Como o 'Super El Niño' pode afetar economia global e fazer subir os preços de alimentos

Cientistas monitoram formação de ‘Super El Niño’ e alertam para impactos no Brasil
O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima. O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos.
Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda
Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.
O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida.
Secas e enchentes podem gerar prejuízos
Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução.
Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras.
Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção.
Pressão sobre a inflação
A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia.
Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas.
Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial.
O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução.
Um fenômeno global
O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta.
No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global.
As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.
Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados.
Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global.
Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados
Reprodução/TV Globo

Como o 'Super El Niño' pode afetar economia global e fazer subir os preços de alimentos

Cientistas monitoram formação de ‘Super El Niño’ e alertam para impactos no Brasil
O Super El Niño que está se formando no Oceano Pacífico não deve trazer apenas mudanças no clima. O fenômeno também pode provocar impactos na economia, com efeitos sobre a produção de alimentos, os preços e os gastos para recuperar áreas atingidas por eventos extremos.
Super El Niño pode intensificar chuvas, tempestades e enchentes no Brasil; entenda
Anos de El Niño costumam ser marcados por escassez de alimentos e aumento de preços. Isso acontece porque secas, enchentes e ondas de calor podem prejudicar plantações e provocar perdas na produção.
O impacto pode chegar ao consumidor. Com uma oferta menor de determinados alimentos, os preços tendem a subir, aumentando a pressão sobre o custo de vida.
Secas e enchentes podem gerar prejuízos
Os efeitos econômicos não ficam restritos ao campo. Eventos extremos também podem destruir estradas, casas e outras estruturas, exigindo grandes investimentos para reconstrução.
Os prejuízos acumulados provocados por secas, enchentes e ondas de calor chegam à ordem de trilhões de dólares no mundo.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, as chuvas de 2024 provocaram mais de 100 deslizamentos em um trecho de 20 quilômetros de estrada. A reconstrução do local foi estimada em R$ 700 milhões, e, dois anos depois, a estrada ainda permanecia em obras.
Além do custo direto para reconstruir a infraestrutura, empresas e produtores também podem ter prejuízos com a interrupção de atividades e a perda de produção.
Pressão sobre a inflação
A combinação de menor produção de alimentos e aumento dos gastos para reparar áreas destruídas pode pressionar a economia.
Quando eventos climáticos reduzem a oferta de alimentos, o efeito pode aparecer nos preços. Ao mesmo tempo, governos e empresas precisam destinar recursos para reconstruir estradas, instalações e outras estruturas danificadas.
Segundo especialistas, esse conjunto de prejuízos pode afetar o crescimento econômico mundial.
O impacto, portanto, pode acontecer em diferentes etapas: o clima extremo prejudica a produção, a menor oferta pode encarecer alimentos e os danos à infraestrutura aumentam os custos de reconstrução.
Um fenômeno global
O El Niño não atinge apenas o Brasil. As alterações provocadas pelo aquecimento das águas do Pacífico modificam a circulação atmosférica e podem provocar efeitos em diferentes partes do planeta.
No episódio atual, cientistas apontam que o fenômeno está ocorrendo em um planeta já mais quente por causa do aquecimento global.
As previsões indicam mais de 90% de chance de um El Niño muito forte. O fenômeno deve atingir o pico em dezembro e pode continuar com intensidade forte ou muito forte durante o primeiro semestre de 2027.
Ainda não é possível saber exatamente quais serão os impactos econômicos em cada região. Mas, conforme o fenômeno avançar, as previsões devem ficar mais precisas sobre os locais e períodos mais afetados.
Por enquanto, os cientistas já sabem que o super El Niño pode representar não apenas um desafio climático, mas também uma ameaça para a produção de alimentos, a infraestrutura e a economia global.
Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados
Reprodução/TV Globo

Limões 'alienígenas' intrigam produtora; entenda o que causa a deformação

Limão nasce deformado, parecendo ‘alienígena’; entenda o que causa
Os limões da produtora Viviane Marques chamaram a atenção pelo formato incomum: alguns nasceram deformados, parecendo até “alienígenas”. Intrigada, ela procurou o Globo Rural para descobrir o que causou o problema.
Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o limoeiro foi atacado por ácaros do tipo “ácaro-das-gemas”.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Nos galhos afetados surgem brotações, e os frutos ficam deformados. Apesar disso, os limões podem ser consumidos. No entanto, podem ter pouco suco.
Para combater os ácaros no limoeiro, é possível usar óleo de nim.
LEIA TAMBÉM
China tenta reduzir dependência de alimentos importados; o que isso significa para o agro brasileiro
Conheça o abacaxi que dura mais tempo após a colheita
Número de vacas leiteiras cai em 13 anos, mas Brasil bate recorde na produção

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Segundo o agrônomo Chukichi Kurozawa, o limoeiro foi atacado por ácaros do tipo “ácaro-das-gemas”.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Nos galhos afetados surgem brotações, e os frutos ficam deformados. Apesar disso, os limões podem ser consumidos. No entanto, podem ter pouco suco.
Para combater os ácaros no limoeiro, é possível usar óleo de nim.
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Câmeras digitais e fones com fio estão de volta. Mas por quê?

Emaranhados de fio dos fones de ouvido são vistos por alguns como um símbolo cultural
Moritz Scholz/Getty Images via BBC
É sábado à tarde e quase tropecei no primeiro obstáculo: deixei a bateria da minha câmera digital carregando em casa. A última vez que usei esta câmera foi há 15 anos, em uma viagem de férias em família para as Ilhas Canárias.
Agora, com a bateria carregada em mãos, vou usar minha câmera digital em um show como um experimento.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
As tecnologias antigas estão em alta — as redes sociais estão cheias de pessoas falando sobre por que estão voltando a itens básicos, como câmeras digitais, fones de ouvido com fio e tocadores de MP3.
As vendas de iPods e Walkman no Reino Unido, através do eBay, aumentaram quase 50% em 2025, segundo informações da plataforma. As buscas por iPod mini na mesma plataforma cresceram 48% no último ano.
‘Mil vezes melhor que celular’: por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta
Câmeras digitais – fotos mais nítidas do que as tiradas com celular?
Por sorte, estou acompanhada da minha melhor amiga, que adora fotografia. Ela me ajuda a ajustar as configurações da câmera e tira fotos enquanto eu estou ocupada na pista de dança.
O simples fato de nos verem sacando a câmera e olhando através do seu minúsculo visor chama a atenção — “Não vejo uma dessas há anos”, comenta um homem.
Ele tem razão — as câmeras digitais tiveram seu auge no final da década de 1990 e início dos anos 2000, pouco antes dos smartphones decolarem.
Atualmente, existem 42 milhões de usuários ativos de câmeras em todo o mundo, sendo que mais de um terço deles tem entre 18 e 30 anos e é amplamente influenciado pelas tendências das mídias sociais, de acordo com um relatório de pesquisa de mercado do ano passado.
A mesma foto foi tirada com uma câmera digital (esquerda) e com um smartphone (direita) — qual você prefere?
BBC
Então, por que, quando estamos cercados por tecnologias mais avançadas em 2026, elas parecem estar ressurgindo?
Para Lily Redman, uma criadora de conteúdo de 26 anos do sul do País de Gales, as câmeras digitais “capturam uma qualidade que meu celular simplesmente não consegue reproduzir”.
Ela tem usado o celular em saídas noturnas e shows e acha que o flash da câmera “é granulado e tem definição muito alta” em comparação com o resultado final “mais suave” de uma câmera digital.
“Acho que as pessoas estão buscando um pouco de autenticidade ou algo que pareça um pouco mais real”, diz ela.
Lily Redman gosta de sair com sua câmera digital
Lily Redman
Isso também pode explicar por que fotos com baixa exposição tiradas com iPhones e Androids – onde as pessoas evitam filtros prontos para reduzir artificialmente a exposição e produzir uma imagem mais escura – também estão populares nas redes sociais atualmente.
Com as câmeras digitais, que oferecem um elemento surpresa ao conectar o leitor de cartão de memória ao computador em casa, elas capturam um momento no tempo.
“Se eu olhar para fotos que minha mãe tirou quando eu tinha dois anos, elas parecem tão antigas, mas quando olho para fotos que tirei há cinco anos, elas parecem ter sido tiradas ontem”, diz Redman.
“As fotos tiradas com celular distorceram nossa percepção do tempo.”
MP3 e a lembrança de ‘tempos mais simples’
Não são apenas as câmeras digitais que estão voltando dos arquivos (ou de um armário empoeirado), mas também os primeiros dispositivos de MP3, como os iPods.
Segundo o site de eletrônicos recondicionados Backmarket, os iPods estão “impulsionando a tendência” nas vendas de dispositivos MP3 mais antigos, com um aumento de 48% nas vendas entre 2024 e 2025, e a demanda por tocadores de MP3 e MP4 “deve acelerar ainda mais em 2026”.
Cheri Sanih, de 30 anos, administra uma conta no Tumblr sobre tecnologia antiga, que, segundo ela, ganhou milhares de seguidores recentemente.
Enquanto percorre a biblioteca de músicas em seu iPod verde-menta, repleto de capas de álbuns de 15 a 20 anos atrás, as lembranças da infância de ter recebido um como presente de Natal voltam à tona.
O iPod verde-menta de Cheri Sanih é uma relíquia do passado
Cheri Sanih via BBC
Para ela, tudo se resume à nostalgia de “querer se lembrar de tempos mais simples” e de poder “mergulhar no escapismo”.
Sanih destaca como seu “celular está sempre recebendo notificações e às vezes eu só quero ouvir música tranquilamente”.
Ela acha que os iPods voltaram a ser populares por causa do seu “design bonito” e do fato de o reprodutor de música ser “o primeiro dispositivo tecnológico realmente pensado para os humanos, com uma interface de usuário menos confusa”.
Conectados por cabo — não por Bluetooth
E por falar em voltar ao básico, os fones de ouvido com fio seguem fazendo sucesso online.
Esses fones de ouvido se tornaram um item essencial no dia a dia de Monique Wellman-Mason, de 23 anos, de Bristol, que se cansou de perder seus fones de ouvido sem fio.
“Toda vez que tiro os fones da bolsa, passo dois minutos tentando desembaraçá-los, o que é um pouco chato”, brinca ela, “mas ao mesmo tempo adoro que eles tenham microfone e que eu esteja [sempre] conectada ao meu celular”.
Por que as pessoas estão abandonando os fones de ouvido sem fio?
Ela contou à BBC que o microfone de alta qualidade é útil para o seu trabalho como gestora de redes sociais e que gosta de poder “despertar essa nostalgia”. Outro ponto positivo é que os fones de ouvido com fio são “muito baratos”, custando cerca de 20 libras (R$ 140).
Monique trocou os fones de ouvido sem fio Bluetooth pelos fones de ouvido com fio há alguns meses.
“A tecnologia só evolui e estamos sempre buscando a solução mais rápida, mas isso é um passo atrás, de certa forma – e eu adorei”, diz ela.
Monique Wellman-Mason prefere fones de ouvido com fio aos modelos sem fio mais sofisticados
Monique Wellman-Mason via BBC
Sejam câmeras digitais, iPods ou fones de ouvido com fio, será que o recente interesse de alguns jovens por aparelhos eletrônicos antigos revela algo mais?
Essa questão tem estado na mente de Andrew Przybylski, professor de tecnologia e comportamento humano na Universidade de Oxford.
Segundo ele, a predileção por tecnologias mais básicas se fundamenta no “desejo profundo das pessoas de controlar suas experiências”.
Ele afirma que o mundo digital moderno muitas vezes nos deixa paralisados pela indecisão – a incapacidade de escolher devido à grande quantidade de opções.
Quando uma nova série é lançada, ele explica, “maratoná-la automaticamente” muitas vezes parece uma decisão imediata.
Em contrapartida, quando você decide ligar uma câmera digital e explorar suas configurações ou adicionar um álbum à biblioteca do seu iPod, “você se move em direção a algo que deseja, em vez de ser abordado por algo que vem até você”.
Andrew diz que “as pessoas querem mais do que simplesmente alugar as coisas [e experiências] pelas quais são apaixonadas” e que comprar sua própria música ou tirar suas próprias fotos cria uma sensação de conexão.
Ele menciona a falha nos servidores do Xbox no final de julho, na qual os usuários não conseguiam jogar mesmo que possuíssem os jogos em discos físicos.
“Imagine se um livro funcionasse dessa maneira”, acrescenta ele.
Reportagem adicional de Amy Walker.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Câmeras digitais e fones com fio estão de volta. Mas por quê?

Emaranhados de fio dos fones de ouvido são vistos por alguns como um símbolo cultural
Moritz Scholz/Getty Images via BBC
É sábado à tarde e quase tropecei no primeiro obstáculo: deixei a bateria da minha câmera digital carregando em casa. A última vez que usei esta câmera foi há 15 anos, em uma viagem de férias em família para as Ilhas Canárias.
Agora, com a bateria carregada em mãos, vou usar minha câmera digital em um show como um experimento.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
As tecnologias antigas estão em alta — as redes sociais estão cheias de pessoas falando sobre por que estão voltando a itens básicos, como câmeras digitais, fones de ouvido com fio e tocadores de MP3.
As vendas de iPods e Walkman no Reino Unido, através do eBay, aumentaram quase 50% em 2025, segundo informações da plataforma. As buscas por iPod mini na mesma plataforma cresceram 48% no último ano.
‘Mil vezes melhor que celular’: por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta
Câmeras digitais – fotos mais nítidas do que as tiradas com celular?
Por sorte, estou acompanhada da minha melhor amiga, que adora fotografia. Ela me ajuda a ajustar as configurações da câmera e tira fotos enquanto eu estou ocupada na pista de dança.
O simples fato de nos verem sacando a câmera e olhando através do seu minúsculo visor chama a atenção — “Não vejo uma dessas há anos”, comenta um homem.
Ele tem razão — as câmeras digitais tiveram seu auge no final da década de 1990 e início dos anos 2000, pouco antes dos smartphones decolarem.
Atualmente, existem 42 milhões de usuários ativos de câmeras em todo o mundo, sendo que mais de um terço deles tem entre 18 e 30 anos e é amplamente influenciado pelas tendências das mídias sociais, de acordo com um relatório de pesquisa de mercado do ano passado.
A mesma foto foi tirada com uma câmera digital (esquerda) e com um smartphone (direita) — qual você prefere?
BBC
Então, por que, quando estamos cercados por tecnologias mais avançadas em 2026, elas parecem estar ressurgindo?
Para Lily Redman, uma criadora de conteúdo de 26 anos do sul do País de Gales, as câmeras digitais “capturam uma qualidade que meu celular simplesmente não consegue reproduzir”.
Ela tem usado o celular em saídas noturnas e shows e acha que o flash da câmera “é granulado e tem definição muito alta” em comparação com o resultado final “mais suave” de uma câmera digital.
“Acho que as pessoas estão buscando um pouco de autenticidade ou algo que pareça um pouco mais real”, diz ela.
Lily Redman gosta de sair com sua câmera digital
Lily Redman
Isso também pode explicar por que fotos com baixa exposição tiradas com iPhones e Androids – onde as pessoas evitam filtros prontos para reduzir artificialmente a exposição e produzir uma imagem mais escura – também estão populares nas redes sociais atualmente.
Com as câmeras digitais, que oferecem um elemento surpresa ao conectar o leitor de cartão de memória ao computador em casa, elas capturam um momento no tempo.
“Se eu olhar para fotos que minha mãe tirou quando eu tinha dois anos, elas parecem tão antigas, mas quando olho para fotos que tirei há cinco anos, elas parecem ter sido tiradas ontem”, diz Redman.
“As fotos tiradas com celular distorceram nossa percepção do tempo.”
MP3 e a lembrança de ‘tempos mais simples’
Não são apenas as câmeras digitais que estão voltando dos arquivos (ou de um armário empoeirado), mas também os primeiros dispositivos de MP3, como os iPods.
Segundo o site de eletrônicos recondicionados Backmarket, os iPods estão “impulsionando a tendência” nas vendas de dispositivos MP3 mais antigos, com um aumento de 48% nas vendas entre 2024 e 2025, e a demanda por tocadores de MP3 e MP4 “deve acelerar ainda mais em 2026”.
Cheri Sanih, de 30 anos, administra uma conta no Tumblr sobre tecnologia antiga, que, segundo ela, ganhou milhares de seguidores recentemente.
Enquanto percorre a biblioteca de músicas em seu iPod verde-menta, repleto de capas de álbuns de 15 a 20 anos atrás, as lembranças da infância de ter recebido um como presente de Natal voltam à tona.
O iPod verde-menta de Cheri Sanih é uma relíquia do passado
Cheri Sanih via BBC
Para ela, tudo se resume à nostalgia de “querer se lembrar de tempos mais simples” e de poder “mergulhar no escapismo”.
Sanih destaca como seu “celular está sempre recebendo notificações e às vezes eu só quero ouvir música tranquilamente”.
Ela acha que os iPods voltaram a ser populares por causa do seu “design bonito” e do fato de o reprodutor de música ser “o primeiro dispositivo tecnológico realmente pensado para os humanos, com uma interface de usuário menos confusa”.
Conectados por cabo — não por Bluetooth
E por falar em voltar ao básico, os fones de ouvido com fio seguem fazendo sucesso online.
Esses fones de ouvido se tornaram um item essencial no dia a dia de Monique Wellman-Mason, de 23 anos, de Bristol, que se cansou de perder seus fones de ouvido sem fio.
“Toda vez que tiro os fones da bolsa, passo dois minutos tentando desembaraçá-los, o que é um pouco chato”, brinca ela, “mas ao mesmo tempo adoro que eles tenham microfone e que eu esteja [sempre] conectada ao meu celular”.
Por que as pessoas estão abandonando os fones de ouvido sem fio?
Ela contou à BBC que o microfone de alta qualidade é útil para o seu trabalho como gestora de redes sociais e que gosta de poder “despertar essa nostalgia”. Outro ponto positivo é que os fones de ouvido com fio são “muito baratos”, custando cerca de 20 libras (R$ 140).
Monique trocou os fones de ouvido sem fio Bluetooth pelos fones de ouvido com fio há alguns meses.
“A tecnologia só evolui e estamos sempre buscando a solução mais rápida, mas isso é um passo atrás, de certa forma – e eu adorei”, diz ela.
Monique Wellman-Mason prefere fones de ouvido com fio aos modelos sem fio mais sofisticados
Monique Wellman-Mason via BBC
Sejam câmeras digitais, iPods ou fones de ouvido com fio, será que o recente interesse de alguns jovens por aparelhos eletrônicos antigos revela algo mais?
Essa questão tem estado na mente de Andrew Przybylski, professor de tecnologia e comportamento humano na Universidade de Oxford.
Segundo ele, a predileção por tecnologias mais básicas se fundamenta no “desejo profundo das pessoas de controlar suas experiências”.
Ele afirma que o mundo digital moderno muitas vezes nos deixa paralisados pela indecisão – a incapacidade de escolher devido à grande quantidade de opções.
Quando uma nova série é lançada, ele explica, “maratoná-la automaticamente” muitas vezes parece uma decisão imediata.
Em contrapartida, quando você decide ligar uma câmera digital e explorar suas configurações ou adicionar um álbum à biblioteca do seu iPod, “você se move em direção a algo que deseja, em vez de ser abordado por algo que vem até você”.
Andrew diz que “as pessoas querem mais do que simplesmente alugar as coisas [e experiências] pelas quais são apaixonadas” e que comprar sua própria música ou tirar suas próprias fotos cria uma sensação de conexão.
Ele menciona a falha nos servidores do Xbox no final de julho, na qual os usuários não conseguiam jogar mesmo que possuíssem os jogos em discos físicos.
“Imagine se um livro funcionasse dessa maneira”, acrescenta ele.
Reportagem adicional de Amy Walker.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados

Trabalhadores veem empresas tolerarem abusos de chefes que entregam resultados
Pexels
O chefe grita, expõe funcionários, faz cobranças excessivas e cria um clima de medo na equipe. Mesmo assim, continua sendo elogiado pela empresa porque entrega resultados. Essa é uma percepção compartilhada por muitos trabalhadores brasileiros.
Uma pesquisa da consultoria CLA Brasil, divulgada com exclusividade ao g1, mostra que 72,7% dos profissionais acreditam que lideranças adotam comportamentos inadequados sob a justificativa da alta performance. Outros 71,8% afirmam que abusos são tratados como algo normal diante da pressão por resultados.
Os números sugerem que, para muitos trabalhadores, o desempenho ainda pesa mais do que a forma como as pessoas são tratadas. O estudo ouviu 303 profissionais por meio de participação espontânea.
“Existe um problema cultural quando a organização começa a enxergar o resultado como uma espécie de salvo-conduto para o comportamento. É a lógica de que ‘ele pode ser difícil, mas entrega’. O problema é que resultado não neutraliza conduta inadequada”, afirma Mariana Rodrigues, especialista em investigações corporativas comportamentais.
Como se identifica o adoecimento mental no trabalho
Segundo ela, em algumas empresas, gestores que batem metas acabam ganhando influência e passam a ser vistos como profissionais difíceis de substituir.
“Para algumas pessoas, a regra fica mais flexível. Ainda que isso não esteja escrito em lugar nenhum, os funcionários percebem essa diferença de tratamento”, diz.
Quando o abuso vira parte da cultura
Gritos, humilhações públicas, ironias frequentes, exposição de erros diante da equipe e cobranças exageradas estão entre os comportamentos que podem acabar sendo tolerados quando o gestor é visto como um profissional de sucesso.
Para Mariana, o problema nem sempre está apenas em um chefe específico. Ela explica que, em algumas empresas, a pressão excessiva vem dos níveis mais altos e acaba sendo reproduzida por toda a cadeia de liderança.
“Quem não se adapta a esse modelo muitas vezes sai. Quem fica acaba entendendo que é assim que se lidera e repassa esse comportamento para a própria equipe”, afirma.
O preço da alta performance
Apesar dos resultados aparecerem no curto prazo, o custo costuma chegar depois.
A pesquisa mostra que 87,8% dos entrevistados acreditam que pessoas pedem demissão ou deixam equipes porque não suportam a forma como são tratadas pelos gestores.
Segundo Mariana, uma liderança abusiva pode até gerar bons números inicialmente, mas cobra uma conta alta mais adiante.
“Uma liderança abusiva pode até produzir resultados no curto prazo, mas tende a gerar custos no médio e longo prazo, como perda de engajamento, aumento do turnover, afastamentos e queda de produtividade”, afirma.
Ela destaca ainda um efeito menos visível.
“Existe ainda um custo menos visível: a perda de confiança. Quando funcionários deixam de se sentir seguros para discordar, pedir ajuda ou apontar problemas, a empresa perde informações importantes. Por isso, uma liderança que entrega resultado destruindo o ambiente ao redor pode estar criando uma falsa eficiência.”
O estudo também mostra um outro fenômeno: 94,5% dos entrevistados acreditam que existe medo de retaliação ao reportar situações de assédio. Para quase metade, esse receio é relevante.
O levantamento mostra que 71,8% sabem como denunciar um caso, mas isso não significa que se sintam seguros para fazê-lo. Apenas 52,9% afirmam que confiariam em fazer uma denúncia atualmente. Outros 29,4% responderam “talvez” e 17,6% disseram que não confiariam.
Para Mariana, a pergunta que passa pela cabeça de quem pensa em denunciar é simples: o que vai acontecer comigo depois?
“O funcionário quer saber, antes de falar: ‘O que vai acontecer comigo depois?’. Se ele acredita que pode perder oportunidades, ser isolado, prejudicado na carreira ou passar a ser visto como uma pessoa problemática, a existência do canal não será suficiente para gerar confiança”.
Essa percepção pode ser ainda mais forte quando a denúncia envolve alguém considerado importante para o negócio.
“Quando profissionais observam que uma liderança poderosa é denunciada e nada acontece, ou que a consequência para quem reporta é maior do que para quem é acusado, a organização ensina, na prática, que denunciar pode representar um risco.”
Por isso, a CLA indica que a principal diferença não está na existência de um canal de denúncias, mas na confiança de que a empresa fará alguma coisa.
Entre os profissionais que acreditam que a empresa trata adequadamente os relatos, 87,5% afirmam que denunciariam uma situação de assédio. Entre aqueles que não confiam na resposta da organização, esse percentual cai para 12,9%.
Para a especialista, é justamente nesses momentos que os funcionários descobrem se as regras realmente valem para todos.
“A maior mensagem que uma empresa passa não está no treinamento nem no cartaz da parede. Está na forma como ela reage quando a denúncia envolve alguém importante para o negócio”, afirma.
A pesquisa mostra que a maioria das empresas já possui ferramentas para lidar com o problema. Segundo os entrevistados, 81,4% trabalham em locais que têm políticas sobre assédio e conduta, e 74,6% afirmam conhecer bem essas regras.
Também houve avanço nos treinamentos: 67,5% dizem que suas empresas promovem capacitações sobre o tema.
Ainda assim, o levantamento aponta que o principal desafio não é criar novas regras, mas fazer com que os funcionários acreditem que elas realmente serão aplicadas, inclusive quando envolvem os chefes que mais entregam resultados.

Empregos em tecnologia crescem mais fora do Sul e Sudeste; salários chegam a R$ 40,5 mil

Empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil.
Reprodução/Unsplash
Os empregos formais em tecnologia da informação e comunicação (TIC) estão crescendo em ritmo mais acelerado fora das regiões Sul e Sudeste do Brasil, embora o mercado continue fortemente concentrado em São Paulo.
É o que mostra um levantamento da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais do Brasil (Brasscom), antecipado ao g1 com exclusividade.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Segundo o estudo, o Brasil tem cerca de 943 mil trabalhadores com carteira assinada em ocupações de TIC. Desse total, cerca de 252 mil postos de trabalho estão concentrados na função de analista de desenvolvimento de sistemas, com salário médio de R$ 8,3 mil.
Já entre as ocupações mais bem remuneradas, diretor de serviços de informática lidera o ranking, com média salarial de R$ 40,5 mil por mês. (veja os rankings abaixo)
Agora no g1
Entre 2023 e 2025, o número de empregos na área cresceu 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste. As taxas ficaram acima das registradas no Sul (3,1%) e no Sudeste (2%).
Apesar do avanço de outras regiões, o Sudeste ainda reúne 62,5% dos empregos formais de TIC do país, com 588,9 mil trabalhadores e salário médio de R$ 6.802. O Sul aparece em segundo lugar, com 17,5% dos postos.
Segundo a Brasscom, o avanço de polos de tecnologia em outras partes do país está relacionado à transformação digital e à maior demanda por profissionais da área.
“Esse movimento reflete a aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais de TIC, valorizou salários e favoreceu a interiorização das oportunidades”, afirma Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação da Brasscom.
São Paulo concentra quase metade dos empregos
Mesmo com o movimento de expansão regional, São Paulo sozinho concentra 44,7% dos empregos formais em TIC do Brasil. São 420.996 trabalhadores, com salário médio de R$ 7.321.
Minas Gerais aparece na segunda colocação, com 83.854 empregos (8,9% do total), seguido pelo Rio de Janeiro, com 71.277 (7,6%). Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná completam a lista dos seis estados com maior número de profissionais.
Veja o ranking:
Ranking regional dos empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)
Estados com mais empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)
No recorte regional, o Nordeste soma 89.643 empregos formais, com salário médio de R$ 3.950. Já o Centro-Oeste tem 62.782 trabalhadores e remuneração média de R$ 4.855. No Distrito Federal, a média chega a R$ 6.622.
O Norte, apesar de ter registrado o maior crescimento percentual entre 2023 e 2025, ainda possui o menor contingente e a menor remuneração entre as cinco regiões: são 36.079 empregos e salário médio de R$ 2.715.
Analista de desenvolvimento de sistemas lidera em empregos
Entre as ocupações analisadas pelo levantamento, analista de desenvolvimento de sistemas é a que reúne mais trabalhadores. Segundo a tabela de dezembro de 2025, são 252.346 empregos formais, com salário médio de R$ 8.335,81.
Na outra ponta, entre as dez ocupações com mais empregos, operador de computador (inclusive microcomputador) apresenta a menor remuneração média, de R$ 2.120,21. Já o técnico de apoio ao usuário de informática, conhecido como profissional de helpdesk, recebe em média R$ 2.333,70.
Apesar da remuneração mais baixa, o helpdesk foi a ocupação que apresentou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com saldo de 7.089 novos postos, segundo a Brasscom.
Veja as 10 ocupações de TIC com mais empregos formais:
Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com mais empregos formais no Brasil
Salários chegam a R$ 40,5 mil
No recorte por remuneração, os maiores salários estão concentrados principalmente em cargos de liderança e funções de alta especialização.
Diretor de serviços de informática lidera o ranking, com salário médio de R$ 40.543,46 por mês, praticamente o dobro dos R$ 20.986,82 pagos, em média, aos gerentes de segurança de tecnologia da informação, que aparecem na segunda posição.
A lista também inclui gerentes, arquitetos, pesquisadores e engenheiros. Entre as dez ocupações mais bem remuneradas, todas têm salários médios acima de R$ 13,7 mil.
Confira as 10 ocupações de TIC com os maiores salários médios:
Ocupações de tecnologia da informação e comunicação (TIC) com os maiores salários médios
O levantamento considera apenas trabalhadores com vínculo pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em ocupações típicas de TIC, como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, técnicos de redes, especialistas em infraestrutura e cientistas de dados.
Por isso, os cerca de 943 mil trabalhadores contabilizados não representam todos os funcionários de empresas do setor de tecnologia. Profissionais de áreas como vendas, logística, jurídico e administração, mesmo quando contratados por essas empresas, não entram nesse recorte.
Um levantamento setorial mais amplo da Brasscom, que inclui essas funções, contabiliza cerca de 2,1 milhões de empregos.
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