MPT processa Uber em R$ 321 milhões por cobrar taxa de motoristas para trabalhar

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Maksim Goncharenok/Pexels
O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública contra a Uber do Brasil para suspender o programa “Passe para Motoristas”, que cobra dos motoristas uma taxa para que eles possam aceitar corridas pelo aplicativo.
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O órgão também pede a devolução dos valores pagos pelos trabalhadores e uma indenização de R$ 321 milhões por dano moral coletivo.
Lançado em 25 de maio deste ano em 12 cidades, o programa já está disponível em 29 municípios, segundo informações divulgadas pela própria Uber. Entre as cidades participantes estão Itabuna e Ilhéus, na Bahia.
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A empresa afirma que pretende expandir o modelo para todo o país. De acordo com os termos do programa, o motorista pode adquirir um passe por período ou por ganhos. Na primeira modalidade, o pagamento dá direito ao uso do aplicativo por 24 ou 72 horas.
Na segunda, o motorista paga uma quantia e fica sem cobrança de taxa de serviço até atingir um determinado limite de faturamento.
O programa também prevê uma ativação automática após a conclusão da primeira viagem considerada elegível.
Como funciona o ‘Passe para Motoristas’
Segundo o MPT, o principal problema está no fato de o trabalhador ter de pagar antecipadamente para ter acesso às condições previstas pelo programa, sem garantia de que conseguirá realizar corridas suficientes para recuperar o valor desembolsado.
Nos próprios termos do serviço, segundo o órgão, a Uber informa que a compra do passe não garante um número mínimo de viagens. As corridas também podem ser direcionadas pelo algoritmo a motoristas que não aderiram ao programa.
Para o Ministério Público do Trabalho, isso faz com que o risco da atividade seja transferido para o motorista. Caso ele não consiga realizar corridas suficientes, pode não recuperar o valor investido.
O procurador do trabalho Luiz Antonio Nascimento Fernandes, responsável pela ação, afirma que o mecanismo pode criar uma situação de dependência econômica e caracterizar servidão por dívida.
“O mecanismo de cobrança do Passe cria uma estrutura objetiva de endividamento permanente: o motorista que não possui saldo suficiente tem suas futuras remunerações retidas automática e integralmente pela Ré. Esse mecanismo perpetua a dependência econômica do trabalhador em relação à plataforma e replica, no ambiente digital, a estrutura de servidão por dívida”, afirma Fernandes na ação.
Segundo o procurador, quando o motorista não possui saldo suficiente, valores de suas futuras remunerações podem ser retidos para quitar o débito com a plataforma. Para o MPT, o mecanismo reproduziria, no ambiente digital, características de um sistema de servidão por dívida.
O órgão também afirma que os valores cobrados podem superar R$ 1 mil por mês, dependendo da modalidade utilizada e da frequência de trabalho do motorista.
MPT processa Uber em R$ 321 milhões por cobrar taxa de motoristas para trabalhar
Reprodução/Uber/MPT
MPT vê risco de fidelização dos motoristas
Outro ponto questionado pelo Ministério Público do Trabalho é o efeito do programa sobre a concorrência entre plataformas.
A avaliação do órgão é que, depois de pagar pelo passe, o motorista teria menos incentivo para trabalhar em outros aplicativos durante o período de validade da assinatura.
Isso ocorreria porque cada hora trabalhada em uma plataforma concorrente representaria um período em que o motorista não estaria utilizando o serviço pelo qual já pagou.
Para o MPT, o mecanismo funcionaria como uma espécie de fidelização indireta, mesmo sem uma cláusula formal de exclusividade.
O órgão também questiona as condições contratuais do programa. Segundo a ação, os termos são definidos unilateralmente pela Uber e permitem que a empresa altere as regras do Passe a qualquer momento e desative o benefício sem necessariamente devolver o valor pago pelo motorista.
Pedido de acesso ao algoritmo
Além da suspensão do programa, o MPT solicitou acesso ao código-fonte do algoritmo utilizado pela Uber.
O objetivo é investigar, entre outros pontos, os critérios utilizados para a distribuição das corridas, a formação dos preços, os mecanismos de precificação dinâmica e os valores efetivamente repassados aos motoristas.
Na avaliação do órgão, o acesso a essas informações é necessário para verificar como o funcionamento do algoritmo interfere na atividade dos trabalhadores e na dinâmica do programa.
“Trata-se de uma cobrança abusiva de valores pela Uber em face dos seus motoristas, valores que podem superar até R$ 1 mil por mês. Em quase todos os países do mundo, há uma regra que proíbe empresas ou agências de cobrarem valores dos empregados para que eles tenham acesso ao trabalho”, afirmou Ilan Fonseca, coordenador nacional de combate às fraudes trabalhistas do MPT.
Segundo Fonseca, a cobrança pode configurar condição análoga à escravidão, hipótese que será analisada no processo.
Essa dinâmica de cobrança gera endividamento ao motorista de app que já começa sua jornada devendo à plataforma e tal condição pode caracterizar o crime de condição análoga à escravidão pela nossa legislação. Por tais motivos, o MPT ingressou com essa medida e estamos confiantes na Justiça para barrar essa funcionalidade ilegal.
A ação foi distribuída à 9ª Vara do Trabalho de Salvador (BA), que deverá analisar os pedidos apresentados pelo Ministério Público do Trabalho.
O MPT pede, entre outras medidas, a suspensão do programa, a restituição dos valores cobrados dos motoristas e o pagamento de R$ 321 milhões por dano moral coletivo.
A ação ainda será analisada pela Justiça, portanto, as alegações apresentadas pelo Ministério Público do Trabalho são objeto de contestação no processo e não representam, neste momento, uma decisão definitiva sobre a legalidade do programa.
O g1 procurou a Uber Brasil, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem.
Justiça determina que Prefeitura de SP autorize Uber a operar moto por aplicativo em até 48 horas

Dólar abre em alta com foco na prévia da inflação de agosto, dívida pública e indicadores dos EUA

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu em leve alta nesta quarta-feira (26), com avanço de 0,10%, cotado a R$ 5,1450, enquanto os investidores acompanham a divulgação de indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.
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▶️ Os investidores acompanham pela manhã a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, pelo IBGE.
▶️O Tesouro Nacional divulga às 14h30 o relatório da dívida pública de julho. No mesmo horário, também será publicado um informe sobre o Plano Anual de Financiamento (PAF) 2026, documento que detalha a estratégia do governo para captar recursos e administrar a dívida ao longo do ano.
▶️Também nesta quarta, a Receita Federal comenta o resultado da arrecadação de julho. O governo arrecadou R$ 289,3 bilhões em impostos, alta real de 9% em relação a julho de 2025. Foi o maior valor já registrado para um mês de julho desde o início da série histórica, em 1995.
▶️ Nos EUA, os investidores acompanham a divulgação da segunda prévia do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre e dos dados de julho do índice de preços de gastos com consumo (PCE), indicador de inflação acompanhado de perto pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,09%;
Acumulado do mês: +1,39%;
Acumulado do ano: -6,35%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +2,07%;
Acumulado do mês: -1,92%;
Acumulado do ano: +8,35%.
Prévia da inflação: habitação e transportes puxam queda
A prévia da inflação no Brasil caiu 0,40% em agosto, segundo o IBGE. Isso significa que, em média, alguns preços ficaram mais baratos neste mês. (veja o que ficou mais caro e mais barato no mês)
A queda foi puxada principalmente por:
🏠 Habitação (como energia elétrica e custos da casa);
🚗 Transportes;
🍎 Alimentos e bebidas.
Mesmo com essa queda em agosto, a inflação ainda acumula 3,09% no ano e 4,24% nos últimos 12 meses. No entanto, esse índice ficou menor do que o registrado no mês anterior, quando estava em 4,52%.
Na prática, a desaceleração da inflação pode aliviar o custo de vida e aumentar as chances de o Banco Central reduzir os juros no futuro, embora essa decisão dependa de outros fatores econômicos.
Bolsas globais
Os mercados em Wall Street fecharam em alta nesta terça-feira, com destaque para as empresas de tecnologia.
O Dow Jones subiu 0,34%, o S&P 500 avançou 0,30% e o Nasdaq teve ganhos de 0,64%.
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira, apoiadas por dados econômicos positivos e pela valorização das empresas do setor de defesa. O índice STOXX 600, que reúne ações de companhias de diversos países europeus, subiu 0,38%, aos 656,72 pontos.
Em Frankfurt, o DAX avançou 0,61%, aos 26.266,14 pontos, enquanto, em Londres, o FTSE 100 ganhou 0,29%, aos 10.886,16 pontos. Na contramão, o CAC 40, de Paris, recuou 0,16%, aos 8.439,20 pontos.
Já na Ásia, o desempenho foi misto. Em Xangai, o SSEC subiu 0,19%, aos 3.889 pontos, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,24%, aos 4.552 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,02%, aos 25.511 pontos, enquanto, em Tóquio, o Nikkei avançou 0,50%, para 65.856 pontos.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

IPCA-15: prévia da inflação cai 0,40% em agosto, puxada por habitação e transportes

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, recuou 0,40% em agosto. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% no ano e de 4,24% em 12 meses. A taxa em 12 meses ficou abaixo dos 4,52% registrados no período imediatamente anterior. Em agosto de 2025, o índice havia registrado queda de 0,14%.
A queda de agosto foi puxada principalmente pelos preços de Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas. Os três grupos registraram recuos de 1,41%, 1% e 0,57%, respectivamente, e contribuíram para a redução do índice em 0,22, 0,20 e 0,12 ponto percentual.
Nos demais grupos, as variações ficaram entre a queda de 0,20% em Vestuário e a alta de 0,66% em Despesas pessoais.
IPCA-15 de agosto
Arte/g1
Veja abaixo a variação dos grupos em agosto
Alimentação e bebidas: -0,57%;
Habitação: -1,41%;
Artigos de residência: 0,04%;
Vestuário: -0,20%;
Transportes: -1%;
Saúde e cuidados pessoais: 0,40%;
Despesas pessoais: 0,66%;
Educação: 0,46%;
Comunicação: -0,02%.
Agora no g1
*Reportagem em atualização
Prazo para atualizar cadastro de habitação começa nesta segunda em Campo Grande
Divulgação