Crise econômica, 'santinho' nas redes e mais: casos na Justiça mostram formas mais comuns de assédio eleitoral no trabalho

Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho
Pressão para compartilhar propaganda política no WhatsApp, exigência de “santinhos” em perfis pessoais, vigilância das redes sociais e ameaças relacionadas ao emprego.
Essas são algumas das situações mais frequentes em processos de assédio eleitoral que chegaram à Justiça do Trabalho nos últimos anos e foram analisadas em uma pesquisa inédita do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgada com exclusividade ao g1.
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O estudo mostra como a pressão política ocorre dentro das empresas e quais estratégias são mais frequentemente utilizadas contra trabalhadores durante períodos eleitorais. (saiba mais abaixo)
Muitos desses processos foram ajuizados após o trabalhador deixar o emprego, fazendo com que casos de uma eleição apareçam no ano seguinte.
Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos de assédio eleitoral no país. Os dados estão no Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado após a instituição de mecanismos específicos para identificação desses casos.
➡️ O número de denúncias é muito maior que o de processos que chegam à Justiça. Em 2022, por exemplo, o MPT recebeu 3.370 denúncias de assédio eleitoral, recorde da série. Em 2026, até agora, foram 74 — mas a campanha eleitoral acabou de começar.
É nesse conjunto de casos que o TST buscou entender como o assédio eleitoral acontece na prática. O tribunal fez uma pesquisa qualitativa com 138 processos de todas as regiões do país, selecionados em uma amostra estatisticamente válida.
Terror psicológico é a forma mais comum
A modalidade mais recorrente identificada nos processos foi o chamado terror psicológico, presente em 81,9% dos casos analisados.
🔎 Trata-se da disseminação de narrativas alarmistas sobre possíveis resultados eleitorais. Entre os exemplos estão mensagens associando a vitória de determinado candidato ao fechamento de empresas, perda de empregos, redução salarial, crise econômica ou colapso social.
O ambiente digital também é um dos principais meios de execução do assédio eleitoral. Ferramentas virtuais estiveram presentes em 67,4% dos processos analisados.
A pesquisa identificou práticas como:
criação de grupos de WhatsApp para propaganda política;
envio obrigatório de conteúdos eleitorais;
exigência para compartilhar mensagens políticas;
obrigação de colocar “santinhos” em status pessoais;
monitoramento das redes sociais dos trabalhadores;
fiscalização do posicionamento político dos empregados.
Segundo o TST, o WhatsApp aparece como a principal ferramenta tecnológica utilizada nas práticas de assédio eleitoral.
Ameaças econômicas
Outro mecanismo recorrente identificado pela pesquisa foi a pressão econômica. Ela esteve presente em 61,6% dos processos analisados e inclui situações como:
ameaças de demissão;
ameaças ligadas ao salário;
perda de função ou benefícios;
promessas de vantagens financeiras;
oferta de prêmios e recompensas associadas a posicionamentos políticos.
O estudo aponta ainda que o assédio eleitoral raramente se restringe à conduta isolada de um chefe. Em 92% dos processos analisados, foram encontradas características de assédio institucional, quando a pressão política está associada à própria estrutura ou cultura organizacional da empresa.
Nesses casos, a pesquisa identificou o envolvimento da alta administração nas práticas de assédio, além do uso de canais corporativos para propaganda político-partidária. Também foram relatadas reuniões internas com conteúdo eleitoral, orientações de como se manifestar e convocações de funcionários para atividades de campanha, como carreatas e panfletagens.
Em parte dos casos, houve ainda a utilização da jornada de trabalho para atividades relacionadas às eleições.
Segundo o TST, a maior parte das ações está concentrada em cinco estados. São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina respondem juntos por cerca de 56,3% dos processos registrados.
A maioria absoluta dos processos foi apresentada pelos próprios trabalhadores. Dos 738 casos registrados, 644 foram ajuizados por pessoas físicas.
Justiça reforçou monitoramento
O assédio eleitoral passou a ter identificação própria no sistema da Justiça do Trabalho em 2023, após a edição da Resolução CSJT nº 355. Hoje, o tema conta com:
classificação específica no Processo Judicial Eletrônico (PJe);
monitoramento nacional permanente;
painel estatístico atualizado periodicamente;
identificação territorial dos casos;
acompanhamento por atividade econômica;
monitoramento em tempo real em primeiro, segundo e terceiro graus.
Em julho deste ano, a regra foi atualizada. Juízes que identificarem indícios de assédio eleitoral devem comunicar imediatamente o Ministério Público Eleitoral e o Ministério Público do Trabalho.
Desde 1º de agosto, a Justiça do Trabalho também mantém plantão para analisar medidas urgentes relacionadas a denúncias de assédio eleitoral, como ameaças.
O que a Justiça pode determinar
Além de indenizações, a Justiça do Trabalho pode determinar medidas para interromper o assédio eleitoral, como retirar conteúdos irregulares, divulgar comunicados, promover campanhas e treinamentos, criar canais de denúncia e programas de prevenção.
Também pode proibir o monitoramento de posicionamentos políticos dos trabalhadores ou o uso da estrutura da empresa para propaganda eleitoral.
O descumprimento pode resultar em multas diárias e indenizações por danos morais individuais e coletivos.
Urna eletrônica para votação nas eleições brasileiras
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá
A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, nesta segunda-feira (17).
A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região.
Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente.
Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto.
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O que sabemos
1. Onde está o petróleo
O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico.
Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação.
2. Serão necessários novos poços
A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias.
A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes.
“É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região”, afirmou a presidente da estatal.
Exploração de petróleo na região enfrenta críticas ambientais
Petrobras/Divulgação
3. Por que a Petrobras aposta na Foz do Amazonas — e o que ela tem a ver com o pré-sal
A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma “nova fronteira energética do Brasil”, nas palavras do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian.
A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes.
A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico.
Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035.
O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras.
Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve
Divulgação/Petrobras
4. A descoberta não é, por enquanto, comercial
Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial.
Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial.
5. Há controvérsias
A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro.
O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis.
6. Expectativa já mudou a região
Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável.
A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque.
Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária.
O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água.
O que ainda não sabemos
1. Quanto petróleo existe no Morpho
Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume.
Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área.
A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes.
2. Se a descoberta será economicamente viável
Também não há resposta para essa pergunta.
A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial.
3. Quando — ou se — haverá produção de petróleo
Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área.
Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo — ou mesmo se isso acontecerá.
4. Quais serão os impactos ambientais e sociais da exploração
Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos.
Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas.
Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração.
Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças.
Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental.

Meta enfrenta julgamento que pode forçar mudanças em Facebook e Instagram

Logotipo da Meta no Meta Lab, em Los Angeles, Califórnia (EUA), em 20 de maio de 2026
REUTERS/Daniel Cole/Foto de arquivo
Uma coalizão de 29 estados dos EUA começa a apresentar nesta terça-feira (18), em um tribunal federal da Califórnia, suas acusações contra a Meta Platforms. Os estados afirmam que Facebook e Instagram foram projetados de forma prejudicial à saúde mental de crianças e adolescentes, em um julgamento que poderá levar a mudanças nas plataformas.
Os advogados do Colorado, Califórnia, Nova Jersey e Kentucky, que lideram uma coalizão bipartidária de 29 estados, farão suas declarações iniciais perante um júri de oito integrantes em Oakland. O grupo atua apenas como órgão consultivo da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers, responsável pela decisão final do caso.
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O julgamento analisará as acusações dos quatro estados de que a Meta desenvolveu Facebook e Instagram para estimular o uso compulsivo por crianças e adolescentes e enganou consumidores ao apresentar as plataformas como seguras para usuários mais jovens.
O julgamento também abordará as acusações dos 29 estados de que a Meta coletou e utilizou indevidamente dados pessoais de crianças durante o uso das plataformas, em violação à legislação federal.
Agora no g1
Os advogados da Meta deverão argumentar que a empresa investiu fortemente em medidas para proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.
A empresa afirma que não fez declarações enganosas sobre segurança e que os estados não apresentaram provas de danos concretos causados a seus residentes.
O fundador e CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deverá depor no julgamento, que deve durar várias semanas. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, também deverá prestar depoimento.
Por que julgamento da Meta pode mudar o futuro do Facebook e do Instagram
Desafio judicial
Pelos possíveis impactos financeiros e regulatórios para a Meta, especialistas consideram este o caso mais relevante já enfrentado pela empresa em disputas judiciais relacionadas a jovens usuários de redes sociais. O julgamento ocorre em meio ao debate global sobre os efeitos dessas plataformas na saúde mental de crianças e adolescentes.
A Meta afirmou que as multas em discussão no processo podem chegar a US$ 1,4 trilhão (R$ 7,3 trilhões), valor próximo ao valor de mercado da empresa, estimado em cerca de US$ 1,5 trilhão (R$ 7,8 trilhões). Os procuradores-gerais, porém, ainda não detalharam o montante que pretendem solicitar à Justiça. Em uma audiência realizada na semana passada, eles disseram que o valor pode se aproximar de US$ 200 bilhões (R$ 1,040 bilhão).
A estimativa da Meta considera um cenário de aplicação máxima das penalidades previstas, enquanto os estados indicaram um valor bem inferior durante as discussões preliminares do caso.
Os procuradores-gerais do Colorado, Kentucky, Califórnia e Nova Jersey também pedem que a Justiça obrigue a Meta a adotar mecanismos mais rigorosos de verificação de idade, eliminar recursos como a rolagem infinita e promover outras mudanças em suas plataformas em todo o país.
Em comunicado divulgado antes da abertura dos argumentos, um porta-voz da Meta afirmou que as acusações dos estados não têm fundamento e que a empresa mantém um histórico de medidas voltadas à proteção de adolescentes.
“Os procuradores-gerais não apresentam provas de que alguém em seus estados tenha sido enganado. Eles alegam que recursos inofensivos, como a possibilidade de manter uma conta adicional no Instagram, de alguma forma prejudicaram seus residentes e tentam responsabilizar a Meta por desafios comuns a todo o setor, como a verificação de idade”, disse o porta-voz.
“Em vez de se ater aos fatos e à legislação, os estados decidiram buscar uma indenização exorbitante.”
Como o caso contra a Meta começou
O processo movido pelos estados, em 2023, decorre de uma investigação conjunta sobre os impactos do Instagram e do Facebook em crianças e adolescentes.
A investigação foi anunciada após as revelações de Frances Haugen, ex-funcionária e denunciante da Meta, que prestou depoimento a uma comissão do Senado dos EUA em 2021.
Ela afirmou que a empresa sabia que seus produtos poderiam prejudicar crianças e adolescentes e conhecia formas de reduzir esses riscos, mas optou por não implementar mudanças mais amplas por considerar seus impactos sobre os resultados financeiros da companhia.
Os estados deverão apresentar documentos internos e estudos produzidos pela Meta, além de depoimentos de ex-funcionários e especialistas ligados à empresa.
A Meta e outras empresas de redes sociais, como a Snap Inc, a ByteDance, controladora do TikTok, e a Alphabet, controladora do YouTube, enfrentam pressão crescente de legisladores e dos tribunais.
O processo está entre os milhares de casos movidos contra empresas de redes sociais por estados, municípios, distritos escolares e indivíduos, sob a acusação de que seus produtos causam danos a crianças e adolescentes.
A Meta afirmou que a crescente onda de processos judiciais pode afetar significativamente seus negócios e seus resultados financeiros.

ChatGPT anuncia versão para adolescentes com limites de conteúdo, uso e controle dos pais

Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais
A OpenAI anunciou uma versão do ChatGPT desenvolvida especificamente para adolescentes. A experiência, chamada de ChatGPT para Adolescentes, foi criada para usuários de 13 a 17 anos e combina ferramentas de inteligência artificial para estudos com proteções adicionais de segurança.
Segundo a empresa, adolescentes que declararem ter entre 13 e 17 anos ou que forem identificados pelo sistema como menores de 18 anos serão direcionados automaticamente para a experiência voltada ao público adolescente.
Primeiro a OpenAI, depois a Meta: por que robôs de IA continuam fazendo ataques hackers
A proposta é permitir que jovens usem inteligência artificial para aprender e criar, mas com limites mais rígidos para conteúdos considerados inadequados para a idade.
[bbc] Logo da empresa OpenAI, responsável pelo ChatGPT
Getty Images
ChatGPT ganha recursos voltados para os estudos
Uma das principais mudanças está na forma como a ferramenta deve ajudar os adolescentes com tarefas escolares. Em vez de simplesmente entregar uma resposta pronta, o sistema pode orientar o estudante por meio de perguntas e etapas para que ele chegue à solução.
A experiência inclui o Modo Estudo, que utiliza perguntas orientadoras e explicações passo a passo. Também foram anunciados lembretes para tarefas de casa, que podem identificar quando o estudante parece estar tentando apenas obter uma resposta e direcioná-lo para uma resolução colaborativa.
A OpenAI também incluiu quizzes e recursos de visualização para ajudar os estudantes a praticar o conteúdo e testar o que aprenderam.
➡️Outra novidade são as Horas de Estudo, que permitem definir períodos em que o Modo Estudo será ativado por padrão.
A empresa afirma que o desenho do Modo Estudo foi desenvolvido com participação de professores, cientistas e especialistas em pedagogia e utiliza técnicas como perguntas orientadoras, testes de conhecimento e estímulos para que o estudante explique seu próprio raciocínio.
Proteções contra conteúdos sensíveis
A versão para adolescentes também terá salvaguardas ativadas por padrão. A OpenAI diz que elas foram desenvolvidas para reduzir a exposição de menores a conteúdos potencialmente prejudiciais ou inadequados para seu estágio de desenvolvimento.
Entre os temas que terão proteções específicas estão automutilação, violência, transtornos alimentares, atividades perigosas e conteúdo sexual ou gráfico explícito.
A empresa também pretende ampliar os mecanismos de controle disponíveis para os pais. Contas de adolescentes vinculadas a contas dos responsáveis poderão ter Horas de Silêncio e determinadas configurações administradas pelos pais, além de notificações de segurança em situações consideradas de alto risco.
IA não deve substituir relações humanas, diz empresa
Outro foco da nova experiência é reduzir o risco de dependência emocional da inteligência artificial.
A OpenAI afirma que o ChatGPT para adolescentes terá lembretes para que os usuários façam pausas durante o uso prolongado e elementos que deixem claro que a interação ocorre com uma inteligência artificial.
Para menores de 18 anos, o modelo também não deve utilizar linguagem romântica, incentivar dependência emocional ou sugerir que possui sentimentos ou consciência. A intenção, segundo a empresa, é reforçar a importância das relações no mundo real.
A plataforma também passará a alertar adolescentes antes do envio de imagens privadas ou sensíveis e poderá apresentar lembretes mais frequentes para que eles interrompam o uso após períodos prolongados.
OpenAI quer ensinar adolescentes a usar IA
Além de modificar o próprio ChatGPT, a OpenAI anunciou uma parceria com a CodeAI para ampliar o acesso de estudantes e educadores a ferramentas e recursos de educação sobre inteligência artificial.
A proposta é ensinar adolescentes não apenas a utilizar sistemas de IA, mas também a entender como eles funcionam, questionar suas respostas e reconhecer seus erros.
A empresa também apresentou exemplos de adolescentes que já utilizam o ChatGPT para desenvolver projetos. Entre eles estão estudantes da Virgínia que criaram um sistema que utiliza sinais de Wi-Fi para ajudar na localização de pessoas presas sob escombros e uma jovem do Texas que utilizou a ferramenta para desenvolver uma plataforma de jogos educativos em áudio voltada a estudantes cegos.
Proteções ainda estão em desenvolvimento
A OpenAI afirma que continuará realizando pesquisas sobre o uso de inteligência artificial por adolescentes e testando suas salvaguardas em situações consideradas de maior risco.
A empresa diz que pretende publicar mais avaliações sobre o comportamento dos modelos diante de situações envolvendo menores de 18 anos, incluindo casos relacionados a automutilação, transtornos alimentares, violência, conteúdos com restrição de idade e material sexual.
A companhia afirma que o objetivo é permitir que adolescentes usem inteligência artificial para aprender, criar e explorar novas ideias, mas com mecanismos de proteção compatíveis com a idade e que incentivem hábitos saudáveis e relações fora da plataforma.

Dólar abre em alta, de olho em petróleo e dados de atividade nos EUA

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta terça-feira (18) em alta, com um avanço de 0,25% perto das 9h, cotado a R$ 5,2137. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
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▶️ A nova escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã voltam a colocar o petróleo no centro das atenções. Nesta terça-feira, o principal negociador iraniano afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington cumpra com as condições do acordo provisório. As exigências incluem o fim do bloqueio marítimo e das sanções, bem como a liberação de ativos congelados.
Em meio às tensões, os preços do petróleo ficam no radar. O barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 0,01% perto das 8h45, cotado a US$ 90,88, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 0,50%, a US$ 84,92.
▶️ Na agenda de indicadores, investidores avaliam uma série de novos dados da economia americana. Entre os destaques, estão a variação semanal de empregos do relatório ADP e indicadores de indústria, construção e preços de exportação.
▶️ No Brasil, o mercado segue atento ao varejo brasileiro. No domingo, a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial, fazendo com que investidores olhassem com cuidado para o setor. O ambiente de cautela ocorre enquanto investidores estrangeiros retiram recursos da bolsa brasileira, pressionando os preços dos ativos.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,36%;
Acumulado do mês: +2,58%;
Acumulado do ano: –5,25%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -3,06%;
Acumulado do mês: -6,05%;
Acumulado do ano: +3,79%.
De olho no ambiente corporativo
O mercado também segue atento para os sinais de fraqueza do varejo brasileiro. Na noite de domingo (16), a Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo.
A medida inclui a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.
🔍A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira que permite que empresas com dificuldades financeiras renegociem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar a falência, preservar empregos e permitir que a empresa continue funcionando enquanto busca reequilibrar suas contas.
As notícias voltam a colocar o varejo brasileiro na mira dos investidores, em meio a preocupações sobre o que o fraco desempenho representa para a economia.
Ormuz continua fechado
A nova escalada das tensões entre EUA e Irã também volta a ficar no foco. Nesta terça-feira, o principal negociador iraniano, Mahammmad Baqer Qalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio global antes da guerra, continuará fechado até que Washington cumpra com as condições do acordo provisório.
Entre as exigências, estão o fim do bloqueio marítimo e das sanções, bem como a liberação dos ativos iranianos congelados.
Já na véspera, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou bombardear o Omã caso o governo do pais tente interferir no controle do Estreito de Ormuz. As notícias são da rede de TV Fox News.
“Se Omã se meter, vamos bombardeá-los com força total”, disse Trump em entrevista à Fox, de acordo com a rede de TV.
➡️ Omã é um dos aliados mais antigos dos Estados Unidos no Oriente Médio e vem intermediando as negociações entre EUA e Irã pelo fim da guerra na região. O país também é um dos que margeiam o Estreito de Ormuz, junto de Irã e Arábia Saudita.
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O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
Por quanto tempo o Irã pode sustentar a guerra com os EUA e Israel?
As tensões voltam a levantar preocupações com o Estreito de Ormuz e seus efeitos na inflação e na oferta de energia e petróleo pelo mundo.
Bolsas globais
Na Ásia, as ações chinesas fecharam praticamente estáveis, com a queda nos papéis do setor de inteligência artificial e de tecnologia sendo compensada pelos ganhos das ações de energia, em meio às tensões no Oriente Médio.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, recuou 0,3%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve leve alta de 0,2%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,07% e o Nikkei,, do Japão, teve perdas de 2,54%. O Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,55%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de real e dólar
Amanda Perobelli/ Reuters