Veja os 5 profissionais de tecnologia mais disputados pelos bancos; setor investirá R$ 3 bilhões em IA

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Os bancos estão ampliando a busca por profissionais especializados em tecnologia à medida que aumentam os investimentos em inteligência artificial, dados, computação em nuvem e segurança digital.
Entre os cinco profissionais de tecnologia mais procurados pelos bancos estão desenvolvedor de software, engenheiro de IA, engenheiro de dados, arquiteto corporativo e engenheiro de DevOps — profissional que atua na integração entre o desenvolvimento de sistemas e as operações de tecnologia.
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A classificação considera os profissionais mais demandados pelas instituições em 2025.
Segundo a 34ª edição da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o orçamento destinado à área deve chegar a R$ 50,4 bilhões em 2026, após crescer 12% no último ano.
Dentro desse montante, os bancos estimam destinar R$ 2,97 bilhões para inteligência artificial, análise de dados e big data — um conjunto de tecnologias usadas para trabalhar com grandes volumes de informações.
Orçamento em tecnologia
Febraban
A expansão da IA também aumenta a necessidade de profissionais capazes de desenvolver, implementar e manter essas soluções. O levantamento mostra que a formação e a atualização das equipes passaram a fazer parte da estratégia da maior parte das instituições.
Os 5 profissionais mais procurados
O desenvolvedor de software aparece em primeiro lugar entre os profissionais de tecnologia mais demandados pelos bancos. É quem atua na criação e evolução dos sistemas e aplicativos utilizados pelas instituições.
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Na sequência está o engenheiro de IA, profissional ligado ao desenvolvimento e à aplicação de soluções de inteligência artificial.
O terceiro colocado é o engenheiro de dados, responsável por trabalhar com as informações utilizadas pelas instituições. Em seguida aparece o arquiteto corporativo, que atua na organização das estruturas de tecnologia das empresas.
Em quinto lugar está o engenheiro de DevOps. A função está relacionada à integração entre o desenvolvimento de sistemas e as atividades necessárias para colocá-los em funcionamento e mantê-los disponíveis.
Ranking das profissões mais buscadas pelos bancos.
Febraban
Tecnologia já reúne 11% dos profissionais dos bancos
Em média, 11% dos profissionais dos bancos trabalham na área de tecnologia. Dentro dessas equipes, a maior concentração está em desenvolvimento, que representa 55% dos profissionais de tecnologia.
A infraestrutura responde por 18% das equipes, enquanto compliance, gestão de riscos e governança representam 8%. Já análise de dados e inteligência de negócios correspondem a 7%, o mesmo percentual registrado por outras áreas. A segurança da informação e cibernética representa 5%.
Capacitação acompanha avanço da IA
A busca por profissionais especializados vem acompanhada de investimentos na capacitação das equipes.
As principais prioridades dos bancos para a requalificação profissional são inteligência artificial e aprendizado de máquina, segurança cibernética e ciência e análise de dados, engenharia e arquitetura de software, ética e governança no uso de dados e IA e computação em nuvem.
A pesquisa mostra que 39% dos bancos já têm estratégias de requalificação implementadas e em execução. Outros 22% estão estruturando essas estratégias, 9% ainda estão em uma fase inicial de discussão e 30% não possuem estratégias.
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Inteligência Artificial

Até 900 km de autonomia e 767 cv: veja 6 novos SUVs que chegam ao Brasil; VÍDEO

Veja os principais SUVs anunciados no Festival Interlagos
Nesta semana, o g1 esteve no Festival Interlagos, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), para mostrar as principais novidades anunciadas para o mercado automotivo. E não há como escapar de uma lista de SUVs.
Confira a seguir seis destaques, com informações técnicas e, em alguns casos, preço já confirmado:
BMW iX3;
Leapmotor B10 REEV;
Jaecoo 5;
DFM Vigo;
IM6;
GAC GS9.
BMW iX3
BMW iX3
O SUV totalmente elétrico inaugura a nova linguagem visual da marca alemã, com linhas mais quadradas e um toque de retrofuturismo dos anos 1980. No Brasil, já está disponível em versão única por R$ 582.950.
O principal destaque é a autonomia proporcionada pela bateria de 108,7 kWh: são 570 km com uma única carga. No modo de máxima economia, a marca promete alcance de até 800 km, suficiente para percorrer os cerca de 600 km entre São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG).
No interior, chama a atenção uma tela que atravessa o painel de ponta a ponta, posicionada próxima à base do para-brisa. O efeito visual lembra um holograma, embora não seja um.
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Leapmotor B10 REEV
Leapmotor B10 REEV
O B10 REEV tem uma proposta mais simples que a do iX3. O SUV chega em setembro e ainda não tem preço divulgado.
O utilitário tem o mesmo visual do Leapmotor B10 já lançado no Brasil, que é totalmente elétrico e custa entre R$ 164.390 e R$ 182.990. O desenho traz poucos ângulos retos e um interior minimalista: até o ajuste dos retrovisores é feito pela central multimídia.
Nesta versão, o motor 1.5 aspirado a gasolina serve apenas para gerar energia. Quem movimenta as rodas é o motor elétrico, alimentado pela bateria.
A Leapmotor promete até 900 km de autonomia com o tanque cheio e a bateria totalmente carregada. A distância equivale a cerca de 90% dos 1.000 km que separam São Paulo (SP) de Brasília (DF).
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Jaecoo 5
Jaecoo 5
Com uma proposta mais simples que a dos demais, o Jaecoo 5 também chega ao Brasil em setembro e ainda não teve o preço divulgado. Entre os modelos da lista, é o que tem o sistema de eletrificação mais simples: um híbrido pleno.
Nesse tipo de híbrido, a bateria é menor e não precisa ser ligada à tomada ou a um eletroposto. Ela é recarregada automaticamente pelo próprio funcionamento do carro, inclusive durante as frenagens.
É o mesmo tipo de sistema híbrido usado no Toyota Corolla Cross, por exemplo. Apesar do porte semelhante, o Jaecoo 5 tem quase o dobro da potência. O Jaecoo 5 entrega 224 cv, contra 122 cv do Corolla Cross híbrido.
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DFM Vigo
DFM Vigo
A DFM é uma marca inédita no Brasil, e os primeiros carros chegam entre outubro e novembro. O Vigo é um dos dois modelos de estreia. O SUV elétrico tem proposta mais discreta e chega ao Brasil a partir de outubro, ainda sem preço divulgado.
O Vigo tem porte semelhante ao do BYD Yuan Pro e ao do GWM Ora 5. Entre os modelos a combustão, pode ser comparado ao Hyundai Creta. Suas linhas mais retas também lembram o visual do SUV coreano.
O interior é mais minimalista que o de outros carros chineses. Um exemplo é o painel de instrumentos digital, “escondido” entre dois vincos do painel.
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IM6
IM6
Entre os modelos mais luxuosos da lista, o IM6 marca a estreia da divisão de luxo IM no Brasil. O SUV elétrico de estilo cupê chega ao país no fim de 2026 e terá até 767 cv de potência e 81,7 kgfm de torque.
Para efeito de comparação, a potência supera os 541 cv do Porsche 911 GTS.
O painel reúne duas telas digitais, uma de 26,3 polegadas e outra de 10,5 polegadas. O interior também tem sistema de som e bancos que lembram poltronas.
A marca não divulgou o preço, mas o g1 apurou que o modelo custará cerca de R$ 400 mil, aproximadamente um terço do valor cobrado pelo Porsche 911 GTS, que parte de R$ 1,2 milhão.
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GAC GS9
GAC GS9
Este é o maior e mais caro carro já lançado pela GAC no Brasil. O preço é de R$ 399.990, e o modelo já está disponível nas concessionárias da marca.
Um dos destaques é a bateria de 44,5 kWh do sistema híbrido plug-in. A capacidade supera a do carro elétrico mais vendido do país, o BYD Dolphin Mini, que tem até 38,8 kWh.
Segundo o Inmetro, o GS9 pode rodar até 114 km apenas no modo elétrico. A autonomia é suficiente para percorrer os cerca de 95 km entre São Paulo (SP) e Campinas (SP).
O SUV acomoda seis pessoas, tem acabamento em couro nappa e oferece ventilação, aquecimento e até massagem nos bancos da primeira e da segunda fileiras. Os assentos também podem ser reclinados, em uma configuração que lembra a primeira classe de aviões.
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SUVs anunciados no Festival Interlagos
arte/g1

Energia de telhado: geração distribuída avança e desafia o equilíbrio do sistema elétrico

Superoferta de energia solar provoca sobrecarga no sistema elétrico brasileiro e obriga desligamento de usinas
Reprodução/Jornal Nacional
O Brasil tem 4,6 milhões de consumidores que também são micro ou minigeradores de energia. Eles representam cerca de 5% do total de consumidores e produzem energia no próprio local de consumo ou bem próximo a ele. 
Residências, estabelecimentos comerciais e propriedades rurais estão entre os locais que geram a própria energia por meio dos painéis solares.
A chamada geração distribuída mudou a cara da matriz energética brasileira, com incentivos à expansão das fontes renováveis de energia (leia detalhes abaixo).
Por outro lado, ela impôs desafios ao sistema elétrico, que precisa manter, a cada instante, o equilíbrio entre a quantidade de energia produzida e a quantidade de energia consumida.
☀️As energias renováveis, que incluem a solar e também a eólica, são fontes de eletricidade cuja geração depende de condições naturais, que não necessariamente coincidem com a necessidade de consumo de energia. 
Por essa característica, elas são conhecidas como intermitentes. Períodos de elevada geração de energia podem contrastar com períodos de baixa demanda por energia, principalmente aos fins de semana.
Em determinados horários, pode haver mais energia sendo produzida do que o sistema consegue absorver naquele momento. Como a energia não pode ser armazenada em larga escala para ser consumida depois, o ONS precisa adotar medidas para equilibrar geração e consumo e preservar a segurança da operação.
No último domingo (23), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez, um mecanismo para reduzir esse descompasso.
O operador determinou que as distribuidoras cortassem cerca de 1 gigawatt (GW) de geração entre 11h e 13h30. Situação semelhante já havia ocorrido em junho, quando o instrumento foi acionado pela primeira vez.  
Incentivo à geração distribuída 
A expansão da geração distribuída está relacionada, segundo especialistas e entidades ouvidas pelo g1, ao incentivo dado àqueles que optam pela instalação dos painéis solares.
De forma geral, o consumidor paga pela energia que consome, pelo custo da transmissão e pelos investimentos que uma distribuidora faz para montar a rede de distribuição.
Mas quem gera a própria energia não paga pela distribuição como os demais consumidores. 
O Marco Legal da Geração Distribuída, sancionado em 2022, estabeleceu que esse benefício vale até 2045 para quem solicitou o serviço até janeiro de 2023.
Para quem fez a adesão depois, a lei fixou dois grupos de transição, dependendo da data da adesão (veja aqui).
De forma gradual, o consumidor passou a ter uma cobrança pelo uso da infraestrutura elétrica quando ele injetar energia na rede.
Para Clauber Leite, diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, os subsídios ajudaram a viabilizar a transformação da matriz energética brasileira, mas passaram a representar um desafio para o setor e um peso relevante na conta de luz.
“Para se ter uma ideia, a Aneel estimou a CDE [Conta de Desenvolvimento Energético] em R$ 52,7 bilhões para 2026, sendo cerca de R$ 47,8 bilhões pagos diretamente via tarifa. A parte ligada à expansão da GD [geração distribuída] e a outros subsídios é o ponto mais sensível do debate, porque transfere custos para consumidores que, muitas vezes, não têm condições de instalar painéis”, contextualiza. 
💡A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) financia políticas públicas do setor, entre elas, o incentivo à geração distribuída. Os recursos vêm da União e, principalmente, dos consumidores, por meio dos encargos incluídos na conta de luz.
Cortes de geração
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que os cortes de geração para equilibrar oferta e demanda já são uma ocorrência rotineira no sistema elétrico brasileiro. Eles tendem a ser mais frequentes nas horas de maior geração solar e nos fins de semana, quando a demanda por energia costuma ser menor, especialmente por causa da redução das atividades comerciais e industriais.
Segundo Roberto Brandão, diretor técnico-científico do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mesmo quando o ONS reduz a geração de fontes que consegue controlar, como hidrelétricas e termelétricas, ainda pode haver excesso de oferta.
“O ONS tende a reduzir a geração hídrica ao mínimo, a térmica ao mínimo, mas, mesmo assim, tem mais geração do que consumo e vai cortando. Corta eólica, corta solar, centralizada”, explica Brandão.
Nesses momentos, o ONS precisa agir para evitar problemas na operação do sistema. A atuação afeta as chamadas usinas tipo III, que normalmente não são despachadas diretamente pelo ONS.
“São geradores que normalmente não são despachados pelo ONS. (O operador) não tem poder de reduzir a geração desses geradores. Então, montou-se um esquema para que as distribuidoras, que são quem efetivamente recebem essa geração, organizem o corte”, acrescenta ele. 
Prejuízos ao setor
A consultoria Volt Robotics estimou que, em 2025, os prejuízos decorrentes dos cortes na geração de energia solar e eólica somaram R$ 6,5 bilhões.  
Para Joisa Dutra, do Centro de Estudos em Regulação e Infraestrutura (Cebi) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o excesso de energia e a consequente necessidade de cortes na geração comprometem o retorno dos investimentos realizados no setor. Segundo ela, o cenário provoca perdas financeiras relevantes e, em alguns casos, pode dificultar o cumprimento das obrigações assumidas por investidores.
“Com isso, esses investimentos têm os seus retornos comprometidos. Isso já se traduz em perdas financeiras importantes e, em alguns casos, em dificuldades para honrar investimentos que foram feitos”, diz a pesquisadora. 
Alternativas
O ONS afirmou que avalia medidas para melhorar, no futuro, o equilíbrio entre carga e geração. Entre as ações estão a possibilidade de ampliar o uso de sistemas de armazenamento de energia, o fortalecimento contínuo da infraestrutura de transmissão e a incorporação de novas cargas eletrointensivas, como os data centers, que passam a ter participação crescente no Sistema Interligado Nacional.
A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) defende a adoção de sinais econômicos horários nas tarifas das distribuidoras e a exigência de mecanismos de supervisão e controle para consumidores com geração distribuída. A entidade cita ainda a restrição de novos acessos em áreas com capacidade esgotada e a instalação de sistemas de armazenamento no SIN.
Outra frente apontada pela associação é o estímulo ao aumento da demanda por eletricidade. Entre as medidas defendidas estão a eletrificação da indústria, a expansão da mobilidade elétrica, o crescimento dos data centers e o desenvolvimento do hidrogênio verde.

Justiça suspende demissões de funcionários da Casas Bahia após fechamento de três lojas no ES

Unidade da Casas Bahia: três lojas foram fechadas no Espírito Santo
Varejo/Divulgação
A Justiça do Trabalho determinou a suspensão provisória das demissões em massa feitas pelas lojas do Grupo Casas Bahia no Espírito Santo. A decisão, publicada na quinta-feira (27), é da 1ª Vara do Trabalho de Vitória, em uma ação civil pública movida pelo Sindicato dos Empregados no Comércio no Estado do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES).
Em recuperação judicial, a empresa fechou 298 lojas em uma operação de abrangência nacional realizada entre os dias 13 e 14 de agosto e promoveu o desligamento de milhares de funcionários.
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No Espírito Santo, foram encerradas as atividades de três unidades na Grande Vitória: a Pontofrio no Shopping Vitória, e as lojas Casas Bahia nos shoppings Praia da Costa (Vila Velha) e Mestre Álvaro (Serra), com aproximadamente 100 funcionários desligados.
Com a decisão, os trabalhadores demitidos nas condições apontadas pela ação deverão ter os vínculos empregatícios provisoriamente restabelecidos e ser reincluídos na folha de pagamento em até cinco dias após a intimação da empresa, ou seja, até o dia 1º de setembro. A medida garante salários futuros e benefícios contratuais.
Entenda a decisão
Em análise inicial, o juiz Luis Eduardo Soares Fontenelle considerou que houve indícios de descumprimento da exigência de intervenção sindical prévia estabelecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para dispensas coletivas.
Segundo o Tema 638 do STF, a participação do sindicato antes das demissões em massa é uma exigência procedimental, embora isso não signifique que a entidade tenha poder de veto sobre os desligamentos.
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A decisão foi tomada em caráter de tutela provisória de urgência, ou seja, não representa o julgamento definitivo da ação. O juiz destacou a necessidade de equilibrar a proteção aos trabalhadores com o princípio da preservação da empresa.
O presidente do Sindicomerciários, Rodrigo Rocha, comemorou a decisão da Justiça, mas reforçou que a decisão ainda não é final.
“A decisão representa uma vitória importante, mas é provisória e a luta ainda não terminou. Vamos fiscalizar rigorosamente o seu cumprimento para garantir o restabelecimento dos vínculos, salários, planos de saúde e demais benefícios”, disse Rodrigo Rocha, presidente do Sindicomerciários.
A reportagem entrou em contato com o Grupo Casas Bahia em busca de um posicionamento da empresa, mas não recebeu uma resposta até a última atualização desta reportagem.
Quais são as garantias?
Apesar de restabelecer os vínculos empregatícios, a decisão não determina a reabertura das lojas que foram fechadas. A Casas Bahia poderá realocar os funcionários em outras unidades que continuam em funcionamento no Estado ou mantê-los em afastamento remunerado enquanto ocorre o diálogo com o sindicato.
O magistrado ainda decidiu que valores rescisórios que já tenham sido pagos não precisam ser devolvidos imediatamente pelos trabalhadores.
Os planos de saúde e demais benefícios assistenciais de caráter continuado também deverão ser restabelecidos em até 48 horas, mantendo as condições originais de custeio e coparticipação.
A Justiça também proibiu novas dispensas coletivas ou em massa relacionadas à Fase 2 do Plano de Transformação no Espírito Santo sem a prévia e efetiva intervenção do sindicato. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa de R$ 10 mil por empregado dispensado.
Sindicato deverá ser consultado
A Casas Bahia terá ainda 48 horas para convocar formalmente o Sindicomerciários para iniciar o procedimento de diálogo sindical sobre as medidas de reestruturação no Estado, prazo que se encerra neste sábado (29). A empresa deverá fornecer informações sobre os postos afetados e as medidas de mitigação, sem que seja obrigada a obter consenso com o sindicato.
Outro ponto determinado pelo juiz é a preservação de documentos relacionados à reestruturação. A empresa deverá manter e-mails corporativos, arquivos eletrônicos, bases de dados de recursos humanos, registros de rescisões e deliberações da diretoria relacionados ao plano e aos desligamentos. A comprovação deverá ser apresentada no processo, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, limitada a R$ 500 mil.
Também em 48 horas, a empresa deverá apresentar à Justiça a relação das lojas fechadas no Estado, com Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e localização, o número de empregados desligados por estabelecimento e as respectivas datas, além das alternativas de remanejamento avaliadas.
A relação nominal dos trabalhadores dispensados, com informações como nome, Cadastro de Pessoa Física (CPF), cargo, remuneração e documentos rescisórios, deverá ser apresentada sob sigilo. O descumprimento pode resultar em multa diária de R$ 20 mil, limitada a R$ 500 mil.
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Justiça protege Casas Bahia de cobranças por 180 dias durante recuperação judicial

Recuperação judicial: entenda o instrumento usado pelo Grupo Casas Bahia
A Justiça de São Paulo decidiu, na sexta-feira (28), antecipar os efeitos da recuperação judicial do Grupo Casas Bahia e suspender, por 180 dias, as ações de cobrança e execuções contra a empresa.
A medida busca evitar que credores retirem recursos da companhia enquanto ela tenta reorganizar suas finanças.
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O grupo varejista entrou com pedido de recuperação judicial na semana passada. A medida abrange a própria companhia e outras nove empresas do grupo e tem como objetivo reorganizar as finanças, renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e garantir a continuidade das operações.
Corrida de credores motivou decisão
Na decisão, a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira considerou o argumento apresentado pela companhia de que, após o pedido de recuperação judicial, houve uma “corrida de credores” para tentar receber valores da empresa.
Em poucos dias, cerca de R$ 9 milhões foram bloqueados por decisões judiciais.
Para a magistrada, deixar a empresa sem proteção nesse momento poderia comprometer a recuperação financeira e colocar em risco a continuidade das operações.
Por isso, ela antecipou os efeitos da recuperação judicial antes mesmo da análise definitiva do pedido, concedendo o chamado stay period.
🔎 O stay period é a suspensão temporária das cobranças judiciais contra uma empresa em recuperação judicial, permitindo que ela negocie suas dívidas e tente reorganizar suas finanças.
No caso da Casas Bahia, a Justiça determinou que o prazo de 180 dias seja contado a partir de 19 de agosto de 2026, com término previsto para 15 de fevereiro de 2027.
Durante esse período, ficam suspensas a maioria das ações e execuções contra o grupo, embora a medida não alcance, por exemplo, execuções fiscais e alguns créditos que, por lei, não se submetem à recuperação judicial.
Antes de decidir se aceita definitivamente o pedido de recuperação judicial, a Justiça determinou a realização de uma constatação prévia.
Nessa etapa, uma empresa especializada fará uma análise da documentação e da situação financeira do grupo. O laudo deverá ser entregue em até 30 dias.
Bancos e credenciadoras terão de liberar acesso a recursos
A decisão também obriga o BTG Pactual a restabelecer o acesso da Casas Bahia às suas contas bancárias e determina que as empresas de meios de pagamento Cielo, Getnet e Redecard deixem de reter recursos da companhia apenas em razão do pedido de recuperação judicial.
Caso descumpram a decisão, as instituições poderão pagar multa diária de R$ 100 mil.
A Justiça também homologou a desistência de pedidos feitos pela empresa contra o Banco do Brasil, rejeitou o pedido do banco para aplicar multa por má-fé processual e autorizou a participação de entidades sindicais como terceiras interessadas no processo.
Na petição inicial, a Casas Bahia afirmou que o Banco do Brasil figurava como garantidor de contratos firmados pela varejista com a Apple e a Mapfre Seguros.
De acordo com a empresa, após o pedido de recuperação judicial, essas garantias teriam sido acionadas pelos credores.
Em seguida, segundo a companhia, o banco teria descontado cerca de R$ 422 milhões das contas do grupo para ressarcir os valores desembolsados.
O Banco do Brasil contestou a versão da Casas Bahia. Segundo a instituição, o desconto de R$ 422 milhões nas contas da empresa nunca foi realizado.
O banco também afirmou que a varejista apresentou informações incorretas à Justiça e pediu que ela fosse punida por agir de forma desleal no processo, ao fazer uma alegação que, segundo a instituição, não correspondia aos fatos.
O g1 procurou a Casas Bahia e o Banco do Brasil para comentar o processo. Até a publicação desta reportagem, a varejista não havia se manifestado. O BB informou que não comentará o caso.
Juros altos e falta de crédito pressionaram a empresa
Unidade da Casas Bahia: três lojas foram fechadas no Espírito Santo
Varejo/Divulgação
O Grupo Casas Bahia entrou com um pedido de recuperação judicial para renegociar cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas e reorganizar sua estrutura financeira.
A empresa atribui a decisão ao cenário de juros elevados, restrição ao crédito, aumento do custo financeiro e enfraquecimento do consumo, fatores que reduziram sua capacidade de gerar caixa.
Segundo a companhia, tentativas de captar novos recursos, incluindo negociações com investidores nacionais e internacionais e uma possível oferta de ações, não avançaram, levando à necessidade de recorrer à recuperação judicial.
O pedido ocorre após cerca de três anos de medidas para tentar reverter a crise. Desde 2023, a varejista fechou lojas consideradas deficitárias, cortou milhares de postos de trabalho e implementou um plano de redução de custos e aumento da eficiência.
Em 2024, renegociou R$ 4,1 bilhões em dívidas por meio de uma recuperação extrajudicial, mas avaliou que a piora do ambiente econômico impediu a recuperação das finanças. Já em agosto deste ano, anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários.
Segundo a varejista, as lojas físicas, o comércio eletrônico e os demais canais de venda continuarão funcionando normalmente durante o processo, que também busca preservar mais de 20 mil empregos.