifaço dos Estados Unidos nesta semana — depois que a China pediu para participar das consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a ação brasileira contra o tarifaço imposto por Donald Trump.
A avaliação é de dois especialistas consultados pela BBC News Brasil.
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“Para o Brasil, isso é importante porque o país ganha não apenas um aliado, mas ‘o’ aliado. A China é hoje a principal potência mundial em termos de comércio, investimentos e também em termos geopolíticos”, afirma Ana Garcia, professora de Relações Internacionais e coordenadora do Centro de Estudos Avançados (CEA) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
“É um apoio indireto, de uma espécie de amigo que não precisa necessariamente agir imediatamente contra os EUA, mas que pode fazê-lo mais adiante, caso seja diretamente afetado. E a China possui muito mais espaço de barganha e poder de contestação contra os EUA do que o Brasil. Eles têm meios de retaliação aos EUA onde o Brasil é mais frágil.”
Para Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ, o pedido chinês pode ser entendido como um apoio ao argumento do Brasil contra os EUA.
“Isso reforça o peso político do caso brasileiro e fortalece o argumento central contra a Seção 301 dos EUA, que tem vários elementos considerados muito frágeis do ponto de vista da defesa da tarifa em si.”
No final do mês passado, o Brasil apresentou um pedido de consultas aos EUA no sistema de solução de controvérsias da OMC contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump.
Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil disse que as tarifas americanas são “injustificadas e incompatíveis” com obrigações assumidas pelos EUA no âmbito de regras internacionais de comércio.
Uma das medidas questionadas é sobre a investigação americana contra o Brasil, na qual o governo Trump impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros.
O pedido de consultas é a primeira etapa de um sistema de solução de controvérsias da OMC. Nesta semana, os EUA responderam que estão “à disposição para nos reunirmos com os representantes de sua missão em uma data mutuamente conveniente para a realização das consultas”.
Aproximação com a China
Entrada da China na ação do Brasil na OMC ajuda a combater guerra tarifária contra os EUA?
Getty Images via BBC
China e Brasil são os dois países que mais viram suas tarifas médias de importação subirem no segundo mandato de Trump.
Ibañez acredita que a China não age por altruísmo ao pedir para participar das consultas do Brasil na OMC.
“A China, ao fazer esse movimento, não está simplesmente sendo ‘boazinha’ e defendendo um país prejudicado. Ela também possui interesses próprios”, afirma o professor.
Um desses interesses seria combater os EUA em foros internacionais.
“De um lado, há um país que tem reduzido a importância dos mecanismos multilaterais. Do outro, há um país que busca se apresentar como porta-voz do multilateralismo no mundo contemporâneo. É uma queda de braço entre gigantes, e o Brasil está no meio dela.”
Ele também ressalta que o fato de o Brasil estar recebendo esse apoio chinês não significa que exista um alinhamento entre os dois países.
“O meu temor é que essa situação seja interpretada como um alinhamento direto do Brasil à China. O Brasil não é um país alinhado diretamente a nenhum desses dois grandes centros de poder. Ele tem estabelecido relações com ambos os lados. Lula não se furtou a ir aos EUA quando convidado por Trump. Vai à China e também mantém relações com os americanos”, afirma.
Para analista, Brasil está no meio de uma queda de braço entre gigantes
Getty Images via BBC
Ele acredita que o Brasil não pode abrir mão das suas relações com os EUA.
“Já estamos observando os efeitos problemáticos de ter atritos com eles. Além disso, os EUA têm demonstrado uma doutrina muito clara de ampliar sua área de influência na América Latina”, diz.
Nesta semana, o governo de Donald Trump exaltou novamente a Doutrina Monroe como uma diretriz para sua política externa no continente americano.
Um vídeo de mais de cinco minutos publicado na terça-feira (11/08) nas redes sociais do Departamento de Estado dos EUA afirma que a “doutrina encontrou seu mais recente defensor em Donald Trump”.
Por outro lado, o Brasil tenta se equilibrar entre China e EUA, defendendo uma boa relação com as duas potências.
“O Brasil construiu com a China, ao longo dos últimos 20 ou 30 anos, uma relação comercial extremamente forte”, afirma Ibañez.
“A China é um grande parceiro e também um ator ao qual precisamos estar atentos. Ela vem investindo em áreas estratégicas no Brasil, como energia, infraestrutura, portos, empresas nacionais e agronegócio. São diversos setores nos quais a presença chinesa é muito significativa, com crescente influência sobre o mercado brasileiro e sobre os mecanismos de cooperação tecnológica.
OMC fragilizada
Ambos os analistas destacam que a consulta brasileira sobre os EUA acontece em um momento em que a OMC parece ter pouca capacidade de agir.
“Considero fundamental destacar que os mecanismos multilaterais de resolução de contenciosos estão muito enfraquecidos”, afirma Ibañez.
“Trump tem atuado como uma espécie de xerife internacional de forma muito intensa e sem seguir plenamente as regras do sistema internacional. Por isso, acredito que, mesmo que o Brasil obtenha uma decisão favorável na OMC, dificilmente isso resultará, por si só, em uma reviravolta prática.”
“Não se pode deixar de pontuar que a OMC é hoje uma instituição fragilizada. É um espaço multilateral que teve muita importância desde sua criação, em 1994. As negociações multilaterais de comércio, que no pós-guerra aconteciam sob o GATT [órgão que antecedeu a OMC], sempre constituíram um espaço relativamente forte, apesar das crises econômicas e disputas geopolíticas”, diz Ana Garcia.
“Mas, como várias outras instituições multilaterais, a OMC foi perdendo força à medida que os grandes Estados passaram a privilegiar ações bilaterais. Esse é claramente o caso dos EUA.”
Ela afirma que a OMC já enfrentava dificuldades antes mesmo do tarifaço de Trump.
“Os acordos multilaterais já encontravam obstáculos por falta de entendimento entre europeus, países emergentes relevantes, como Índia e Brasil, e outros atores importantes.”
Multilateralismo
Para Pablo Ibañez, a disputa comercial está envolvida também em uma briga dos EUA contra instituições multilaterais, como a OMC.
“No caso da OMS, por exemplo, tivemos uma situação grave, com os Estados Unidos saindo da Organização Mundial da Saúde. Os Estados Unidos têm atuado de maneira muito assertiva para diminuir a importância, a relevância e a atuação dos mecanismos multilaterais de resolução, sejam eles voltados para conflitos, guerras, saúde ou comércio”, afirma Pablo Ibañez, que é integrante do centro de estudos Brics Policy Center e também professor da UFRRJ.
Já a China atuaria no sentido contrário neste momento, tentando aumentar sua influência nessas instituições multilaterais.
“Há também, nos EUA, o entendimento de que a China tem tido cada vez mais proeminência dentro dessas organizações multilaterais e que, por isso, elas estariam perdendo credibilidade. Esse é o panorama mais amplo do que está acontecendo agora.”
Essa preferência por órgãos multilaterais da China neste momento é algo que, segundo Garcia, coincide com um princípio defendido tradicionalmente pela diplomacia brasileira.
“A aposta do governo brasileiro é no multilateralismo. Ao acionar os EUA no sistema de arbitragem da OMC, o Brasil também sinaliza sua preferência por mecanismos multilaterais em vez de ações unilaterais, algo que historicamente marca a política externa brasileira.”
Analistas apontam que OMC está fragilizada neste momento
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Poucos efeitos práticos
Os analistas acreditam que, embora haja um componente político importante na ação do Brasil na OMC, qualquer decisão da entidade não deve ter grande impacto real no tarifaço americano.
“Não devemos esperar grandes resultados. O processo na OMC tende a ser demorado. Mesmo que haja uma decisão favorável ao Brasil, ela pode ter pouco efeito prático sobre as ações americanas, dada a capacidade dos EUA de agir unilateralmente. Por isso, acredito que os efeitos dessa iniciativa sejam limitados”, diz Garcia.
Para Garcia, o fato de China e Brasil estarem se aproximando no combate ao tarifaço americano não significa necessariamente que haverá aumento do comércio entre os dois países.
“Já existe um volume muito elevado de comércio entre os dois países. O Brasil tem a China como principal parceiro comercial, e a China vê o Brasil como um fornecedor fundamental de produtos ligados à sua segurança alimentar”, diz Garcia.
“Os produtos afetados pelas tarifas americanas não são, em sua maioria, produtos cuja demanda seria naturalmente absorvida pelo mercado chinês. Na minha leitura, eles tendem a ser redirecionados gradualmente para outros mercados, como Europa, outros países asiáticos ou mesmo por meio de uma integração maior na América Latina. É nesses mercados que existe mais espaço para manufaturados brasileiros.”